Autor: Claudine Bernardes

Não quero flores.

(Para leer esta publicación en Español pincha: No quiero flores) Quando eu fechar meus olhos, será o mais natural possível, Sem mágoas, remorsos ou arrependimentos. Quando apagar-se a luz da minha vida neste corpo, Não quero que lágrimas sejam derramadas sobre a matéria que se fará presente. Não espero lamentações nem dor. Quando meu espírito deixar

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A arte de aceitar a simplicidade

(Para leer la publicación en Español pincha en: El arte de aceptar la simplicidad) Reivindico a simplicidade Há dias em que desejo conquistar o mundo, realizar grandes façanhas. Quando na verdade, pouco disso há na minha vida. Porque, se olho para trás, vejo que as minhas grandes conquistas foram feitas através de pequenas e simples escolhas. Por

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A ilha que sou

(Pincha aquí para leer el texto en Español: La Isla que soy) Sou uma pequena ilha, vivendo na solidão do seu micro-clima, afogando-me cada dia. Sou uma pequena ilha, que caminha pela rua, alheia à dor do próximo, insensível a tudo que não seja minha própria necessidade. Sou uma pequena ilha, árida, seca e vazia, que mata de fome e sede a

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Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho te dou…

(Para leer la publicación en Español pincha en: No tengo plata ni oro, pero lo que tengo te doy) Não me omitirei Serei o martelo que golpeia a tua consciência Te perseguirei pelas ruas e gritarei teu crime, Te incomodarei de mil maneiras, não te darei paz. Quanto te olhes no espelho, serei o teu reflexo,

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Lugares que me convidam a escrever: Alejandro

Dorme, meu coração, porque enquanto sonhas velarei por ti. Estás tão sereno que ninguém diria que acordado tu és meu tsunami e minha alegria. Segues crescendo, meu amor, mas enquanto eu seja a tua “mamá querida” te guardarei nos meus braços e te encherei de carinhos. Já virá o dia em que terás vergonha de fazer-me mostras de afeto em público. Mas ainda assim, te olharei nos olhos e ali, escondido dentro de ti, verei todo o amor que tens por mim. Descansa entre sonhos, minha vida, e perdoa-me por todos os erros que cometi pelo caminho. Eu sei que foram muitos! No entanto, se há algo que possa dizer em minha defesa, é que me equivoquei, não por amor pouco, sim por amar intensamente e desejar que fosses o melhor de mim. Ah, “mi niño”! Não entendo como pudeste transformar toda minha vida em tão pouco tempo. Me mostras-te que me falta paciência, me sobra intolerância e ainda assim me amas. Sigo aprendendo, “cariño”, porque contigo estou no caminho… espero caminhar ao teu lado durante muitos anos. Dorme, meu coração.

Meu presente para Drummond.

(Para leer el texto en Español pincha: 31 de Octubre, el día de Drummond) Já sei! Estou uns dias atrasada, mas como prometi cumprir a minha semana de homenagem à Drummond, não poderia deixar de colocar um último post (que deveria ter subido no sábado 31), com um presente para ele. Carlos Drummond de Andrade é um

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Amor e como Drummond o transforma em poema

Sui géneris É exatamente assim que vejo o amor nos poemas de Drummond “sui géneris”. É um amor corriqueiro, do dia a dia, sem tantas palavras floreadas. Não sofre desesperadamente pelo amor perdido, porque compreende que o verdadeiro amor nunca se perde, nunca vai embora e não abandona, porque “amor é bicho instruído”, pula o muro

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O Poeta aos olhos de Drummond

NOTA SOCIAL

O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos…
O poeta está melancólico.

Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.

O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.
(Carlos Drummond de Andrade)

Drummond: Quando a perda se transforma em poesia.

O que Viveu Meia Hora

Nascer para não viver
só para ocupar
estrito espaço numerado
ao sol-e-chuva
que meticulosamente vai delindo
o número
enquanto o nome vai-se autocorroendo
na terra, nos arquivos
na mente volúvel ou cansada
até que um dia
trilhões de milênios antes do juízo final
não reste em qualquer átomo
nada de uma hipótese de existência.
(Carlos Drummond de Andrade)