Seu filho só responde sim e não? Venha conhecer uma forma eficaz de comunicação.

Hoje resolvi falar sobre um tema que começou a surgir nas oficinas para pais e mães que realizo: COMUNICAÇÃO.

comunicação com filhos criança pais

Como todos os dias a mãe ou o pai vai buscar a criança no colégio, e enquanto caminha ou conduz, começa a bombardear o filho de perguntas, e a conversa segue mais ou menos esse roteiro:

_Como foi o colégio hoje?
_ Bem.
_ Uhum… só bem
_ Uhum.
_ Você se comportou bem?
_ Sim.
_ Alguém encrencou com você?
_ Não.
_ Estudou tudo direitinho?
_ Sim.

Como o meu livro “Carlota não quer falar” trata de ajudar a manter uma comunicação com a criança, para que ela aprenda e expressar os seus sentimentos, durante as oficinas que realizo, muitos pais expressam sua frustração dizendo-me que os filhos não contam nada sobre o que fazem no colégio, como se sentem etc. Então lhes digo que repitam-me as perguntas que fazem, e me deparo com perguntas como as que escrevi acima.

É verdade que muitas crianças e adolescentes tem dificuldades em expressar o que sentem, o abrir-se para os pais. Porém, realmente acredito que se trata mais de um problema de comunicação.

“Os pais estão fazendo as perguntas de forma equivocada.”

Isso mesmo! Se você quer que a criança responda com monossílabas, como no exemplo, continue fazendo as mesmas perguntas, mas se você quer realmente manter uma conversa ampla e conhecer o mundo em que vive o seu filho quando não está de baixo do seu olhar, então preste atenção no que vou dizer.

Existem perguntas fechadas e abertas. As perguntas fechadas são aquelas em que a pessoa não necessita pensar muito na resposta, é só dizer: Sim, não, bem, mal, claro. São úteis para quando se deseja obter uma informação concisa e específica, porém não nos ajudam a conhecer os detalhes, ou conhecer melhor o nosso interlocutor.

As perguntas abertas são aquelas que necessitam de reflexão. Ou seja, o nosso interlocutor deve pensar mais para responder, as respostas são mais extensas e nos ajudam a conhecer melhor as circunstâncias, os motivos e as características do nosso interlocutor. Algumas características das perguntas abertas são:

  • Elas exigem que a pessoa pare, pense e reflita.
  • As respostas não são fatos, mas sentimentos, opiniões ou ideias pessoais sobre um assunto.
  • Quando são usadas perguntas abertas, o controle é transferido para a pessoa que deve responder a pergunta, que inicia uma troca com a pessoa que perguntou. Se o controle da conversa continua com a pessoa que faz as perguntas, significa que você está fazendo perguntas fechadas. Essa técnica faz a conversa parecer-se mais com uma entrevista ou um interrogatório.
  • Evite perguntas com as seguintes características: as respostas fornecem fatos; as perguntas são fáceis de responder; as respostas são dadas com rapidez e exigem pouca ou nenhuma reflexão.

Agora deixarei uma série de perguntas que você pode fazer à crianças para descobrir situações específicas, e conhecer melhor o seu mundo interior, e o meio onde ela se move. São perguntas par iniciar uma conversa, e a partir dela a criança também pode fazer as suas próprias perguntas:

  1. Qual foi a melhor coisa que te passou hoje no colégio?
  2. Qual foi a pior coisa que te passou hoje no colégio?
  3. Conta-me algo que te fez rir hoje.
  4. Se pudesses escolher um coleguinha para sentar ao teu lado na sala, quem você escolheria? (Quem você não escolheria?)
  5. Qual é o melhor lugar da escola?
  6. Diga uma palavra estranha que tenhas escutado hoje; ou algo estranho que alguém disse.
  7. Se eu chamasse hoje a professora, o que achas ela diria de ti?
  8. Ajudastes a alguém hoje no colégio? Quem? Como?
  9. O que te fez mais feliz hoje?
  10. O que te fez sentir tédio hoje?
  11. Se um disco voador chegasse na teu colégio e levasse a alguém com eles, quem querias que fosse?
  12. Quem é a pessoa que gostarias de brincar no recreio que nunca ou poucas vezes tenhas brincado?
  13. Quem é a pessoa mais divertida da sala de aula? Por que é tão divertida?
  14. Se amanhã fosses tu o professor, o que farias?
  15. Tem alguém na tua sala que necessita relaxar-se mais?

De cada uma dessas perguntas pode surgir uma conversa muito interessante. Talvez no princípio parece algo estranho, mas depois de um tempo em que mantenhas esse tipo de conversa aberta, a criança se acostumará e desejará que chegue o momento de compartilhar com você um pouco do seu dia. Não utilize estas perguntas como se você um questionário, fazendo muitas uma atrás da outra. Deixe que seja algo natural, faça uma pergunta e permita que a conversa flua a partir daí. Proponho à criança que ela também faça alguma pergunta para você.

O post de hoje foi um pouco diferente, não acha? Penso que saber comunicar-se com as crianças é essencial e melhora as nossas capacidades emocionais, por isso pensei que fosse um tema interessante para compartilhar. O que achou das perguntas? Quais perguntas você faria?

Por favor, compartilhe este post nas suas redes sociais, tenho certeza que poderá ser de ajuda a muita gente. Obrigada por passar pela minha “Caixa de Imaginação”  e até breve.

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3 comentários sobre “Seu filho só responde sim e não? Venha conhecer uma forma eficaz de comunicação.

  1. Procuro sempre explorar mais o mundo deles através de perguntas diferentes. Aprendi essas técnicas depois que perdi a Luciana. Principalmente o maior era muito apegada a ela e ficou bastante fechado. Com o menor criei uma linguagem nossa, uma vez que ele lembra pouco dela. Essas dicas de perguntas são ótimas. Parabéns amiga. Ainda preciso comprar o livro.😘

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    • Oi Juvenal. Também uso muito essa técnica com o meu filho. Penso que é uma forma não somente de que conheçamos os nossos filhos, mas que eles também se conheçam, já que produzir uma resposta é uma forma de auto-analisar-se. O livro quando queiras é só pedir para a editora. Possivelmente minha familia e eu estaremos uns dias em São Paulo – estarei dando uns curso aí – em julho. Seria ótimo marcar um café 🙂

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