Resenha: Quem tem medo do lobo mau?

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Livro: QUEM TEM MEDO DO LOBO MAU – O impacto do politicamente correto na formação das crianças.

Hoje eu tenho uma resenha de um livro super interessante. Tinha muita vontade de ler esse livro, tanto que mandei trazer do Brasil. Quer conhecê-lo?


Livro: Quem tem medo do Lobo Mau (O impacto do politicamente correto na formação da criança)

Autores: Ilan Brenman e Luiz Felipe Pondé

Editorial Papirus 7 Mares

“Seria um abuso sexual o príncepe roubar um beijo da Bela adormecida? Quem brinca de polícia e ladrão pode virar assassino?”


Nesse livro, que é uma conversa entre o escritor e psicólogo Ilan Brenman e o filósofo Luiz Felipe Pondé, essas duas figuras incríveis falam sobre temas muito controvertidos na atualidade, e chamam a atenção para como o “politicamente correto” está produzindo muitos estragos na educação das crianças. 


É um livro de fácil leitura e não é muito extenso, porém considero que é uma jóia, porque trata temas muito relevantes. Como especialista no uso dos contos em psicoeducação tenho recebido muitas perguntas sobre os contos clássicos, e tenho visto uma verdadeira perseguição a diversos contos incríveis, em virtude de uma interpretação puramente racional desta literatura que é sumamente simbólica. 

Ilan Brenman conta que em uma oportunidade, há muitos anos atrás, foi contar contos numa escola… e durante a contação cantou uma musiquinha onde aparecia a palavra BUNDA… isso mesmo, BUNDA… a diretora ficou HORRORIZADA, pediu para ele não usar essa palavra, que estava mal usá-la… ele se negou a tal coisa e foi convidado a se retirar. Parece engraçado, não acha? Mas isso é só o começo! Contos onde aparecem bruxas e duendes são mal vistos em muitos lugares. Grupos de pressão tentam tirar dos colégios contos como A bela adormecida, porque o fato do príncipe beijá-la quando estava dormida, se constitui em assédio sexual. Brincadeiras como a QUEIMADA são taxadas de bullying.


Parafraseando os autores, o contrário do politicamente correto não é o politicamente incorreto, se queremos educar os nosso filhos para que sejam livres pensadores, devemos fazê-lo utilizando o equilíbrio e deixar-nos guiar pelo bom senso. Não sejamos “papagaios” das ideias de outros… escute, observe, veja resultados e tome as suas decisões.


Algumas frases incríveis que extraí do livro:

“O politicamente correto não fornece o material simbólico necessário para fortalecer nossas crianças e nossos jovens, muito pelo contrário, fragiliza-os mais ainda.”

Ilan Brenman

“… a prática oposta ao politicamente correto não é o incorreto; é ter educação doméstica e sensibilidade social.”

Luiz Felipe Pondé

Considero um excelente livro para refletir e trazer a tona este tão necessário tema. Será que estamos sobreprotegente as nossas crianças? Algo que sempre falo nas minhas palestras sobre o uso dos contos na educação é que observo que muitos pais estão afastando os filhos de temáticas como a MORTE, ou os RITUAIS DA MORTE, por exemplo. Pensam que vai traumatizar a criança, e isso é um grande erro. Se na infância a criança não desenvolve ferramentas emocionais para lidar com situações como a perda, por exemplo, na vida adulta, quando inegavelmente sofra uma perda, não terá estruturas emocionais para lidar com essa situação o que pode inclusive produzir a depressão ou suicidio. Já pensou nisso?

“A criança quer ter o poder e o controle sobre o mundo que a oprime, e nada melhor do que a fantasia para lhe dar essa sensação.”

Ilan Brenman

Essa é uma grande verdade! Vou contar uma fato que aconteceu na minha última viagem ao Brasil que expressa bem isso.

Conheci uma menina que não tinha cumprido 4 anos ainda. Ela sempre falava sobre o Lobo Mau… quando tinha medo de que algo ruim pudesse acontecer com alguém, dizia: _Cuidado! O lobo mau anda por aí… cuidado com ele.

Quando fazia algo errado, e chamavam a atenção dela, dizia: _Não fui eu! Foi o lobo mau.

Por que ela fazia isso? A resposta é, talvez difícil de assimilar, porém, já vi muitos casos semelhantes. Se chama PROJEÇÃO.

O LOBO MAU simboliza tudo o que há de mau… porque na mente da criança, onde tudo está polarizado em bom e mau… a princesa, a Chapeuzinho Vermelho (ou seja, o protagonista) é a REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA DA BONDADE. Por outro lado, a bruxa, a madrasta, o lobo mau (ou seja, o antagonista) é a REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA DA MALDADE.

Com isso quero dizer, que no caso da menina que sempre jogava a CULPA no LOBO MAU, fazia isso porque não conseguia INTEGRAR ou ACEITAR que podia ter algo mau dentro dela, e projetava a maldade sobre o personagem que sabia que era mau. ESSE NÃO É UM PROCESSO CONSCIENTE, e acontece inclusive com adultos, quando PROJETAMOS as nossas sombras (a culpa daquela eficiência que temos, sobre outras pessoas). Exemplo: “_Eu explodi de raiva, porque você me provocou.” Na verdade, você explodiu de raiva, porque não consegue administrar essa emoção, outras pessoas na mesma situação poderiam não ter a mesma reação. Deu para entender?

Bem, mas voltando para o livro, realmente devemos repensar como estamos educando as nossas crianças. Criar temas “tabus” impede que nossos filhos possam desenvolver o seu sentido crítico. Claro que devemos abordar os temas difíceis ou críticos de forma respeitosa, porém isso não significa que devam ser excluídos.

O que achou? Já conhecia o livro? Já vivenciou alguma situação parecida? Deixe a sua opinião, comentário, compartilhe esta publicação nas suas redes sociais, assim saberei que as minhas publicações são relevantes. 

E se quiser aprender como utilizar os CONTOS NA EDUCAÇÃO EMOCIONAL E TERAPIA, se quiser aprender a criar contos terapêuticas e oficinas de emoções, venha estudar comigo. Deixo aqui o link para que conheça os meus cursos.

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