Foto de Arquivo: Claudine Bernardes Lugar: Desierto de ls Palmas, Castellón de la Plana
No Meio do Caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade)
Drummond nos deixou bastante claro que no meio do seu caminho tinha uma pedra. Porque sempre há pedras no caminho, no meu, no teu, no vosso, sempre há pedras.
Outro dia enquanto pedalava encontrei uma pedra no meio do caminho. A resposta foi rápida, a escolha fácil: desviei da pedra. Há pedras que podem ser desviadas, porque o caminho é largo e bem asfaltado. Entretanto, há momentos em que o caminho é um verdadeiro pedregal, então qual é a opção? Desistir da caminhada e dar meia volta com o rabo entre as pernas? Sim, essa é uma opção. Quem nunca desistiu que atire a primeira pedra! Porém, não podemos viver constantemente dessa maneira, porque sempre haverá um caminho pedregoso para vencer, uma montanha para escalar, um rio para cruzar.
Quando entrarmos em caminhos pedregosos, lembremos que as pedras que não podem ser removidas ou desviadas, poderão ser escaladas, porque Deus nos criou com mãos e pernas para escalar. Também tenha em conta que estes caminhos pedregosos geralmente são os que nos conduzem aos lugares mais lindos. Quem como eu gosta de caminhar ou pedalar entre as montanhas, sabe que a subida é muito cansativa, cheia de pedras, buracos, encostas íngremes e escorregadias. Mas não deixamos de enfrentar esses árduos caminhos, porque é ali, entre pedras, espinhos e suor, onde nos sentimos mais perto do nosso Criador.
entrada: A pedra e o caminho. Foto de Arquivo: Claudine Bernardes lugar: Desierto de las Palmas
Seria ótimo receber a sua opinião ou sugestão. “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral, sinta-se a vontade para fazer parte do nosso blog.
Ilustração: Claudine Bernardes. Amapolas de cerámica na Torre de Londres.
Amapolas de Cerâmica
_Mãe, onde está papai?
_ Está longe, meu amor, em outro país, lutando pela nossa liberdade.
A mulher tentava não chorar, enquanto o filho a olhava com dúvidas, sem entender o que significavam aquelas palavras. “Quando se haviam tornado escravos?” – Pensou o pequeno, no entanto preferiu não dizer nada
_ Mãe, quando o papai vai voltar? – Ele já estava cansado de esperar. Queria brincar com seu pai, receber seu abraço, e perguntar-lhe se da luta havia resultado a liberdade.
_ Logo, meu amor, logo. – Respondeu a mãe, tentando conter as lágrimas.
No entanto, quando o pai chegou, não era o que a criança esperava. Curioso, o menino caminhou ao redor da grande caixa coberta pela bandeira do seu país. Por que seu pai estava ali dentro? Queria brincar de esconde-esconde?
_ Você pode sair, papai! – Gritou, esperando que o pai saísse do esconderijo com seu grande sorriso. – Sei que você está aí! – Mas não houve resposta.
A mãe, com a voz trêmula, abraçou-o e lhe disse baixinho.
_ Papai não vai acordar, e não sairá desta caixa. Ele morreu como um herói.
Essas palavras deixaram o menino ainda mais cheio de dúvidas. “Os heróis não morrem! Eles estão sempre aí para livrar-nos de problemas” Desejou gritar, mas ao levantar seus olhos, uma multidão de olhares de pena o fizeram calar.
O menino se tornou homem, pai e depois avô. Um dia, andando com seu neto pelas ruas de Londres, um mar vermelho das amapolas de cerâmica chamou a atenção de ambos. Elas caiam como uma cachoeira de sangue pela janela da torre, espalhando-se ao redor da grande muralha.
O Homem, indicando uma flor, disse:
Você vê essa flor ali? A que está mais distante das outras?
_ Sim, vovô, a vejo. O que é?
_ Essa flor foi um soldado que lutou pela liberdade, um herói que morreu com honra … e ainda que para muitos é apenas uma flor de porcelana, para mim sempre será o pai que amava, mas que não pode ver-me crescer.
Em muitos a guerra produz uma mistura de sentimentos, confusão. No meu caso não é diferente. Claro, eu não gosto de guerras. No entanto, enquanto no coração humano habitar o ódio, orgulho, arrogância e egoísmo, continuará havendo guerras. Guerra dos que querem conquistar e guerra dos que desejam defender. Escrevi estes dois textos porque me senti impactada pela imagem que vi na Torre de Londres.888. 246 flores de cerâmica, cada uma representando um britânico que caiu na Segunda Guerra Mundial.
Amapolas na Torre de Londres
As flores caiam como cascata pela janela, recordando aqueles caíram para defender a liberdade. Sua ausência deixou um profundo vazio no coração dos que os amavam. Flores sem nome, lembrança escarlata, como o sangue dos caídos pela liberdade.
Deixo algumas frases sobre guerra, para que meditemos:
“Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra.” Bob Marley
Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.
“Nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim.” Benjamin Franklin
Ninguém ganhou a última guerra nem ninguém ganhará a próxima. Eleanor Roosevelt
E você, o quê pensa? Espero a sua opinião e comentários. Você pode compartilhar esse texto e assim saber o que pensam os seus amigos também. Obrigada por passar pela “Caixa de Imaginação”. Até breve. 😉
Chegou o momento. Pego o capacete e a minha incansável companheira de aventuras de duas rodas, e saio com rumo certo. Hora e meia, nem mais nem menos. Durante este tempo meus músculos se misturam com a engrenagem da bicicleta. Ela e eu nos transformamos em uma. Pernas e rodas, músculos e rolamentos se encaixam perfeitamente e posso voar. Me perco entre laranjais, desafio as montanhas e não me dou conta da gravidade. Sou apenas eu, sentindo o ar contra a cara. Sou apenas eu. Não sou mãe, não sou esposa, não sou mulher. Não se trata de um desafio, e tão pouco tenho metas a alcançar; é apenas o usufruto da vida em si mesma. Enquanto voo entre laranjais, montanhas e caminhos rurais, ninguém me nota. Ninguém me observa, à parte do meu Criador. E sei que ele sorri enquanto me vê, porque sabe que este “eu”, como todas as outras partes de mim, também é feliz.
Atividade de Desconexão
Hora e meia é o tempo que tenho, pela tarde, entre que deixo o meu filho no colégio e que tenho que voltar para buscá-lo. Aproveito esse tempo, três vezes por semana, para desconectar-me dos afãs do dia a dia. E na verdade me ajuda muito. Decidi compartilhar essa experiência, porque notei que desde que realizo essa atividade, me sinto muito melhor. Eu a chamo ATIVIDADE DE DESCONEXÃO, porque me ajuda a desconectar-me dos problemas e oxigenar o cérebro. É possível que penses que escrever já te ajude a desconectar, no entanto, te garanto que fazer uma atividade ao ar livre te ajudará ainda mais.
Desde que faço essas “escapadas” me sinto mais criativa e tenho menos stress. Além disso até o meu marido notou os efeitos. Me comentou que a relação familiar melhorou e que me nota menos cansada, e que enfrento melhor os problemas do dia a dia. Por isso te animo a fazer uma atividade de desconexão ao ar livre.
Também aproveito esse tempo para fazer algumas fotografias. Te deixo algumas para que vejas como é linda Castellón:
Praia de BenicassimDesierto de las PalmasLaranjais prontos para a colheita, a dez minutos de bicicleta da minha casa.Ovelhas no Rio Seco de Castellón. Demorou, mas por fim consegui fazer a foto que queria. Persegui essas ovelhas durante meses. O pastor as leva a pastar em muitos lugares diferentes.
Gostaria de saber se tens alguma atividade de desconexão ao ar livre. Não te esqueças que A Caixa de Imaginação é um instrumento de comunicação bilateral, por isso espero teus comentários.
(Para leer el texto en Español, pincha en: Cazador de mí)
Fotografia de arquivo: Claudine Bernardes
Caçador de mim
Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim
Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim
(Milton Nascimento)
“Identidade”, a busca nossa de cada dia
Me lembro quando era só uma adolescente e li por primeira vez essa poesia. Sim, porque na época ainda não a conhecia como uma canção (clica para escutar a canção). Me senti imediatamente identificada. Sei que não sou a única, porque essa canção fala muito da condição humana: Somos caçadores de identidade.
Vivemos a intensa busca de algo que ainda não descobrimos o que é. Buscamos por nodos os lados, debaixo de cada pedra, em cada canto, nas gavetas escondidas e lugares desconhecidos. Não sabemos exatamente o que é, e não deixaremos de buscar. Entretanto, sabemos que nos falta algo. Nos sentimos como um quebra-cabeça ao qual lhe falta uma peça, aquela peça definitiva que dará sentido a tudo, que deixará coerente o conjunto.
Sei que muitos não estarão de acordo comigo, porém, creio com todo o meu coração que o “homem tem um vazio do tamanho de Deus”, como uma vez disse Dostoiévski. Creio que ao “homem” (gênero humano) lhe falta essa identificação com o eterno. Buscamos incansavelmente por essa eternidade perdida, porque Deus colocou o desejo de eternidade no nosso coração. Sabemos que um dia vamos morrer, porém isso não nos parece natural. A vida é natural, porque fomos criados para a eternidade. Onde a encontramos? Onde ela estará escondida?
Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez. Eclesiastes 3:11
Qual é a sua opinião? Sinta-se livre para comentar, para complementar meu pensamento ou discordar completamente. Só quero saber o que você pensa.
(Para leer el texto en Castellano pincha en: Cambios)
Fotografia de Arquivo: Claudine Bernardes
Mudanças
A mesma de ontem?
Não, jamais volterei a ser.
Porque a pessoa de ontem
morreu quando dormi.
Hoje acordei um pouco diferente,
um pouco transformada.
Sou uma variação da pessoa de ontem,
uma nueva versão.
Ainda que a mudança seja pequena,
para alguns imperceptível,
te garanto…
não sou a mesma.
Choro mais nos filmes,
menos nos velórios.
Minhas perdas são menos sofridas.
No entanto, a pessoa de hoje
sofre mais com a perda alheia.
Insólito, verdade?
Confesso, gosto de mudar.
Gosto de “morrer-me para mim”
cada dia.
Porque assim, tenho a oportunidade
de voltar a tentar.
Bom, hoje já falei demais
e vivi o suficiente.
Chegou a hora!
A pessoa de hoje deve morrer.
(Claudine Bernardes)
Ano novo, mudanças e recomeços.
Acredito piamente na oportunidade diária de recomeçar, de mudar e de voltar a tentar. Amo cada dia, cada segunda-feira e cada ano novo, porque são sinônimos de esperança de que coisas novas podem passar.
Entretanto, sei que cada um de nós deve ser dono das oportunidades diárias que Deus nos brinda para melhorar como pessoa. Não podemos deixar que os dias passem sem que ocorram mudanças necessárias em nosso caráter. Essa é nossa responsabilidade. Infelizmente vejo pessoas que durante sua juventude eram adoráveis, cheias de esperança e fé, porém com o passar dos anos elas permitiram que esses bons sentimentos morressem nas suas vidas. Se tornaram em pessoas piores, tristes, mesquinhas. Creio que todos os dias devemos morrer, e voltar a nascer como uma pessoa melhorada, revigorada cheia de esperança, ainda quando tempo esteja nublado.
Te peço que faça esse exercício comigo.Observa-te no espelho e faça essas perguntas:
Como é essa pessoa de hoje? Já foi melhor? O que perdeu pelo caminho? Perdeu a fé, o amor próprio, a esperança? Que maus hábitos acreditas que hoje devem morrer quando dormires?
Lembre-se que todos os dias temos a oportunidade de mudar, porém nem todas as pessoas que estão na nossa vida esperarão as mudanças. Além disso, haverá um dia em que O DIA terminará para nós.
Fotografia e texto: Claudine Bernardes
Estás de acordo com essa reflexão? Espero receber o teu comentário. Obrigada por passar pela minha “A Caixa de Imaginação”. Até breve 😉
O pobre passarinho está preso na gaiola.
Dão-lhe de beber e dão-lhe de comer.
Esperam que cante…
mas, cantar o quê?
Cantar de como é triste a sua prisão?
Que suas asas doem e deseja sua libertação?
O pobre passarinho está preso em sua triste gaiola,
feita de tijolo e revestida de cimento.
Dão-lhe de comer, dão-lhe de beber,
ensinam-lhe a ler.
O triste passarinho já nasceu numa jaula.
Entretanto, ainda é pássaro e anela voar.
Sem perder a determinação,
suas frágeis asas chocam-se
constantemente contra a prisão.
O pequeno pássaro deseja fugir da estreita
gaiola revestida de cimento,
por isso molesta, protesta,
mas ninguém lhe presta atenção.
Inscrevem-lhe em atividade extraescolar,
talvez assim deixe de importunar.
Com a mente cansada e a asa quebrada
o pobre passarinho cai rendido,
mas, ainda assim, não desistiu de voar.
(Claudine Bernardes)
As vezes sinto que estou criando um pássaro numa gaiola de concreto.
Brincar é a atividade mais importante para as crianças.
Não se trata somente de diversão, é também uma maneira de desenvolver-se e de aprender. Segundo o artigo de Melinda Wenner Moyer, na revista “Mente y Cerebro” nº 46 (A importância de brincar),
“A brincadeira estimula a inteligência e reduz o stress. Além disso, de acordo com diversos estudos realizados, a falta da brincadeira na infância, junto com o maltrato, constituem duas variáveis que deterioram o desenvolvimento.”
Lembro-me que de pequena, brincar era o centro da minha vida. Sozinha, com os irmãos, primos ou vizinhos, nos sobrava tempo e o bairro era o nosso jardim de jogos. Estudava? Claro que sim! No entanto tínhamos a liberdade de fazer o que quiséssemos com o nosso tempo livre. Eram outros tempos, não nego. Hoje em dia as crianças já não vivem com tanta liberdade, principalmente aqui na Espanha, onde a maioria das famílias vivemos em edifícios. Soma-se a esta realidade o fato de que na maioria das famílias, ambos pais trabalham e as crianças devem passar cada vez mais tempo ocupadas. Começam a estudar cada vez mais jovens (meu filho aos quatro anos já sabia ler), e para ocupar o tempo são matriculados em diversas atividades extraescolares.
Você pensa que estou exagerando?
Conheço a muitas crianças que chegam no colégio às 8h da manhã (algumas antes), almoçam lá, e as 17h, quando termina a aula, devem participar de inúmeras atividades extraescolares (dança, patinagem, futebol, piscina, matemática etc.). Depois dessa frenética atividade diária, a pobre criança chega em casa e ainda deve fazer os deveres, estudar para provas, jantar, tomar banho e cair rendida de sono… porque no dia seguinte começa tudo outra vez.
É como se cada momento da vida da criança devesse estar programado. Ocupar o tempo dos filhos com qualquer coisa, virou uma obsessão na cabeça dos pais.
Sobre isso, Melinda Wenner Moyer adverte que
“Atualmente os pais priorizam para seus filhos as atividades estruturadas, deixando pouca margem para brincadeiras e jogos livres, os quais beneficiam a criatividade, a cooperação e a conduta social.”
O quê podemos fazer para ajudar as nossas crianças?
Como mãe gostaria que meu filho tivesse uma infância tão feliz como a minha, porém, sou consciente de que não lhe posso dar algo igual. O poema e a imagem que aparecem nesse post, foram feitos por mim para lembrar-me sobre a minha responsabilidade quanto à felicidade do meu filho. E para que isso não caísse no esquecimento, coloquei a imagem num quadro e a pendurei na parede, em frente da minha mesa de trabalho.
Outra coisa que fizemos (meu marido e eu) foi criar algumas regras de conduta que nos ajudariam a não manter nosso filho em uma jaula:
1 – A educação do nosso filho é nossa responsabilidade: Hoje em dia a maioria dos pais delega ao estado a responsabilidade sobre a educação de seus filhos. O colégio é um apoio, porém, como pais decidimos estar sempre envolvidos na sua educação, essa é nossa responsabilidade. Dessa forma, nosso pequeno passa no colégio somente o tempo essencial e obrigatório.
2 – Brincar sem outras pretensões: Brincar por brincar, fazendo suas escolhas, bagunçando toda a casa se é necessário (com a responsabilidade de organizar seus brinquedos depois que termine de brincar).
3 – Ir ao parque: não temos jardim, e nosso edifício não tem área de jogos, por isso nos esforçamos por levá-lo ao parque com frequência. Ali pode brincar com outras crianças, inventar mundos entre as árvores e despertar sua imaginação.
4 – Atividade extraescolar limitada: decidimos que somente lhe matricularemos em uma atividade extraescolar, a qual será escolhida levando em conta as suas preferências.
5 – Brincar com a imaginação e reforçar a concentração: Nosso pequeno tem dificuldade em concentrar-se, por isso utilizamos jogos lúdicos que fomentam a concentração (ludo, jogo da velha, Oca etc.), além disso buscamos fazer trabalhos manuais em família e criamos nossas próprias histórias infantis.
Sou consciente, que tentando ser bons pais já cometemos muitos erros. Muitos dias serão duros outros nem tanto, porém nunca desistiremos de dar o melhor, para que o nosso filho sinta-se amado da mesma forma como nos sentimos amados pelo nosso Criador.
Se você entende o Espanhol, recomendo que veja esse vídeo:
Seria ótimo receber a sua opinião ou sugestão. A Caixa de Imaginação é um instrumento de comunicação bilateral, sinta-se a vontade para fazer parte do nosso canal. 😉
(Uma homenagem à Navegantes e aos que fizeram parte da minha infância)
Ilustração: Claudine Bernardes
Quando eu era pequena, e as crianças ainda voavam livres pelas ruas da cidade, buscávamos aventuras em todas as esquina. Cada casa abandonada nos parecia um mundo desconhecido, cheio de mistérios a decifrar. Os terrenos baldios, que naquela época abundavam, eram países longínquos para onde sonhávamos viajar. Inclusive a vala que passava atrás de casa, foi transformada em um caudaloso rio onde, um dia, cheia de boas intenções, tentei ajudar minha irmã pequena a cruzá-la, e sem querer a joguei de cabeça no esgoto. Que dias aqueles!
Perto de onde vivíamos havia uma casa velha, rodeada de árvores, onde uma vez Papai Noel veio passar as férias. Ele tinha a barba longa e um sorriso simpático. Quando o vimos soubemos que se tratava do “bom velhinho“. Nos pareceu estranho que sua pele não fosse tão clara e que não tivesse a bochecha tão rosada como víamos na televisão. Mas claro que isso tinha uma explicação! Aliás, nossa mente fértil encontrava explicação para qualquer assunto que não tivesse lógica. A solução era simples! Era verão e estávamos em uma cidade da costa do Brasil, portanto era natural que até Papai Noel estivesse um pouco mais moreno. Outro problema era que ao nosso Papai Noel lhe faltava o barrigão. Entretanto, para isso também havia uma solução. Pensemos, era verão, férias e o “bom velhinho” acostumado com o clima congelante do Polo Norte, havia suado tanto em nossa cálida terrinha, que acabou emagrecendo. Mas a grande incógnita, o que realmente não podíamos compreender, e uma resposta que nem mesmo a nossa imaginação podia criar, era o porquê ele havia elegido Navegantes como lugar de descanso. Sim, porque sempre pensamos que nossa cidade não estava no seu mapa, já que dias antes de Natal, encontrávamos nossos singelos presentes, escondidos em algum lugar de casa. Hoje, olhando para o passado penso que encontrei a resposta. Era natural que ele escolhesse a nossa humilde terrinha para passar as férias, já que poucas crianças o reconheceriam, porque de fato no Natal ele nunca aparecia por ali.
Ilustração: Claudine Bernardes
Desde então passaram muitos natais. Já não sou mais uma menina correndo pelas ruas da minha cidade. Na verdade estou bem longe do meu mágico lugar de infância. Mas ainda conservo minha imaginação. Ainda busco aventuras em castelos, princesas em torres e espreito nas casas abandonadas.
Foto de arquivo: Claudine Bernardes
Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral. Será gratificante receber seus comentários e ideias. Se gostou, por favor, compartilhe! (En “La Caja de Imaginación” puedes leer también el post en Español: Papá Noel de vacaciones cerca de casa)
Foto de arquivo: Claudine Bernardes. Mostra de Arte Contemporânea de Castellón.
Na semana passada participei em uma oficina sobre como buscar respostas criativas aos problemas (organizado dentro da “Feria Internacional de Arte Contemporáneo de Castellón”). Escutei bastante, aprendi algumas coisas e somando aqui e ali, juntei tudo no que agora compartilharei com você.
Tenho certeza que, ao tentar dar um conselho a alguém que passava por um problema, você já escutou: “Você pensa assim porque não está na minha pele, só eu sei pelo que estou passando”. E também tenho certeza que você mesmo já pensou assim.
É importante “colocar-se na pele” de outras pessoas e tentar ver com os seus olhos para compreender seus sentimentos. No entanto, quando se está passando por um problema, o melhor é “sair da pele”. O que é isso? Quando você estiver passando por um problema, saia do olho do furacão, tente ver a situação desde fora, com outra perspectiva. Isso não significa deixar de lado o problema, ao contrário. É importante ter uma visão geral, uma vista panorâmica que o ajude a encontrar a saída.
Contarei uma experiência que vivi, para que você possa compreender melhor o que estou tentando explicar.
Foto de arquivo. Campeonato de Escalada Esportiva. Ano: 1999. Rio do Sul/SC.
Há anos, quando ainda escalava, fui com meu amigo Michel Aymone em um campeonato de escalada esportivas. Fazia pouco tempo que praticava esse esporte e nunca havia escalado em muro artificial, assim que imagine a situação. Michel, além de ser meu amigo de infância, era também meu fiel companheiro de aventuras e instrutor.
“Claudine, você deve ler a via. Observe as agarras de perto e depois se afaste. Faça um croqui mental de cada passada, escale a via na sua cabeça, pense na posição dos pés e das mãos, só assim você vai alcançar o topo.” Me aconselhou Michel.
Quando a via estava pronta e chamaram todas as competidoras para fazer a leitura da via, percebi que me sentia perdida. Não conseguia concentrar-me ao ponto de “ler a via” desde a primeira agarra até a última. Estava nervosa, porque me sentia dentro do olho do furacão. Tudo girava! E para piorar, a primeira passada não ajudava. As duas primeiras agarras para as mãos não estavam distantes uma da outra, mas a terceira era impossível. Tentei fazer a passada mentalmente, no entanto percebi que meu braço não a alcançaria. Foi então que observei como outra garota lia a via. Ela era muito mais experiente que eu, se notava. Percebi como simulava o movimento inicial dos braços com as mãos cruzadas. Ou seja: ao invés de pegar a agarra da direita com a mão direita e a da esquerda com a mão esquerda, ela havia invertido os braços. Com essa técnica conseguiria alcançar a seguinte agarra, sem a necessidade de fazer a troca de mãos, que poderia resultar numa queda. E é lógico que eu copiei a solução!
Encontrar-se com problemas faz parte do percurso da vida. Inclusive, já falei sobre isso no Post “O caminho e a Pedra”. Fugir deles nem sempre é uma opção. Fernando Pessoa deixou registrado no seu “Livro do desassossego” uma frase que gosto muito:
“Trago comigo as feridas de todas as batalhas que evitei.”
Se você não quer ou não pode evitar essa batalha, deixo umas pequenas dicas que podem ser de ajuda:
Tranquilize-se: entrar em desespero só vai piorar a situação. Bastante óbvio, no entanto, pouco praticado.
Saia do olho do furacão: afaste-se do problema, tente vê-lo desde longe, com outras perspectivas. Imagine que não é você quem está passando por este problema, e sim outra pessoa que você conhece. Que conselho você lhe daria?
Busque soluções alternativas: é um engano pensar que só há uma solução. Seja criativo! Uma solução que num princípio parece absurda, pode ser a resposta que você está buscando.
Peça ajuda: é importante contar com a ajuda de outras pessoas. Nem sempre elas poderão dar uma resposta ao seu problema, porém lembre-se que todo corredor de maratonas tem alguém de apoio para entregar-lhe água durante o caminho.
Observe outros que passaram pelo mesmo problema: aprender com a experiência de outros é uma atitude de sábios.
Escreva a sua própria sugestão: pense em como você enfrenta os problemas, observe as suas debilidades e fortalezas. Nem sempre uma solução que lhe ajudou em outro momento, servirá agora. Uma visão pobre gera respostas pobres. Seja amplo, ampliando a sua visão.
Foto de arquivo: Claudine Bernardes. Lugar: Villafamés (Espanha) Setembro de 2015.
Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral. Será gratificante receber seus comentários e ideias. Se gostou, por favor, compartilhe! (Puedes leer esta entrada en español: Seis consejos para encontrar respuestas creativas a los problemas)