“Identidade”, a busca nossa de cada dia

(Para leer el texto en Español, pincha en: Cazador de mí)

caçador de mim para a caixa de imaginação
Fotografia de arquivo: Claudine Bernardes

 

Caçador de mim

Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

(Milton Nascimento)

“Identidade”, a busca nossa de cada dia

Me lembro quando era só uma adolescente e li por primeira vez essa poesia. Sim, porque na época ainda não a conhecia como uma canção (clica para escutar a canção). Me senti imediatamente identificada.  Sei que não sou a única, porque essa canção fala muito da condição humana: Somos caçadores de identidade.

Vivemos a intensa busca de algo que ainda não descobrimos o que é. Buscamos por nodos os lados, debaixo de cada pedra, em cada canto, nas gavetas escondidas e lugares desconhecidos. Não sabemos exatamente o que é, e não deixaremos de buscar.  Entretanto, sabemos que nos falta algo. Nos sentimos como um quebra-cabeça ao qual lhe falta uma peça, aquela peça definitiva que dará sentido a tudo, que deixará coerente o conjunto.

Sei que muitos não estarão de acordo comigo, porém, creio com todo o meu coração que  o “homem tem um vazio do tamanho de Deus”, como uma vez disse Dostoiévski. Creio que ao “homem” (gênero humano) lhe falta essa identificação com o eterno. Buscamos incansavelmente por essa eternidade perdida, porque Deus colocou o desejo de eternidade no nosso coração. Sabemos que um dia vamos morrer, porém isso não nos parece natural. A vida é natural, porque fomos criados para a eternidade. Onde a encontramos? Onde ela estará escondida?

Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.
Eclesiastes 3:11

Qual é a sua opinião? Sinta-se livre para comentar, para complementar meu pensamento ou discordar completamente. Só quero saber o que você pensa.

Re-Read. Um sebo? Não! Uma livraria “Lowcost”

(Para leer esta entrada en español pincha en: Re-Read)

Re read A caixa de imaginação
Re-Read Castellón. Fotografia de Arquivo.

Tesouro escondido

“Deslizou a mão sobre os livros enfileirados na estante. Seus olhos se fixaram em um título conhecido, e uma chuva de lembranças jorrou desde um recôndito escondido da sua memória. Sempre vale a pena reler um bom livro – pensou. Retirou o livro da estante, sentindo-se como um garimpeiro ao encontrar uma pedra preciosa. Com um sorriso nos lábios, acariciou sua capa, como se abraçasse um velho amigo que há muito tempo não via.  Abriu o livro cujas folhas amareladas eram testemunhas do tempo passado, e encontrou outro tesouro, em forma de dedicatória: ‘Querida Clara. Sei que agora os seus dias parecem nublados. Mas posso te garantir que atrás dessas nuvens escuras o sol ainda brilha. Não deixe a esperança morrer, porque sempre surgem ventos que afastam as nuvens cinzas. Ainda que agora não possa estar fisicamente ao teu lado, te envio este livro, um bom amigo, para te fazer companhia e lembrar-te que minhas orações te acompanham. Um abraço carinhoso da sua avó.’  Embora seu nome não fosse Clara e aquelas palavras não lhe fossem dirigidas, sentiu que seu coração se comovia. Com um sorriso ainda nos lábios se dirigiu  ao caixa. Depois de pagar saiu triunfante, sabendo que realmente havia encontrado um tesouro escondido.”

 

Sou uma apaixonada por livros usados. Amo encontrar anotações em páginas amareladas, e quando encontro uma dedicatória… ai… me sinto emocionada. Porém, quando entrava em um sebo, me sentia como um mineiro, buscando um pedacinho de diamante em uma gruta escura, fria e úmida. Alguns sebos parecem um ninho de gato, com livros esparramados pelo chão, ocupando cada espaço e sem qualquer ordem. Claro, que nem todos os sebos são assim. No entanto, não havia encontrado nenhum que realmente me produzisse prazer aos sentidos. Até que caminhando por Castellón encontrei Re-Read. “Uma livraria nova!” –  Pensei. Mas na verdade era uma livraria de livros usados. E pasmem! Um lugar limpo, organizado, agradável… um sonho para qualquer leitor. Na verdade, não é só agradável, é também acolhedor. Me senti tão bem ali, que o tempo passou e nem notei.

Reread 6

Além disso os preços são estupendos. Todos os livros têm o mesmo preço. Um livro por 3 euros, dois por 5 euros e cinco por 10 euros. Ali encontramos desde livros infantis, autores desconhecidos ou best-sellers como  C.S. Lewis e Ken Follet.

reread

A primeira Re-read foi aberta em Barcelona e fez tanto sucesso que logo se tornou uma franquia. Atualmente já são quase 20, e tenho certeza que o número de livrarias lowcost continuará crescendo (Deixo aqui o link http://www.re-read.com) .

Reread 2

Os deixo algumas fotinhos mais para que vejam que lugar acolhedor e agradável é a Re-Read de Castellón:

Você já conhecia Re-read? O que lhe pareceu? Espero seu comentário. Obrigada por passar por “A Caixa de Imaginação”.  Até breve 😉

Mudar: uma questão de sobrevivência.

(Para leer el texto en Castellano pincha en: Cambios)

a mesma de ontem morreu
Fotografia de Arquivo: Claudine Bernardes

Mudanças

A mesma de ontem?
Não, jamais volterei a ser.
Porque a pessoa de ontem
morreu quando dormi.

Hoje acordei um pouco diferente,
um pouco transformada.
Sou uma variação da pessoa de ontem,
uma nueva versão.
Ainda que a mudança seja pequena,
para alguns imperceptível,
te garanto…
não sou a mesma.

Choro mais nos filmes,
menos nos velórios.
Minhas perdas são menos sofridas.
No entanto, a pessoa de hoje
sofre mais com a perda alheia.
Insólito, verdade?

Confesso, gosto de mudar.
Gosto de “morrer-me para mim”
cada dia.
Porque assim, tenho a oportunidade
de voltar a tentar.

Bom, hoje já falei demais
e vivi o suficiente.
Chegou a hora!
A pessoa de hoje deve morrer.
(Claudine Bernardes)

Ano novo, mudanças e recomeços.

Acredito piamente na oportunidade diária de recomeçar, de mudar e de voltar a tentar. Amo cada dia, cada segunda-feira e cada ano novo, porque são sinônimos de esperança de que coisas novas podem passar.

Entretanto, sei que cada um de nós deve ser dono das oportunidades diárias que Deus nos brinda para melhorar como pessoa. Não podemos deixar que os dias passem sem que ocorram mudanças necessárias em nosso caráter. Essa é nossa responsabilidade. Infelizmente vejo pessoas que durante sua juventude eram adoráveis, cheias de esperança e fé, porém com o passar dos anos elas permitiram que esses bons sentimentos morressem nas suas vidas. Se tornaram em pessoas piores, tristes, mesquinhas. Creio que todos os dias devemos morrer, e voltar a nascer como uma pessoa melhorada, revigorada cheia de esperança, ainda quando tempo esteja nublado.

Te peço que faça esse exercício comigo.Observa-te no espelho e faça essas perguntas:

 Como é essa pessoa de hoje? Já foi melhor? O que perdeu pelo caminho? Perdeu a fé, o amor próprio, a esperança? Que maus hábitos acreditas que hoje devem morrer quando dormires? 

Lembre-se que todos os dias temos a oportunidade de mudar, porém nem todas as pessoas  que estão na nossa vida esperarão as mudanças. Além disso, haverá um dia em que O DIA terminará para nós.

Mudar uma questão de sobrevivência
Fotografia e texto: Claudine Bernardes

Estás de acordo com essa reflexão? Espero receber o teu comentário. Obrigada por passar pela minha “A Caixa de Imaginação”. Até breve 😉

 

O Monstro de Cores: aprendendo sobre os sentimentos

(Para leer el texto en Español pincha en: El monstruo de colores)

Educando a emocionalidade

Uma resenha muito especial

Sou uma amante dos contos infantis! Gosto muito de aprender e ensinar através dos contos. As histórias infantis não foram criadas somente para entretener as crianças. Na verdade elas possuem um forte componente didático que deve ser aproveitado ao máximo para ajudar as crianças no seu processo de aprendizagem de vida.

Por essa razão e aproveitando que estamos buscando presentes de Natal para dar aos nossos filhos, sobrinhos, netos etc, sugiro esse livro. O Monstro de Cores foi escrito e ilustrado por Anna Llenas. Se você quiser pode conhecer outros livros dela no seu site e também pode seguir o seu blog.

O livro conta a história do monstro de cores, cada cor simboliza um sentimento: Tristeza (azul),  Medo (negro),  Raiva (vermelho),  Calma (verde), Alegria (amarelo), Amor (rosa).

Uma menina encontra o Monstro todo colorido, simbolizando que todos os seus sentimentos estão misturados e por isso ele se sente confuso. Ela explica-lhe que é necessário ordenar os sentimentos, separa-los de acordo com as suas cores. Explica como funciona cada sentimento.

O monstro de cores

Com essa história as crianças aprendem a identificar os sentimentos de acordo com o que sentem no momento. É muito interessante, porque não nos enganemos, há muito marmanjo por aí que não consegue compreender o que realmente está sentindo.

Meu filho amou receber esse livro de presente. Além disso, para que ele aprendesse mais sobre os sentimentos e como enfrentar os sentimentos negativos, fizemos algo muito legal. Pegamos etiquetas em potes de vidro com os sentimentos escritos nelas. Cortamos papel com as mesmas cores e quando o meu menino sente raiva, por exemplo, escrevemos o sentimento no papel vermelho, conversamos sobre como ele está se sentindo e colocamos o papel dentro do “Pote da raiva”.

resenha livro infantil a caixa de imaginação

Depois disso nos abraçamos (porque ele aprendeu que o carinho remove os sentimentos ruins), e chegado a esse ponto toda a raiva que ele sentia já se dissipou. Esse exercício ajuda a criança a falar e enfrentar os sentimentos negativos e a desfrutar dos sentimentos positivos. 

Eduquemos as emoções das nossas crianças! Somente assim elas poderão ser adultos sadios e maduros. 

 

Se gostou deste conto tenho certeza que também gostará do meu Conto que acaba de ser publicado em PORTUGUÊS,   “Carlota não quer falar”, entra para ver tudo que esse conto oferece.

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O ruído das folhas secas em outono.

(Para leer el texto em Español pincha en: El ruido de las hojas secas en otoño)

caminar sobre hojas secas otoño
Fotografia de arquivo: Claudine Bernardes

As tardes cinzentas de anoiteceres prematuros; as folhas secas que pisamos pelo caminho, são um pouco de todas as coisas belas que o outono nos presenteia. Porém, o mais belo que guardo do outono, é o teu sorriso maroto, enquanto corres pisando as folhas secas de um anoitecer prematuro.

Ilustres sábios deixaram os seus ensinamentos ao mundo, os grandes cientistas deixaram as suas descobertas e os inventores as suas máquinas. Minha herança a este mundo não será as minhas palavras… porque essas se perdem, se vão. Não me recordarão como uma grande profissional, na verdade não me importa se simplesmente se esquecem de mim. Os filhos  são a herança mais importante que um homem e uma mulher podem deixar. Por isso, que a este mundo deixarei o meu filho, minha herança. Sua grandeza será a felicidade que levará dentro. O amor que herdará de mim, será o seu maior bem. Trabalharei sem descanso para ensinar-lhe que o seu “bom nome” é o tesouro que deve proteger sem medo. Porque, como diss Shakespeare 

O bom nome para o homem e para a mulher, meu caro senhor, é a jóia suprema da alma. Quem rouba minha bolsa, rouba uma ninharia. É qualquer coisa, nada; era minha, era dele, foi escrava de outros mil. Mas quem surrupia meu bom nome tira-me o que não o enriquece e torna-me completamente pobre.” (“Othelo”, Ato III, Cena 3).

Como você pode notar, estou amando viver a aventura de ser mãe. Fico por aqui. Obrigada por visitar a minha “Caixa de Imaginação”. Espero os seus comentários e se gostar do texto pode compartí-lo com os seus amigos. Até breve.

Você está criando pássaros em gaiola de concreto?

(Para leer el texto en Español pincha en: Pájaro en jaula de concreto)

pássaro na A Caixa de Imaginação
Ilustração: Claudine Bernardes

O passarinho na gaiola de concreto

O pobre passarinho está preso na gaiola.
Dão-lhe de beber e dão-lhe de comer.
Esperam que cante…
mas, cantar o quê?
Cantar de como é triste a sua prisão?
Que suas asas doem e deseja sua libertação?

O pobre passarinho está preso em sua triste gaiola,
feita de tijolo e revestida de cimento.
Dão-lhe de comer, dão-lhe de beber,
ensinam-lhe a ler.

O triste passarinho já nasceu numa jaula.
Entretanto, ainda é pássaro e anela voar.
Sem perder a determinação,
suas frágeis asas chocam-se
constantemente contra a prisão.

O pequeno pássaro deseja fugir da estreita
gaiola revestida de cimento,
por isso molesta, protesta,
mas ninguém lhe presta atenção.

Inscrevem-lhe em atividade extraescolar,
talvez assim deixe de importunar.
Com a mente cansada e a asa quebrada
o pobre passarinho cai rendido,
mas, ainda assim, não desistiu de voar.
(Claudine Bernardes)

As vezes sinto que estou criando um pássaro numa gaiola de concreto.

Brincar é a atividade mais importante para as crianças.

Não se trata somente de diversão, é também uma maneira de desenvolver-se e de aprender. Segundo o artigo de Melinda Wenner Moyer, na revista “Mente y Cerebro” nº 46 (A importância de brincar),

“A brincadeira estimula a inteligência e reduz o stress. Além disso, de acordo com diversos estudos realizados, a falta da brincadeira na infância, junto com o maltrato, constituem duas variáveis que deterioram o desenvolvimento.”

Lembro-me que de pequena, brincar era o centro da minha vida. Sozinha, com os irmãos, primos ou vizinhos, nos sobrava tempo e o bairro era o nosso jardim de jogos. Estudava? Claro que sim! No entanto tínhamos a liberdade de fazer o que quiséssemos com o nosso tempo livre. Eram outros tempos, não nego. Hoje em dia as crianças já não vivem com tanta liberdade, principalmente aqui na Espanha, onde a maioria das famílias vivemos em edifícios. Soma-se a esta realidade o fato de que na maioria das famílias, ambos pais trabalham e as crianças devem passar cada vez mais tempo ocupadas. Começam a estudar cada vez mais jovens (meu filho aos quatro anos já sabia ler), e para ocupar o tempo são matriculados em diversas atividades extraescolares.

Você pensa que estou exagerando?

Conheço a muitas crianças que chegam no colégio às 8h da manhã (algumas antes), almoçam lá, e as 17h, quando termina a aula, devem participar de inúmeras atividades extraescolares (dança, patinagem, futebol, piscina, matemática etc.). Depois dessa frenética atividade diária, a pobre criança chega em casa e ainda deve fazer os deveres, estudar para provas, jantar, tomar banho e cair rendida de sono… porque no dia seguinte começa tudo outra vez.

É como se cada momento da vida da criança devesse estar programado. Ocupar o tempo dos filhos com qualquer coisa, virou uma obsessão na cabeça dos pais.

Sobre isso, Melinda Wenner Moyer adverte que

“Atualmente os pais priorizam para seus filhos as atividades estruturadas, deixando pouca margem para brincadeiras e jogos livres, os quais beneficiam a criatividade, a cooperação e a conduta social.”

O quê podemos fazer para ajudar as nossas crianças?

Como mãe gostaria que meu filho tivesse uma infância tão feliz como a minha, porém, sou consciente de que não lhe posso dar algo igual. O poema e a imagem que aparecem nesse post, foram feitos por mim para lembrar-me sobre a minha responsabilidade quanto à felicidade do meu filho. E para que isso não caísse no esquecimento, coloquei a imagem num quadro e a pendurei na parede, em frente da minha mesa de trabalho.

Meu escritorio

Outra coisa que fizemos (meu marido e eu) foi criar algumas regras de conduta que nos ajudariam a não manter nosso filho em uma jaula:

1 – A educação do nosso filho é nossa responsabilidade: Hoje em dia a maioria dos pais delega ao estado a responsabilidade sobre a educação de seus filhos. O colégio é um apoio, porém, como pais decidimos estar sempre envolvidos na sua educação, essa é nossa responsabilidade. Dessa forma, nosso pequeno passa no colégio somente o tempo essencial e obrigatório.

2 – Brincar sem outras pretensões: Brincar por brincar, fazendo suas escolhas, bagunçando toda a casa se é necessário (com a responsabilidade de organizar seus brinquedos depois que termine de brincar).

3 – Ir ao parque: não temos jardim, e nosso edifício não tem área de jogos, por isso nos esforçamos por levá-lo ao parque com frequência. Ali pode brincar com outras crianças, inventar mundos entre as árvores e despertar sua imaginação.

4 – Atividade extraescolar limitada: decidimos que somente lhe matricularemos em uma atividade extraescolar, a qual será escolhida levando em conta as suas preferências.

5 – Brincar com a imaginação e reforçar a concentração: Nosso pequeno tem dificuldade em concentrar-se, por isso utilizamos jogos lúdicos que fomentam a concentração (ludo, jogo da velha, Oca etc.), além disso buscamos fazer trabalhos manuais em família e criamos nossas próprias histórias infantis.

Sou consciente, que tentando ser bons pais já cometemos muitos erros. Muitos dias serão duros outros nem tanto, porém nunca desistiremos de dar o melhor, para que o nosso filho sinta-se amado da mesma forma como nos sentimos amados pelo nosso Criador.

Se você entende o Espanhol, recomendo que veja esse vídeo:

Seria ótimo receber a sua opinião ou sugestão. A Caixa de Imaginação é um instrumento de comunicação bilateral, sinta-se a vontade para fazer parte do nosso canal. 😉

“Mi gozo en un pozo”. Escolho a alegria.

(Para leer el texto en Español pincha en: Elijo la alegría)

mulher cansada claudine bernardes
Ilustração: Claudine Bernardes

A Ambição Superada

“Certo dia uma rica senhora viu, num antiquário, uma cadeira que era uma beleza. Negra, feita de mogno e cedro, custava uma fortuna. Era, porém, tão bela, que a mulher não titubeou – entrou, pagou, levou para casa.
A cadeira era tão bonita que os outros móveis, antes tão lindos, começaram a parecer insuportáveis à simpática senhora. (Era simpática).
Ela então resolveu vender todos os móveis e comprar outros que pudessem se equiparar à maravilhosa cadeira. E vendeu-os e comprou outros.
Mas, então a casa que antes parecia tão bonita, ficou tão bem mobilada que se estabeleceu uma desarmonia flagrante entre casa e móveis. E a senhora começou a achar a casa horrível.
E vendeu a casa e comprou uma outra maravilhosa.
Mas dentro daquela casa magnífica, mobilada de maneira esplendorosa, a mulher começou, pouco a pouco, a achar seu marido mesquinho. E trocou de marido.
Mas mesmo assim não conseguia ser feliz. Pois naquela casa magnífica, com aqueles móveis admiráveis e aquele marido fabuloso, todo mundo começou a achá-la extremamente vulgar.”  (Millor Fernandes)
Hoje em dia, vivemos em um mundo que corre a um ritmo acelerado. Se as coisas não são feitas como queremos, desejamos ou esperamos nosso “gozo por un pozo”, ou seja, perdemos a alegria. Não se trata de sentir-se uma pessoa infeliz, não se trata de insatisfação, é mais uma infantilidade, egoísmo, frustração insana.
 
Compartilho isso com você desde minha experiência pessoal. Me considero uma pessoa feliz, bem resolvida, tenho uma família linda, porém… ai ai os “poréns” da vida. Por que sempre tem um porém no meio de uma história feliz?
Comecei a perceber que em um momento estava no auge da alegria, e no minuto seguinte, por uma bobagem me sentia jogada no chão. Perdia a minha alegria por qualquer besteira. Foi então que me olhei no espelho e me senti tão vulgar e fútil como a simpática mulher da história de Millor Fernandes.
O que observei?
1. Me afogava num copo de água: Dava muita atenção aos pequenos problemas, e tendo em vista que os pequenos problemas são constantes, eu constantemente me frustrava.
2. Armava batalhas por besteiras: Transformava pequenas lutas em circunstâncias bélicas. Maximizava os problemas, como se tudo girasse ao meu redor.
3. Me frustrava quando algo não saia exatamente do jeito que eu havia pensado. 
Então lembrei de outra história que havia lido muitas vezes. Se trata do relato Bíblico que conta história de Paulo e seu amigo Silas numa prisão (Atos dos Apóstolos 16). Eles haviam sido presos por tentar ajudar a uma moça, mas antes de colocá-los no calabouço, bateram bastante neles. Eles estavam ali, naquela prisão suja, fétida, machucados pelos açoites, e presos pelos pés em um tronco. Que visão horrível, que injustiça! Se fosse eu, gritaria impropérios e os ameaçaria de demandá-los por abuso de autoridade. Mas eles decidiram cantar… isso mesmo, cantar. “Escolheram a Alegria.”

 Então, resolvi fazer o mesmo, escolhi a alegria. Decidi que não me deixaria dominar pela frustração, não queria me converter na mulher da história. Desde então me sinto muito melhor.

Agora deixo algumas dicas práticas que tirei do livro “Não se frustre por ninharias” (R. Carlson y E. Salesman):
1 – É necessário saber perder: Esse deveria ser o lema de quem quer se livrar do stress e de viver queimando pólvora à toa.
2 – Uma boa estratégia: a melhor maneira de viver é escolhendo que batalhas lutar e quais evitar. Nosso objetivo principal não deve ser buscar a perfeição em tudo. Devemos compreender que as discussões que temos e as batalhas que enfrentamos alteram o nosso equilibrio e prejudicam o nosso sistema nervoso.
3. Batalhas inúteis: É realmente importante convencer o teu marido que a sua opinião não está correta? Vale a pena fazer um drama porque alguém cometeu um pequeno erro? Vale apena perder a paz e se frustrar porque um mal educado furou a fila?
Pense ou escreva uma lista das coisas que te fizeram sentir sentir raiva e frustração durante essa semana. Foram muitas? Talvez tenha chegado o momento de você escolher a alegria. 
Lembre-se disso:
a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes
Obrigada pela companhia! Se gostou do texto, compartilhe com seus amigos. Para receber minhas publicações você pode se inscrever no blog. A Caixa de Imaginação é um instrumento de comunicação bilateral, será um prazer receber e ler os seus comentários. 😉

A arte de aceitar a simplicidade

(Para leer la publicación en Español pincha en: El arte de aceptar la simplicidad)

foto amarela claudine bernardes
Foto de arquivo: Claudine Bernardes

Reivindico a simplicidade

Há dias em que desejo conquistar o mundo, realizar
grandes façanhas. Quando na verdade, pouco disso há na minha vida.
Porque, se olho para trás, vejo que as minhas grandes conquistas
foram feitas através de pequenas e simples escolhas.
Por isso, hoje reivindico a simplicidade das escolhas cotidianas.

O desejo ardente de conquistar o impossível, de viver constantemente a adrenalina no amor, no esporte, etc, está transformando-nos em seres frustrados no nosso dia a dia. Queremos viver as incríveis histórias de amor vistas nos cinemas, e se o “amor” não se apresenta dessa forma, não é suficiente. Cada vez mais necessitamos viver a vida ao extremo: o extremo da felicidade, o extremo do amor, o extremo nos esportes; estamos viciados na adrenalina. Observamos a vida de outros através de suas publicações nas redes sociais e pensamos no como a “grama do vizinho é sempre mais verde”. Isso nos frustra! Então, começamos a fazer loucuras para mostrar como somos interessantes, e claro, tudo isso deve ser registrado, fotografado, publicado e compartilhado, do contrário não tem sentido.

a caixa de imaginação
Kirill Oreshkin o “rei” do selfie extremo.

extremo 2

a caixa de imaginação
O termo balconing vem de “pular do balcão”, como os espanhóis denominam as sacadas, em direção a uma piscina ou a outra varanda.

Um pouco de tudo isso ao que me refiro, está virando manchete nos jornais e circula constantemente nas redes sociais. Vamos a dois exemplos:  Selfies extremos que já provocaram a morte de muitas pessoas; tal é a preocupação que Rússia inclusive lançou uma campanha contra essa loucura que se está generalizando. Outra dessas insanidades é o “balconing”, que significa pular de uma sacada em direção a uma piscina ou outra sacada. Ocorre muito na Espanha, entre turistas jovens e já provocou várias mortes e lesões.

Realmente acredito que é necessário reivindicar a simplicidade da vida, promover a contemplação e buscar prazer nas coisas pequenas e cotidianas.  

a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Para terminar, deixo um parágrafo do livro “Pais brilhantes, professores fascinantes” de Augusto Cury:

Uma pessoa emocionalmente superficial precisa de grandes eventos para ter prazer, uma pessoa profunda encontra prazer nas coisas ocultas, nos fenômenos aparentemente imperceptíveis: no movimento das nuvens, no bailar das borboletas, no abraço de um amigo, no beijo de quem ama, num olhar de cumplicidade, no sorriso solidário de um desconhecido. Felicidade não é obra do acaso, felicidade é um treinamento.

Você concorda com o que eu escrevi? Qual a sua opinião? Gostaria muito de ler seus comentários a sugestões sobre esse tema.