O Poeta aos olhos de Drummond

NOTA SOCIAL

O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos…
O poeta está melancólico.

Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.

O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.
(Carlos Drummond de Andrade)

Drummond: Quando a perda se transforma em poesia.

O que Viveu Meia Hora

Nascer para não viver
só para ocupar
estrito espaço numerado
ao sol-e-chuva
que meticulosamente vai delindo
o número
enquanto o nome vai-se autocorroendo
na terra, nos arquivos
na mente volúvel ou cansada
até que um dia
trilhões de milênios antes do juízo final
não reste em qualquer átomo
nada de uma hipótese de existência.
(Carlos Drummond de Andrade)

A Semana de Drummond

Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente
(Carlos Drummond de Andrade)

Amor sem palabras

(Para leer el texto en Español pincha: Amor sin palabras) No me pidas para escribirte poemas de amor, cuando todo mi amor está delante de ti. Compréndelo, las palabras no pueden contener lo que siento por ti. Puedo escribirte sobre el amor, pero, no me pidas para expresarlo en palabras. Eso es demasiado para mi.

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Meus delírios de domingo à noite.

Dois bolos estavam ainda quentinhos sobre uma mesa.

_ Que cheirinho gostoso eu tenho. Me sinto fofinho e sei que estou muito gostosão. – Disse um bolo ao outro, bastante cheio de si.
_É verdade vei, pareces bastante fofinho mesmo. Isso é resultado da hábil mão do padeiro, ele te fez com muito carinho, cara!
_ Táx loco, mano! Tu vêx algum padeiro aqui, maluco? Cara, nem sei o que é um padeiro. – Respondeu incrédulo.
_ Cara, então como tu pensas que surgiste?
_ Caraca! Da maneira mais óbvia… primeiro se juntaram muitos elementos, tipo… importantes meu.
_ Mano, esses elementos que tu falas são os igredientes que o padeiro colocou dentro da bacia.
_ Cala a boca mané e escuta! Depois ocorreu uma grande explosão que fusionou todos os elementos.
_ Maluco, isso se chama batedeira! A explosão que tu disses foi produzida pela batedeira do padeiro, que serve para misturar os ingredientes.
_ Fica quieto e escuta a voz da sabedoria, cara! Depois da explosão passaram muitos e muitos anos, tipo, muitos anos mesmo. Os elementos se foram misturando e a coisa começou a se transformar. O clima mudou um montão durante esse tempo, para ajudar na fusão, entende? Então, depois disso tudo apareceu o gostosão aqui.
_ Cara, esse tempo que tu dizes foi quando o padeiro te colocou no forno dele. Primeiro tava frio, depois esquentou a beça, isso te fez crescer. Meu, manlandro, foi o forno do padeiro que te fez crescer assim!
_ Tu tá é louco, cara! Essa conversa de padeiro é balela, história pra criança pequena e pra idiotas. Esse maluco! De onde tu tirou essa história, vei?
_ Da receita que tá aí do teu lado! – O bolo gostosão olhou a receita e a leu um pouco.
_ Cara, isso deve ter sido tu quem escreveu pra tirar uma onda com a minha cara!
_ Mané, tu pirou! Eu nem tenho braço! Como pensa que escrevi?

Nosso coração não é lixeiro! Jogando fora os entulhos do passado.

O que escondo dentro de mim.

Guardo a esperança presa em uma caixa de sapatos. Às vezes a espio com cuidado, não abro muito para que não fuja. Guardo minha esperança com zelo, desejando que as coisas mudem, e que minha simples esperança se transforme em algo tangível.

Guardo aquele sentimento que me deixaste, aquele sentimento que produziste ao partir. O mundo não o vê porque o guardo com zelo. Ninguém o ouve. Me calo e escondo o que levo. Ainda que guardado dentro de mim persista uma terrível tempestade, é minha essa tempestade e não a deixo partir. Na verdade, conservo essa dor que levo porque é o único que resta de ti.

Guardo dentro aquele desejo de ser o que jamais serei. O guardo escondido onde só eu possa amá-lo, onde ninguém possa julgá-lo. Não! Não insista porque não o deixarei ir. Ele é o único que me conecta com o que jamais terei coragem de ser. Porque o que sou é um sorriso apagado, é vontade contida, é um nada em um mundo que exige que sejamos tanto.

Guardo, escondo e mantenho aquilo que já foi e não é mais. Às vezes me pergunto se não seria mais fácil deixá-lo partir. Porém o medo do vazio me faz retroceder, e fecho as portas uma vez mais, e não o deixo ir

Resenha Filme: Mary Poppins

(Para leer la reseña en Español: Reseña de Película: Mary Poppins) Loucos por Mary Poppins “O vento do leste e a brisa do mar espalham o que há de novo”. Você já viu Mary Poppins? – Me perguntou um dia meu marido enquanto perambulávamos por uma grande loja. Peguei a caixa do DVD nas mãos, olhei bem… Quem não ouviu falar de

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Papai Noel de férias perto de casa.

Quando eu era pequena, e as crianças ainda voavam livres pelas ruas da cidade, buscávamos aventuras em todas as esquina. Cada casa abandonada nos parecia um mundo desconhecido, cheio de mistérios a decifrar. Os terrenos baldios, que naquela época abundavam, eram países longínquos para onde sonhávamos viajar. Inclusive a vala que passava atrás de casa, foi transformada em um caudaloso rio onde, um dia, cheia de boas intenções, tentei ajudar minha irmã pequena a cruzá-la, e sem querer a joguei de cabeça no esgoto. Que dias aqueles!

TAG Bloggers Recognition Award

Um mês de blog e estou super contente, porque “A Caixa de Imaginação” foi super bem aceita, tanto pela comunidade de blogueiros como pelos internautas que sempre passam por aqui para dar uma olhadinha. E o presente foi lindo, em forma de Tag. Isso mesmo, recebi minha primeira indicação para participar de uma Tag (Bloggers

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Você é ponto de partida ou ponto final? Sete características.

Saber a resposta para esta pergunta, é essencial para melhorar o seu relacionamento com os demais. Mas, que história é essa de ponto de partida e ponto final? Bem, desde pequenos nos encontramos com pessoas que de alguma maneira foram um ponto de partida, que nos ajudaram a iniciar algo, inclusive, a ser o que hoje somos. Pense neles! Para algumas pessoas os pais foram seus primeiros “ponto de partida”: animando a aprender algo, a iniciar um projeto, ou alentando quando estão a ponto de desistir. Também estão nossos professores, que compartilharam conosco seu conhecimento, e plantaram dentro de nós as sementes do conhecimento, de projetos e sonhos. É possível, inclusive, que estas sementes tenham germinado e hoje são belas árvores frutíferas que alimentam outras pessoas. Há muitas pessoas que para mim foram um ponto de partida e algumas se transformaram em uma parada de descanso.