O despertador não soou! Levantei assustada e saí correndo pra ver o nascer do sol…

O amanhecer no Mediterrâneo

ver o nascer do sol
Fotografia e edição: Claudine Bernardes. Praia de Benicassim

Acordei assustada e olhei no relógio. Oh, não! O despertador não soou e já era às 6:30 da manhã. Pulei da cama, tomei meu café correndo (porque antes disso não sou gente), me vesti, peguei a bicicleta do meu marido (que é mais rápida que a minha) e saí de casa como quem está dando a luz.

Ainda estava escuro, mas o caminho era longo e eu estava com os músculos frios. Havia duas opções: ir pelo caminho de sempre, que era todo por uma ciclovia e portanto muito mais seguro, principalmente naquela manhã escura; ou, ir pelo caminho rural, muito mais curto, no entanto sem acostamento. Escolhi a segunda opção! Acendi as luzes da bicicleta para evitar problemas e lá fui eu.

Pedalei o mais rápido que pude! Havia pouca gente no caminho, ciclista nenhum, a parte de mim. Comecei a perceber a silhueta rosada do horizonte, indicando que o sol já começaria a surgir e pedalei ainda mais rápido. Não queria perder o espetáculo do nascer do sol. A última vez que o havia contemplado fazia uns 15 anos, e fora no Atlântico (uma experiência inusitada, já os contarei). Seria a primeira vez que contemplaria o nascer do sol no Mediterrâneo, e não estava disposta a perder essa oportunidade. Apesar de pedalar o mais rápido que meu intumescido corpo permitia, o caminho se fez mais longo do que eu imaginava. Estava cansada, sem fôlego e desesperada por chegar.

E cheguei! Saltei da bicicleta correndo para pegar a câmera fotográfica e registrar os primeiros raios do sol… Nãooooooooo! Estava sem bateria! Assim que, iPad, somos só você e eu! Meu fiel companheiro, ainda que limitado era o único que me restava para registrar esse momento (como você deve ter notado tenho por regra utilizar imagens próprias). Bem, você julgará o resultado! Caminhei até o molhe e me sentei para esperar o sol que começava a surgir timidamente. Observei com entusiasmo a luz âmbar que começava surgir entre algumas nuvens pegadas ao horizonte, e senti que me saudava.

Como um noivo extasiado pela beleza da noiva que vai ao seu encontro, me sentei sobre as pedras e esperei que a cálida luz âmbar viesse ao meu encontro. Ela caminhou suavemente sobre as águas, crescendo e espalhando-se gradualmente sobre o Mediterrâneo. Não havia pressa! As poucas ondas dançavam douradas diante de mim, produzindo uma suave melodia. Finalmente senti a luz âmbar tocando minha pele, produzindo a união do homem com a luz. Foi um espetáculo incrível! Senti uma irreprimível vontade de agradecer a Deus e isso fiz. Minha oração matutina foi ali mesmo, sobre as pedras e olhando o mar iluminado pelos primeiros raios de sol. Obrigada, Deus!

nascer do sol espanha
Fotografia e edição: Claudine Bernardes. Praia de Benicassim.

Agora estou aqui, com uma pedra como cadeira e o mar como janela, tentando registrar em palavras essa experiência. No entanto, nenhuma palavra que exista no dicionário poderá conter os sentimentos que hoje experimentei. Gostaria que você soubesse que ver o nascer do sol com os próprios olhos é ainda mais espetacular. Não consigo descrevê-lo de modo que você possa realmente compreender a sua beleza, é algo para ser vivido. Meras fotos não podem conter tamanha beleza.

nascer do sol, praia espanha.
Fotografia e edição: Claudine Bernardes. Praia de Benicassim.

Isso me fez ver outra realidade. O amor de Deus, na pessoa de Jesus. Eu posso dizer o quanto é maravilhoso desfrutar do seu amor, posso tentar convencê-lo com todos os artifícios que eu conheça quanto a sua existência, no entanto, minhas palavras e minha vida jamais poderão conter a plenitude do que Ele é. É por isso que eu sempre digo, o cristianismo não é uma religião, porque o amor não pode ser descrito através de regras. Se trata de uma vivência, ou melhor, de uma CONvivência. De uma relação! De um: ver com os próprios olhos e sentir com o coração. Me chame de louca se quiser, mas não deixe a vida passar sem ver esse nascer do sol.

Salmos 19.1
Fotografia e edição: Claudine Bernardes. Praia de Benicassim.

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Janelas que conduzem a outras janelas

Janelas do Castelo de Vilafamés
Foto de arquivo: Claudine Bernardes
Lugar: Castelo de Villafamés (Para conhecer Villafamés clic aqui)

Gosto de janelas! Através delas observo a vida. Janelas nos conduzem a outras janelas. Nos mostram o mundo e uma infinidade de possibilidades. Eu gosto de possibilidades. Janelas são possibilidades. Meus olhos são janelas que me conduzem para fora de mim, por onde os demais me espreitam, me descobrem. Janelas são descobertas. Um canal de comunicação bilateral onde tudo flui. Um intercâmbio de ideias, desde onde as mudanças surgem e se perpetuam.

Os olhos são janelas
Foto de arquivo: Claudine Bernardes Torre de Cuart – Valencia. Espanha
(Para conhecer Torres de Cuart clic aqui) 

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Resenha de Música: Memórias de um Narciso (Lorena Chaves)

                   Amo as músicas da Lorena Chaves. Todas! Porém, considero “memórias de um narciso” uma música incrível. Possui uma melodia original, uma letra profunda e uma interpretação sui generis.

Resenha Memoria de um narciso
Foto de arquivo: Claudine Bernardes

            Sim, somos seres narcisistas! Adoramos ver a nossa imagem refletida no espelho, gostamos de escutar o som da própria voz e que nos digam o quanto fazemos as coisas bem. No entanto, a realidade é outra. O mundo não gira ao nosso redor, não somos insubstituíveis, e nem tudo se trata de nós, do que necessitamos ou do que pensamos.

“Aos 20 años me preocupava com o que as pessoas pensavam de mim. Aos 40 anos deixei de preocupar-me. Aos 60 años descobri que as pessoas nem sequer pensavam em mim.”

                  Quando compreendermos isso, quando nos olharmos no espelho e vermos nossas debilidades, então poderemos dar o seguinte passo. Qual é? Permitir que o Deus que nos criou, que nos amou ao ponto de morrer pelos nossos pecados, nos transforme. Porque Nele temos um potencial incrível, eterno e pleno.

Escuta a música “Memórias de um Narciso”

Não podia faltar a letra:

Deixo a vida me levar
Aonde ela quiser
Boto a culpa no destino
No fim tudo vai se acertar
Se estou triste abro um uísque
Devo ter um bom motivo
Se não tenho, invento
Hoje eu só quero me livrar de mim
Estou preso em meio a um labirinto cheio de espelhos
O meu mundo gira em torno das vontades que eu tenho
Estou imerso em um sistema que me diz você é livre
Mas no fundo o desejo pela liberdade não cessou
Que eu sou escravo do consumo desse amor por mim
Eu sou escravo sem saber que sou assim
Que eu sou escravo do consumo desse amor por mim
Eu sou escravo sem saber…
No fundo eu me cansei de me relacionar comigo
E eu escrevo aqui as últimas memórias de um narciso
Vou procurar a paz que não se encontra em mim
Essa plenitude não se pode achar em alguém como eu
Que sou escravo do consumo desse amor por mim
Eu sou escravo sem saber que sou assim
Que eu sou escravo do consumo desse amor por mim
O amor não pode ser tão egoísta assim

(Lorena Chaves – Memória de um Narciso)

Conheça mais sobre a Lorena pulsando aqui.

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Concursos literários: Participar ou não?

Uma opção interessante para novos escritores

escrever fora de casa
Foto de Arquivo: Claudine Bernardes

Quando comecei escrever meus primeiros textos, quase de imediato pensei que inscrever-me em concursos literários seria uma forma de conseguir publicar algo. Desde então foram muitos concursos. Inclusive escrevi um livro de poesia em poucos dias, com a ingênua ideia de “quem sabe” ganhar o concurso e os cinco mil euros que supunha o prêmio. Obvio que não ganhei! Participei de inúmeros concursos literários, todos em castelhano. Exatamente, a bela, porém complexa língua espanhola. Se já é difícil escrever bem utilizando a língua materna, imagine escrever em outro idioma. Uma loucura!

No entanto, devo confessar que não me arrependo. Aprendi muito, melhorei o meu estilo de escrita, ampliei meu dicionário e percebi que a minha “caixa de imaginação” é um poço sem fundo. Inclusive participei de concursos de contos infantis com ilustração própria, algo que jamais imaginei que podia fazer.

Por isso, se você está pensando em participar de algum concurso literário, siga adiante! É possível que, como eu, você nunca ganhe um prêmio, porém isso não importa. O que realmente importa é que você se expresse, que se deixe fluir e que cresça com cada palavra que escreva. Porque as palavras nos fazem crescer!

Abaixo deixo 4 links de páginas onde você pode encontrar concursos literários em português:

  1. Blog Concursos literários
  2. Concursos Literários.net
  3. Oficina de criação literária
  4. Casa das Rosas – Concursos literários

No entanto, se você domina o castelhano (língua espanhola) sugiro que conheça a página de Escritores.org. Na minha opinião é a página de concursos literários mais completa que existe. Além de listar inúmeros concursos literários de vários países, também oferece outros recursos interessantes para escritores, como: agentes literários, ferramentas de promoção para escritores, cursos, etc.

 Espero que este post tenha sido de ajuda. Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral. Será gratificante receber seus comentários e ideias.  Se gostou,  por favor, compartilhe.  (Post en Español)

Você também é um viciado em trabalho?

Quando a vida te der um respiro, enche o pulmão de ar e segue adiante.

Família, casa, trabalho, estudos, cão, gato… tudo requer um pouco do nosso tempo e quando chega o final do dia estamos rendidos. Nos faltam mais horas no dia! Será? Talvez se tivéssemos mais horas só conseguiríamos terminar o dia ainda mais cansados e frustrados. Mas não é sobre isso que desejo “falar” hoje.
Desejo falar sobre aqueles raros momentos em que a vida nos dá um respiro… uma pausa dentro da loucura dos nossos dias. Esses momentos são como “flash”, que se você não está atento, ou olhando para outro lado (ou melhor, olhando com os olhos equivocados), passará sem ser percebido; ou pior ainda, sem ser vivido.

Me lembro que era aquele tipo de pessoa acelerada, viciada na adrenalina do prazo final, que deixava tudo para o último momento, porque sempre estava fazendo algo que julgava ser realmente importante. Me dizia constantemente: “Garota, o dia é curto! Não deixe vazio um minuto do seu dia.”  Sempre correndo de um lugar para o outro. Da casa para o trabalho e deste para a faculdade. Constantemente envolvida em inúmeras atividades, tinha a impressão que o mundo ia colapsar se tinha a ousadia de tirar um descanso. Até que… (e aqui me tomo um respiro para continuar) até que vim fazer uma especialização na Espanha. Minha vida, que até o momento era uma volta vertiginosa em montanha russa, se transformou em um tranquilo passeio em barco num lago sem ondas. Como reagi a esta drástica mudança? Me senti horrível, como se fosse um crime ter horas livres durante o dia, como se não estar súper, mega ocupada me tornasse uma pessoa sem importância. Uma enorme apatia recaiu sobre mim. Nem mesmo o fato de estar perto de incríveis lugares para escalar, pedalar, ou simplesmente caminhar, me animou. Me sentia apática e confusa com a mudança de rotina que havia sofrido. Qual foi o resultado? Me deu um piripaque, pensei que estava morrendo, o coração acelerou-se e não conseguia respirar. Foi assim que, aos meus 27 anos, fui parar no pronto socorro de um hospital com um ataque de ansiedade. Esse foi o diagnóstico, “ataque de ansiedade por falta do que fazer”. Seria cômico se não fosse trágico.

Dez anos depois, e com muito menos tempo livre, olho para trás e dou risadas de mim. Gastei uma infinidade de horas livres buscando qualquer coisa tonta na qual ocupar meu tempo, quando deveria tê-lo investido em algo que realmente poderia agregar mais valor à minha vida.
Aprendi que pedalar subindo uma ladeira, apesar de ser muito cansado, fortalece as pernas, porém baixar sentindo o vento contra o rosto produz uma sensação indizível. O que quero dizer com isso? Nem tudo na vida é trabalho, esforço e superação. Viver constantemente assim é exaustivo. Devemos aproveitar o tempo livre para descansar e fazer coisas que nos produzem prazer. Se você não tem tempo livre, chegou o momento de criá-lo. É algo imprescindível para uma vida equilibrada.

Se você é pai ou mãe, não se sinta culpável por deixar seu pimpolho durante um par de horas na semana com alguém para pedalar, ir de compras ou relaxar lendo um livro sem ser interrompido. Se depois de vários anos trabalhando sem descanso você ficou sem trabalho, não saia correndo na manhã do dia seguinte distribuindo currículos, como um desesperado. Toma um tempo para descansar, para rever valores. Caminhe pela praia sentindo a areia entre os dedos dos pés, ou pela montanha, onde o cheiro de mato matutino é embriagantemente relaxante. Invista o tempo livre em estar com seus filhos, conte-lhes sobre a sua vida, suas histórias de criança. Leve o seu pai ou sua mãe ao cinema, será um tempo incrível para relembrar divertidas histórias do passado.
Lembre-se que o tempo voa. Respire fundo, encha o pulmão de ar. Se agora você tem tempo para relaxar, relaxe, porque amanhã, talvez, você tenha que passar o dia correndo.

E como sempre, para terminar gostaria de lembrar que esse Blog é um canal de comunicação bilateral, por isso seria um prazer receber e responder seus comentários. Gostaria também de pedir-lhe que compartilhe esse post se gostou do que leu. Até breve! (Post en español: ¿Eres un adicto al trabajo?)

Você vai deixar de seguir o caminho por que encontrou uma pedra?

O caminho e a Pedra

 Foto de Arquivo: Claudine Bernardes Lugar: Desierto de ls Palmas, Castellón de la Plana

Foto de Arquivo: Claudine Bernardes
Lugar: Desierto de ls Palmas, Castellón de la Plana

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade)

            Drummond nos deixou bastante claro que no meio do seu caminho tinha uma pedra. Porque sempre há pedras no caminho, no meu, no teu, no vosso, sempre há pedras.

           Outro dia enquanto pedalava encontrei uma pedra no meio do caminho. A resposta foi rápida, a escolha fácil: desviei da pedra. Há pedras que podem ser desviadas, porque o caminho é largo e bem asfaltado. Entretanto, há momentos em que o caminho é um verdadeiro pedregal, então qual é a opção? Desistir da caminhada e dar meia volta com o rabo entre as pernas? Sim, essa é uma opção. Quem nunca desistiu que atire a primeira pedra! Porém, não podemos viver constantemente dessa maneira, porque sempre haverá um caminho pedregoso para vencer, uma montanha para escalar, um rio para cruzar.

          Quando entrarmos em caminhos pedregosos, lembremos que as pedras que não podem ser removidas ou desviadas, poderão ser escaladas, porque Deus nos criou com mãos e pernas para escalar. Também tenha em conta que estes caminhos pedregosos geralmente são os que nos conduzem aos lugares mais lindos. Quem como eu gosta de caminhar ou pedalar entre as montanhas, sabe que a subida é muito cansativa, cheia de pedras, buracos, encostas íngremes e escorregadias. Mas não deixamos de enfrentar esses árduos caminhos, porque é ali, entre pedras, espinhos e suor, onde nos sentimos mais perto do nosso Criador.

Blog: A caixa de imaginação. Entrada: A pedra e o caminho. Foto de Arquivo: Claudine Bernardes lugar: Desierto de las Palmas
entrada: A pedra e o caminho.
Foto de Arquivo: Claudine Bernardes
lugar: Desierto de las Palmas

Seria ótimo receber a sua opinião ou sugestão. “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral, sinta-se a vontade para fazer parte do nosso blog. (Post en Español: ¿Dejarás de seguir el camino por que encontraste la piedra?