Contoterapia: Resumo de publicações

Nesse espaço pretendo fazer um resumo, com links para todas as publicações sobre este tema. Assim será mais fácil encontrar os post’s relacionados à  Contoterapia.

Para entender a Contoterapia:

1 – Contoterapia – Que bicho é esse? Através deste post explico o que é a contoterapia, e faço uma breve introdução de como utilizá-la na educação emocional.

2 –  Metáforas, contos e contação: a contoterapia na prática – Oficina de emoções. O que é e como utilizar a metáfora terapêutica. Além disso, explico como utilizar o Conto “Carlota não quer falar”  para fazer uma oficina de emoções.

3 –  Conto Terapêutico e Bem-estar psicológico. Uma outra visão da contoterapia. Se entende por conto terapêutico a todo conto escrito por um sujeito a partir da situação traumática mais dolorosa que tenha vivido e cujo conflito conclui com final “feliz” ou positivo; ou seja, que a situação traumática vivida no passado se resolve positivamente no conto (Bruder; 2004).

 Artigos variados sobre Contoterapia:

1 – Você acha que é possível contar contos para adolescentes?  Contos contos a adolescente parece algo difícil, porém se abrimos a nossa mente, veremos que isso é possível. Mostrarei que a contoterapia é uma excelente ferramenta para conectar com os adolescentes.

2 –  O Pescador e o Gênio: Análise simbólico de um conto polissêmico.  Quero compartilhar com vocês esse conto que faz parte das histórias de “As mil e uma noites”. Um conto cheio de simbolismo que pode ser uma excelente ferramenta para todos os públicos.

3 –  Toma nota: Menos sermões e mais histórias, seus filhos agradecerão e crescerão. um sermão geralmente entra por um olvido e sai pelo outro. Vou compartilhar com você o segredo para ser escutado pela sua criança ou adolescente.

4 –  Minha Experiência: TDAH, educação emocional e contoterapia. Realmente funciona?

5 – Por que contar contos às crianças? Nesse post comento sobre os benefícios de contar contos às crianças e explico o que é o “horizonte de significado”.

  Post com material incluido (Educação Emocional) 

1 –  Quando a tristeza se disfarça de fúria: uma atividade para desenvolver a consciência emocional. Atividade formada por um conto, mais material de apoio gratuito para ajudar a trabalhar a consciência emocional, para todas a idades.

2 –  O seu filho morde? Vem conhecer a Jaquinha, um lindo conto que fala sobre essa fase da criança. Resenha do Conto “A Jacarezinho que mordia”, com material para baixar  e proposta de atividades.

3 –  Carlota não quer falar, un conto com muitos valores: Com esse post apresento o meu conto “Carlota não quer falar”, além de oferecer um montão de materiais gratuitos para trabalhar a educação emocional das crianças.

logo do blog a caixa de imaginação

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Resenha: O Guardião das Coisas Pequenas, por Alejandro M.

(Para leer este texto en castellano pincha aquí) 

Guardião das coisas pequenas 1

Hoje vou compartilhar com vocês uma resenha muito especial, porque é a primeira resenha feita pelo meu pequeno leitor de 7 anos. Alejandro gosta muito de ler, por isso pensamos que seria uma ótima ideia que ele colaborasse comigo aqui no blog, fazendo ao menos uma resenha ao mês dos livros que ele lê. Penso que é uma excelente forma de fortalecer nossos vínculos além de melhorar a sua autoestima. Espero que gostem!

  Se você tivesse que contar para alguém como é esse livro, como o descreverias:

É uma história muito engraçada! Conta a história do Guardião das coisas pequenas, que é um homenzinho que tem 4 olhos e coleciona coisas pequenas como se fossem tesouros; por exemplo: uma pluma que lhe presenteou um pássaro. Ele passa a vida viajando pelos cinco continentes para encontrar tesouros para sua coleção:  Muropa, Pamérita, Lásia, Táfrica,  Doceania.

Para buscar novos tesouros ele vive muitas aventuras: Ele recebe de presente uma pequena caixa que contem um oceano dentro; pega um bebê recém nascido para a sua coleção (acaba devolvendo porque o bebê começa a crescer); é engolido por uma baleia, mas consegue sair.

Finalmente o Guardião das coisas pequenas compreende que tudo tem o seu valor: não importa se são pequenas, medias ou grandes; todas as coisas na vida possuem uma beleza própria.


Guardião das coisas pequenas 2

“Nunca é tarde para mudar de profissão, não acha? Esta parece uma terra ideal para mudar de vida. No final das contas, que tem de ruim em crescer”

 O Guardião das Coisas Pequenas foi escrito por Begoña Oro, uma escritora espanhola muito criativa. Apesar de ter nascido na Espanha, e ter o Castelhano como primeira língua, Alejandro não teve nenhuma dificuldade para ler este livro que está em português, que é a minha língua materna.

Você acha que é possível contar contos para adolescentes?

(Para ler o texto em português clica aqui)

Sim, claro que é possível! Mas você deve estar disposto a rir de si mesmo. Não é nada fácil estar diante de um grupo de  adolescentes e saber que eles estão pensando:  O que essa estranha está fazendo aqui? Eu não sou mais uma criança para me contem contos! 

Se você se atreve a prosseguir e passar o limite do “ridículo”, você verá que é possível conquistar seus corações,  e lhe garanto que essa é uma sensação maravilhosa.

Agora vou lhe explicar como usei duas histórias para trabalhar com adolescentes sobre a importância dos sonhos como objetivos nos quais temos que trabalhar. Você também pode usar esse material com adultos.

1 – Histórias utilizadas:

2 – Porque escolhi estas histórias:

Ambas  histórias apresentam uma pessoa normal como protagonista. Tanto Davi quanto o Pescador estavam desprovidos de habilidades especiais que fizessem deles pessoas importantes aos olhos dos outros, apesar dessa aparente simplicidade, ambos venceram a gigantes. Todos nós temos gigantes que precisamos vencer para alcançar nossos sonhos. Na grande maioria das vezes esses gigantes estão dentro de nós.

“Os contos de fadas podem ser aventuras adoráveis, mas também lidam com um conflito universal: a luta interna entre as forças do bem e as forças do mal”. (Sheldon Cashdan em “A bruxa deve morrer”)

Penso que todos temos defeitos de caráter que podem nos impedir de alcançar nossos sonhos/objetivos. Se quisermos continuar nosso caminho de crescimento pessoal,  que nos conduzirá até aquilo que almejamos,  precisamos identificar quais são esses gigantes que necessitam ser vencidos. Somente assim chegaremos ao nosso “final feliz”.

É importante esclarecer que o objetivo desta atividade é plantar sementes na mente dos adolescentes. Todo plantio é um processo, como um caminho que deve ser trilhado.  As historias são sementes, as plantamos na mente e esperamos que elas despertem, transformando-se em frutos.

3. Contação:

Como eu já conhecia a grande maioria dos adolescentes que participaram da atividade, decidi usar como técnica narrativa uma dramatização através de um monólogo, onde representava uma guerreira amazona.  Como conhecia muito bem ambas história, utilizei  improvisação: conversei com os assistentes, fiz piadas rindo de suas roupas;   às vezes me mostrava feroz  e às vezes engraçada. Contei primeiro a história de Davi e Golias e depois o conto do Pescador e do Gênio. Eles adoraram! 

Claro que é possível contar as histórias sem a teatralização. Mas, certifique-se de que a narração é atraente.

Foto genio y pescador claudine

4. Como desenvolver a atividade de apoio

Depois de contar a historia lancei algumas perguntas. Pedi para eles pensarem nos sonhos que queriam alcançar.    O que deseja fazer profissionalmente? Que tipo de pessoa desejas ser dentro de alguns anos? Você planejou se casar e ter filhos? Que tipo de pai ou mãe desejas ser?

Pedi-lhes que pensassem sobre suas características, suas qualidades e habilidades: você possui as habilidades necessárias para conquistar seus sonhos? Que habilidades lhe faltam? Quais são as qualidades que o ajudarão a alcançar esses objetivos?

Agora pense nos seus defeitos: Você é impaciente? Você se frustra facilmente? Você é impulsivo? Quais são os gigantes que podem impedir que você atinja seus sonhos? Como você pode vencê-los?

Bem, você já fez uma avaliação agora pensemos em uma árvore, você é essa árvore. Essa árvore tem raízes, tronco e o copo onde estão os frutos. Vamos visualizar esta árvore e transformá-la em algo mais real (é como um jogo simbólico).

Vamos fazer um jogo inverso, isto é, primeiro identificaremos os sonhos que queremos colocar na nossa árvore, vamos começar a partir daí, porque será mais fácil saber quais as ações e qualidades que precisamos desenvolver, quando conhecemos o que sonhamos.

  • Os frutos:   são os sonhos. ex. Eu quero ser médico; Quero escrever um livro; Eu quero viajar para um país distante e viver grandes aventuras.
  • O tronco: no tronco estarão escritas as ações que precisamos desenvolver ao longo do tempo para que esses frutos/sonhos se tornem reais. Ex. Para fruto / sonho: quero ser médico, minhas ações serão: serei um bom estudante, terminarei o colégio, e me esforçarei para entrar na faculdade de medicina. Quando esteja na faculdade darei prioridade aos estudos, etc.
  • As raízes: as raízes da árvore serão nossas qualidades, as que devem ser a base da nossa personalidade e que nos ajudarão a produzir as ações necessárias para alcançar nossos sonhos. Temos que escrever essas qualidades, as que temos e as que precisamos ter. Ex. Do fruto / sonho: quero ser médico, minhas ações serão: serei um bom estudante, terminarei o colégio, e me esforçarei para entrar na faculdade de medicina.etc. Minhas raízes serão: paciência, perseverança, dedicação, amor para com meu próximo, etc.

Podemos fazer a árvore de duas maneiras:

  • Uma grande árvore em comum, isto é, para todos os participantes (ou grupos, se participam mais de 10 pessoas): onde cada participante colocará seu fruto / sonho na parte superior da árvore, essa fruta será feita com a palma da mão pintada com guache.
  • A4 árvore individual: cada participante terá sua árvore individual, onde fará as anotações da atividade, conforme explicado acima. Na atividade que fiz, deixei cada participante desenhar sua própria árvore. Porém não recomendo que seja assim, já que se dedicaram mais ao desenho do que na parte escrita dos sonhos, que era o objetivo real. Por esse motivo, recomendo levar um desenho em preto e branco de uma árvore simples como base para fazer as anotações da atividade.

Importante: alguns não se sentem confortáveis ​​expondo seus sonhos, então você deve deixar claro que é algo pessoal e que outras pessoas não terão acesso a ele.

Finalmente, cada participante pode levar a sua árvore à casa. Mas, para que a atividade tenha um impacto na vida desses adolescentes, seria interessante fazer o seguinte:

O professor recolhe todos os desenhos, colocando cada um dentro de um envelope  com o nome de quem o fez.
No final do ano o professor pode devolver este envelope com outra carta escrita pelo próprio professor, onde ele fala sobre as qualidades do aluno, encorajando-o a continuar lutando contra seus gigantes, a melhorar como pessoa, a se olhar constantemente no espelho para fazer uma análise de seus comportamentos e assim poder alcançar os seus sonhos.

 

Se você nunca trabalhou com adolescentes, é importante saber algumas coisas:

  • Não tenha medo do ridículo: se eles vêem medo em seus olhos, fim de trajeto.  É possível que eles façam piadas, pequenos comentários para te deixar com dúvidas, para atacar a sua confiança, ou simplesmente para fazer de palhaço diante dos amigos. Mostre-lhes que você não tem medo do ridículo, que, na verdade, você se expõe ao “ridículo” por iniciativa própria (o ridículo ao que me refiro é aos olhos deles, porque não tem nada de vergonhoso contar contos).  Se eles percebem que não podem te tocar nesse lado, eles vão deixá-lo em paz.
  • Trate-os com respeito: sim, você pode fazer piadas sobre eles, não tem problema. Mas eles devem perceber que você se importa por eles. Se você quer ser ouvido,    deve estar disposto a ouvi-los também. Se quiser ensinar-lhes algo, deve aceitar que talvez eles não concordem com sua idéia, e   podem dizer isso abertamente, sem que seja um drama.
  • Não minta para eles: os adolescentes não podem suportar hipocrisia e mentiras. Se você tem dúvidas, se não sabe a resposta, reconheça. O grande problema que os adolescentes têm com seus pais é quando estes exigem atitudes que eles mesmos não estão dispostos a ter. Então não faça o mesmo, você os perderá.
  • Lembre-se de que você  está controle: Ainda que você não tenha todas as respostas; mesmo que admita que tem dúvidas, não significa que você não esteja (ou possa estar) no controle. Embora eles não queira admitir, necessitam sentir-se seguros. E para isso eles devem devem saber que você está lá e que controla a situação. Mantenha-se firme.

O que achou da atividade? Gostaria de receber a sua opinião. Obrigada por passar pela minha Caixa de Imaginação. Compartilhe esta atividade nas suas redes sociais, assim outras pessoais poderão ter acesso a este e outros materiais que publico.

O Pescador e o Gênio: Análise simbólico de um conto polissêmico.

(Para leer el texto en Castellano pincha aquí)

Pescador port

O ano já está terminando, e para despedir-me deste ano quero compartilhar com vocês um dos contos que mais gosto e mais utilizo: “O Pescador e o Gênio” também conhecido como “O Pescador e o Ifrit” que é uma das histórias contadas pela bela e inteligente Scheherazade ao sultão no famoso livro “As mil e uma noites”

Se trata de um conto polissêmico, ou seja,   um conto que possui uma pluralidade de significados,   já que  contêm muitos símbolos e personagens arquetípicos. Além disso, nos  contos polissêmicos “aparecem elementos maravilhosos e sobrenaturais, misturados com elementos tirados da realidade” (Aurelio M. Espinosa). 

“O pescador e o gênio” conta como um pobre pescador joga a rede no mar quatro vezes. Primeiro pesca um burro morto, a segunda vez um jarro cheio de areia e lama. Na terceira tentativa a coisa fica pior que as anteriores: cacos de vidro e barro. Na quarta vez, o pescador tira um vaso de cobre. Ao abri-lo, surge uma enorme nuvem que se materializa em um gênio gigantesco que ameaça matá-lo, apesar dos apelos do pescador. Porém, graças à sua inteligência o pescador consegue livrar-se do Gênio: ele zomba do gênio desafiando-o a se tornar pequeno e entrar no vaso. Então o pescador cobre rapidamente e sela o vaso, jogando-o de volta ao mar.

Resolvi compartilhar este conto com vocês porque estarei publicando uma série de posts onde vou explicar muitas atividades que estou realizando (oficinas, palestras, contação de histórias, contoterapia), nas quais utilizo também este conto. Conhecendo o conto será mais fácil para que vocês compreendam as atividades.

Este conto utilizei em várias ocasiões, tanto em uma sessão de contoterapia individual, como oficinas grupais. E para que idades serve? TODAS. Já utilizei com crianças, adolescentes e adultos. Para atingir quais objetivos? Para trabalhar a educação emocional; introjetar o conceito de impulsividade; fomentar a necessidade de lidar com as más condutas para poder ser mais fortes e alcançar os sonhos; lidar com os vícios, etc.

Além do conto (na minha própria versão) deixarei de presente para você uma “Análise Simbólico”  feita por mim.   Os símbolos escolhidos para análise são: 1. Pescador 2. Gênio (Ifrit)  3. O número 4 (quatro objetos pesados – 4 séculos – 4 membros da família (mulher e três filhos). 4. O vaso de cobre e a tampa de chumbo. Genio e o Pescador análisis dos simbolos em português  Se você tiver alguma dúvida ou quiser conversar comigo, não duvide em escrever-me. Abaixo deixarei um formulario de contato, para que seja mais fácil. Obrigada pela visita e não se esqueça de seguir-me para receber as atualizações 😉

O Pescador e o Gênio

Contaram-me, ó poderoso rei, que havia um pescador, de idade muito avançada, casado, pai de três filhos e muito pobre. 

Tinha o costume de tirar a rede quatro vezes por dia, e não mais. Ora, um dia, no início da tarde, ele foi para a beira do mar, descansou seu balaio, atirou a rede e ficou esperando até que ela pousasse no fundo da água. Então recolheu a rede, porém esta pesava muito e não conseguia puxá-la. Levou, então, a ponta do fio à terra e amarrou-a numa estaca enfiada na areia. Depois despiu-se e mergulhou na água que ficava em volta da rede e não cessou de debater-se até soltá-la. Alegrou-se, tornou a se vestir e, aproximando-se da rede, encontrou um burro morto. Vendo aquilo, ficou desolado, mas ainda assim agradeceu a Deus. 

Depois de ter retirado a rede e limpá-la, voltou a jogá-la ao mar e esperou. Depois de um tempo tentou puxá-la e observou que estava pesada como na primeira vez. Acreditando ser um grande peixe, amarrou a ponta a uma estaca, despiu-se e mergulhou. Quando levou a rede à margem, encontrou nela um jarro enorme, cheio de lama e areia. Vendo aquilo, disse: “Ó traicões da sorte! Piedade! Que tristeza. Sobre a terra, nenhuma recompensa é igual ao mérito, nem digna do sacrifício. Às vezes saio de casa para procurar a fortuna. E dizem-me que ela morreu há tempos. Miséria. É assim, ó Fortuna, que relegas os sábios à obscuridade, para deixar que os tolos governem o mundo.”
Depois, atirou o jarro para longe de si, torceu a rede, limpou-a, pediu perdão a deus pela sua revolta e voltou ao mar pela terceira vez. Atirou a rede, esperou que ela atingisse o fundo e, tendo-a retirado, encontrou potes quebrados e pedaços de vidro. Vendo aquilo, recitou outra vez versos de um poeta: “Ó Poeta, o vento da fortuna jamais soprará ao teu laod! Ignoras, ingénuo,que nem tua pena de caniço nem as linhas harmoniosas de tua escrita não te hão-de enriquecer?” 

E, erguendo a cabeça para o céu, exclamou: “Alá! Tu o sabes! Eu não te atiro minha rede senão quatro vezes. Ora, eis que a deitei três vezes ao mar!” depois disso, invocou ainda uma vez o nome de Alá e jogou a rede ao mar, esperando que deitasse ao fundo. Dessa vez, apesar de todos os esforços, não conseguiu retirar a rede que se agarrou às rochas do fundo. Então exclamou: “Não há força e poder senão em Alá!” Depois, despiu-se, mergulhou em torno da rede e se pôs a manobrar até que a desprendeu e a trouxe para terra. Abriu-a e ali encontrou um grande vaso de cobre amarelo, cheio e intacto. Sua boca estava selada com chumbo, trazendo o sinete de Salomão, filho de Davi. Vendo aquilo, o pescador ficou muito feliz, e exclamou: “Eis uma coisa que venderei aos caldeireiros, pois deve valer pelo menos 10 dinares de ouro!” Tentou sacudir o vaso, mas viu que era muito pesado, e disse consigo mesmo: “Preciso abri-lo e ver seu conteúdo, que colocarei no saco; em seguida venderei o vaso.” Tomou, então, uma faca e começou a descolar o chumbo. Virou o vaso e dele nada saiu, excepto uma fumaça que subiu até o céu, e se desenrolou na superfície do solo. O pescador espantou-se. Depois a fumaça condensou-se e se transformou num ifrit, cuja cabeça tocava as nuvens e os pés ficavam plantados ao chão. A cabeça daquele ifrit era como uma cúpula, as mãos como forcados, os pés como mastros, sua boca uma caverna, seus dentes como seixos, seus olhos como tochas. Seus cabelos estavam em desordem e empoeirados. À vista daquele génio, o pescador ficou apavorado, seus músculos tremeram, seus dentes serraram, a saliva secou e seus olhos cegaram para a luz. 

Quando o ifrit viu o pescador, exclamou: “Por favor, grande Salomão, não me mate! Farei o que ordenes! Então o pescador disse: “Gigante, Salomão morreu há mil e oitocentos anos. Qual é a causa de tua entrada neste vaso?” O génio respondeu: Deixa-me dar uma boa nova, pescador.” O pescador disse: “O que me vais anunciar?” Ele respondeu: “Tua morte. E neste mesmo momento, e da mais horrível maneira.” O pescador respondeu: “Por essa notícia tu mereces, ó tenente dos ifrits, que o céu te retire sua protecção! E possa ele afastar-te de nós! Por que, pois, queres tu minha morte? O que fiz para merecê-la? Libertei-te daquela prolongada prisão no mar e te trouxe a terra!” Então o ifrit disse: “Pensa e escolhe a morte que preferes, e a forma pela qual apreciarás ser morto!” O pescador disse: “Qual o meu crime, para merecer tal punicao?” O ifrit falou: “Escuta minha história, ó pescador.” O pescador disse: “Fala! E sê breve em teu discurso porque minha alma, de impaciência, está a ponto de sair de meu pé!” O ifrit então contou:
Sabe que sou um gênio rebelde. Havia me revoltado contra Salomão, filho de Davi. Meu nome é Sakir-El-Gênio. Salomão mandou ter comigo seu vizir, Assef, que me levou, apesar de meus esforços, e me conduziu à presença de Salomão. Vendo-me, Salomão fez a conjuração a Alá e me ordenou abraçar sua religião e lhe prestar obediência. Recusei. Então ele fez trazer este vaso e nele me aprisionou. Depois, fechou-o com chumbo e imprimiu nele o sinete com o nome do Muito Alto. Depois deu ordens aos gênios fiéis que me atiraram ao mar. Fiquei cem anos no fundo da água, e dizia em meu coração: “Farei eternamente rico aquele que me libertar.” Mas os cem anos se passaram e ninguém me libertou. Quando entrei no segundo período de cem anos, disse comigo: “Descobrirei e darei os tesouros da terra `àquele que me libertar.” Mas ninguém me libertou. Então decidi conceder 3 desejos a quem me libertasse. Mas como isso não aconteceu fiquei tomado de tremenda cólera e disse em minha alma: “Agora, matarei aquele que me libertar, e só lhe concederei que escolha a sua morte! Foi então que tu vieste me libertar. E te concederei que escolhas teu gênero de morte.”
Ouvindo isso, o pescador disse: “Ó Alá, que coisa mais prodigiosa! Foi preciso que fosse logo eu quem te libertasse. Ó ifrit, concede-me graça, e Alá te recompensará! Mas se me fizeres perecer, Alá fará surgir alguém que te faça perecer por tua fez.” Então o ifrit lhe disse: “Mas eu quero te matar justamente porque me libertaste.!” E o pescador disse: “Ó grande Gênio, assim que tu pagas o bem?” Mas o ifrit lhe disse: “Chega de abusar das palavras! Sabes que é absolutamente necessária a tua morte!” Então o pescador disse consigo mesmo: “Eu não sou senão um homem e ele é um gênio. Mas Alá deu-me uma razão bem assentada e assim vou arranjar um meio para perdê-lo, um estratagema para enganá-lo. E verei bem se ele, por sua vez, poderá combinar alguma coisa com sua malícia e sua astúcia.” Então ele disse ao gênio: “Decidiste verdadeiramente a minha morte.” O ifrit respondeu: “Não tenhas dúvidas.” Então ele disse: “Pelo nome do Muito Alto, que está gravado sobre o sinete de Salomão, conjuro-te a responder com a verdade à minha pergunta!” Quando o ifrit ouviu o nome do Muito Alto, ficou emocionado e muito impressionado, e disse: “Podes fazer a pergunta, que te responderei com a verdade.” Então o pescador disse: “Como pudeste caber inteiro neste vaso onde mal caberiam teu pé ou tua mão?” O ifrit disse: “Por caso duvidarias disso?” O pescador respondeu: “Com efeito eu não acreditarei nunca, a menos que te veja com meus próprios olhos, entrar no vaso.”

O Gênio começou a mover-se e transformando-se novamente em fumaça começou a entrar, pouco a pouco, no vaso. Quando o Pescador viu que toda a fumaça já estava dentro do vaso, pegou rapidamente a tampa de chumbo e a colocou sobre o vaso, fechando a entrada. Quando o Ifrit percebeu que não podia sair começou a agitar-se dentro do vaso, pedindo para ser liberado. “_ Clemência pescador! Se me libertares farei de ti o homem mais rico e poderoso do mundo!” “_Já não creio em ti, malvado Gênio! Tenho certeza que me matarás se te liberto. Mas te contarei os meus planos. Te devolverei ao mar, de onde não deverias ter saído. Depois construirei uma casa a beira do mar, e contarei a todos que passem por aqui o que me aconteceu. Assim, se alguém encontrar este vaso, saberá que um malvado gênio vive no seu interior, e voltará a jogar-te ao mar.”

Enquanto o malvado ifrit gritava, pedindo para ser liberado, o pescador devolveu o vaso ao fundo do mar, satisfeito por ter conseguido conservar a sua vida.

 

Lá vou eu: III Encontro Internacional de Contoterapia

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Estou muito contente! Só estou passando para dizer isso, que estou muito contente, porque neste fim de semana estarei participando do III Encuentro Internacional de Cuentoterapia, que se realizará em Madrid. Todos os grandes profissionais da contoterapia estarão presentes nesse evento, pessoais pelas quais tenho uma grande admiração. Assim que vou absorver todo o conhecimento possível, e depois trarei novidades para vocês. 😉

O programa está em castelhano, mas dá para entender um pouco:

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Quando a tristeza se disfarça de fúria: uma atividade para desenvolver a consciência emocional.

 (Para leer el artículo en castellano pincha aquí)

1 Atividade O Iceberg - educação Emocional - Claudine Bernardes

Oi, tudo bem? Resolvi chamar esta atividade de “O Iceberg”, e você compreenderá o porquê durante a explicação. O Iceberg é uma atividade para ajudar a desenvolver a consciência emocional. Você pode utilizar este material tanto com crianças de primária, como adolescentes, jovens e adultos. É importante que eles já tenham tido algum contato com alguma atividade de educação emocional, para que a experiência seja mais completa, ou seja, é interessante que já tenham um vocabulário emocional básico (Para isso sugiro utilizar o meu conto “Carlota não quer falar” e o Projeto Educação Emocional com Carlota).

Durante o último mês estive utilizando este material com o meu grupo de prova, que está formado por aproximadamente 7 crianças (6 a 11 anos). Neste grupo existem crianças com situações muito diferentes, tais como: TDAH, altas capacidades, DEL (distúrbio específico da linguagem). Eles adoraram fazer as atividades propostas. Durante o processo tive que fazer algumas alterações e adaptações no material. Além disso também utilizei este material para realizar uma oficina com um grupo de adolescentes, e a resposta foi muito positiva. Porém, antes de apresentar a atividade em si, quero falar um pouco sobre a Consciência Emocional.

 

O QUE É CONSCIÊNCIA EMOCIONAL?

A CONSCIÊNCIA EMOCIONAL é a capacidade de reconhecer um sentimento no mesmo momento em que ele aparece; é a pedra angular da Inteligência Emocional.

A criança não possui um conhecimento emocional inato profundo. A percepção de nossas próprias emoções envolve saber como prestar atenção, ou decifrar o nosso próprio estado interno. Ou seja, se trata de fazer um auto-análise do que sentimos, no momento em que sentimos. Também é importante avaliar sua intensidade: é necessário detectá-los no momento em que aparecem, com pouca intensidade em princípio para poder controlá-los sem esperar a transbordar.

Muitos de nós não exercitamos a nossa consciência emocional quando éramos crianças, e isso torna as coisas mais difíceis agora que já somos adultos, você não acha? Então devemos começar a trabalhar nisso sem demora. O lado positivo é que podemos trabalhar as capacidades emocionais em qualquer lugar: Nas empresas onde trabalhamos; na sala de aula; nas igrejas; em casa; nas consultas; nas atividades estraescolares etc.

Agora vou contar uma pequena história pessoal para que você possa compreender a necessidade de trabalhar de forma específica a consciência emocional.

As vezes quando ia buscar meu filho ao colégio, ele me dizia: “_ Mãe, me sinto muito entediado.” – Confesso que, a princípio, me incomodou muito escutar isso, acho tão chato uma criança que reclama de tudo, principalmente de estar entediado, quando poderia utilizar a sua imaginação para divertir-se. No entanto, resolvi colocar de lado meus próprios sentimentos, e observar melhor aquela situação que estava repetindo- se constantemente. “_ Filho, porque você acha que está entediado? _É porque não tenho vontade de fazer nada. _Como assim você não quer fazer nada? Nem brincar com os teus brinquedos favoritos? _Me sinto muito cansado para brincar, mãe.”

Aí estava o problema! Ele estava cansado, porém como não conseguia compreender isso, dizia que se tratava de tédio.

Isso acontece com todos, adultos e crianças. Às vezes, a tristeza está disfarçada de raiva ou medo de frustração. Não reconhecer e expressar corretamente os sentimentos pode gerar sérios conflitos interpessoais.

Sugestões para desenvolver a consciência emocional

1. Aceitar que não compreendemos tudo: quando o assunto são as emoções, nada é tão claro e óbvio como pode parecer. Devemos saber que às vezes o sentimento que expressamos pode ser apenas “a ponta do iceberg”, uma reação a outro sentimento que está escondido abaixo, mais profundo, lá dentro de nós. A história de Jorge Bucay que proponho hoje pode ajudá-lo a criar essa consciência.

2. Pergunte e pergunte-se: De onde veio esse sentimento? O que causou isso? Existem outros sentimentos acorrentados a ele? Estou triste, é verdade. Mas, por que estou triste? O que aconteceu?

3. Conhecer as emoções: é importante saber como cada emoção é: como a sentimos internamente; como se expressa externamente; que linguagem é usada quando a sentimos; quais são as expressões corporais que acompanham uma determinada emoção

(através da minha história “Carlota não quer falar” e o Projeto de Educação Emocional que eu coloco à sua disposição gratuitamente em pdf é possível trabalhar essa habilidade).

Agora vamos ver como apliquei esta atividade

Painel Iceberg foto

1. Conte a história “A Fúria e a Tristeza”:

É uma maneira excelente para que os participantes compreendam a complexidade dos sentimentos:

Num reino encantado onde os homens nunca podem chegar, ou talvez onde os homens transitem eternamente sem se darem conta…
Num reino mágico onde as coisas não tangíveis se tornam concretas…
Era uma vez… Um tanque maravilhoso.

Era uma lagoa de água cristalina e pura onde nadavam peixes de todas as cores existentes e onde todas as tonalidades de verde se refletiam permanentemente… Aproximaram-se daquele tanque mágico e transparente a tristeza e a fúria para se banharem em mútua companhia.

As duas tiraram os vestidos e, nuas, entraram no tanque.
A fúria, que tinha pressa (como sempre acontece com a fúria), pressionada pela urgência – sem saber porquê – banhou-se rapidamente e, ainda mais rapidamente saiu da água… Mas a fúria é cega ou, pelo menos, não distingue claramente a realidade. Por isso, nua e apressada, pôs, ao sair, o primeiro vestido que encontrou….
E aconteceu que aquele vestido não era o dela, mas o da tristeza…
E assim, vestida de tristeza, a fúria foi-se embora.
Muito indolente, muito serena, disposta como sempre a ficar no lugar onde estava, a tristeza terminou o seu banho e, sem pressa – ou melhor dito, sem consciência da passagem do tempo – com preguiça e lentamente, saiu do tanque.
Na margem, deu-se conta de que a sua roupa já não estava lá.Como todos sabemos, se há uma coisa que não agrada à tristeza é ficar nua. Por isso vestiu a única roupa que havia junto do tanque: a roupa da fúria.
Contam que, desde então, muitas vezes nos encontramos com a fúria, cega, cruel, terrível e agastada. Mas se nos dermos tempo para olhar melhor, percebemos de que esta fúria não passa de um disfarce e, por detrás do disfarce da fúria, na realidade, está escondida a tristeza. (Jorge Bucay in “Contos para Pensar”)

2. Mostrar o Iceberg

Eu desenhei um Iceberg que você pode projetar ou imprimir e colocar na parede. Eu imprimi ele em A3 e o coloquei na parede para ilustrar o que eu estava explicando. O Iceberg é uma metáfora visual muito interessante para ensinar sobre sentimentos ocultos. Os grupos com os quais trabalhei foram capazes de entender muito bem toda a explicação do Iceberg e, em seguida, complementamos a atividade com os cartões para colocar os emojis, de acordo com a explicação abaixo.

 

Como já falamos, há sentimentos que são apenas a expressão externa de outros sentimentos mais profundos. Portanto, a raiva pode ser apenas a ponta do iceberg para sentimentos que estão escondidos e misturados como podem ser: medo, frustração, solidão. Depois de contar a história de Jorge Bucay “A Fúria e a Tristeza” você pode mostrar ao grupo O ICEBERG, e como há sentimentos ocultos, disfarçados. Na ponta do iceberg, vemos um sentimento que parece muito claro para nós, mas abaixo, nas profundezas existem outros sentimentos que podemos encontrar quando nos preocupamos em falar com a pessoa, fazendo-lhes perguntas, porque às vezes ela não sabe o que realmente está sentindo.

3. Contar um conto:

Escolha uma história onde os personagens vivam uma série de situações e através de seus comportamentos expressem seus sentimentos. Abaixo, coloquei algumas histórias como sugestões. Ao contar a história, é importante identificar alguns sentimentos para servir como base para aqueles que estão na parte inferior do iceberg. Exemplo: se você está contando a história da Branca de Neve, você pode dizer que ela sentiu muito medo de ficar sozinha na floresta, depois que foi abandonada pelo homem encarregado de matá-la. Esse sentimento de medo serve como uma base (ponta do iceberg – ou centro da ficha) para procurar outros sentimentos escondidos. Durante a atividade (jogo), esse sentimento base identificado durante a contação servirá como ponto de partida para identificar outros sentimentos. Você ajudará o grupo a identificar esses sentimentos através de perguntas: Vocês acham que a floresta é um lugar bonito? Por que uma pessoa pode sentir medo na floresta? Ela estava sozinha ou acompanhada? Ela era uma pessoa acostumada a estar sozinha na floresta? A partir das perguntas podemos identificar outros sentimentos que culminaram com medo, que podem ser: solidão, insegurança, decepção, etc.

Este material pode ser utilizado em muitas sessões. Você pode trabalhar com muitas histórias diferentes.

APÓS CONTAR A HISTÓRIA:

  • Colorir o iceberg (as crianças amam essa parte);
  • Escolha um personagem e um momento na história para analisar um sentimento básico e descobrir os sentimentos escondidos.

Além disso, você também pode usar os cartões com emojis quando o grupo já entendeu a atividade. Existem 4 modelos de fichas base para usar: Amor, Raiva, Tédio, ficha em branco. Junto com estes são também os emojis que expressam diferentes emoções. Você deve imprimi-los da maneira que melhor lhe convier. Eu, por exemplo, imprimi os cartões e os emojis e os plastifiquei. Eu também imprimi muitos cartões em branco para que as crianças pudessem desenhar emoções, foi muito positivo. No centro da ficha deve estar o sentimento base e nos extremos os sentimentos ocultos. Eles utilizaram o lista dos 40 Estados Emocionais como material de consulta.

 

ALGUMAS FOTOGRAFIAS DA ATIVIDADE COM O GRUPO DE PROVA

 

SUGESTÕES DE CONTOS PROPOSTA: O GÊNIO E O PESCADOR:

GÊNIO:

a) Que sentimento o gênio expressou quando saiu do vaso? (Fúria)
b) Agora pense em quanto tempo ele esteve preso no vaso. O que ele deve ter pensado durante esse tempo? Que sentimentos ele pode ter sentido?
c) A raiva que ele sentia poderia ter outros sentimentos escondidos? Será que o gênio sentiu solidão durante este tempo? Ele gostaria de retornar à sua prisão?

PESCADOR:

a) O que o pescador sentiu quando o Gênio disse que o mataria? (Medo)
b) Ele tinha uma família? O que poderia acontecer com sua família se ele morresse?           c) Quais outros sentimentos o pescador poderia sentir diante das ameaças do Gênio?

 

OUTRAS HISTÓRIAS SUGERIDAS:

1- O Patinho Feio;
2 – A roupa nova do Rei;
3 – Cinderela;
4 – O Pequeno Príncipe (é mais longo, mas pode ser feito com adolescentes, com o livro como leitura sugerida)

5 – A vespa afogada.
6 – A parábola do filho pródigo; 7 – Davi e Golias.

Espero que este material possa ajudá-lo. Se você tiver alguma dúvida, escreva-me.

Gostou das atividades? Quer ter esse material? Pois é muito fácil! Basta ser seguidor do meu Blog “A Caixa de Imaginação“, e preencher o formulário abaixo, que você receberá o PDF de forma gratuita, deixando a sua opinião 😉 Também agradeceria que você compartilhasse esse post nas suas redes sociais.

O seu filho morde? Vem conhecer a Jaquinha, um lindo conto que fala sobre essa fase da criança.

Oi, tudo bem? Em primeiro lugar quero agradecer a todos vocês que me escrevem. Recebo vários e-mails todos os dias expressando gratidão pelo material que compartilho aqui no blog, e isso me motiva a seguir com o meu trabalho.

Sei que há muitos pais, psicólogos, psicopedagogos e professores que me seguem, por isso trouxe hoje para vocês esse lindo Conto Infantil escrito por Emilia Nuñez, escritora brasileira de contos infantis, também conhecida em Instagram como @maequele (conheça aqui o seu site)

1 A JACAREZINHA QUE MORDIA 2 capa

Esse lindo livro, que venho acompanhando desde a fase de criação, é um ótimo recurso para trabalhar as habilidades sociais com as crianças, e porque não com os pais.  Então, você conhece alguma crianças que está passando por esta fase?

A Jacarezinha que mordia  

“A Jacarezinha que mordia” conta a história de Jaquinha, uma linda jacarezinha risonha, que apesar de receber muito carinho de Dona Jaca, sua mãe, tem o mau hábito de morder a todos que encontra pelo caminho. Os animais da floresta, cansados de receber tantas mordidas, se apresentam diante da sua mãe pedindo que esta dê fim a este problema que está alterando o convivio social na floresta. Claro que D. Jaca, toda envergonhada,  tenta resolver o problema, e se empenha no assunto: amarra a boca da filha, resgata a chupeta, mas não tem jeito. Um dia chega um aluno novo na sala da Jaquinha, ele dá um lindo beijo na professora e esta fica muito feliz. Puxa! Aquilo muda o mundo da pequena jacarezinha, que observa como as pessoas ficam felizes ao receber um beijo (totalmente o contrário de quando são mordidas).

Abaixo deixo algumas ilustrações:

 Emilia nos conta um pouco sobre o Processo Criativo de “A Jacarezinho que mordia”:

Este é um livro feito pensando em uma fase muito específica que algumas crianças passam que é a fase “Mordedora”. Tenho uma Jaquinha em casa e quando uma mãe me pediu um livro sobre o tema e não encontrei nas livrarias, logo veio a inspiração!

Como você pode ver é uma história muito útil e meiga, e além disso as ilustrações são maravilhosas. De verdade que fiquei encanta, porque expressam exatamente a essência da mensagem do livro.  O ilustrador cuidou de cada detalhe, e isso é muito importante, para que além do texto, a criança que ainda não lê possa interiorizar o conteúdo da mensagem através do que vê.   Heitor Neto foi o ilustrador responsável por esses lindos desenhos, você pode segui-lo no instagram em @heitornetos ou na seu site.

Para comprar A Jacarezinha que mordia” clica aqui. 

Aplicando o Conto

Sabemos que é normal a criança entre 1 e 3 anos passar pela fase de morder.

 No início da vida, a boca é a parte mais sensorial do corpo humano e, por meio dela, o indivíduo descobre o mundo e expressa suas emoções. Quando uma criança morde um adulto ou outra criança, provavelmente está querendo demonstrar afeto, resposta a uma frustração, curiosidade ou, ainda, o incômodo do nascimento dos dentes. No período entre um e três anos morder é comum – e normal. Algumas crianças o fazem mais que outras, porque é dessa forma que se comunicam. (Fundação Maria Cecilia)

Porém há crianças que depois desse período ainda recorrem a esta conduta, o que gera grandes constrangimentos para os pais. Nenhum pai gosta de pegar seu filho no jardim ou colégio e ver nele uma marca de mordida. Também posso te garantir que nenhum pai gosta de receber da professora, a constrangedora notícia de que seu filho está mordendo os coleguinhas. Bater, puxar o cabelo, arranhar, são todas condutas imediatistas que as crianças recorrem como forma de expressar sua frustração, raiva, descontento. Os adultos também fazemos isso, ainda que a nossa maneira de ataque é outra. As crianças podem ferir o corpo, mas nos ferimos o coração do outro. Exemplo: quando somos criticados tendemos à atacar a outra pessoa apontado os defeitos dela. As crianças que sofrem de TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade), principalmente aquelas sofrem de impulsividade, como  o caso do meu filho, costumam recorrer a esse tipo de conduta de forma mais habitual. Eu sinceramente creio que trabalhar a empatia da criança poderá ajudá-la a superar essa fase e conseguir controlar seus instintos. 

A minha proposta de atividades vale tanto para narração grupal, quanto individual. Não importa se você é pai, professor, psicólogo, somente adapte a proposta à sua situação especifica, já que farei um série de sugestões. Vamos lá!

1. Contação/Narração

  • Interpretando a ilustração: Se você vai utilizar o conto com crianças de forma individual, ou poucas crianças (como umas cinco no máximo) e se elas ainda não sabem ler, minha primeira proposta, é que antes de ler a história para elas, peça que observem a ilustração e expliquem o que acham que está acontecendo na historia. É uma boa forma de interiorizar as metáforas ilustradas.
  • Conte a historia de forma divertida,  seja criativo. Seria legal utilizar um fantoche para contar a história.

2. Vamos desenhar

Esse recurso tão simples também é muito importante para observar a compreensão que a criança teve da história. Peça para ela fazer um desenho da parte que mais gostou da historia e da parte que menos gostou.

3. Teatro

Uma forma de trabalhar a compreensão da história e trabalhar a empatia com as crianças é fazer um teatro com elas, com base no conto. Faça com que alguns participem do teatro, enquanto outros ficam de plateia, e depois os que ficaram de plateia serão os atores. Assim todos podem ver desde duas  perspectivas: dentro da história e fora da história.

 4. Análise das ilustrações

Não sei se sabes, mas num álbum ilustrado a ilustração tem o mesmo peso que o texto. Ou seja, ilustração e texto se completam para passar uma mensagem. Por isso que disse anteriormente que gostei muito da ilustração de Heitor Neto, porque completou perfeitamente a história escrita  por Emilia Nuñez.  Tanto  é assim, que ele introduziu uma metáfora muito interessante que enriqueceu a história: O PORCO ESPINHO.

1 A Jacarezinha que mordia 7

Veja bem! Por que o Porco Espinho é o único que não está nem aí para o problema? É que com ele a Jaquinha não se mete. Por que?

Além disso, analise com as crianças as expressões faciais dos personagens em cada parte da historia. Como eles se sentem? Que estarão pensando?  Gestos de medo, reprovação, raiva, tristeza, desespero, indiferença. Quantos sentimentos!

5. Trabalhos Manuais:

  • Que te parece se fazemos uma Jaquinha de rolos de papel higiênico com as crianças? Deixo essa proposta que encontrei em no site de Papelísimo. Está em castellano, porém o vídeo de explicação se entende perfeitamente. Está muito fácil. E para que fique igual a Jaquinha é só colocar uma um laço de fita rosa na cabeça. As crianças vão amar.     
1 A Jacarezinha que mordia de papel
Fotografia retirada da página http://www.papelisimo.es 

 

Também podemos fazer outros animais da floresta como: Elefante, Tigrinho, Porco Espinho, Ursinha.

  • Fantoche de Papel:

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  •  A Jaquinha na cabeça:

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  6. Ficha de leitura:

Preparei uma ficha de leitura para trabalhar os sentimentos vividos pelos personagens da historia. Você pode baixar e utilizar livremente 😉

Ficha de leitura sentimentos a jacarezinha que mordia

Para terminar, gostaria de dizer que me senti muito identificada com a Dona Jaca. Muitas vezes passei por situações parecidas e sei que não é fácil. Nesses momentos devemos olhar a situação desde a perspectiva do amor. Como pais, professores, psicólogos, somos semeadores de amor, carinho e bons valores. Se não desistimos essa sementinha um dia brotará. Nunca desista de amar, porque o amor é dádiva.

Frase sobre amor não é recompensa Claudine Bernardes