A ilha que sou

(Pincha aquí para leer el texto en Español: La Isla que soy)

Jacarandá flor lilás a caixa de imaginação
Ilustração: Claudine Bernardes

Sou uma pequena ilha,
vivendo na solidão
do seu micro-clima,
afogando-me cada dia.

Sou uma pequena ilha,
que caminha pela rua,
alheia à dor do próximo,
insensível a tudo que não seja
minha própria necessidade.

Sou uma pequena ilha,
árida, seca e vazia,
que mata de fome e sede
a todo o que se atreva a visitar-me.

Sou uma pequena ilha
que se afoga e se perde.
Cada dia minguando,
afundando no oceano da vida.
Até quando serei uma ilha?

Claudine Bernardes

Lembre-se que A Caixa de Imaginação é o nosso instrumento de comunicação, por isso espero seus comentários e sugestões. 😉

Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho te dou…

(Para leer la publicación en Español pincha en: No tengo plata ni oro, pero lo que tengo te doy)

Emily Dickenson a Caixa de Imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Não me omitirei

Serei o martelo que golpeia a tua consciência
Te perseguirei pelas ruas e gritarei teu crime,
Te incomodarei de mil maneiras, não te darei paz.

Quanto te olhes no espelho, serei o teu reflexo,
te apontarei o dedo e te chamarei covarde,
covarde por viver só para ti, covarde por não agir,
por pensar que o pouco que faria não seria nada;
quando o teu “nada” poderia ser o tudo para alguém.

Publicarei nos jornais tua cruel omissão,
porque tuas palavras vazias e teu olhar de pena,
não alimentam a fome dos flagelados do mundo.

Te caçarei no cinema, nas lojas, na academia,
em todos os lugares onde alimentas a tua futilidade.
Te farei lembrar da mão estendida, do prato vazio,
das noites escuras de outros, que dormem sem teto,
que já não têm mais lágrimas para derramar.
(Claudine Bernardes)

a caixa de imaginação

Hoje quero falar sobre ajuda humanitária.

Interessante como nos sentimos comovidos quando vemos imagens de pessoas sendo afetadas pela guerra, a fome e as diferentes agruras que passam os seres humanos. Porém, o quê estamos fazendo a respeito? A maioria, NADA. NADA de NADA. Se cada um de nós fizesse um mínimo esforço por ajudar, mitigaríamos grandemente a dor de outros. É então quando surgem as desculpas:

Estou sem trabalho“. “Não tenho nem pra mim, como vou dar para outro!?” “Não posso fazer nada, nem consigo chegar com dignidade ao final de mês.”

Escuto essas babaquices egocêntricas e penso blábláblá… eu não… eu que… pobre de mim… Eu e meus problemas sempre como centro do mundo. Há pessoas que realmente estão MORRENDO de fome. Falemos sobre os refugiados em Síria. Conforme a UNICEF, 14 (QUATORZE) milhões de crianças estão sendo afetadas pelo conflito na Síria. Essas crianças, além dos adultos e idosos, necessitam da nossa ajuda. No Brasil existem 1,3 milhões de crianças e adolescente que trabalham, conforme Unicef.  Está também a crise de fome na África, que  já atingiu cerca de 12,5 milhões de pessoas incluindo principalmente crianças. Pensas que estou sendo negativa? Ao contrário, só busco despertar a consciência do maior número de pessoas. Se consigo uma única pessoa que atue em consequência, me sentirei vitoriosa, do contrário ainda assim sei que estou fazendo a minha parte. Agora vou te mostrar uma iniciativa para angariar fundos para Siria e depois te darei uma séria de ideias que tu podes desenvolver para que faças a tua parte.

ajuda humanitaria a caixa de imaginação
Foto de arquivo. Evento para angariar fundos.

No dia 31 de outubro (sábado passado) realizamos uma “merienda misionera”. Mais duzentas pessoas nos reunimos para angariar fundos para os refugiados de Siria. Essa foi uma iniciativa do departamento de missões da “igreja” que frequento (Centro Cristiano de Castellón). A organização era simples:

  • Uma tarde com apresentações de teatro, música e dança,
  • Venda de lanches (sanduíche e refrigerante),
  • Concurso de tortas e posterior venda das mesmas,
  • Venda de artesanatos,
  • Exposição e venda de quadros.

Não tenho ouro 3Nāo tenho ouro foto 2

Esses quadros são o resultado de uma oficina sobre criatividade que realizei com o grupo de jovens da igreja. Eles fizeram diversas fotografias e escreveram microcontos. Depois enquadrei tudo e montei a exposição. A maioria dos participantes foram adolescentes, sem trabalho e sem condições de doar nada, a parte do seu tempo e criatividade. Vendemos todos os quadros e eles se sentiram muito bem por poder ajudar aos refugiados através do seu trabalho. Por outro lado, como experiência pessoal posso dizer que me senti muito realizada porque consegui atingir dois objetivos:

  •  Ser ponto de partida: Consegui que um grupo de jovens e adolescentes colocassem em prática a criatividade e descobrissem talentos.
  • Ajudar os refugiados: Consegui promover a arrecadação de fundos para  os refugiados de Síria (ainda que o valor monetário não seja elevado).

Se eu puder aliviar o sofrimento de uma vida, ou se conseguir ajudar um passarinho que está fraco a encontrar o ninho… A vida terá valido a pena. (Emily Dickinson)

Faça a sua parte:

Agora vou anotar uma série de ações que podem despertar em você alguma ideia para ajuda humanitária:

Use os teus talentos:

Cada um de nós tem ao menos um talento, alguns possuem vários. Cantar, dançar, escrever, desenhar etc.

  1. Escrever: Nestes últimos dois meses conheci uma grande quantidade de pessoas aqui na blogsfera que possuem o talento de escrever. Se conhecer a pessoas que gostam de escrever, você pode montar um grupo de escritores que queiram editar um livro de poesia, contos, crônicas, micro-contos. Esse livro pode ser vendido em Amazon ou outra plataforma de venda de livros. Tudo isso sem gastos e o que se arrecade pode ser doado a alguma organização de ajuda humanitária.
  2. Desenho e fotografia: Não é necessário ser um grande ilustrador ou um fotógrafo famoso para fazer algo. Veja o meu exemplo, com alguns quadros, fotografias, ilustrações, textos de adolescentes, conseguimos arrecadar fundos. Você pode organizar uma exposição na escola onde estuda ou dá aula; através de uma associação; em alguma igreja, ou dentro de outro evento (como foi o meu caso).
  3. Organize um Evento: Como você viu não se necessita muito, e há muita gente com vontade de participar de coisas assim. Convide um grupo de pessoas que goste de teatro ou um grupo de teatro local; entre em contato com uma escola de dança para que faça uma apresentação; convide artistas locais que queiram doar e expor seus trabalhos.
  4. O dom de animar: Talvez você é esse tipo de pessoa com o dom da palavra, que outros escutam e buscam conselho. Anime outras pessoas a serem ativas na tarefa da ajuda humanitária.
  5. Seja um instrumento de divulgação: Divulgue campanhas de ajuda humanitária nos meios sociais onde você se move. Seja a voz dessas pessoas esquecidas.

Antes de terminar deixo a música “Onde está o seu amor?” da Lorena Chaves. É bastante apropriada para esse momento:

Se você tem outras sugestões de coisas que se possam fazer, anote nos comentários e eu as colocarei no texto informando que se trata de uma sugestão sua. Estou aberta a ideias e aceito desafios de ações para desenvolver em conjunto. O único que não aceito é a omissão. (A Caixa de Imaginação)

Lugares que me convidam a escrever: Alejandro

(Puedes leer este texto en Castellano: Lugares que invitan a escribir “Alejandro”)

Alejandro dormindo

Dorme, meu coração, porque enquanto sonhas velarei por ti. Estás tão sereno que ninguém diria que acordado tu és meu tsunami e minha alegria. Segues crescendo, meu amor, mas enquanto eu seja a tua “mamá querida” te guardarei nos meus braços e te encherei de carinhos. Já virá o dia em que terás vergonha de fazer-me mostras de afeto em público. Mas ainda assim, te olharei nos olhos e ali, escondido dentro de ti, verei todo o amor que tens por mim. Descansa entre sonhos, minha vida, e perdoa-me por todos os erros que cometi pelo caminho. Eu sei que foram muitos! No entanto, se há algo que possa dizer em minha defesa, é que me equivoquei, não por amar pouco, sim por amar intensamente e desejar que fosses o melhor de mim. Ah, “mi niño”! Não entendo como pudeste transformar toda minha vida em tão pouco tempo. Me mostraste que me falta paciência, me sobra intolerância e ainda assim me amas. Sigo aprendendo, “cariño”, porque contigo estou no caminho… espero caminhar ao teu lado durante muitos anos. Dorme, meu coração.

Alejandro piscina

Oceano

Se há um lugar que me convida a escrever, e onde encontro inspiração, esse lugar é o meu filho. Talvez você dirá que pessoas não são lugares, no entanto terei que discordar. Todas as pessoas somos lugares! Há pessoas que são oásis, enquanto outras são deserto; há pessoas lar, pousada, parada de descanso; há também pessoas ponto de partida, estão as que são ilhas enquanto outras são pontes. Alejandro é um oceano, onde às vezes sinto que me afogo por não saber nadar. É tão belo em seu azul infinito, porém no mesmo lugar onde reina beleza e calma também há tempestade e perigosos monstros marinhos. Às vezes observo meu reflexo nas suas águas e vejo que o monstro sou eu. Não é fácil ser mãe, entretanto é inspirador. Os sentimentos que experimentei, durante estes últimos cinco anos, mudaram minha forma de ver o mundo, de ver-me e de compreender as outras pessoas. Tudo isso me motivou a escrever. Não só isso! Despertou a escritora adormecida. Estou agradecida a Deus por ter colocado esse pequeno furacão na minha vida, porque nele eu vi o quanto me sobra e o quanto me falta. Te amo meu oceano!

Alejandro Paola

E para terminar, deixo umas frases que extraí de uma entrevista da grande escritora Isabel Allende. Nesse trecho ela fala sobre o processo criativo, espero que goste:

“O processo criativo é misterioso e passa num lugar do corpo e da mente ao qual não temos acesso na vida consciente. Por que uma pessoa quer escrever sobre um tema em particular? Porque é o momento. Para escrever minha primeira novela demorei 39 anos. (…)

Se vai gestando como um bebê e chega o momento em que a história está madura para nascer. Esse momento ninguém pode determinar, pode ser cinco anos, pode ser cinco minutos. (…)

Há momentos na vida que são umbral (entrada, limiar). A adolescência é um umbral (…) também está o momento em que uma mulher dá a luz e nascem os filhos. Quando a pessoa se transforma em pai ou mãe. Porque entra em outra etapa da vida.”

Lembre-se que A Caixa de Imaginação é um canal de comunicação, por isso estou esperando os seus comentários. Até breve!

Nunca havia passado tanta vergonha…

(Puedes leer esta entrada en Español pinchando aquí: Vergüenza)

Ilustração: Claudine Bernardes
Ilustração: Claudine Bernardes

Há  momentos que passamos por situações que nos fazem sentir tão envergonhados, que se pudéssemos faríamos um buraco para esconder-nos dentro. Creio que todos já passamos por situações assim.

Em uma ocasião, durante uma festa que se fazia cada ano na minha cidade, saí para passear vestida com uma saia, que consistia em um pano retangular, amarrado em volta da cintura. Era a moda do momento! Quando de repente, em meio de uma multidão de gente, o nó se desfez e… bem… a saia caiu no chão. Foi constrangedor! Acredite ou não, essa não foi a pior vergonha da minha vida.

Certa vez estava pedalando no centro da cidade, quando decidi baixar da calçada à rua. Não notei que o bueiro estava destapado, e a roda da bicicleta entrou de cheio nele. Resultado: Percebi como em câmera lenta, a roda de atrás começava a elevar-se, fazendo-me cair de cabeça no chão, agarrada ao guidão da bicicleta. Literalmente mergulhei de cabeça na sarjeta! Entretanto essa também não foi a maior vergonha que passei. Só lhes contei essas experiências, para que pudessem compreender o quanto me senti envergonhada. Agora deixemos de preâmbulos e vamos aos fatos.

Depois de anos mergulhada em uma vida sedentária, resolvi voltar a praticar mountain bike. Não foi nada complicado! Peguei minha MTB, que estava cansada de estar guardada, e busquei uma rota de ciclismo bem legal, que me levava a uma praia linda. Saia de casa bem cedinho, porque era verão e queria evitar as horas de sol mais forte. Depois de duas semanas nesse ritmo, já me sentia quase pronta para a minha primeira incursão pelas rotas de montanha.

Era um sábado pela manhã, dia em que todos os ciclistas saiam do redil. Já havia chegado à praia, que distava aproximadamente 10 quilômetros de casa, havia tomado água, descansado um pouco, e me dispunha a regressar. Quando dei a primeira pedalada, senti um frio na barriga… olhei para atrás… não podia ser! O pneu estava furado!

Você deve estar pensando: “Que bobagem! É só trocar a câmara. Afinal um ciclista sempre tem uma câmara de reserva.” Bem… eu tinha né… mas… (como dizer?) … havia deixado em casa. Pronto, falei!

Na bolsa da bicicleta (que deveria conter a câmara de reserva) levava: a chave de casa; uma bolsa estanque (porque no sábado anterior havia pegado um toró, que resultou na morte por afogamento do meu celular); e o celular, que não era de muita ajuda, porque naquele momento ninguém que eu conhecia estava disponível.

Sopesei as minhas possibilidades e resolvi regressar para casa, empurrando a bicicleta. Já falei que era sábado e que todos os ciclistas haviam saído do redil? Pois bem, antes de percorrer 300 metros, passei pelo primeiro momento constrangedor:

_ Furou o pneu? – Perguntou um cliclista que passou por mim. Respondi que sim e ele se prontificou a ajudar-me. – Se você quiser te ajudo a trocar a câmara.
_ Obrigada! Mas não tenho câmara. – O pobre me olhou com uma cara de espanto, e eu, para amenizar a situação, completei. – Não se preocupe, estou acostumada a caminhar. São apenas 10 quilômetros! De qualquer forma, obrigada! – E lá se foi minha primeira vergonha.

Durante os próximos 6 quilômetros a mesma conversa se repetiu umas 30 vezes. Porque isso sim, os praticantes de ciclismo são muito solidários! No entanto, já não aguentava repetir que havia deixado a câmara de reserva em casa. Era muita vergonha repetida para uma pessoa só. De verdade, se pudesse construiria um túnel que me levasse escondida até a minha casa.

praia espanha
Foto: Claudine Bernardes

O quê aprendi?

Aprendi que é extremamente vergonhoso não estar preparada para uma situação, a qual sabia que podia passar. Eu sabia que deveria levar sempre comigo uma câmara de reserva, mas escolhi deixá-la em casa. Isso não é falta de previsão, é burrice!

Aprendi que não adiante ter uma bicicleta maneira, estar vestida com roupa apropriada, levar capacete e luva… se não estou preparada para os problemas do caminho. A maioria dos problemas são previsíveis!

Isso vale para qualquer âmbito da nossa vida. Prever os problemas do caminho, preparar-se para enfrentá-los e atuar com prontidão nos poupará muitos constrangimentos.

Para terminar, gostaria de contar o final da história: quando faltavam uns 4 quilômetros para chegar em casa, passou por mim outro ciclista. Me fez a mesma pergunta, eu dei a mesma resposta e ele seguiu seu caminho. Regressou depois de um minuto:

_ Te proponho algo! Tenho uma câmara de reserva, podemos colocá-la na sua bicicleta e depois passamos na sua casa. Você me entrega a sua câmara de reserva e eu sigo meu caminho.
Assim fizemos! Obrigada, Victor, você me poupou outros 4 quilômetros de vergonha!

pneu furado

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um instrumento de comunicação bilateral, por isso sinta-se a vontade para fazer comentários e críticas. Um grande abraço!

Amor sem palabras

(Para leer el texto en Español pincha: Amor sin palabras)

poesia de Claudine Bernardes
Ilustração e texto: Claudine Bernardes

No me pidas para escribirte poemas de amor,
cuando todo mi amor está delante de ti.
Compréndelo,
las palabras no pueden contener lo que siento por ti.
Puedo escribirte sobre el amor,
pero, no me pidas para expresarlo en palabras.
Eso es demasiado para mi.
No me pidas para expresar en palabras,
lo que ellas no te pueden decir.
Pero, mírame,
mis ojos, mis labios, mis manos,
hablarán por mí.
Porque todo mi ser,
es amor sin palabras,
para ti.

(Claudine Bernardes)

Há coisa que não gosto de traduzir, em virtude do que o texto significa para mim.  Essa poesia é um desses textos que não gostaria de traduzir.  No entanto, farei uma tentativa. Espero que não perca a sua essência.

Não me peça para escrever-te poemas de amor,
quando todo meu amor está diante de ti
Compreenda,
as palavras não podem conter o que sinto por ti.
Posso escrever sobre o amor,
mas não me peça para expressa-lo em palavras.
Está além de mim.
Não me peça para expressar em palavras
o que elas não podem dizer.
Só olha-me.
Meus olhos, meus lábios, minhas mãos
falarão por mim.
Porque todo o meu ser
é amor sem palavras
para ti.

Me nego transformar o amor em palavras tão limitadas de sentido. O amor deve ser vivido e transmitido cada dia. Porque cada dia trás consigo a maravilhosa oportunidade de amar. E digo “amar” porque “ser amado” é outra questão, vai além das nossas possibilidades. Entretanto, sempre estará nas nossas mãos amar e transmitir esse amor.

E para os “enamorados” uma música de Marcelo Janeci que gosto muito (Pra Sonhar):

Para você que me está lendo: Não perca a oportunidade de hoje demonstrar amor. Até breve e obrigada por ler “A Caixa de Imaginação“. Ah! Aceito desafios. Sinta-se a vontade para desafiar-me a escrever sobre algum tema. 😉

Papai Noel de férias perto de casa.

(Uma homenagem à Navegantes e aos que fizeram parte da minha infância)

férias e navegantes - Santa Catarina
Ilustração: Claudine Bernardes

Quando eu era pequena, e as crianças ainda voavam livres pelas ruas da cidade, buscávamos aventuras em todas as esquina. Cada casa abandonada nos parecia um mundo desconhecido, cheio de mistérios a decifrar. Os terrenos baldios, que naquela época abundavam, eram países longínquos para onde sonhávamos viajar. Inclusive a vala que passava atrás de casa, foi transformada em um caudaloso rio onde, um dia, cheia de boas intenções, tentei ajudar minha irmã pequena a cruzá-la, e sem querer a joguei de cabeça no esgoto. Que dias aqueles!

Perto de onde vivíamos havia uma casa velha, rodeada de árvores, onde uma vez Papai Noel veio passar as férias. Ele tinha a barba longa e um sorriso simpático. Quando o vimos soubemos que se tratava do “bom velhinho“. Nos pareceu estranho que sua pele não fosse tão clara e que não tivesse a bochecha tão rosada como víamos na televisão. Mas claro que isso tinha uma explicação! Aliás, nossa mente fértil encontrava explicação para qualquer assunto que não tivesse lógica. A solução era simples! Era verão e estávamos em uma cidade da costa do Brasil, portanto era natural que até Papai Noel estivesse um pouco mais moreno. Outro problema era que ao nosso Papai Noel lhe faltava o barrigão. Entretanto, para isso também havia uma solução. Pensemos, era verão, férias e o “bom velhinho” acostumado com o clima congelante do Polo Norte, havia suado tanto em nossa cálida terrinha, que acabou emagrecendo. Mas a grande incógnita, o que realmente não podíamos compreender, e uma resposta que nem mesmo a nossa imaginação podia criar, era o porquê ele havia elegido Navegantes como lugar de descanso. Sim, porque sempre pensamos que nossa cidade não estava no seu mapa, já que dias antes de Natal, encontrávamos nossos singelos presentes, escondidos em algum lugar de casa. Hoje, olhando para o passado penso que encontrei a resposta. Era natural que ele escolhesse a nossa humilde terrinha para passar as férias, já que poucas crianças o reconheceriam, porque de fato no Natal ele nunca aparecia por ali.

férias em navegantes
Ilustração: Claudine Bernardes

Desde então passaram muitos natais. Já não sou mais uma menina correndo pelas ruas da minha cidade. Na verdade estou bem longe do meu mágico lugar de infância. Mas ainda conservo minha imaginação. Ainda busco aventuras em castelos, princesas em torres e espreito nas casas abandonadas.

 as aventuras de claudine bernardes espanha
Foto de arquivo: Claudine Bernardes

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral. Será gratificante receber seus comentários e ideias.  Se gostou,  por favor, compartilhe! (En “La Caja de Imaginación” puedes leer también el post en Español: Papá Noel de vacaciones cerca de casa)

Você é ponto de partida ou ponto final? Sete características.

 Peter H. Reynolds
Foto de arquivo: Claudine Bernardes

Ponto de partida

Sou um ponto de partida
desde onde as pessoas alçam voo,
decolam.

Quando alcançam altura,
olham para baixo e ali estou
um ponto… um simples ponto.
Um ponto de partida

Talvez se esqueçam de mim,
talvez nunca regressem.
Entretanto,
o que sou jamais deixarei de ser:
seu ponto de partida.

Há também os que regressam,
porque para eles,
além de ponto de partida
sou uma parada de descanso.
(Claudine Bernardes)

Peter H. Reinolds
Foto da Capa

Se você não puder ler todo o meu post, ao menos veja o vídeo do livro infantil “O Ponto” (Peter H. Reynolds) que me inspirou a escrevê-lo. Está abaixo.

Você é ponto de partida ou ponto final?

Saber a resposta para esta pergunta é essencial para melhorar o seu relacionamento com os demais. Mas, que história é essa de ponto de partida e ponto final? Bem, desde pequenos nos encontramos com pessoas que de alguma maneira foram um ponto de partida, que nos ajudaram a iniciar algo, inclusive, a ser o que hoje somos. Pense neles! Para algumas pessoas os pais foram seus primeiros “ponto de partida”: animando a aprender algo, a iniciar um projeto, ou alentando quando estão a ponto de desistir. Também estão nossos professores, que compartilharam conosco seu conhecimento, e plantaram dentro de nós as sementes do conhecimento, de projetos e sonhos. É possível, inclusive, que estas sementes tenham germinado e hoje são belas árvores frutíferas que alimentam outras pessoas. Há muitas pessoas que para mim foram um ponto de partida e algumas se transformaram em uma parada de descanso.

O que tinham essas pessoas de especial que as tornaram um “Ponto de Partida”? Deixarei 7 características que pude encontrar. As pessoas “Ponto de Partida”…

  1. Plantam sementes: O ponto de partida é um princípio de algo. Por essa razão, uma pessoa “Ponto de Partida”, é alguém que ajuda a outros a encontrar seu potencial. Para isso, plantam uma semente, o que é o mesmo que uma ideia ou uma palabra de ânimo. Ajudam a despertar talentos que estavam dormidos, ou inclusive que não existiam, porém com trabalho e tendo alguém que nos anime, esses talentos vão surgindo, crescendo e consolidando-se. Você já ajudou a alguém encontrar seu potencial?

  2. Transmitem conhecimento: Uma pessoa “Ponto de Partida” ama transmitir conhecimento ou experiências, é um “mestre da vida”. Quando compartilham conhecimento não o fazem desde um pedestal, não erguem barreiras e tampouco são impessoais. Porque para uma pessoa “Ponto de Partida”, cada ser humano que passa pelas suas mãos é único; não vê uma pessoa problemática como um problema, mas sim como uma resposta ao seu crescimento. Você compartilha o que sabe com outros?

  3. Amam o que fazem: O amor sempre é o motor que impulsa a uma pessoa “Ponto de Partida”. Quando não há amor, as frustrações o farão desistir de alentar a outros. Você ama o que faz?

  4. Não esperam reconhecimento: Penso que sempre devemos reconhecer as pessoas que nos ajudam, porém nem sempre isso ocorrerá. A pessoa “Ponto de Partida” sabe disso, por essa razão planta árvores sem esperar comer do fruto. Para ela o importante é coloborar para que haja frutos, ainda que seja para alimentar a outros. São aqueles professores que apesar de ganhar um ínfimo salário, dão o melhor de si; não têm medo de abrir-se e mostrar o que são. Você ajuda sem esperar algo em troca?

  5. Fazem críticas construtivas: Realmente creio que devemos dizer o que pensamos, porém devemos fazê-lo tendo como base o amor. Uma pessoa “Ponto de Partida” sabe que fazer críticas é importante para ajudar outras pessoas a crescerem; no entanto, também sabe que suas palavras podem matar o sonho de outras pessoas. Por essa razão, escolhe a palavra e o sentimento apropriado para dizer algo; porque suas críticas edificam pontes entre as pessoas e seus sonhos. São um alento nos momentos de dificuldade, uma palavra de partida num momento de branco criativo e principalmente um : “Faça melhor da próxima vez, porque sei que você pode!” Como as pessoas reagem as suas críticas?

  6. São buscadas para dar conselho: Há pessoas que adoram dar conselhos, estão apaixonadas pelo som da própria voz. São os especilistas em “de tudo um pouco”, que pensam que sua ideia é única e que a sua resposta é sempre a verdadeira; a única opção. Porém, uma pessoa “Ponto de Partida” não pensa assim, por essa razão, outros a buscam. Ela não necessita pendurar no pescoço um cartaz de “dou conselho grátis”, porque os demais sabem que quando necessitem ela estará ali. Outras pessoas buscam os seus conselhos?

  7. São Multiplicadoras: Isso mesmo! Uma pessoa “Ponto de Partida” gera outras pessoas “Ponto de Partida”. Seu impacto é tão positivo em outras pessoas que gera nelas o desejo de também serem pontos de partida. Esse é o ápice, a coroação e a prova do seu sucesso: conseguir transmitir o legado de ser um “Ponto de Partida”. Você está transmitindo o seu legado?

Agora gostaria que você meditasse nesses sete pontos e com sinceridade refletisse se você está sendo um ponto de partida, ou se suas críticas estão servindo de ponto final aos sonhos de outros.

Para terminar gostaria de compartilhar com você o vídeo do livro infantil que inspirou esse post. Se chama “O Ponto” (Peter H. Reynolds). Não termine de ler essa publicação sem ver esse vídeo, é realmente inspirador.

Lembre-se  que “A Caixa de Imaginação” é um canal aberto, por isso nos alegra receber seus comentários e contar com a sua participação. Também, gostaríamos de perdir-lhe que compartilhe com seus amigos esse post, dessa forma você poderá ajudar a outras pessoas. (Pincha para leer el texto en español: Punto de partida)

Lugares que convidam a escrever: Morella.

(Para leer en español picha: Lugares que invitan a escribir “Morella”)

Cata-vento

catavento claudine bernardes
Foto de arquivo: Claudine Bernardes

Ele só tinha 3 anos e seu corpo de menino transbordaba energia. Era a primeira vez que visitava a cidade amuralhada. Com suas torres, grandes portais e ruas de pedras… estreitas ruas de pedras… aquele era um lugar mágico! A cidade era antiga e cheia de história, mas ele ainda não tinha consciência de tudo isso.

Seu desejo instintivo, naquele momento, era abrir os braços e baixar voando pela rua de pedra abarrotada de turistas. Pequenos comércios que vendiam qualquer coisa que pudesse estimular os sentidos dos turistas, ladeavam a rua. Ele parou em frente de uma loja de suvenirs e seus pequenos olhos brilharam. Estava emocionado e aplaudia, como se estivesse diante de uma impressionante orquestra musical. Porém, o objeto de sua felicidade era um simples cata-vento. Com suas muitas cores, girava impulsado pelo vento outonal, hipnotizando o menino. Ah! Que ingênua e simples e pura pode ser a felicidade!

cata-vento em Morella
Fotografia, texto e edição: Claudine Bernardes

Confesso! Sou apaixonada por ruas estreitas, e se forem de pedra eu deliro. Acrescentamos  também uma muralha envolvendo a cidade, encimada por um castelo em ruínas, vamos… estou no paraíso!  E Morella tem tudo isso e muito mais. É uma cidade pitoresca do interior da província onde moro (Castellón). As comidas típicas são incríveis e as casinhas, todas pegadas, super antigas, tudo… tudo de pedra, me faz delirar. E claro, me convida a escrever. É uma fonte de inspiração! Cada cantinho, grades enferrujadas de há séculos, portas… ah as portas… como gosto de portas.  Já fui ali muitíssimas vezes, porém uma delas foi muito especial. Registrei esse momento único através do relato acima e também de algumas fotos.   Bem, hoje não não vou escrever muito, mas deixei algumas fotos desse incrível lugar que me inspira a escrever. Espero que você goste.

morella castellón
fotografia de arquivo pessoal.

Curta-metragemMorella, uno de los pueblos más bonitos de España“, por Mireia Ávila. É um curta muito original, recomendo que você o veja. Também está este video promocional sobre Morella. Também não podia faltar a página web oficial de Morella.

foto de a caixa de imaginação
Fotografia de arquivo: Claudine Bernardes

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral. Será gratificante receber seus comentários e ideias.  Se gostou,  por favor, compartilhe!

 

Você já sentiu que não amou o suficiente? Enfretando o remorso e a perda.

Devagar

perda e luto
Fotografia e edição: Claudine Bernardes. “Agut”

Cada passo era um suplício. Um pé depois outro, com dificuldade, com dor, no entanto sem perder a determinação de costume. Caminhou assim durante 20 metros que lhe pareceram 20 quilômetros. Sentou-se devagar sobre um banco de madeira (que nunca antes havia notado, apesar de que sempre esteve ali) e sentiu uma dor incômoda no quadril. O sorriso que sempre fora seu companheiro inseparável já não estava mais com ela. Sua pele apagada e seus olhos arrugados de dor lhe conferiam mais anos do que realmente tinha. Esperava. Enquanto esperava observou o mundo ao seu redor. Tudo continuava igual, no entanto ela havia mudado. As pessoas entravam e saíam apressadamente pela porta automática; numa ambulância chegava alguém cuja vida estava por um fio; uma senhora caminhava rapidamente carregando documentos debaixo dos braços. “Ilhas! Todos somos ilhas!” – constatou resignada. “- Vivemos isoladas no nosso próprio microclima.” Depositou a mão sobre o ventre e lembrou-se que estava vazio. Outra vez a dor dominou seus sentidos. No entanto, não se tratava de uma dor física, que esta também estava, era outra dor. A dor de quem não havia amado o suficiente. A violenta dor de quem só percebera sua falha depois de haver perdido. Duas semanas antes era tudo distinto. Havia atravessado as portas do hospital com a ilusão de ver, pela primeira vez, o seu pequeno bebê. Naquele momento o sorriso ainda era seu companheiro. Conversou de forma descontraída com a ginecóloga, segurou firme a mão do seu marido, enquanto o aparelho de ultrassom percorria seu ventre e… e percebeu…

O sorriso da médica havia desaparecido, algo estava errado. O pequeno corpo estava inerte, já não havia mais vida dentro dela, constatou. Seu pequeno coração havia deixado de bater há quatro semanas, e durante essas quatro semanas, seu ventre havia sido um sepulcro, sem que ela tivesse percebido. O carro parou há poucos metros, e ela levantou-se devagar para evitar a dor. Porém, a maior dor não podia ser evitada, porque dentro de si sabia que não havia amado o suficiente.                       (por Claudine Bernardes)

Perder alguém sempre produz muita dor, posso dizer isso desde o ponto de vista de quem já sofreu muitas perdas. Me lembro o quanto sofri, o quanto chorei ao ver o corpo sem vida do meu pai, quando tinha apenas sete anos. Chorei desconsoladamente durante horas, chorei durante dias, até que pouco a pouco a dor foi passando. Porém a dor da perda, somada ao remorso é algo que pode realmente ser destrutivo. Muitas pessoas caem em depressão depois de sofrer esse tipo de sucesso. Filhos que não deram o melhor de si aos seus pais; pais que não demonstraram o amor como deveriam; maridos e esposas que somente perceberam o quanto amavam depois de haver perdido. Se você está passando por essa experiência, deixo algumas sugestões que poderão ajudá-lo:

1 – Faça luto: é possível que muitas pessoas com o afã de ajudá-lo, ou por simples insensibilidade, digam-lhe para não chorar. “Levante a cabeça e siga adiante”, deverá escutar com frequência. Porém, antes de levantar a cabeça e seguir adiante é importante passar por um período de luto. O que é o luto? Segundo a definição do Dicionário Priberam, luto Processo durante o qual um indivíduo consegue desligar-se progressivamente da perda de um ente querido. A psicóloga Clarissa de Franco aclara que “O processo de luto é necessário para a reconstrução do lugar do sujeito que perde alguém. E como todos lidarão com perdas um dia, é importante que se construa um espaço coletivo que legitime o luto como um recurso de saúde não só para o enlutado, mas também para a sociedade. O processo de luto devolve ao enlutado a chance de uma nova história.”  Por isso, chore sem medo, é um direito e uma necessidade sua.

2 – Aceite o apoio de seus amigos e famílias: é normal depois de uma perda, buscar um espaço próprio para viver um tempo de luto. Eu necessitei desse espaço! Pedi aos meus amigos que que orassem pelo meu restabelecimento emocional, no entanto também lhes pedi que me dessem um espaço, que não me chamassem por telefone, ou tentassem conversar comigo sobre minha perda, até que eu me sentisse em condições de falar sobre o tema sem desmanchar-me em lágrimas. Por outro lado, ter pessoas ao meu redor, como meu marido ou minha mãe, que sem a necessidade de dizer-me nada, me serviam de apoio moral me ajudou muito.

3 – Expresse seus sentimentos: Depois que você já estiver em condições de falar sobre sua perda, exteriorize seus sentimentos. Converse com pessoas de sua confiança. Se você se sente culpável por não ter dado o seu melhor; se o remorso lhe está sufocando, falar sobre o tema pode ajudá-lo a ver as coisas de forma diferente ao colocar voz a este sentimento. Outras pessoas preferimos transformar os sentimentos em palavras, se esse é o seu caso, adiante! Posso assegurar que também funciona.

4 – Perdoe-se: Ninguém é infalível e você muito menos. Todos nos equivocamos, aceite essa realidade, perdoe-se e aprenda com essa experiência. Tenha em conta que autoflagelar-se com o remorso pode transformá-lo em uma pessoa amargada e impedi-lo de amar aos que ainda estão ao seu lado.

5 – Busque o consolo em Deus: Talvez você me responda “Não posso fazer isso porque não sou uma pessoa religiosa.” Que bom! Eu também não. Deus não é religião, ele é AMOR e amor é uma relação. Em Mateus 11:28, Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Converse com Ele, conte as suas penas, chore, peça perdão e libere perdão. Com a experiência de quem viveu a perda e o remorso em primeira pessoa, posso te garantir que receber o abraço de Deus ajuda um montão.

Por último, tenha em conta que tudo nessa vida passa. Deixe a vida fluir, porque “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” (Salmo 30:5b). Recomendo a leitura dos artigos: Version: “Como lidar com pessoas que estão enfrentando o luto?” e  “O que não dizer a uma pessoa em processo de luto“, escritos pelas psicólogas Elaine Cristina Aguiar Fernandes e Nazaré Jacobucci (sucessivamente).

a alegria vem pela manhã
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Se você viveu algo semelhante e quer compartilhar sua experiência conosco, será um prazer ler os seus comentários. Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal aberto, por isso nos alegra receber seus comentários e contar com a sua participação. Também, gostaríamos de perdir-lhe que compartilhe com seus amigos esse post, dessa forma você poderá ajudar a outras pessoas. (Pincha para leer el texto en español: “Despacio”)

O pai que nunca tive.

Por Paola Rodriguez

Foto de arquivo: Paola Rodriguez
Foto de arquivo: Paola Rodriguez

Diz a lenda que antes do meu nascimento ele correu para os braços de outra mulher. Uma aflita mãe chorou pelo desprezo ao seu amor, porém ao olhar-se descobriu que dentro de si levava o fruto do seu amor.

O pai que eu nunca tive
sempre esteve ausente.
Nunca me escreveu,
nunca me ligou.
Nunca balançou o berço para acalmar minha angústia,
Não me castigou,
nem me repreendeu.
Nunca brincamos juntos,
Sequer me ajudou com as lições de casa.
Não esteve nas reuniões de pais no colégio.
Nem mesmo velou meu sono quando estava doente.
Ele não mudou meus sapatos aos quinze anos.
Tampouco dançou o Danúbio azul para abrir
a valsa nupcial do meu casamento.
O pai que nunca tive
jamais me enviou um cartão de aniversário.
Não me animou nos momentos de debilidade
e tampouco me reconfortou durante meus sofrimentos.
Não conhecerá os seus netos.
Porque o pai que eu nunca tive,
… Eu nunca o tive …
Em uma oportunidade o conheci e até passamos uns dias juntos.
Porém, depois que terminaram as férias,
o pai que nunca tive desapareceu.
Nunca cheguei a saber se me amou.
Eu era tão pequena e não entendia nossa relação.
Há uma coisa que desejo explicar:
Eu nunca tive um pai terrenal.
Porque o pai que nunca tive,
simplemente nunca tive.
Entretanto, sou filha de um Pai que sempre foi meu Pai.
Aos dezessete anos o conheci.
Me senti como a filha que ele jamais teve.
Porque Ele me amou primeiro,
me cuidou e sempre esteve comigo.
Embora não o reconhecia,
agora sei que ele sempre foi
o pai que eu nunca tive.

salmos 76.1
Foto de arquivo: Paola Rodriguez

Resolvi postar esse texto porque sei que muitas pessoas sofrem pela falta da figura paterna. Um pai, que apesar de existir, nunca se fez presente. Minha amiga Paola conseguiu superar essa adversidade. Hoje é uma linda pessoa, mãe, esposa, uma amiga sempre disposta a ajudar e uma cristã verdadeira.

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral. Será gratificante receber seus comentários e ideias.  Se gostou,  por favor, compartilhe!