Metáforas, contos e contação: a contoexpressão na prática – Oficina de emoções.

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Oi, tudo bem? Hoje falaremos sobre as metáforas como recurso junto à contação de histórias para ajudar as pessoas (crianças e adultos) a compreender os sentimentos (próprios e alheios), proporcionando uma oportunidade de mudança.

O que é a metáfora?

Metáfora é uma figura de linguagem onde se usa uma palavra ou uma expressão em um sentido que não é muito comum, revelando uma relação de semelhança entre dois termos.  Metáfora é um termo que no latim, “meta” significa “algo” e “phora” significa “sem sentido”. Esta palavra foi trazida do grego onde metaphorá significa “mudança” e “transposição“.

As Metáforas Terapêuticas

As Metáforas vem sendo utilizadas também com um fim terapêutico, já que proporcionam um espaço terapêutico, onde as crianças, as famílias e o terapeuta podem encontrar-se de forma mais natural.  Quando as metáforas são utilizadas dentro de um tratamento, o seu uso facilita o acesso a pontos dolorosos e conflitantes de uma forma não intrusiva e não ameaçadora.  A linguagem metafórica é uma ponte entre o simbólico e o real, entre o terapeuta e a família,  e também entre os diferentes membros da família. Seu uso oferece um espaço simbólico que agiliza os processos de elaboração do sintoma, onde a palavra não pode chegar.

  Uma metáfora terapêutica consegue mudanças na compreensão do paciente sobre o problema e sugere soluções adequadas sem impôr tarefas ou regras de comportamento. Ao empregar uma metáfora, o terapeuta destaca o que essas mudanças consistem, sem dizer-lhes literalmente; mas faz isso através da sugestão de uma comparação com uma experiência vivida (real ou indiretamente) pelo paciente. Assim, uma metáfora terapêutica apresenta ao paciente uma experiência conhecida ou, melhor ainda, vivida por ele, que está associada ao problema apresentado e oferecendo-lhe uma solução. Ao ouvi-lo, entendê-lo e revivê-lo, há uma mudança em seu comportamento. Com esta definição, a metáfora terapêutica pode consistir em uma única palavra ou uma narrativa de uma história.  ( José Antônio García Higuera – Artigo: Las Metáforas en la terapia de aceptación y compromiso

 Para que uma metáfora seja efetiva, é desejável que atenda às seguintes condições:

  1. A melhor metáfora terapêutica é aquela que se adapta ao problema que o paciente apresenta naquele momento. Além disso, para que seja efetiva é necessário que seja compreensível desde o ponto de vista do paciente, adaptando-se ao seu grau de desenvolvimento (tanto a nível de experiência como idade)
  2. O paciente deve ser refletido nela e identificado com algum ou alguns dos personagens que aparecem na narração.
  3. Deve estabelecer uma clara correspondência entre o problema do paciente e a experiência que ela conta.
  4. Dever ter uma estrutura de ação, para que o paciente possa encontrar na metáfora os passos que deve seguir para mudar o seu comportamento.
  5. A metáfora oferece uma solução para o problema, assim o paciente acessa um comportamento que ele não havia visto antes e que reinterpreta ou resolve o problema.

Desta forma, se o paciente muda de comportamento, o fará porque teve uma experiência pessoal através da metáfora, e não para agradar o terapeuta, ou por outros motivos que não seja uma real mudança interior.  Se desejas ler mais sobre este tema, recomendo este artigo  Las Metáforas en la terapia de aceptación y compromiso de José Antônio García Higuera (está em castelhano).

 Metáforas, Contos e Contação

Os contos em geral, são metáforas e contêm metáforas. E quando me refiro a contos, penso em narrativas de forma geral: contos modernos, contos de fadas (ou maravilhosos), lendas, fábulas, parábolas etc. Assim que, quando decidamos utilizar um conto dentro  de uma terapia (sempre realizada por profissionais capacitados), ou por profissionais da educação, é importante conhecer e compreender o sentido e o alcance das metáforas que estão intrínsecas no conto, bem como a metáfora geral do conto.

Para que uma metáfora perdure no tempo, dentro da memória das pessoas, é interessante dotá-la de imagem e proporcionar a sua experimentação. Para isso, nada melhor que uma eficaz contação, onde o contador da história utilize evoque imagens mentais e sentimentos já existentes nos ouvintes, e proporcionem uma participação ativa destes, através de perguntas, por exemplo.

Para uma melhor compreensão do que expliquei, vou utilizar como exemplo  uma das oficinas que realizo. Se trata da “Oficina de Emoções com Carlota”, preparada para um público infantil. Nesta oficina utilizo como base o meu conto “Carlota não quer falar” o qual possui várias metáforas para explicar os sentimentos. Se te interessa este tema, te recomendo que conheça melhor o conto assim compreenderás melhor o enfoque da Oficina de Emoções (Entre aqui). 

Oficina de Emoções com Carlota

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O objetivo da oficina é que as crianças compreendam o efeito das emoções, identificando a emoção no momento em que ocorre, não somente em si mesmas, mas também em outros.  Além disso, também aprenderão sobre a importância de falar sobre os seus sentimentos, e receberão ferramentas para administrá-los.

A Oficina está formada de três partes (e em todas utilizo metáforas):

1 . Introdução: O balão a caixa e a pedra

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Antes de começar a contação faço uma introdução bastante gráfica, utilizando um balão, uma caixa e uma pedra. As crianças se divertem muito nesta parte e criamos uma conexão muito boa.  O conto começa com as frases: “Carlota tem dificuldades para falar sobre o que sente. Guardou tantos sentimentos dentro de si, que se sente cheia como um balão e pesada como uma grande pedra.”

Para que as crianças possam compreender mais profundamente o sentido dessas metáforas, começo enchendo um balão vermelho. A medida que vou enchendo o balão, paro para conversar com elas e dizer-lhes que acho que ainda falta encher um pouco mais. As crianças começam a ficar preocupadas, porque o balão está muito cheio, porém não esperam que eu siga enchendo. Até que “bummm” o balão explode e elas se assustam.  “Isso é o que passa quando enchemos muito o balão”, lhes digo, e depois sigo com a caixa.

Se trata de uma caixa de sapatos decorada, com um coração na parte superior e um  buraco no centro, onde a criança pode introduzir a sua mão. Dentro da caixa coloco uma pedra pesada. A caixa simboliza o coração e a pedra simboliza os sentimentos que vamos guardando dentro dele. Primeiro peço para cada criança segurar a caixa, e pergunto: Está pesada ou leve? Vocês acham que seria fácil caminhar durante horas carregando este peso? Depois, cada criança introduz a mão na caixa, e faço outras perguntas: O objeto é suave ou áspero? É  agradável tocá-lo? Neste ponto, as crianças descobrem que se trata de um pedra, assim que retiro a tampa da caixa e mostro a pedra para elas.

Durante esta parte introdutória, não explico o sentido da metáfora, já que elas compreenderão o significado destes objetos, e a conexão deles com os sentimentos, durante a contação. Evito fazer explicações, para que as crianças possam captar o ensinamento, de acordo com a capacidade individual, a idade e experiências pessoais. Agindo assim, não subjugo o conhecimento delas. 

Depois de ter integrado na mente das crianças, os conceitos base, através da experimentação, passamos para a segunda parte que é a contação.

 2. Contação: Carlota não quer falar

Como já disse, o conto está cheio de metáforas para explicar os sentimentos de forma experimental. Como se trata de um conto interativo, as crianças se sentem parte da história e participam ativamente durante toda a contação. É uma experiência muito significativa para elas. Começo a contação apresentando o problema de Carlota e convidando as crianças a ajudarem ela: “Carlota tem dificuldades para falar sobre o que sente. Guardou tantos sentimentos dentro de si, que se sente cheia como um balão e pesada como uma grande pedra.” Vocês gostariam de ajudar a Carlota? Para isso, todos têm que falar por ela. Vocês estão de acordo? 

O conto apresenta quatro problemas: 1) Carlota incomodou-se com um menino no parque; 2) Carlota tem problemas para dormir; 3) Carlota se sentiu mal porque a sua melhor amiga Julia estava brincando com outra menina; 4) Carlota se sentiu mal porque pegou a boneca da sua amiga sem pedir. Apresento o problema, e pergunto às crianças o que está sentindo a protagonista. Depois, pergunto o que ela deve fazer para resolver o seu problema e sentir-se melhor. Para cada uma dessas questões, há duas opções dentro da história. Faço a criança pensar o que aconteceria ao escolher uma ou outra opção.

Exemplo: Carlota não consegue dormir. As crianças já identificaram que ela não consegue dormir porque sente medo. Opções: a) Ela deve ficar acordada toda a noite; b) Ela deve confiar que papai e mamãe estão cuidando dela.  O que aconteceria se ela ficasse acordada toda a noite? Como se sentiria no dia seguinte? Estaria bem para estudar ou brincar?

Depois que conversamos e pensamos nessas possibilidades e as crianças fizeram as suas escolhas, lhes digo: Vejamos qual foi a escolha da Carlota. Será que ela escutou o conselho de vocês?

Então, passamos a página e aí está o resultado. As crianças desfrutam muito nesta parte, porque esperam que Carlota tome a decisão correta. Nesta parte também introduzimos metáforas para explicar cada sentimento. Devemos conversar com as crianças sobre essas metáforas, fazendo perguntas para que elas possam entendê-las. Exemplo: “O perdão é como um banho de mar num dia de calor”. Quem gosta do verão? Faz muito calor, né? Quando sentimos muito calor, o que podemos fazer? Ir na praia é uma boa ideia. Agora imaginem que está fazendo muito sol, você sente muito calor e se joga na agua do mar, ou na piscina… o que você sente? Respostas que costumam aparecer: frescor, alivio, tranquilidade, alegria.

Terminamos a contação com Carlota agradecendo as crianças por ajudá-la a falar sobre os seus sentimentos. É Maravilhoso ver os olhinhos delas brilhando ao perceber que puderam ajudar a protagonista do conto. Todas estão sorrindo e felizes 🙂

Vejamos as metáforas que aprecem no conto:

3. Exercício de conhecimento e gestão dos sentimentos: O Semáforo

Metáfora terapeutica balão Globo pedra caixa lidera Caja

Depois que as crianças vivenciaram a história da protagonista, participando ativamente da contação, esperamos que elas ao menos tenham compreendido a importância de expressar os seus sentimentos, além de identificar alguns sentimentos apresentados na história.

Agora chegou o momento de que as crianças compreendam a importante de gerir estes sentimentos e para isso utilizo a Metáfora do Semáforo, que é uma técnica para aprender a identificar o grau de intensidade de um sentimento, além de como enfocá-lo. Dependendo do tempo que disponho, também utilizarei outra metáfora, que é a Técnica do Vulcão (esta última a modo de introdução para a outra).  Desenvolvo esta parte da seguinte maneira:

Mostro para as crianças a imagem de um Semáforo (pintado por mim) e pergunto se elas sabem o que é. Depois lhes peço que me expliquem o que significa cada cor no semáforo. As crianças explicam sem problemas, porque todas conhecem o seu funcionamento. Depois começo a explicar-lhes que os semáforos foram criados para ajudar a controlar o trânsito, principalmente os carros que gostam de correr muito rápido. Algumas vezes temos sentimentos que são como carros descontrolados, que correm a toda velocidade. Um carro descontrolado é muito perigoso e pode machucar tanto as pessoas que encontra pelo caminho, quanto a pessoa que vai dentro dele. Os sentimentos descontrolado podem provocar estragos semelhantes. Assim como o semáforo controla o trânsito, também podemos utilizar o semáforo dos sentimentos para ajudar a controlar o que sentimos. As vezes sentimentos raiva porque alguém nos ofendeu, e também as vezes essa raiva é tão forte que pode tomar controle da nossa mente e provocar que façamos dano a pessoa que nos ofendeu. Quando sentimos a raiva borbulhando dentro de nós, como um vulcão em erupção, pronto a explodir, então devemos PARAR (mostrar o Sinal vermelho), respirar fundo e contar de 5 até 0. Se já nos sentimos um pouco mais tranquilos então passaremos para o Sinal Amarelo (mostra sinal Amarelo – PENSAR). Vamos pensar nas opções que temos, e o resultado de tomar cada uma delas. Me sentiria bem se batesse na pessoa que me provocou? Isso resolveria o problema? Posso perdoá-la e tentar conversar sobre o problema com ela. Quando já pensamos na melhor opção, então chegou a hora de seguir adiante com o Sinal Verde (Mostrar Sinal Verde – Fazer). Agora vamos fazer aquilo que decidimos anteriormente.

Parece um pouco longo e complicado, mas na prática é muito fácil e as crianças compreendem muito bem a proposta. Depois da conversa/explicação, daremos os semáforos para que as crianças pintem e montem, para levar às suas casas.

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Se ainda temos um pouco de tempo, jogamos o Ludo das Emoções, para colocar em prática um pouco do que aprendemos.


Hoje aprendemos um pouco sobre as metáforas e a importância delas na terapia e também na educação emocional. Se você gostou do que vimos hoje, e quer conhecer mais sobre a educação emocional, preparei um projeto bem interessante sobre o assunto.

No Projeto de Educação Emocional com Carlota você encontrará uma parte teórica, onde explico o que é a contoexpressão e como utilizá-la, também falo sobre a educação emocional. Há também uma parte teórico-prática com muitos jogos, técnicas de gestão dos sentimentos, fichas para colorir, atividades etc.  Para conseguir Projeto você só tem que preencher o formulário abaixo, e em breve enviarei o material em pdf e de forma gratuita para você.  Se gostou do conto e quer saber como comprá-lo clica aqui. 

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Toma nota: Menos sermões e mais histórias, seus filhos agradecerão e crescerão.

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Sejamos sinceros, quem gosta de levar sermão? Ninguém! Essa é uma verdade universal. Realmente só valorizamos os sermões que recebemos dos nossos pais ou professores, quando já temos idade suficiente para dar sermões também. Ou seja, quando já não nos serve. Ou quando somos pais, e então como é a nossa vez de dar sermões, dizemos aquela conhecida frase: _ Escuta o que eu estou dizendo, se eu tivesse escutado os meus pais quando eles tentavam ensinar-me, talvez as coisas tivessem ido melhor para mim.

A verdade é que um sermão geralmente entra por um olvido e sai pelo outro. Agora eu vou compartilhar com você o segredo para ser escutado pela sua criança ou adolescente:

Conte histórias

Vou contar-lhe uma história real que fez com que um rei percebesse o seu erro:

Era uma vez um país que estava em guerra. O rei que geralmente acompanhava os seus soldados à guerra, dessa vez resolveu ficar na tranquilidade do seu palácio. Num final de tarde, o rei saiu a passear no terraço do palácio, e desde lá viu a uma bela mulher. Mesmo sabendo que se tratava de um mulher que estava casada com um de seus soldados, ele resolveu tomá-la para si. Como a mulher engravidou, para encobrir o seu erro e ter via livre, o rei ordenou que colocassem dela na primeira fila de batalha; ou seja, o sentenciou à morte. Obviamente o marido morreu, e o rei se casou com a mulher.

O sacerdote vendo aquela injustiça e sabendo que Deus não se agradava daquela situação, resolveu apresentar-se diante do rei, para fazer-lhe perceber o seu erro. Era uma situação muito perigosa para o sacerdote, porque o rei, para encobrir o seu erro poderia mandar matá-lo também. Por essa razão, ele buscou uma forma de alcançar o coração do rei, apresentado-se diante dele e contando-lhe  uma história: “Havia dois homens numa cidade, um deles era muito rico e outro pobre. O homem rico tinha muitas ovelhas e vacas, mas o pobre só tinha uma ovelhinha, a qual amava muito. Um dia o homem rico recebeu visitas, e como tinha que mandar preparar um banquete para os seus visitantes, resolveu que não queria gastar nenhum de seus inúmeros animais. Por isso, utilizando o poder que o dinheiro lhe conferia, mandou buscar a única ovelhinha do homem pobre para servi-la aos seus visitantes.”

Depois de escutar essa historia, o rei ficou muito furioso, e queria que o sacerdote lhe contasse o nome desse malvado homem rico, para que pudesse castigá-lo como era devido. Foi então que o sacerdote lhe disse: _Rei, este homem és tu.  

Essas palavras atingiram o coração do rei como uma flecha, e ele pode ver o seu grande erro desde uma nova perspectiva.

Essa é uma história real que está registrada no livro de II Samuel, capítulos 11 e 12, da Bíblia. O rei da nossa história era Davi e o sacerdote se chamava Natã. Resolvi omitir que se tratava de uma história Bíblica pela mesma razão que Natã omitiu o nome do homem rico, as vezes deixamos que um pré-julgamento, ou que o crivo da razão, impeça que aprendamos, que vejamos a verdade que está além das nossos preconceitos.

Por que os sermões não são “escutados”?

É simples, a nossa mente é seletiva e conservará aquilo que a emocione mais. Os sermões costumam ser uma serie de blá-blá-blá, uma ladainha, cuja forma não é para nada emocionante. Penso que a nossa mente já está geneticamente programada para ignorar os sermões desprovistos de entrega.

Um exemplo prático: Meu filho e seu melhor amigo estavam brincando aqui em casa. Eles acabaram brigando e não havia maneira de arrumar a situação porque meu filho culpava o amiguinho de estragar as coisas dele. Tentei conversar com ambos, mediar, explicar de muitas maneiras, principalmente ao meu filho, que ele poderia montar outra vez o brinquedo, mas ele disse que não era possível, havia muito para montar e que ele já não lembrava como montar igual e ele queria que fosse igual. Foi então que lembrei de algo e falei assim para ele:

_ “Amor, a mamãe entende a sua frustração, também me passou algo parecido. Eu tinha um arquivo na minha tablet com um montão de ideias de textos que queria escrever. Havia feito muitas anotações de contos e historias que deixei para terminar quando tivesse mais tempo. Porém, um dia, um menino que amo muito, pegou a minha tablet e borrou todos os textos. Eu fiquei muito triste. Me senti muito frustrada porque havia muitas ideias que já nem lembrava mais. Porém, era algo que já não havia remédio, assim que aceitei a situação e voltei a escrever outros textos. E muitas outras ideias surgiram, quando aceitei isso.”

Ele sabia que eu estava falando dele,  e também sabia que eu compreendia a sua frustração. Isso o fez mudar de atitude, ele já estava pronto para perdoar e voltar a brincar com o seu amigo.   

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Surpreenda o seu filho com uma história, algo que infunda esperança ao seu coração. Uma história bem escolhida pode servir de espelho  para que ele se veja tal qual é. Porém, uma excelente história é aquela que además de mostrar a  decadência humana, também mostra a sua redenção. Todos necessitamos de esperança para seguir adiante.

Os bons pais são uma enciclopédia com muita informação, os pais brilhantes são agradáveis contadores de histórias. São criativos, perspicazes, com a capacidade de encontrar belas lições de vida nas coisas mais simples.  – Augusto Cury

Quando escrevi o meu livro “Carlota não quer falar”, imaginei que pudesse ser como uma ponte entre o mundo adulto e o mundo infantil. Uma oportunidade para que pais e filhos, professores e alunos, avós e netos compartilhassem as suas histórias.  Levo dentro de mim uma contadora de histórias, e sei que todo ser humano é feito de história, não tenha medo de compartilhar as suas histórias com aqueles que você tanto ama.

Obrigada por passar pela minha Caixa de Imaginação. Deixe o seu comentário, será maravilhoso saber a sua opinião.

Minha Experiência: TDAH, educação emocional e contoterapia. Realmente funciona?

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tdah contoterapia e educação emocional claudine bernardes

Oi, tudo bem? Hoje quero compartilhar com você um tema que vivo no meu dia a dia. Sou hiperativa, tenho a necessidade de fazer mil coisas ao mesmo tempo para sentir-me viva. Além disso, tenho um fluxo mental comparável às Cataratas do Niágara. Bem, mas não é de mim que quero falar, e sim do meu pequeno furacão… aquele que saiu das minhas entranhas e se parece comigo, como se fôssemos duas gotas de água.

Desde que o meu filho tinha 3 anos, percebemos (meu marido, sua professora e eu) que o meu filho tinha todas as possibilidades de sofrer de TDAH. Depois de cumprir 6 anos se confirmou o diagnóstico: TDAH com Impulsividade.

Vou ser bem clara: “Não é nada fácil ser mãe de uma criança que sofre de TDAH com impulsividade.  

1 – Primeiro: está a falta de tempo (e vontade) para tratar com a situação. Uma criança com TDAH necessita do dobro de tempo, paciência, sabedoria e um montão de etcéteras.

2 – Segundo: Quem está preparado para enfrentar esta situação? Ninguém. É necessário viver esta situação para criar bagagem e encontrar recursos que sirvam para o caso específico do seu filho.  Antes de ser mãe, li muito sobre a maternidade , inclusive sobre TDAH, mas a teoria não tem nada que ver com a prática. Porém, por amor ao seu filho, à sua familia e à sociedade, você deve enfrentar o problema de frente, sem rodeios, porque o que lhe motiva é o amor, e o amor afasta o medo.

3 – Terceiro: A sua familia e os seus amigos não estão preparados. Tenha paciência. É possível que muitos nem mesmo acreditem na existência do TDAH, você encontrará muitos comentários absurdos por internet, escutará dos seus amigos, familiares… tenha paciência, não são eles que estão viviendo isso, é você. É possível, inclusive que você seja julgado(a) por aqueles que deveriam servir de apoio. Pensarão (alguns dirão na sua cara, ou comentarão nas festas, naquelas que deixaram de convidar-lhe) que você é um mau pai/mãe, que não sabe educar e dar limites ao seu filho. Talvez deixem de lhe convidar para festas de familia, aniversários de coleguinhas, passeios… lhe deixarão de lado, porque ninguém quer por perto uma criança gritona, que bate e bagunça tudo.

As vezes a solidão, a incompreensão e a falta de apoio podem fazer com que você entre em desespero, que deseje gritar aos quatro ventos o quanto você se sente injustiçada. ¿Por que eu?

Você se identifica? 

Bem, meu amigo ou minha amiga, as coisas podem ficar ainda piores, isso mesmo, e aceitar esta realidade é muito importante para que você posso ajudar o seu filho. Talvez chegue o dia em que lhe chamem do colégio dizendo que o seu filho “bateu no professor”, o que pode ser verdade ou um exagero. Ainda assim, HÁ ESPERANÇA.

No mes passado, o meu filho que vai cumprir 7 anos, nos pediu para ir no acampamento de crianças da “igreja” a qual pertencemos. Que dúvida cruel! Porém, ele estava esforçando-se tanto por comportar-se bem, que resolvemos ver no que daria. Esse fim de semana encontrei uma das professoras que lhe acompanharam, e ela me disse:

“Claudine, se nota que  vocês estão trabalhando muito com Alejandro.  O seu comportamento no acampamento foi muito bom, se vê que vocês investiram muito tempo na educação emocional dele.”   

Você não tem ideia de como me senti bem. Tive vontade de pular de alegria (só pais de TDAH podem entender esse meu exagero). Foi uma pequena vitoria, e eu sei que momentos difíceis ainda virão, mas estou muito feliz porque vejo um grande progresso na vida do meu filho.

Por essa razão gostaria de compartilhar com você algumas sugestões que talvez possam ajudar-lhe também. Tenho um lema que diz “Observo tudo e retenho o que é bom” (parafraseando a Paulo). Espero que algo possa ser de ajuda para você:

1 – A mudança deve começar em você:  Faça uma autoanálise das suas condutas, é possível que encontre algumas condutas tóxicas, que estão prejudicando a educação do seu filho. Foi o primeiro passo que dei, não somente eu, mas o meu marido também. Entramos muitas coisas que deveríamos mudar, reformulamos nossa tática educativa em casa, e já começamos a ver mudanças positivas.  Seja sincero com você mesmo, aqui deixou algumas perguntas para você refletir: A sua casa é um lugar de repouso para o seu filho? Vocês conversam sobre sentimentos? Os limites do que ele pode ou não pode fazer estão claros? Você cumpre com o que promete? Você exerce a sua autoridade? Você exerce a sua autoridade com respeito? Você tem que gritar para ser atendido? Você grita muito?   

2 – O que não funciona, não funciona: Algumas coisas funcionam com umas crianças, outras não. Um exemplo: Quando o meu filho tinha uns 4 anos e se comportava mal, eu batia na bunda dele. Foi assim que a minha mãe me ensinou, e assim eu estava ensinando o meu filho. Só que isso não funcionou com ele, ao contrário. O menino ficava ainda mais nervoso, cheio de ira e cada vez mais agressivo. Percebi que um abraço e as vezes o castigo funcionavam muito melhor.

3. Comunicação contínua com o colégio:  Ter uma boa relação com administração do colégio e com os professores é fundamental. As vezes conseguir isso pode ser bem difícil, porém vou deixar uma dica: Passe o que passe você deve manter-se no controle da situação. Apoie os professores, nunca fale mal de um professor na frente do seu filho (porém se o professor está equivocado, fale com ele); seja sempre educado, prestativo, e sincero. Outro dia tive que conversar com uma das professoras do meu filho, pedi perdão pela conduta dele. O meu pequeno estava ali, atrás da professora, pedindo uma e outra vez que ela o perdoasse, como um “cachorrinho sem dono”. Mas ela se negou a perdoar, disse que a sua conduta era imperdoável. Aquilo partiu o meu coração, mas sabia que deveria respeitá-la, que deveria manter o equilíbrio. Sem perder a pose e com um sorriso nos lábios, lhe disse: “Eu lhe entendo perfeitamente, sei que o que o meu filho fez foi horrível. No entanto foi devido ao seu impulso, que é um dos sintomas do TDAH. Se  você que é uma professora, adulta e equilibrada, não consegue controlar os seus sentimentos, a ponto de negar o perdão a uma criança, imagine como é difícil para o meu filho.” Ela sentiu-se envergonhada e mudou de atitude.

4. Trabajo familiar: Pai e mãe devem estar envolvidos no processo, como uma equipe, porque a família é uma equipe e deve enfrentar unida as dificuldades da vida.  Todas as decisões devem ser tomada de comum acordo, entre mãe e pai. Assim, quando um se sinta cansado, agoniado e sem ánimo, o outro pode animá-lo. Ser uma equipe é fundamental.   

4. Educação Emocional: Sobre isso quero falar um pouco mais, por isso separei um espaço especial para esse tema.

Educação Emocional e Cuentoterapia

Criar uma comunicação eficaz com a criança é importantíssimo para alcançar uma melhora da sua conduta.  Devemos identificar qual é a melhor maneira de comunicar-nos com o nosso filho. No meu caso, observei que através dos contos conseguia estabelecer uma comunicação muito mais eficaz. Ou seja, ele me entendia, entendia o que eu queria explicar. Além disso, conseguia interiorizar a informação, e o resultado era uma mudança a nível psíquico que se revelava também na sua conduta (cognitiva-conductual).

Por esse motivo, resolvi estudar contoterapia (ou como diz no meu diploma “especialização em contos e fábulas terapêuticas) e comecei a escrever contos infantis utilizando esta técnica.

  Se você quer saber mais sobre contoterapia pulsa neste enlace: Contoterapia – Que bicho é esse? A contoterapia é um excelente instrumento para ajudar a desenvolver a educação emocional; e a educação emocional é imprescindível para que um TDAH possa melhorar a sua conduta.

As crianças com  TDAH costumam expressar de forma exagerada os seus sentimentos, ou seja: Quando está feliz, voa, se sente maravilhoso e completo. Quando está triste, se arrasta pelo chão… como o meu filho costuma dizer “é o pior dia da minha vida”.  As vezes, sou a “melhor mamãe do mundo” para ele, as vezes não quer me ver pintada nem de ouro.

É por essa razão que devemos ajudar-lhes a que encontrem um equilibrio, e para isso está a educação emocional.  O que conforma a educação emocional? Vejamos: 

1 – Consciência Emocional:

É a habilidade de reconhecer os sentimentos próprios, no mesmo momento em que eles aparecem.  É algo complexo e que devemos ensinar  aos nossos filhos desde que são muito pequenos. Se a criança não desenvolve a sua consciência emocional, provavelmente se tornará um adulto que não conseguirá controlar os seus sentimentos, porque não sabe reconhecê-los.

Se você consegue identificar que a raiva está apoderando-se de você, como um vulcão em erupção, será mais fácil de saber como agir para evitar a explosão.  

2. Regulação Emocional:

É a habilidade que nos permite controlar como expressamos os nossos sentimentos e emoções, de forma que devem ser adequados ao lugar e momento em que estamos. Se para um adulto, as vezes é difícil controlar a expressão dos seus sentimentos, imagine para uma criança. Conseguir que uma criança com TDAH se controle, quando, por exemplo, a raiva já está ativa, é muito complicado… porém é possível. Vejamos um caso real.

O meu marido costuma fazer pequenas provocações ao meu filho, ele diz que isso serve como exercício para o autocontrole do nosso pequeno (sou sincera em dizer que não gosto muito disso). Outro dia, o nosso filho tentava dizer-nos algo, porém o meu marido interrompia o pobre menino, uma e outra vez. Ele ficou com muita raiva e parecia que ia explodir. Foi então que algo surpreendente passou. Ele parou, respirou fundo e disse: – Papai, você pode, por favor, deixar eu terminar de falar? – Sim, claro filho, continua.

É lógico que antes de alcançar este nível, tivemos que percorrer um longo caminho. Tive que explicar-lhe muitas vezes como atuar em situações assim, e que ser educado faria com que as pessoas o escutassem. Inclusive tive que fazer uma seções especiais de contoterapia com ele para o controle da ira. 

3. Autonomia Emocional:

É o conjunto de habilidades emocionais relacionadas com a autogestão dos sentimentos. Seu objetivo é evitar a dependência emocional.  Esse é um passo muito importante dentro da educação emocional, porque nem sempre você poderá estar ao lado do seu filho para ajudá-lo a controlar-se.  Um dia, já faz uns 3 anos, estive conversando com um amigo que é psicólogo. Contei a ele que quando o meu filho ficava nervoso eu lhe dava um abraço, com muito carinho e ele se tranquilizava. Foi então quando ele me perguntou:

E o que o seu filho fará quando você não estiver? Como ele resolverá o seu problema, quando estiver num ambiente hostil, sem ninguém que lhe dê um abraço? 

Ele tinha razão, eu deveria preparar o meu filho para auto-gerenciar as suas emoções. Para isso é importante ajudar a criança a desenvolver a sua autoestima, automotivação e otimismo. Estas são ferramentas muito importantes para alcançar a autonomia emocional.

4 – Competência Social

É a capacidade para reconhecer as emoções em outras pessoas, e saber manter relações interpessoais satisfatórias. Devemos ajudar os nossos filhos a escutar e interpretar a comunicação não verbal. A empatia é a chave para o desenvolvimento da competência social.

Outro dia, um menino no colégio, derrubou o meu filho no chão e se jogou sobre ele, e fez um grande estrago. Já em casa, estive conversando com ele, para ajudar-lhe a perdoar o menino, e ele me respondeu:

“Você não precisa se preocupar, mamãe, eu já perdoei o menino. Além disso, o que ele me fez, me ajudou a perceber como se sentem os meus amiguinhos quando eu bato neles. ”  

Quase chorei de emoção. Percebi que vamos pelo caminho correto.

Resumindo,

A educação emocional é como uma semente que você planta no seu filho. Demora um pouco para ver os resultados. Mas se você é perseverante, rega e cuida da semente com fé, eu garanto que chegará o dia en que ela brotará; se transformará numa linda árvore e dará muitos frutos. 

Se você gostou do que compartilhei hoje, e quer aprender mais sobre como utilizar os contos na educação emocional, é só se inscrever no meu blog. Você receberá e-mails avisando sobre os novos posts. Tenho um montão de material legal e útil que estarei compartilhando.

Também tenho uma boa notícia, o meu livro “Carlota  não quer falar” já foi lançado no Brasil também, através da Editora Grafar. É um ótimo material para trabalhar a educação emocional com as crianças, porque além do conto, o livro também está formado por un Guia didático e o Ludo das Emoções. Conheça um pouco sobre o livro aqui. Além do livro, eu também preparei um Projeto de Educação Emocional totalmente gratuito, com quase 80 páginas cheias de atividades para trabalhar a educação emocional das crianças. Basta me escrever e dizer que quer o material e eu envio ele para você. Não custa nada, é totalmente gratuito!

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¿O seu filho ainda não dorme sozinho? Carlota quer lhe ajudar.

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Oi! Tudo bem? Depois que lancei o meu livro “Carlota não quer falar” tive a oportunidade de falar com muitos pais. Vi que muitos tinham uma preocupação em comum:

“Meu filho não quer dormir sozinho!”

Um dos sentimentos que trato no conto é exatamente o medo  expressado por Carlota ao enfrentar-se com a difícil tarefa de dormir sozinha.

Conto Carlota não quer falar medo de dormir 1
Foto de parte do Conto Carlota não quer falar, autora Claudine Bernardes.

Ensino, através da experiência vivida pela personagem, que o medo pode ser combatido pela confiança (medo X confiança) :

Conto Carlota não quer falar medo de dormir 2

Então, para ajudar a vocês, papais e mamães, que estão enfrentando a difícil tarefa de ensinar os filhos a dormir sozinhos, preparei um material de ajuda. Este material  está feito e baseado na nossa própria experiência familiar. 

O que proponho?

Vamos convidar a criança a que entre nesse processo de dormir sozinha, e será um desafio que ela desejará enfrentar.

  1. Vamos preparar a criança para a mudança

Conte o Conto “Carlota não quer falar”, e quando chegar na parte onde tratamos o medo de dormir sozinho, siga as instruções do Guia didático, introduzindo perguntas.

É importante deixar claro para à criança, que sentir medo não está mal. Que todos sentimos medo, mas que através da CONFIANÇA esse medo pode ser suportado. Explica-lhe que papai e mamãe estarão ATENTOS durante toda a noite. E que se ele(a) necessitar de ajuda, os papais irão correndo ajudá-lo. Convide o seu filho a CONFIAR em você e diga: a confiança tem o mágico poder de afastar o medo. 

Além disso, você pode contar-lhe alguma historia de como você também já sentiu medo, e como conseguiu vence-lo. Seu filho pensará: Puxa! Papai (mamãe) já sentiu medo também. Eu também posso vencer o medo!

2. Chegou a hora de dormir sozinho

Comece de forma positiva, explicando que vocês estão orgulhosos de como ele está crescendo e que agora chegou o momento de dar um novo passo: dormir sozinho.

Como apoio adicional proponho utilizar o “Calendario para dormir sozinho” 

Trata-se de um Calendario, mês a mês, que preparei, o qual você pode baixar gratuitamente e imprimí-lo. Como sugestão, você pode dizer-lhe: _Olha que legal esse Calendario! Vamos pintá-lo e colocá-lo na geladeira? Cada noite que você consiga dormir sozinho, colaremos a carinha da Carlota no Calendario. Se você conseguir 5 carinhas, lhe daremos um prêmio.

Recomendo que o prêmio seja algo sem valor financeiro, ou de pouco valor, que seja algo mais de conteúdo familiar, como: Fazer um passeio em familia; un pic-nic; levá-lo a algum lugar que ele deseja muito ir etc.

Nosso objetivo é conseguir que a criança durma sozinha varios dias, e que consiga ver isso como algo normal. Quando ela veja que dormir sozinha é normal, teremos alcançado o nosso objetivo. Aqui está o Calendário:

 

Estas são as carinhas para colar no calendário. Se você não quer utilizar as carinhas, pode desenhar ESTRELAS no dia que corresponda. Tenho certeza que o seu filho adorará esta atividade.

Calendario dormir solo Carlota caras

Se você ainda não conhece o conto “Carlota não quer falar” clica aqui para conhecê-lo. Você poderá comprá-lo diretamente na web da Editora Grafar. Eles enviarão para você em qualquer parte do Brasil.  Também está publicado em Português para Europa, através da Editora Sar Alejandría. Se tiver alguma dúvida escreva-me, será ótimo trocar experiência ou receber sugestões.

Por favor, compartilhe este post nas suas redes sociais, assim você poderá ajudar a outras familias que necessitam desse material. Obrigada por passar pela minha “Caixa de Imaginação”.

 

Carlota não quer falar, un conto com muitos valores

(Para leer la entrada en español pincha aquí)

Já no Brasil e Europa!

Livro conto Carlota não quer falar - infantil sentimentos

“Carlota não quer falar”  Mais que um conto

O livro está formado de três partes:

1. Conto interativo

“Carlota não quer falar”  é a história de uma menina que não consegue falar das suas emoções e sentimentos. Ela guardou tantos sentimentos dentro que se sente cheia como um balão e pesada como uma grande pedra. Você gostaria de ajudá-la?

1 Carlota não quer falar conto infantil sentimentos

Esse conto deve ser contado por uma adulto a uma criança, para que a experiência seja mais completa. Isso deve ser assim porque se trata de conto interativo, onde o adulto vai fazendo perguntas à criança, para que esta dê voz à Carlota, descobrindo, pouco a pouco, o que sente a pequena personagem.  O conto também abre a possibilidade de que o adulto compartilhe com a criança suas histórias e experiências pessoais, o que irá enriquecer a vida de ambos.  Por essa razão vemos que “Carlota não quer falar” é uma ponte, uma conexão entre o adulto e a criança para compartilhar histórias e falar das emoções.

2 Carlota não quer falar conto infantil sentimentos

É importante que o adulto faça as perguntas à criança, mas não lhe dê as respostas. Se a criança não dá a resposta correta, não há problema, ela deve  encontrar as suas respostas e assim gerar um conhecimento pessoal, para que o processo de aprendizagem ocorra de dentro para fora. Conte a história de forma divertida.

3 Carlota não quer falar conto infantil sentimentos

Quando a criança escolhe a resposta correta, e ao virar a página, ela fica muito surpresa quando percebe que Carlota seguiu o seu conselho. É algo mágico para a criança!

A medida que a criança ajuda a Carlota a compreender as suas emoções, a falar dos seus sentimentos e administrá-los, o mundo de Carlota vai entrando em ordem outra vez, até que ela possa falar por si.4 Carlota não quer falar conto infantil sentimentos

2. Guia Didático

O conto também vem acompanhado de um guia didático para ajudar ao adulto na contação, de acordo às técnicas de contoexpressão .   É muito importante ler o guia antes de contar o conto.

  3. Ludo das Emoções

Por último, no livro também está o “Ludo das emoções”, pensado para que seja um jogo familiar. O Ludo vai acompanhado de 30 cartas que estão divididas em: 20 Cartas de perguntas; 5 Cartas “Coringa”; 5 Cartas de sanção. As Cartas ajudarão aos jogadores a compreender as emoções, falar sobre os sentimentos e compartilhar histórias. Será muito divertido!  Clica aqui para conhecer mais sobre o “Ludo das Emoções”

Parches de las emociones que acompaña el cuento Carlota no quiere hablar
Aqui se observa as Cartas na edição original que é Espanhol.

“Carlota não quer falar” fortalecerá o vínculo de amor, respeito e afinidade dentro da família.   

Se você pensa que terminou por aqui, está completamente equivocado. Além de tudo que já comentamos, o projeto “Carlota não quer falar” inclui muito material gratuito que poderá ser baixado aqui no meu blog. Você pode entrar nos enlaces abaixo para ver os materiais gratuitos.

Como Comprar “Carlota não quer falar”

  • Se você vive no Brasil poderá fazer o seu pedido diretamente à Editora Grafar. Eles enviarão para você em qualquer lugar do Brasil. Além disso você poderá conseguir descontos a partir do terceiro livro. Clique aqui para ir à Livraria Grafar.
  • Se você vive na Europa pode comprar o livro em Português através da Editora Sar Alejandría: Para pedidos dentro de Espanha e  para enviar a outros países da Europa.
  • Se você vive na Espanha e quer o livro em Espanhol poderá fazer o pedido sem gastos de envio na página de Editorial Sar Alejandría.
  • Também podes receber o livro dedicado, comprando abaixo através de PayPal. Se tem alguma dúvida ou prefere pagar através de transferência bancária, entre em contato pelo formulário abaixo.

    Livro Carlota não quer falar, Português, entrega DENTRO Europa.

    Livro “Carlota não quer falar”, Português Europeu. Ed. Sar Alejandría. Autora Claudine Bernardes. O valor inclui Livro de Capa Dura que contêm: conto interativo + Guia de aplicação + Ludo das Emoções com 30 Cartas. No valor também está incluido o transporte em correio simples.

    €19,00

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Material Gratuito para baixar

Jogos: Preparei vários jogos para trabalhar as capacidades emocionais das crianças. Entra neste link e você poderá conhecê-los e baixá-los.

Desenhos para colorir: Neste link você encontrará varias folhas com ilustrações do conto, para que as crianças possam colorir e divertir-se.

Calendário para dormir sozinho: Se o seu filho tem dificuldades para dormir sozinho, preparei um material especial que pode lhe ajudar. Clica aqui.

Projeto Educação Emocional com Carlota: Se trata de um projeto desenvolvido para servir de suporte ao Conto. São quase 80 páginas, onde ensino o que é a contoexpressão e a educação emocional através de contos, juntamente com uma parte prática, composta por jogos, dinâmicas, fichas para atividades, desenhos etc. Para baixar o Projeto de forma gratuita clica aqui.  

Para receber mais materiais basta preencher o FORMULÁRIO ABAIXO que envio diversos materiais em PDF de forma totalmente GRATUITA para você! Ah! me siga pelo instagram @claudine.bernardes

Se você ficou com alguma dúvida, ou deseja conversar comigo, não duvide em escrever-me. Será um prazer conversar com você. Se vives na Europa e queres o livro com dedicatória, posso enviá-lo pessoalmente. Basta escrever-me.

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Agradecemos pela sua resposta. ✨

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Um conto para unir laços: Arthur o Supergato.

(Para leer el texto  en español pincha en: Arthur el super gato)

Arthur el super gato Claudine Bernardes
Texto e ilustração: Claudine Bernardes

Um conto unindo dois mundos

No ano passado o meu filho estudou a vida dos gatos (no jardim de infância). Como de costume, sua professora pediu aos pais que enviemos informação e conteúdo para que as crianças possam compartilhar com toda a classe. Como gosto muito de contos, pensei que seria uma boa ideia escrever um conto e assim também poderia exercitar e melhorar minhas ilustrações (já sei que ainda tenho muito trabalho pela frente).

O resultado foi: Arthur o supergato.  Todos os contos que escrevo tem uma finalidade que vai mais além da lúdica, porque acredito que um conto pode fazer muito mais que somente entretener as crianças. Esse enfoque segui ao escrever o conto, cujos personagens são todos reais: Meu filho (narrador e personagem), Tia Fran (minha irmã) e Arthur (o gato da minha irmã). O conto é narrado pelo meu filho, e a ideia que plasmei é de como se ele estivesse lendo o conto e passando as páginas do livro (observe que nos cantos das páginas aparece a sua mão). Misturei imagens reais (fotos feitas pela minha irmã) com as minhas ilustrações.

Quando mostrei o resultado final para o meu filho, ele ficou encantado. Se sentiu conectado com uma parte de mim que ainda não conhecia: O Brasil.

Meu filho ainda não esteve no Brasil e só conhece alguns membros da minha família que estiveram aqui na Espanha. No entanto a tia Fran ainda não esteve aqui, ele só a conhece através do computador. Poder entrar no mundo mágico dos contos, ser um dos personagens e compartilhar essa história com a tia e seu gatinho fez com que ele se sentisse mais próximo da minha família que vive no Brasil

Depois que imprimi o conto, meu filho levou sua história ao jardim e a contou, cheio de orgulho, aos seus amiguinhos. Foi um sucesso!

É importante que seus filhos conheçam a sua história

Viver longe do seu  lugar de nascimento, longe da sua cultura, não deve ser um impedimento a que seus descendentes tenham acesso a essa cultura. É importante que os seus filhos conheçam a sua história, porque também faz parte da história deles. Compartilhe com eles as suas aventuras de criança, as lendas locais os “causos”, os personagens que fizeram parte da sua infância.  Suas histórias enriquecerão a vida dos seus  filhos e os deixarão mais próximos a você.

Agora deixo o conto completo (pulsa sobre a imagem para vê-la mais grande):

cuento Arthur el Super Gato Claudine Bernardes

Espero que tenha gostado. Deixe a sua opinião e se puder, compartilhe o post. Até breve! 😉

 

contoterapia claudine bernardes

Por que contar contos às crianças?

(Para leer el texto en español pincha en: contar cuentos a los niños)

contoterapia contos a caixa de imaginação

Era uma vez…

O menino estava deitado comodamente na sua cama, mas não conseguia dormir. Sua mãe, como uma fada madrinha, sentou-se ao seu lado, e sabendo o que o filho necessitava, começou a contar-lhe uma história: _ Era uma vez…

A criança deixou levar-se pela história, adentrando no mundo mágico da imaginação. Caminhou por sendas íngremes; lutou ao lado de príncipes contra ferozes dragões e depois de vencê-los regressou vitorioso para pedir a mão da princesa e viver feliz para sempre.

Os argumentos dos contos populares, cheios de ação e pouca análise sobre as causas dos acontecimentos,  captam facilmente a atenção do leitor infantil, já que envolvem sua personalidade.

Um dos axiomas fundamentais da psicologia diz que os primeiros anos de vida da criança têm um papel fundamental no desenvolvimento futuro de cada ser humano. O estabelecimento de um horizonte de significado  é essencial para dar fundamento e sentido às experiências vivida pela criança.

O que é horizonte de significado?

Horizonte de significado é o ponto de referência no qual os eventos da vida cotidiana começam a encontrar sentido, um enredo que os unifique. Assim, a criança pode acomodar todas as suas experiências de vida, deixando de vê-las como uma experiências caóticas; como se não existisse relação de umas experiências com outras. Pouco a pouco a criança começa a compreender que sua vida tem um sentido, uma orientação, ou melhor, um enredo, como as histórias que escutada cada noite.

O horizonte de significado pode ser entendido como o sentido de vida.

Muitos autores concordam que, se queremos viver, não momento a momento, mas realmente cientes da nossa existência, necessitamos encontrar significado a nossas vidas. Entretanto, não adquirimos um compreensão do significado da vida em uma idade determinada, ou quando se atinge a  maturidade cronológica. Se trata de um processo que culmina com a maturidade psicológica.

 Bruno Bettelheim  na sua prática terapêutica percebeu a importância de que as crianças tivessem acesso a materias que ajudassem na formação de um horizonte de significado.

Bettelheim  concluiu que o material mais apropriado para  proporcionar significado à vida da criança está nos contos de fadas tradicionais, já que estão formados por personagens arquetípicos (A bruxa, o príncipe herói, a princesa, o rei, a fada madrinha etc).

Por que contos de fadas (fantásticos)?

  • Os contos de fadas despertam a criança pouco a pouco em relação ao seu entorno;
  • Proporcionam uma leitura iconográfica e amena;
  • Pela simplicidade das situações descritas, muitas de forma tipificada;
  • Outro fator importante é que os contos de fadas alcançam muito êxito entre as crianças, enriquecendo sua vida mais que outros materiais de leitura. Isso acontece porque os contos conectam-se com o seu psicológico e emocional, em virtude da grande simbologia que penetra no consciente infantil, ajudando na compreensão mais profunda e liberando o seu significado;
  • As histórias arquetípicas, como os contos de fadas, ajudam ao ser humano a orientar, dar sentido  e fundamento à sua existência durante o processo de converter-se em pessoa e no seu processo de individualização.
  • Os contos ajudam a adquirir mais vocabulário, tempos verbais e também ajudam a compreender a contextualização.

     

Outro fator muito importante é a transmissão de carinho que ocorre durante o momento em que que se conta um conto para a criança.

Este encontro emocional é insubstituível. A palavra se transforma em transmissora de afeto, não só de conteúdo, e recupera o poder que lhe corresponde como rainha da imaginação.

Estes foram somente alguns exemplos dos benefícios dos contos de fadas. Infelizmente muitos pais não contam contos para os seus filhos. Tanto é assim que todo material de contoterapia que tenho encontrado, está dirigido para os profissionais da educação. Minha proposta é aproximar a contoterapia ao mundo familiar.

frase ler contos para crianças
 Já escutei muitos comentários contrários aos contos de fadas. Você já sabe o que penso, agora gostaria de saber a sua opinião. Até breve.