Meu presente para Drummond.

(Para leer el texto en Español pincha: 31 de Octubre, el día de Drummond)

carlos drummond de andrade

Já sei! Estou uns dias atrasada, mas como prometi cumprir a minha semana de homenagem à Drummond, não poderia deixar de colocar um último post (que deveria ter subido no sábado 31), com um presente para ele.

Carlos Drummond de Andrade é um poeta que me inspira muito e o seu poema que mais gosto é “José”. Drummond tem o seu José e eu tenho a minha “Maria” e com esse poema que escrevi, quero homenagear o meu poeta preferido. Espero que gostem:

As lembranças de Maria

O que foi Maria?
Estás só?
Não tens com quem falar?
Quem imaginaria que um dia,
isso te podia passar.

Dizem que aos filhos
devemos criá-los para o mundo.
Para que possam as oportunidades aproveitar.
Mas, onde estava o mundo,
quando os teus cinco filhos tiveram catapora,
e tu sozinha os cuidaste,
passando as noites em claro?

Ah, Maria! Me das pena.
A vida mudou,
não há ninguém ao teu lado.
Estás velha, doente e sozinha,
e ninguém quer te cuidar.

Lembras quando eras
o centro das atenções?
Quando o mundo
giraba ao teu redor?
Naqueles tempos eras feliz
e não sabias, Maria.

Barulho por toda a casa,
as crianças te seguindo por todos os lados,
te faziam mil perguntas,
como se tivesses todas as respostas.
Estavas sempre ocupada,
muitas vezes te sentias agoniada,
e até em desaparecer pensavas.

Lembras como eras forte,
decidida e cheia de vida?
Sei que lembras Maria.
Porque o único que te resta,
o que te faz companhia,
são as lembranças da tua antiga vida.
(Claudine Bernardes)

Sei que “José” é um poema muito conhecido, porém não poderia deixar de colocá-lo nesta publicação.

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Escutar a poesia interpretada pelo seu autor é um privilégio. E Carlos Drummond de Andrade nos deu um presente duplo ao escrever e declamar esse poema. José, na voz de Drummond:

“José” também virou música na voz de Paulo Diniz:

.

Com isso terminamos oficialmente a semana de Homenagem à Drummond da “A Caixa de Imaginação“. Obrigado pela sua companhia e faça os seus comentários. Será um prazer e uma alegria respondê-los.

Amor e como Drummond o transforma em poema

homenagem claudine bernardes

Sui géneris

É exatamente assim que vejo o amor nos poemas de Drummond “sui géneris”. É um amor corriqueiro, do dia a dia, sem tantas palavras floreadas. Não sofre desesperadamente pelo amor perdido, porque compreende que o verdadeiro amor nunca se perde, nunca vai embora e não abandona, porque “amor é bicho instruído”, pula o muro e sobe na árvore, se estrepa e se levanta.

O MUNDO É GRANDE

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Para Drummond o Amor é algo que se vive, não algo que se passa a vida aspirando senti-lo. Amor é graça, presente, um altruísmo.

AS SEM-RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor

O amor era uma temática constante nas poesias de Carlos Drummond de Andrade.

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Agora os deixo com alguns poemas sobre o amor interpretados por diversas pessoas:

O poema sobre o amor onde Drummond floreia um pouco seu conteúdo:

AMOR
1985 – AMAR SE APRENDE AMANDO

O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e sentido.

“Amor” – eu disse – e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim.

O que você pensa sobre as poesias de amor escritas por Drummond? Espero os seus comentários. Até breve

O Poeta aos olhos de Drummond

(Para leer el texto en Español pincha: El poeta bajo los ojos de Drummond)

homenagem a Drummond Claudine Bernardes

NOTA SOCIAL

O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos…
O poeta está melancólico.

Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.

O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.
(Carlos Drummond de Andrade)

Homenagem a Drummond Claudine Bernardes
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Escute esse lindo poema de Drummond com o sotaque português de José Maria Alves:

Espero os seus comentários. Até breve!

Drummond: Quando a perda se transforma em poesia.

(Para leer el texto en Español pincha: Drummond: Cuando la pérdida se hace poesía)

drummond 7 esposa

O que Viveu Meia Hora

Nascer para não viver
só para ocupar
estrito espaço numerado
ao sol-e-chuva
que meticulosamente vai delindo
o número
enquanto o nome vai-se autocorroendo
na terra, nos arquivos
na mente volúvel ou cansada
até que um dia
trilhões de milênios antes do juízo final
não reste em qualquer átomo
nada de uma hipótese de existência.
(Carlos Drummond de Andrade)

Em 1925 Drummond se casou com Dolores Dutra de Morais, uma moça que conheceu no cinema de Belo Horizonte. No ano seguinte, Dolores dá à luz ao primeiro filho do casal, Carlos Flávio, mas o menino morre meia-hora após o parto, asfixiado pelo cordão umbilical. O poema “O que viveu meia hora” foi escrito por Drummond como da perda. Recuperada, Dolores tem uma segunda gravidez tranquila. Maria Julieta nasce em março de 1928.

Drummond 6 filha
Dolores, Drummond e a Maria Julieta.

No entanto, Drummond ainda guardava dentro a dor da perda do filho e a vontade de ser pai de um filho homem. Esse fato se vê refletido no seu poema Ser.

SER

O filho que não fiz
hoje seria homem.
Ele corre na brisa,
sem carne, sem nome.

Às vezes o encontro
num encontro de nuvem.
Apóia em meu ombro
seu ombro nenhum.

Interrogo meu filho,
objeto de ar:
em que gruta ou concha
quedas abstrato?

Lá onde eu jazia,
responde-me o hálito,
não me percebeste
contudo chamava-te

como ainda te chamo
(além, além do amor)
onde nada, tudo
aspira a criar-se.

O filho que não fiz
faz-se por si mesmo.

Você já conhecia essa parte da biografia de Carlos Drummond de Andrade? Já havia lido estas poesias antes? Espero notícias suas. Deixe sua opinião, comentários e sugestão. Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral. 😉

A Semana de Drummond

homenagem de Claudine bernardes a Carlos Drummond

Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente
(Carlos Drummond de Andrade)

Não, amigo, não terei a ousadia de apresentar a Carlos Drummond de Andrade. Drummond dispensa apresentações. No entanto, não poderia deixar passar esta semana sem fazer-lhe minha homenagem. Drummond é meu poeta favorito, e acompanha-me desde minha adolescência. Memorizei vários poemas seus! Inclusive o primeiro post deste blog citava esse grande poeta (O Caminho e a Pedra). Dia 31 de outubro é o dia dele (esqueçam desse horrendo Halloween), é dia de comemorar a vida de Drummond, sua obra e o que herdamos dele. Viva a Drummond!

Drummond 4

Escute uma bela interpretação do seu poema “Mãos dadas”:

Comente esse post e diga-me qual é o seu poema, conto, história preferido de Drummond.  Espero notícias suas. (Para leer ese post en Español pincha: La Semana de Drummond)

Amor sem palabras

(Para leer el texto en Español pincha: Amor sin palabras)

poesia de Claudine Bernardes
Ilustração e texto: Claudine Bernardes

No me pidas para escribirte poemas de amor,
cuando todo mi amor está delante de ti.
Compréndelo,
las palabras no pueden contener lo que siento por ti.
Puedo escribirte sobre el amor,
pero, no me pidas para expresarlo en palabras.
Eso es demasiado para mi.
No me pidas para expresar en palabras,
lo que ellas no te pueden decir.
Pero, mírame,
mis ojos, mis labios, mis manos,
hablarán por mí.
Porque todo mi ser,
es amor sin palabras,
para ti.

(Claudine Bernardes)

Há coisa que não gosto de traduzir, em virtude do que o texto significa para mim.  Essa poesia é um desses textos que não gostaria de traduzir.  No entanto, farei uma tentativa. Espero que não perca a sua essência.

Não me peça para escrever-te poemas de amor,
quando todo meu amor está diante de ti
Compreenda,
as palavras não podem conter o que sinto por ti.
Posso escrever sobre o amor,
mas não me peça para expressa-lo em palavras.
Está além de mim.
Não me peça para expressar em palavras
o que elas não podem dizer.
Só olha-me.
Meus olhos, meus lábios, minhas mãos
falarão por mim.
Porque todo o meu ser
é amor sem palavras
para ti.

Me nego transformar o amor em palavras tão limitadas de sentido. O amor deve ser vivido e transmitido cada dia. Porque cada dia trás consigo a maravilhosa oportunidade de amar. E digo “amar” porque “ser amado” é outra questão, vai além das nossas possibilidades. Entretanto, sempre estará nas nossas mãos amar e transmitir esse amor.

E para os “enamorados” uma música de Marcelo Janeci que gosto muito (Pra Sonhar):

Para você que me está lendo: Não perca a oportunidade de hoje demonstrar amor. Até breve e obrigada por ler “A Caixa de Imaginação“. Ah! Aceito desafios. Sinta-se a vontade para desafiar-me a escrever sobre algum tema. 😉

Meus delírios de domingo à noite.

um bolo falando com outro bolo
Ilustração: Claudine Bernardes

Dois bolos estavam ainda quentinhos sobre uma mesa.

_ Que cheirinho gostoso eu tenho. Me sinto fofinho e sei que estou muito gostosão. – Disse um bolo ao outro, bastante cheio de si.
_É verdade vei, pareces bastante fofinho mesmo. Isso é resultado da hábil mão do padeiro, ele te fez com muito carinho, cara!
_ Táx loco, mano! Tu vêx algum padeiro aqui, maluco? Cara, nem sei o que é um padeiro. – Respondeu incrédulo.
_ Cara, então como tu pensas que surgiste?
_ Caraca! Da maneira mais óbvia… primeiro se juntaram muitos elementos, tipo… importantes meu.
_ Mano, esses elementos que tu falas são os igredientes que o padeiro colocou dentro da bacia.
_ Cala a boca mané e escuta! Depois ocorreu uma grande explosão que fusionou todos os elementos.
_ Maluco, isso se chama batedeira! A explosão que tu disses foi produzida pela batedeira do padeiro, que serve para misturar os ingredientes.
_ Fica quieto e escuta a voz da sabedoria, cara! Depois da explosão passaram muitos e muitos anos, tipo, muitos anos mesmo. Os elementos se foram misturando e a coisa começou a se transformar. O clima mudou um montão durante esse tempo, para ajudar na fusão, entende? Então, depois disso tudo apareceu o gostosão aqui.
_ Cara, esse tempo que tu dizes foi quando o padeiro te colocou no forno dele. Primeiro tava frio, depois esquentou a beça, isso te fez crescer. Meu, manlandro, foi o forno do padeiro que te fez crescer assim!
_ Tu tá é louco, cara! Essa conversa de padeiro é balela, história pra criança pequena e pra idiotas. Esse maluco! De onde tu tirou essa história, vei?
_ Da receita que tá aí do teu lado! – O bolo gostosão olhou a receita e a leu um pouco.
_ Cara, isso deve ter sido tu quem escreveu pra tirar uma onda com a minha cara!
_ Mané, tu pirou! Eu nem tenho braço! Como pensa que escrevi?

(Os erros de ortografia são propositais, e a loucura momentânea as vezes regressa.)

Nosso coração não é lixeiro! Jogando fora os entulhos do passado.

Claudine Bernardes
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

O que escondo dentro de mim.

Guardo a esperança presa em uma caixa de sapatos. Às vezes a espio com cuidado, não abro muito para que não fuja. Guardo minha esperança com zelo, desejando que as coisas mudem, e que minha simples esperança se transforme em algo tangível.

Guardo aquele sentimento que me deixaste, aquele sentimento que produziste ao partir. O mundo não o vê porque o guardo com zelo. Ninguém o ouve. Me calo e escondo o que levo. Ainda que guardado dentro de mim persista uma terrível tempestade, é minha essa tempestade e não a deixo partir. Na verdade, conservo essa dor que levo porque é o único que resta de ti.

Guardo dentro aquele desejo de ser o que jamais serei. O guardo escondido onde só eu possa amá-lo, onde ninguém possa julgá-lo. Não! Não insista porque não o deixarei ir. Ele é o único que me conecta com o que jamais terei coragem de ser. Porque o que sou é um sorriso apagado, é vontade contida, é um nada em um mundo que exige que sejamos tanto.

Guardo, escondo e mantenho aquilo que já foi e não é mais. Às vezes me pergunto se não seria mais fácil deixá-lo partir. Porém o medo do vazio me faz retroceder, e fecho as portas uma vez mais, e não o deixo ir

♥♥♥

Guardamos roupas apertadas com a esperança que voltem a servir-nos. Telefones de pessoas que desapareceram de nossas vidas e que possivelmente jamais regressem. Todos guardamos coisas, palpáveis ou não. Eu guardo minha sapatilha de escalada como se fossem um tesouro. Nela conservo a lembrança de tempos prazerosos, quando conquistava às alturas; a adrenalina da queda quando meus braços e pernas endurecidos pelo esforço já não continham meu peso. No entanto há coisas que não devem ser guardadas:

Rancor: 

Às vezes atesouramos sentimentos negativos em relação a pessoas que nos feriram. Todos sabemos que perdoar é primordial para nossa saúde mental, espiritual e inclusive física. Mas na hora do “vamos ver” quando temos que deixar ir esse sentimento horrível, buscamos desculpas. “Não estou preparado para perdoar”. “Você não sabe quanto dano ele (ela) me fez!” Esses argumentos não são lógicos, porque enquanto você não perdoar estará lidado de forma negativa a essa pessoa. Perdoar é saudável e libertador. Todos estamos en Construção:

Durante a nossa vida causamos transtornos na vida de muitas pessoas,
porque somos imperfeitos. Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras.
É compreender que os transtornos são muitas vezes involuntários. Que os erros dos outros são semelhantes aos meus erros e que, como caminhantes de uma jornada, é preciso olhar adiante.

(Gabriel Chalita, Blog do Massa)

Desejos inalcançáveis que produzem frustrações:

Há coisas que são inalcançáveis simplesmente porque não estamos dispostos a transformá-las em realidade ou não queremos pagar o preço da conquista. Um exemplo experimentando por mim: depois de terminar a faculdade de direito, e trabalhando nessa área durante anos, resolvi fazer uma especialização na Espanha. Amo o direito com loucura, me imaginava sendo advogada até o fim dos meus dias. Entretanto, me casei e fiquei por aqui mesmo. Por diversas situações que vão desde vários exames orais complicadíssimos exigidos para homologar o diploma, até o fato de que sou idealista demais para trabalhar com o direito espanhol (tão quadrado), acabei tendo que fazer uma escolha: Deixar essa paixão pelo direito de lado e viver a vida como ela agora é, ou ficar chorando sobre o leite derramado, frustrada e com pensamentos nostálgicos de como era linda a minha vida profissional no Brasil. Deixei meu amor ir embora. Aceitei minha vida tal qual ela é, e isso me fez sentir mais leve e pronta para empreender novos caminhos.

Sentimentos e relações daninhas:

Você já se apaixonou por alguém que, apesar de não querer levá-lo a sério, tampouco o deixa passar página? Isso é terrível! É como se quisessem manter-nos escravizados a uma relação sem futuro é que quanto mais se demore em terminar, mas dano produzirá. É fundamental tomar a decisão de abrir mão dessa relação e deixar partir esse sentimento. É algo que beneficiará a ambos. Também há aquele sentimento que guardamos em relação a alguém que já não quer mais fazer parte da nossa vida. Albergamos a ilusão de, quem sabe um dia… e vamos guardando esse sentimento que não tem futuro. Isso é terrível, cansativo e nos aprisiona a algo que já não existe. Chegou a hora de passar página!

Jogue fora! Não guarde dentro os entulhos do passado. Caminhe pela vida leve porque a vida em si já é pesada.

E para terminar, deixo uma música da Lorena ChavesO Lamento” que fala sobre seguir adiante, “olhar pro céu e caminhar”:

Penso desistir do que não sei
Por não saber esperar no que vai dar
Sonhos que se foram junto a ti
Eu já não sei por onde recomeçar
Caso de amor assim eterno
Nem uma vida inteira para esquecer
Sigo lamentando pelas fichas todas gastas em você.

E nem de longe eu vivi a paz
Fui percorrer as curvas da avenida
Comprar vitrines inteiras de futilidade
Fazer sorrir tristeza pra essa imensa dor
Nas caixas o vazio da minha alma
A cura temporária para a solidão
Procuro esperança pra essa vida vã
É hora de olhar pro céu e caminhar

E nem de longe eu vivi a paz
Fui percorrer as curvas da avenida
Comprar vitrines inteiras de futilidade
Fazer sorrir tristeza pra essa imensa dor
Nas caixas o vazio da minha alma
A cura temporária para a solidão
Procuro esperança pra essa vida vã
É hora de olhar pro céu e caminhar

(Lorena Chaves – O Lamento)

Então, gostou? Espero o teu comentário. Lembre-se que a “A Caixa de Imaginação” é um canal bilateral de comunicação, por isso, ficarei feliz em receber os teus comentários e ideias. Ah! Se gostou compartilhe. 😉 (Para leer esta entrada en Español: Lo que escondo adentro de mí)

Resenha Filme: Mary Poppins

(Para leer la reseña en Español: Reseña de Película: Mary Poppins)

Loucos por Mary poppins
Fotografia de arquivo: Claudine Bernardes

Loucos por Mary Poppins

“O vento do leste e a brisa do mar espalham o que há de novo”.

Você já viu Mary Poppins? – Me perguntou um dia meu marido enquanto perambulávamos por uma grande loja. Peguei a caixa do DVD nas mãos, olhei bem… Quem não ouviu falar de Mary Poppins? No entanto minha resposta foi “Não “carinho”, nunca vi esse filme”. Desde então já organizamos muitas sessões de cinema, onde meu marido, o nosso pequeno e eu nos divertimos vendo Mary Poppins e comendo pipoca. É verdade que amamos ver filmes e séries antigas, inclusive nosso filho de 5 anos já está acostumado com os nosso personagens favoritos como Cantinflas, O Super-heroi Americano, Jennie o Gênio e outros. No entanto, com Mary Poppins dançamos juntos, pulamos pela sala, nos divertimos com os sapecas Jane e Michael Banks e choramos cada vez que demitem a Mr. Banks. É um filme lindo!

Embora seja um filme de 1964, não podemos negar que Mary Poppins é um Filme atemporal (ao menos no meu ponto de vista). O meu filho ama esse filme, inclusive de vez em quando me diz: “Mãe, já faz dias que não vemos Mary Poppins”, e lá vamos para outra sessão mais. Por que recomendo Mary Poppins? É um filme divertido, emocionante, e que ensina a importância da família. Ensina que os pais devem passar tempo com seus filhos e que os filhos devem expor seus sentimento aos pais.      

O que falar da trilha sonora? São todas canções lindas! Os irmãos Sherman fizeram um grande trabalho. Algumas são tão singelas enquanto outras são tão alegres e divertidas. Agora mesmo, enquanto escrevo este post escuto suas músicas. A minha preferida é Chim-Chim-Cheree:

Ou parte que gosto muito é quando Mary Poppins, Bert, Jane y Michell são tragados pela chaminé e começa a dança no telhado, Step in time (é uma pena que não encontrei nenhuma me português).

As vezes, assim sem mais, começo a cantar e o meu filho entra na canção comigo:

Com um pouco de açúcar
Até remédio é um prazer!
Remédio passa a ser, bom de paladar
Só um pouco de açúcar faz qualquer remédio ser
Bem gostoso de tomar.

Na verdade considero que Disney fez um grande trabalho com a produção e adaptação do livro de P. L. Travers, ainda que a autora não estivesse de acordo. Entendo o seu desacordo já que o filme ficou bastante diferente do livro. Entretanto, na minha opinião o que vale é o resultado final; se as crianças (grandes ou pequenas) gostaram e desfrutaram com o filme. E isso eu posso confirmar, nos divertimos muito com Mary Poppins. 

Papai Noel de férias perto de casa.

(Uma homenagem à Navegantes e aos que fizeram parte da minha infância)

férias e navegantes - Santa Catarina
Ilustração: Claudine Bernardes

Quando eu era pequena, e as crianças ainda voavam livres pelas ruas da cidade, buscávamos aventuras em todas as esquina. Cada casa abandonada nos parecia um mundo desconhecido, cheio de mistérios a decifrar. Os terrenos baldios, que naquela época abundavam, eram países longínquos para onde sonhávamos viajar. Inclusive a vala que passava atrás de casa, foi transformada em um caudaloso rio onde, um dia, cheia de boas intenções, tentei ajudar minha irmã pequena a cruzá-la, e sem querer a joguei de cabeça no esgoto. Que dias aqueles!

Perto de onde vivíamos havia uma casa velha, rodeada de árvores, onde uma vez Papai Noel veio passar as férias. Ele tinha a barba longa e um sorriso simpático. Quando o vimos soubemos que se tratava do “bom velhinho“. Nos pareceu estranho que sua pele não fosse tão clara e que não tivesse a bochecha tão rosada como víamos na televisão. Mas claro que isso tinha uma explicação! Aliás, nossa mente fértil encontrava explicação para qualquer assunto que não tivesse lógica. A solução era simples! Era verão e estávamos em uma cidade da costa do Brasil, portanto era natural que até Papai Noel estivesse um pouco mais moreno. Outro problema era que ao nosso Papai Noel lhe faltava o barrigão. Entretanto, para isso também havia uma solução. Pensemos, era verão, férias e o “bom velhinho” acostumado com o clima congelante do Polo Norte, havia suado tanto em nossa cálida terrinha, que acabou emagrecendo. Mas a grande incógnita, o que realmente não podíamos compreender, e uma resposta que nem mesmo a nossa imaginação podia criar, era o porquê ele havia elegido Navegantes como lugar de descanso. Sim, porque sempre pensamos que nossa cidade não estava no seu mapa, já que dias antes de Natal, encontrávamos nossos singelos presentes, escondidos em algum lugar de casa. Hoje, olhando para o passado penso que encontrei a resposta. Era natural que ele escolhesse a nossa humilde terrinha para passar as férias, já que poucas crianças o reconheceriam, porque de fato no Natal ele nunca aparecia por ali.

férias em navegantes
Ilustração: Claudine Bernardes

Desde então passaram muitos natais. Já não sou mais uma menina correndo pelas ruas da minha cidade. Na verdade estou bem longe do meu mágico lugar de infância. Mas ainda conservo minha imaginação. Ainda busco aventuras em castelos, princesas em torres e espreito nas casas abandonadas.

 as aventuras de claudine bernardes espanha
Foto de arquivo: Claudine Bernardes

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral. Será gratificante receber seus comentários e ideias.  Se gostou,  por favor, compartilhe! (En “La Caja de Imaginación” puedes leer también el post en Español: Papá Noel de vacaciones cerca de casa)