Respondendo a TAG: Sisterhood of The World Bloggers Award indicada pela Fabi

TAG

Entrando no terceiro mês do blog, hoje vou responder uma TAG que recebi da Fabi, do Blog S.O.S. Srta. Brito.

As regras são as mesmas de sempre:

  • Inserir o logotipo da Tag:
  • Agradecer e marcar o Blog que te indicou.
  • Responder dez perguntas.
  • Indicar dez blogueiros e avisá-los.
  • Criar dez novas perguntas para os indicados.

E agora vou responder as perguntas da Fabi, espero que com elas vocês possam conhecer um pouco mais sobre mim: 

1. Uma música?

Fabi, você esta brincando comigo, né. Escolher uma única música. Difícil. Sou uma mulher de fases e tenho várias músicas que gosto.  “Eu sei que vou te amar” (música que canto para fazer o meu pequeno dormir); “Memórias de um Narciso” da Lorena Chaves (para lembrar-me o quanto sou “pequena”); “Estrangeiro” da Roberta Spitaletti (para lembrar-me que sou apenas uma estrangeira nessa vida). E a lista segue…

2. Uma história marcante?

A que eu ainda estou escrevendo: minha vida.

3: Uma saudade?

Sem dúvida o Brasil, minha família e meu trabalho ali. Também sinto muita saudade de escalar com os meus antigos companheiros de aventuras.

4. Se fosse escolher uma nacionalidade, qual seria?

Aqui não tenho dúvida: Espanhola. Amo viver na Espanha.

5. O que faria por amor?

Deixaria a minha família, um grande futuro profissional o trabalho dos meus sonhos e me mudaria para outro país. Também não me importaria de virar “amélia” e aprender a cozinhar. Puxa! Mas isso eu já fiz, hahahaha.

6. Um livro?

Sem querer parecer “espiritual”, com certeza meu livro preferido é a Bíblia, faz parte da minha leitura diária e com ela eu aprendi, aprendo e continuarei aprendendo muito.

7. Uma característica que julga importante em uma pessoa?

Autocrítica.

8. O que considera imperdoável?

NADA. Tudo é perdoável, quem sou eu para não perdoar o defeito ou erro de outros quando eu estou cheia deles.

Mania (s)?

Puxa! Acho que não tenho. Defeitos muitos, manias… não. Ah, agora lembrei de uma, tenho a mania de não seguir receitas, vivo saltando as regras hahahaha.

Uma frase que lhe descreve?

Sou estrangeira, estou aqui só de passagem.

E como a minha mania é não seguir receitas, Fabi perdão, mas ficarei por aqui mesmo. Se você que me está lendo quer responder essa TAG, me avisa que preparo alguma perguntas e incluo você nela. 😉

Não quero flores.

(Para leer esta publicación en Español pincha: No quiero flores)

Quando eu fechar meus olhos,
será o mais natural possível,
Sem mágoas, remorsos
ou arrependimentos.

Quando apagar-se a luz
da minha vida neste corpo,
Não quero que lágrimas
sejam derramadas sobre
a matéria que se fará presente.
Não espero lamentações nem dor.

Quando meu espírito deixar meu corpo, e
meus olhos não brilharem mais,
ou sorriso não existir mais em minha face,
não se entristeçam por isso.
Eu fui para o meu Criador.

Não quero coroas caras,
não deixem que as flores
sejam sepultadas comigo,
Não as matem por mim.
Deixem-nas viverem
até que o sol as queimem
e elas sequem e murchem naturalmente.

Porque então, neste dia eu serei
como uma flor seca pelo sol da vida.
Uma flor que um dia nasceu,
deixando que sua raiz se aprofundasse na terra-vida.
Que fez o máximo para deixar o dia
dos que a viam mais alegre e perfumado.

Não chorem pela flor que murchou,
se alegrem pelas lembranças que ela deixou.
(Claudine Bernardes)

a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Essa poesia revela uma verdade que compreendi:  “Sou viajante com pé na estrada, um visitante com hora marcada”. Escuta a linda música da Roberta Spitaletti:

Obrigada por passear pela minha “Caixa de Imaginação“. Se gostou, compartilha com os seus amigos. Para receber minhas publicações, basta clicar em “seguir“. Será um prazer contar com a sua presença e ler seus comentários. 😉

A arte de aceitar a simplicidade

(Para leer la publicación en Español pincha en: El arte de aceptar la simplicidad)

foto amarela claudine bernardes
Foto de arquivo: Claudine Bernardes

Reivindico a simplicidade

Há dias em que desejo conquistar o mundo, realizar
grandes façanhas. Quando na verdade, pouco disso há na minha vida.
Porque, se olho para trás, vejo que as minhas grandes conquistas
foram feitas através de pequenas e simples escolhas.
Por isso, hoje reivindico a simplicidade das escolhas cotidianas.

O desejo ardente de conquistar o impossível, de viver constantemente a adrenalina no amor, no esporte, etc, está transformando-nos em seres frustrados no nosso dia a dia. Queremos viver as incríveis histórias de amor vistas nos cinemas, e se o “amor” não se apresenta dessa forma, não é suficiente. Cada vez mais necessitamos viver a vida ao extremo: o extremo da felicidade, o extremo do amor, o extremo nos esportes; estamos viciados na adrenalina. Observamos a vida de outros através de suas publicações nas redes sociais e pensamos no como a “grama do vizinho é sempre mais verde”. Isso nos frustra! Então, começamos a fazer loucuras para mostrar como somos interessantes, e claro, tudo isso deve ser registrado, fotografado, publicado e compartilhado, do contrário não tem sentido.

a caixa de imaginação
Kirill Oreshkin o “rei” do selfie extremo.

extremo 2

a caixa de imaginação
O termo balconing vem de “pular do balcão”, como os espanhóis denominam as sacadas, em direção a uma piscina ou a outra varanda.

Um pouco de tudo isso ao que me refiro, está virando manchete nos jornais e circula constantemente nas redes sociais. Vamos a dois exemplos:  Selfies extremos que já provocaram a morte de muitas pessoas; tal é a preocupação que Rússia inclusive lançou uma campanha contra essa loucura que se está generalizando. Outra dessas insanidades é o “balconing”, que significa pular de uma sacada em direção a uma piscina ou outra sacada. Ocorre muito na Espanha, entre turistas jovens e já provocou várias mortes e lesões.

Realmente acredito que é necessário reivindicar a simplicidade da vida, promover a contemplação e buscar prazer nas coisas pequenas e cotidianas.  

a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Para terminar, deixo um parágrafo do livro “Pais brilhantes, professores fascinantes” de Augusto Cury:

Uma pessoa emocionalmente superficial precisa de grandes eventos para ter prazer, uma pessoa profunda encontra prazer nas coisas ocultas, nos fenômenos aparentemente imperceptíveis: no movimento das nuvens, no bailar das borboletas, no abraço de um amigo, no beijo de quem ama, num olhar de cumplicidade, no sorriso solidário de um desconhecido. Felicidade não é obra do acaso, felicidade é um treinamento.

Você concorda com o que eu escrevi? Qual a sua opinião? Gostaria muito de ler seus comentários a sugestões sobre esse tema.

A ilha que sou

(Pincha aquí para leer el texto en Español: La Isla que soy)

Jacarandá flor lilás a caixa de imaginação
Ilustração: Claudine Bernardes

Sou uma pequena ilha,
vivendo na solidão
do seu micro-clima,
afogando-me cada dia.

Sou uma pequena ilha,
que caminha pela rua,
alheia à dor do próximo,
insensível a tudo que não seja
minha própria necessidade.

Sou uma pequena ilha,
árida, seca e vazia,
que mata de fome e sede
a todo o que se atreva a visitar-me.

Sou uma pequena ilha
que se afoga e se perde.
Cada dia minguando,
afundando no oceano da vida.
Até quando serei uma ilha?

Claudine Bernardes

Lembre-se que A Caixa de Imaginação é o nosso instrumento de comunicação, por isso espero seus comentários e sugestões. 😉

Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho te dou…

(Para leer la publicación en Español pincha en: No tengo plata ni oro, pero lo que tengo te doy)

Emily Dickenson a Caixa de Imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Não me omitirei

Serei o martelo que golpeia a tua consciência
Te perseguirei pelas ruas e gritarei teu crime,
Te incomodarei de mil maneiras, não te darei paz.

Quanto te olhes no espelho, serei o teu reflexo,
te apontarei o dedo e te chamarei covarde,
covarde por viver só para ti, covarde por não agir,
por pensar que o pouco que faria não seria nada;
quando o teu “nada” poderia ser o tudo para alguém.

Publicarei nos jornais tua cruel omissão,
porque tuas palavras vazias e teu olhar de pena,
não alimentam a fome dos flagelados do mundo.

Te caçarei no cinema, nas lojas, na academia,
em todos os lugares onde alimentas a tua futilidade.
Te farei lembrar da mão estendida, do prato vazio,
das noites escuras de outros, que dormem sem teto,
que já não têm mais lágrimas para derramar.
(Claudine Bernardes)

a caixa de imaginação

Hoje quero falar sobre ajuda humanitária.

Interessante como nos sentimos comovidos quando vemos imagens de pessoas sendo afetadas pela guerra, a fome e as diferentes agruras que passam os seres humanos. Porém, o quê estamos fazendo a respeito? A maioria, NADA. NADA de NADA. Se cada um de nós fizesse um mínimo esforço por ajudar, mitigaríamos grandemente a dor de outros. É então quando surgem as desculpas:

Estou sem trabalho“. “Não tenho nem pra mim, como vou dar para outro!?” “Não posso fazer nada, nem consigo chegar com dignidade ao final de mês.”

Escuto essas babaquices egocêntricas e penso blábláblá… eu não… eu que… pobre de mim… Eu e meus problemas sempre como centro do mundo. Há pessoas que realmente estão MORRENDO de fome. Falemos sobre os refugiados em Síria. Conforme a UNICEF, 14 (QUATORZE) milhões de crianças estão sendo afetadas pelo conflito na Síria. Essas crianças, além dos adultos e idosos, necessitam da nossa ajuda. No Brasil existem 1,3 milhões de crianças e adolescente que trabalham, conforme Unicef.  Está também a crise de fome na África, que  já atingiu cerca de 12,5 milhões de pessoas incluindo principalmente crianças. Pensas que estou sendo negativa? Ao contrário, só busco despertar a consciência do maior número de pessoas. Se consigo uma única pessoa que atue em consequência, me sentirei vitoriosa, do contrário ainda assim sei que estou fazendo a minha parte. Agora vou te mostrar uma iniciativa para angariar fundos para Siria e depois te darei uma séria de ideias que tu podes desenvolver para que faças a tua parte.

ajuda humanitaria a caixa de imaginação
Foto de arquivo. Evento para angariar fundos.

No dia 31 de outubro (sábado passado) realizamos uma “merienda misionera”. Mais duzentas pessoas nos reunimos para angariar fundos para os refugiados de Siria. Essa foi uma iniciativa do departamento de missões da “igreja” que frequento (Centro Cristiano de Castellón). A organização era simples:

  • Uma tarde com apresentações de teatro, música e dança,
  • Venda de lanches (sanduíche e refrigerante),
  • Concurso de tortas e posterior venda das mesmas,
  • Venda de artesanatos,
  • Exposição e venda de quadros.

Não tenho ouro 3Nāo tenho ouro foto 2

Esses quadros são o resultado de uma oficina sobre criatividade que realizei com o grupo de jovens da igreja. Eles fizeram diversas fotografias e escreveram microcontos. Depois enquadrei tudo e montei a exposição. A maioria dos participantes foram adolescentes, sem trabalho e sem condições de doar nada, a parte do seu tempo e criatividade. Vendemos todos os quadros e eles se sentiram muito bem por poder ajudar aos refugiados através do seu trabalho. Por outro lado, como experiência pessoal posso dizer que me senti muito realizada porque consegui atingir dois objetivos:

  •  Ser ponto de partida: Consegui que um grupo de jovens e adolescentes colocassem em prática a criatividade e descobrissem talentos.
  • Ajudar os refugiados: Consegui promover a arrecadação de fundos para  os refugiados de Síria (ainda que o valor monetário não seja elevado).

Se eu puder aliviar o sofrimento de uma vida, ou se conseguir ajudar um passarinho que está fraco a encontrar o ninho… A vida terá valido a pena. (Emily Dickinson)

Faça a sua parte:

Agora vou anotar uma série de ações que podem despertar em você alguma ideia para ajuda humanitária:

Use os teus talentos:

Cada um de nós tem ao menos um talento, alguns possuem vários. Cantar, dançar, escrever, desenhar etc.

  1. Escrever: Nestes últimos dois meses conheci uma grande quantidade de pessoas aqui na blogsfera que possuem o talento de escrever. Se conhecer a pessoas que gostam de escrever, você pode montar um grupo de escritores que queiram editar um livro de poesia, contos, crônicas, micro-contos. Esse livro pode ser vendido em Amazon ou outra plataforma de venda de livros. Tudo isso sem gastos e o que se arrecade pode ser doado a alguma organização de ajuda humanitária.
  2. Desenho e fotografia: Não é necessário ser um grande ilustrador ou um fotógrafo famoso para fazer algo. Veja o meu exemplo, com alguns quadros, fotografias, ilustrações, textos de adolescentes, conseguimos arrecadar fundos. Você pode organizar uma exposição na escola onde estuda ou dá aula; através de uma associação; em alguma igreja, ou dentro de outro evento (como foi o meu caso).
  3. Organize um Evento: Como você viu não se necessita muito, e há muita gente com vontade de participar de coisas assim. Convide um grupo de pessoas que goste de teatro ou um grupo de teatro local; entre em contato com uma escola de dança para que faça uma apresentação; convide artistas locais que queiram doar e expor seus trabalhos.
  4. O dom de animar: Talvez você é esse tipo de pessoa com o dom da palavra, que outros escutam e buscam conselho. Anime outras pessoas a serem ativas na tarefa da ajuda humanitária.
  5. Seja um instrumento de divulgação: Divulgue campanhas de ajuda humanitária nos meios sociais onde você se move. Seja a voz dessas pessoas esquecidas.

Antes de terminar deixo a música “Onde está o seu amor?” da Lorena Chaves. É bastante apropriada para esse momento:

Se você tem outras sugestões de coisas que se possam fazer, anote nos comentários e eu as colocarei no texto informando que se trata de uma sugestão sua. Estou aberta a ideias e aceito desafios de ações para desenvolver em conjunto. O único que não aceito é a omissão. (A Caixa de Imaginação)

Lugares que me convidam a escrever: Alejandro

(Puedes leer este texto en Castellano: Lugares que invitan a escribir “Alejandro”)

Alejandro dormindo

Dorme, meu coração, porque enquanto sonhas velarei por ti. Estás tão sereno que ninguém diria que acordado tu és meu tsunami e minha alegria. Segues crescendo, meu amor, mas enquanto eu seja a tua “mamá querida” te guardarei nos meus braços e te encherei de carinhos. Já virá o dia em que terás vergonha de fazer-me mostras de afeto em público. Mas ainda assim, te olharei nos olhos e ali, escondido dentro de ti, verei todo o amor que tens por mim. Descansa entre sonhos, minha vida, e perdoa-me por todos os erros que cometi pelo caminho. Eu sei que foram muitos! No entanto, se há algo que possa dizer em minha defesa, é que me equivoquei, não por amar pouco, sim por amar intensamente e desejar que fosses o melhor de mim. Ah, “mi niño”! Não entendo como pudeste transformar toda minha vida em tão pouco tempo. Me mostraste que me falta paciência, me sobra intolerância e ainda assim me amas. Sigo aprendendo, “cariño”, porque contigo estou no caminho… espero caminhar ao teu lado durante muitos anos. Dorme, meu coração.

Alejandro piscina

Oceano

Se há um lugar que me convida a escrever, e onde encontro inspiração, esse lugar é o meu filho. Talvez você dirá que pessoas não são lugares, no entanto terei que discordar. Todas as pessoas somos lugares! Há pessoas que são oásis, enquanto outras são deserto; há pessoas lar, pousada, parada de descanso; há também pessoas ponto de partida, estão as que são ilhas enquanto outras são pontes. Alejandro é um oceano, onde às vezes sinto que me afogo por não saber nadar. É tão belo em seu azul infinito, porém no mesmo lugar onde reina beleza e calma também há tempestade e perigosos monstros marinhos. Às vezes observo meu reflexo nas suas águas e vejo que o monstro sou eu. Não é fácil ser mãe, entretanto é inspirador. Os sentimentos que experimentei, durante estes últimos cinco anos, mudaram minha forma de ver o mundo, de ver-me e de compreender as outras pessoas. Tudo isso me motivou a escrever. Não só isso! Despertou a escritora adormecida. Estou agradecida a Deus por ter colocado esse pequeno furacão na minha vida, porque nele eu vi o quanto me sobra e o quanto me falta. Te amo meu oceano!

Alejandro Paola

E para terminar, deixo umas frases que extraí de uma entrevista da grande escritora Isabel Allende. Nesse trecho ela fala sobre o processo criativo, espero que goste:

“O processo criativo é misterioso e passa num lugar do corpo e da mente ao qual não temos acesso na vida consciente. Por que uma pessoa quer escrever sobre um tema em particular? Porque é o momento. Para escrever minha primeira novela demorei 39 anos. (…)

Se vai gestando como um bebê e chega o momento em que a história está madura para nascer. Esse momento ninguém pode determinar, pode ser cinco anos, pode ser cinco minutos. (…)

Há momentos na vida que são umbral (entrada, limiar). A adolescência é um umbral (…) também está o momento em que uma mulher dá a luz e nascem os filhos. Quando a pessoa se transforma em pai ou mãe. Porque entra em outra etapa da vida.”

Lembre-se que A Caixa de Imaginação é um canal de comunicação, por isso estou esperando os seus comentários. Até breve!

Nunca havia passado tanta vergonha…

(Puedes leer esta entrada en Español pinchando aquí: Vergüenza)

Ilustração: Claudine Bernardes
Ilustração: Claudine Bernardes

Há  momentos que passamos por situações que nos fazem sentir tão envergonhados, que se pudéssemos faríamos um buraco para esconder-nos dentro. Creio que todos já passamos por situações assim.

Em uma ocasião, durante uma festa que se fazia cada ano na minha cidade, saí para passear vestida com uma saia, que consistia em um pano retangular, amarrado em volta da cintura. Era a moda do momento! Quando de repente, em meio de uma multidão de gente, o nó se desfez e… bem… a saia caiu no chão. Foi constrangedor! Acredite ou não, essa não foi a pior vergonha da minha vida.

Certa vez estava pedalando no centro da cidade, quando decidi baixar da calçada à rua. Não notei que o bueiro estava destapado, e a roda da bicicleta entrou de cheio nele. Resultado: Percebi como em câmera lenta, a roda de atrás começava a elevar-se, fazendo-me cair de cabeça no chão, agarrada ao guidão da bicicleta. Literalmente mergulhei de cabeça na sarjeta! Entretanto essa também não foi a maior vergonha que passei. Só lhes contei essas experiências, para que pudessem compreender o quanto me senti envergonhada. Agora deixemos de preâmbulos e vamos aos fatos.

Depois de anos mergulhada em uma vida sedentária, resolvi voltar a praticar mountain bike. Não foi nada complicado! Peguei minha MTB, que estava cansada de estar guardada, e busquei uma rota de ciclismo bem legal, que me levava a uma praia linda. Saia de casa bem cedinho, porque era verão e queria evitar as horas de sol mais forte. Depois de duas semanas nesse ritmo, já me sentia quase pronta para a minha primeira incursão pelas rotas de montanha.

Era um sábado pela manhã, dia em que todos os ciclistas saiam do redil. Já havia chegado à praia, que distava aproximadamente 10 quilômetros de casa, havia tomado água, descansado um pouco, e me dispunha a regressar. Quando dei a primeira pedalada, senti um frio na barriga… olhei para atrás… não podia ser! O pneu estava furado!

Você deve estar pensando: “Que bobagem! É só trocar a câmara. Afinal um ciclista sempre tem uma câmara de reserva.” Bem… eu tinha né… mas… (como dizer?) … havia deixado em casa. Pronto, falei!

Na bolsa da bicicleta (que deveria conter a câmara de reserva) levava: a chave de casa; uma bolsa estanque (porque no sábado anterior havia pegado um toró, que resultou na morte por afogamento do meu celular); e o celular, que não era de muita ajuda, porque naquele momento ninguém que eu conhecia estava disponível.

Sopesei as minhas possibilidades e resolvi regressar para casa, empurrando a bicicleta. Já falei que era sábado e que todos os ciclistas haviam saído do redil? Pois bem, antes de percorrer 300 metros, passei pelo primeiro momento constrangedor:

_ Furou o pneu? – Perguntou um cliclista que passou por mim. Respondi que sim e ele se prontificou a ajudar-me. – Se você quiser te ajudo a trocar a câmara.
_ Obrigada! Mas não tenho câmara. – O pobre me olhou com uma cara de espanto, e eu, para amenizar a situação, completei. – Não se preocupe, estou acostumada a caminhar. São apenas 10 quilômetros! De qualquer forma, obrigada! – E lá se foi minha primeira vergonha.

Durante os próximos 6 quilômetros a mesma conversa se repetiu umas 30 vezes. Porque isso sim, os praticantes de ciclismo são muito solidários! No entanto, já não aguentava repetir que havia deixado a câmara de reserva em casa. Era muita vergonha repetida para uma pessoa só. De verdade, se pudesse construiria um túnel que me levasse escondida até a minha casa.

praia espanha
Foto: Claudine Bernardes

O quê aprendi?

Aprendi que é extremamente vergonhoso não estar preparada para uma situação, a qual sabia que podia passar. Eu sabia que deveria levar sempre comigo uma câmara de reserva, mas escolhi deixá-la em casa. Isso não é falta de previsão, é burrice!

Aprendi que não adiante ter uma bicicleta maneira, estar vestida com roupa apropriada, levar capacete e luva… se não estou preparada para os problemas do caminho. A maioria dos problemas são previsíveis!

Isso vale para qualquer âmbito da nossa vida. Prever os problemas do caminho, preparar-se para enfrentá-los e atuar com prontidão nos poupará muitos constrangimentos.

Para terminar, gostaria de contar o final da história: quando faltavam uns 4 quilômetros para chegar em casa, passou por mim outro ciclista. Me fez a mesma pergunta, eu dei a mesma resposta e ele seguiu seu caminho. Regressou depois de um minuto:

_ Te proponho algo! Tenho uma câmara de reserva, podemos colocá-la na sua bicicleta e depois passamos na sua casa. Você me entrega a sua câmara de reserva e eu sigo meu caminho.
Assim fizemos! Obrigada, Victor, você me poupou outros 4 quilômetros de vergonha!

pneu furado

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um instrumento de comunicação bilateral, por isso sinta-se a vontade para fazer comentários e críticas. Um grande abraço!

Meu presente para Drummond.

(Para leer el texto en Español pincha: 31 de Octubre, el día de Drummond)

carlos drummond de andrade

Já sei! Estou uns dias atrasada, mas como prometi cumprir a minha semana de homenagem à Drummond, não poderia deixar de colocar um último post (que deveria ter subido no sábado 31), com um presente para ele.

Carlos Drummond de Andrade é um poeta que me inspira muito e o seu poema que mais gosto é “José”. Drummond tem o seu José e eu tenho a minha “Maria” e com esse poema que escrevi, quero homenagear o meu poeta preferido. Espero que gostem:

As lembranças de Maria

O que foi Maria?
Estás só?
Não tens com quem falar?
Quem imaginaria que um dia,
isso te podia passar.

Dizem que aos filhos
devemos criá-los para o mundo.
Para que possam as oportunidades aproveitar.
Mas, onde estava o mundo,
quando os teus cinco filhos tiveram catapora,
e tu sozinha os cuidaste,
passando as noites em claro?

Ah, Maria! Me das pena.
A vida mudou,
não há ninguém ao teu lado.
Estás velha, doente e sozinha,
e ninguém quer te cuidar.

Lembras quando eras
o centro das atenções?
Quando o mundo
giraba ao teu redor?
Naqueles tempos eras feliz
e não sabias, Maria.

Barulho por toda a casa,
as crianças te seguindo por todos os lados,
te faziam mil perguntas,
como se tivesses todas as respostas.
Estavas sempre ocupada,
muitas vezes te sentias agoniada,
e até em desaparecer pensavas.

Lembras como eras forte,
decidida e cheia de vida?
Sei que lembras Maria.
Porque o único que te resta,
o que te faz companhia,
são as lembranças da tua antiga vida.
(Claudine Bernardes)

Sei que “José” é um poema muito conhecido, porém não poderia deixar de colocá-lo nesta publicação.

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Escutar a poesia interpretada pelo seu autor é um privilégio. E Carlos Drummond de Andrade nos deu um presente duplo ao escrever e declamar esse poema. José, na voz de Drummond:

“José” também virou música na voz de Paulo Diniz:

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Com isso terminamos oficialmente a semana de Homenagem à Drummond da “A Caixa de Imaginação“. Obrigado pela sua companhia e faça os seus comentários. Será um prazer e uma alegria respondê-los.

Amor e como Drummond o transforma em poema

homenagem claudine bernardes

Sui géneris

É exatamente assim que vejo o amor nos poemas de Drummond “sui géneris”. É um amor corriqueiro, do dia a dia, sem tantas palavras floreadas. Não sofre desesperadamente pelo amor perdido, porque compreende que o verdadeiro amor nunca se perde, nunca vai embora e não abandona, porque “amor é bicho instruído”, pula o muro e sobe na árvore, se estrepa e se levanta.

O MUNDO É GRANDE

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Para Drummond o Amor é algo que se vive, não algo que se passa a vida aspirando senti-lo. Amor é graça, presente, um altruísmo.

AS SEM-RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor

O amor era uma temática constante nas poesias de Carlos Drummond de Andrade.

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Agora os deixo com alguns poemas sobre o amor interpretados por diversas pessoas:

O poema sobre o amor onde Drummond floreia um pouco seu conteúdo:

AMOR
1985 – AMAR SE APRENDE AMANDO

O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e sentido.

“Amor” – eu disse – e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim.

O que você pensa sobre as poesias de amor escritas por Drummond? Espero os seus comentários. Até breve

O Poeta aos olhos de Drummond

(Para leer el texto en Español pincha: El poeta bajo los ojos de Drummond)

homenagem a Drummond Claudine Bernardes

NOTA SOCIAL

O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos…
O poeta está melancólico.

Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.

O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.
(Carlos Drummond de Andrade)

Homenagem a Drummond Claudine Bernardes
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Escute esse lindo poema de Drummond com o sotaque português de José Maria Alves:

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