Você está criando pássaros em gaiola de concreto?

(Para leer el texto en Español pincha en: Pájaro en jaula de concreto)

pássaro na A Caixa de Imaginação
Ilustração: Claudine Bernardes

O passarinho na gaiola de concreto

O pobre passarinho está preso na gaiola.
Dão-lhe de beber e dão-lhe de comer.
Esperam que cante…
mas, cantar o quê?
Cantar de como é triste a sua prisão?
Que suas asas doem e deseja sua libertação?

O pobre passarinho está preso em sua triste gaiola,
feita de tijolo e revestida de cimento.
Dão-lhe de comer, dão-lhe de beber,
ensinam-lhe a ler.

O triste passarinho já nasceu numa jaula.
Entretanto, ainda é pássaro e anela voar.
Sem perder a determinação,
suas frágeis asas chocam-se
constantemente contra a prisão.

O pequeno pássaro deseja fugir da estreita
gaiola revestida de cimento,
por isso molesta, protesta,
mas ninguém lhe presta atenção.

Inscrevem-lhe em atividade extraescolar,
talvez assim deixe de importunar.
Com a mente cansada e a asa quebrada
o pobre passarinho cai rendido,
mas, ainda assim, não desistiu de voar.
(Claudine Bernardes)

As vezes sinto que estou criando um pássaro numa gaiola de concreto.

Brincar é a atividade mais importante para as crianças.

Não se trata somente de diversão, é também uma maneira de desenvolver-se e de aprender. Segundo o artigo de Melinda Wenner Moyer, na revista “Mente y Cerebro” nº 46 (A importância de brincar),

“A brincadeira estimula a inteligência e reduz o stress. Além disso, de acordo com diversos estudos realizados, a falta da brincadeira na infância, junto com o maltrato, constituem duas variáveis que deterioram o desenvolvimento.”

Lembro-me que de pequena, brincar era o centro da minha vida. Sozinha, com os irmãos, primos ou vizinhos, nos sobrava tempo e o bairro era o nosso jardim de jogos. Estudava? Claro que sim! No entanto tínhamos a liberdade de fazer o que quiséssemos com o nosso tempo livre. Eram outros tempos, não nego. Hoje em dia as crianças já não vivem com tanta liberdade, principalmente aqui na Espanha, onde a maioria das famílias vivemos em edifícios. Soma-se a esta realidade o fato de que na maioria das famílias, ambos pais trabalham e as crianças devem passar cada vez mais tempo ocupadas. Começam a estudar cada vez mais jovens (meu filho aos quatro anos já sabia ler), e para ocupar o tempo são matriculados em diversas atividades extraescolares.

Você pensa que estou exagerando?

Conheço a muitas crianças que chegam no colégio às 8h da manhã (algumas antes), almoçam lá, e as 17h, quando termina a aula, devem participar de inúmeras atividades extraescolares (dança, patinagem, futebol, piscina, matemática etc.). Depois dessa frenética atividade diária, a pobre criança chega em casa e ainda deve fazer os deveres, estudar para provas, jantar, tomar banho e cair rendida de sono… porque no dia seguinte começa tudo outra vez.

É como se cada momento da vida da criança devesse estar programado. Ocupar o tempo dos filhos com qualquer coisa, virou uma obsessão na cabeça dos pais.

Sobre isso, Melinda Wenner Moyer adverte que

“Atualmente os pais priorizam para seus filhos as atividades estruturadas, deixando pouca margem para brincadeiras e jogos livres, os quais beneficiam a criatividade, a cooperação e a conduta social.”

O quê podemos fazer para ajudar as nossas crianças?

Como mãe gostaria que meu filho tivesse uma infância tão feliz como a minha, porém, sou consciente de que não lhe posso dar algo igual. O poema e a imagem que aparecem nesse post, foram feitos por mim para lembrar-me sobre a minha responsabilidade quanto à felicidade do meu filho. E para que isso não caísse no esquecimento, coloquei a imagem num quadro e a pendurei na parede, em frente da minha mesa de trabalho.

Meu escritorio

Outra coisa que fizemos (meu marido e eu) foi criar algumas regras de conduta que nos ajudariam a não manter nosso filho em uma jaula:

1 – A educação do nosso filho é nossa responsabilidade: Hoje em dia a maioria dos pais delega ao estado a responsabilidade sobre a educação de seus filhos. O colégio é um apoio, porém, como pais decidimos estar sempre envolvidos na sua educação, essa é nossa responsabilidade. Dessa forma, nosso pequeno passa no colégio somente o tempo essencial e obrigatório.

2 – Brincar sem outras pretensões: Brincar por brincar, fazendo suas escolhas, bagunçando toda a casa se é necessário (com a responsabilidade de organizar seus brinquedos depois que termine de brincar).

3 – Ir ao parque: não temos jardim, e nosso edifício não tem área de jogos, por isso nos esforçamos por levá-lo ao parque com frequência. Ali pode brincar com outras crianças, inventar mundos entre as árvores e despertar sua imaginação.

4 – Atividade extraescolar limitada: decidimos que somente lhe matricularemos em uma atividade extraescolar, a qual será escolhida levando em conta as suas preferências.

5 – Brincar com a imaginação e reforçar a concentração: Nosso pequeno tem dificuldade em concentrar-se, por isso utilizamos jogos lúdicos que fomentam a concentração (ludo, jogo da velha, Oca etc.), além disso buscamos fazer trabalhos manuais em família e criamos nossas próprias histórias infantis.

Sou consciente, que tentando ser bons pais já cometemos muitos erros. Muitos dias serão duros outros nem tanto, porém nunca desistiremos de dar o melhor, para que o nosso filho sinta-se amado da mesma forma como nos sentimos amados pelo nosso Criador.

Se você entende o Espanhol, recomendo que veja esse vídeo:

Seria ótimo receber a sua opinião ou sugestão. A Caixa de Imaginação é um instrumento de comunicação bilateral, sinta-se a vontade para fazer parte do nosso canal. 😉

A Máquina do tempo: Um disco para ler e um livro para escutar.

(Para leer la publicación en Español pincha en: La máquina del tiempo)

“A memória, nossa máquina do tempo, guarda segredos, dívidas e palavras. Também fabrica ilusões e desejos que não medem consequências, caminhando pela fina linha que separa a nostalgia dos sonhos.”
(Juan Carballo)

Juan Carballo

Não, o título não está equivocado. É exatamente assim “A máquina do tempo”, escrita, composta, declamada e cantada por “Juan Carballo”.

Não sou crítica musical ou literária, e explicar a beleza dessa obra (porque considero esse trabalho uma obra de arte) é uma tarefa difícil. Mas te peço, querido leitor, que escute a melodiosa composição de poesia-musical realizada por Juan Carballo. O autor é de origem galega ou seja, sua família procede de Galícia (Galiza), que está no norte de Espanha e divisa com Portugal. Por essa razão você observará que suas composições estão no idioma “gallego” (Língua Galega). Na verdade não é difícil de compreender, porque, na minha opinião, a Língua Galega é o idioma que possui mais semelhança com o português.

“A Máquina do Tempo” além de estar formada por melodiosas canções, poesias profundas e vozes que acompanham perfeitamente a intenção dos textos, também se completa com belas ilustrações de Nuria Díaz.

A maquina do tempo3

 Na minha opinião as ilustrações completam e aportam muito valor ao livro/disco.

máquina tempo 2

Agora, escutemos um pouco do seu trabalho em audio:

Para conhecer um pouco mais sobre Juan Carballo você pode entrar no seu site ou blog.

Então, qual a sua opinião? Já havia escutado alguma música na língua galega? Espero seus comentários. 😉

“Mi gozo en un pozo”. Escolho a alegria.

(Para leer el texto en Español pincha en: Elijo la alegría)

mulher cansada claudine bernardes
Ilustração: Claudine Bernardes

A Ambição Superada

“Certo dia uma rica senhora viu, num antiquário, uma cadeira que era uma beleza. Negra, feita de mogno e cedro, custava uma fortuna. Era, porém, tão bela, que a mulher não titubeou – entrou, pagou, levou para casa.
A cadeira era tão bonita que os outros móveis, antes tão lindos, começaram a parecer insuportáveis à simpática senhora. (Era simpática).
Ela então resolveu vender todos os móveis e comprar outros que pudessem se equiparar à maravilhosa cadeira. E vendeu-os e comprou outros.
Mas, então a casa que antes parecia tão bonita, ficou tão bem mobilada que se estabeleceu uma desarmonia flagrante entre casa e móveis. E a senhora começou a achar a casa horrível.
E vendeu a casa e comprou uma outra maravilhosa.
Mas dentro daquela casa magnífica, mobilada de maneira esplendorosa, a mulher começou, pouco a pouco, a achar seu marido mesquinho. E trocou de marido.
Mas mesmo assim não conseguia ser feliz. Pois naquela casa magnífica, com aqueles móveis admiráveis e aquele marido fabuloso, todo mundo começou a achá-la extremamente vulgar.”  (Millor Fernandes)
Hoje em dia, vivemos em um mundo que corre a um ritmo acelerado. Se as coisas não são feitas como queremos, desejamos ou esperamos nosso “gozo por un pozo”, ou seja, perdemos a alegria. Não se trata de sentir-se uma pessoa infeliz, não se trata de insatisfação, é mais uma infantilidade, egoísmo, frustração insana.
 
Compartilho isso com você desde minha experiência pessoal. Me considero uma pessoa feliz, bem resolvida, tenho uma família linda, porém… ai ai os “poréns” da vida. Por que sempre tem um porém no meio de uma história feliz?
Comecei a perceber que em um momento estava no auge da alegria, e no minuto seguinte, por uma bobagem me sentia jogada no chão. Perdia a minha alegria por qualquer besteira. Foi então que me olhei no espelho e me senti tão vulgar e fútil como a simpática mulher da história de Millor Fernandes.
O que observei?
1. Me afogava num copo de água: Dava muita atenção aos pequenos problemas, e tendo em vista que os pequenos problemas são constantes, eu constantemente me frustrava.
2. Armava batalhas por besteiras: Transformava pequenas lutas em circunstâncias bélicas. Maximizava os problemas, como se tudo girasse ao meu redor.
3. Me frustrava quando algo não saia exatamente do jeito que eu havia pensado. 
Então lembrei de outra história que havia lido muitas vezes. Se trata do relato Bíblico que conta história de Paulo e seu amigo Silas numa prisão (Atos dos Apóstolos 16). Eles haviam sido presos por tentar ajudar a uma moça, mas antes de colocá-los no calabouço, bateram bastante neles. Eles estavam ali, naquela prisão suja, fétida, machucados pelos açoites, e presos pelos pés em um tronco. Que visão horrível, que injustiça! Se fosse eu, gritaria impropérios e os ameaçaria de demandá-los por abuso de autoridade. Mas eles decidiram cantar… isso mesmo, cantar. “Escolheram a Alegria.”

 Então, resolvi fazer o mesmo, escolhi a alegria. Decidi que não me deixaria dominar pela frustração, não queria me converter na mulher da história. Desde então me sinto muito melhor.

Agora deixo algumas dicas práticas que tirei do livro “Não se frustre por ninharias” (R. Carlson y E. Salesman):
1 – É necessário saber perder: Esse deveria ser o lema de quem quer se livrar do stress e de viver queimando pólvora à toa.
2 – Uma boa estratégia: a melhor maneira de viver é escolhendo que batalhas lutar e quais evitar. Nosso objetivo principal não deve ser buscar a perfeição em tudo. Devemos compreender que as discussões que temos e as batalhas que enfrentamos alteram o nosso equilibrio e prejudicam o nosso sistema nervoso.
3. Batalhas inúteis: É realmente importante convencer o teu marido que a sua opinião não está correta? Vale a pena fazer um drama porque alguém cometeu um pequeno erro? Vale apena perder a paz e se frustrar porque um mal educado furou a fila?
Pense ou escreva uma lista das coisas que te fizeram sentir sentir raiva e frustração durante essa semana. Foram muitas? Talvez tenha chegado o momento de você escolher a alegria. 
Lembre-se disso:
a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes
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Respondendo a TAG: Sisterhood of The World Bloggers Award indicada pela Fabi

TAG

Entrando no terceiro mês do blog, hoje vou responder uma TAG que recebi da Fabi, do Blog S.O.S. Srta. Brito.

As regras são as mesmas de sempre:

  • Inserir o logotipo da Tag:
  • Agradecer e marcar o Blog que te indicou.
  • Responder dez perguntas.
  • Indicar dez blogueiros e avisá-los.
  • Criar dez novas perguntas para os indicados.

E agora vou responder as perguntas da Fabi, espero que com elas vocês possam conhecer um pouco mais sobre mim: 

1. Uma música?

Fabi, você esta brincando comigo, né. Escolher uma única música. Difícil. Sou uma mulher de fases e tenho várias músicas que gosto.  “Eu sei que vou te amar” (música que canto para fazer o meu pequeno dormir); “Memórias de um Narciso” da Lorena Chaves (para lembrar-me o quanto sou “pequena”); “Estrangeiro” da Roberta Spitaletti (para lembrar-me que sou apenas uma estrangeira nessa vida). E a lista segue…

2. Uma história marcante?

A que eu ainda estou escrevendo: minha vida.

3: Uma saudade?

Sem dúvida o Brasil, minha família e meu trabalho ali. Também sinto muita saudade de escalar com os meus antigos companheiros de aventuras.

4. Se fosse escolher uma nacionalidade, qual seria?

Aqui não tenho dúvida: Espanhola. Amo viver na Espanha.

5. O que faria por amor?

Deixaria a minha família, um grande futuro profissional o trabalho dos meus sonhos e me mudaria para outro país. Também não me importaria de virar “amélia” e aprender a cozinhar. Puxa! Mas isso eu já fiz, hahahaha.

6. Um livro?

Sem querer parecer “espiritual”, com certeza meu livro preferido é a Bíblia, faz parte da minha leitura diária e com ela eu aprendi, aprendo e continuarei aprendendo muito.

7. Uma característica que julga importante em uma pessoa?

Autocrítica.

8. O que considera imperdoável?

NADA. Tudo é perdoável, quem sou eu para não perdoar o defeito ou erro de outros quando eu estou cheia deles.

Mania (s)?

Puxa! Acho que não tenho. Defeitos muitos, manias… não. Ah, agora lembrei de uma, tenho a mania de não seguir receitas, vivo saltando as regras hahahaha.

Uma frase que lhe descreve?

Sou estrangeira, estou aqui só de passagem.

E como a minha mania é não seguir receitas, Fabi perdão, mas ficarei por aqui mesmo. Se você que me está lendo quer responder essa TAG, me avisa que preparo alguma perguntas e incluo você nela. 😉

Não quero flores.

(Para leer esta publicación en Español pincha: No quiero flores)

Quando eu fechar meus olhos,
será o mais natural possível,
Sem mágoas, remorsos
ou arrependimentos.

Quando apagar-se a luz
da minha vida neste corpo,
Não quero que lágrimas
sejam derramadas sobre
a matéria que se fará presente.
Não espero lamentações nem dor.

Quando meu espírito deixar meu corpo, e
meus olhos não brilharem mais,
ou sorriso não existir mais em minha face,
não se entristeçam por isso.
Eu fui para o meu Criador.

Não quero coroas caras,
não deixem que as flores
sejam sepultadas comigo,
Não as matem por mim.
Deixem-nas viverem
até que o sol as queimem
e elas sequem e murchem naturalmente.

Porque então, neste dia eu serei
como uma flor seca pelo sol da vida.
Uma flor que um dia nasceu,
deixando que sua raiz se aprofundasse na terra-vida.
Que fez o máximo para deixar o dia
dos que a viam mais alegre e perfumado.

Não chorem pela flor que murchou,
se alegrem pelas lembranças que ela deixou.
(Claudine Bernardes)

a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Essa poesia revela uma verdade que compreendi:  “Sou viajante com pé na estrada, um visitante com hora marcada”. Escuta a linda música da Roberta Spitaletti:

Obrigada por passear pela minha “Caixa de Imaginação“. Se gostou, compartilha com os seus amigos. Para receber minhas publicações, basta clicar em “seguir“. Será um prazer contar com a sua presença e ler seus comentários. 😉

A arte de aceitar a simplicidade

(Para leer la publicación en Español pincha en: El arte de aceptar la simplicidad)

foto amarela claudine bernardes
Foto de arquivo: Claudine Bernardes

Reivindico a simplicidade

Há dias em que desejo conquistar o mundo, realizar
grandes façanhas. Quando na verdade, pouco disso há na minha vida.
Porque, se olho para trás, vejo que as minhas grandes conquistas
foram feitas através de pequenas e simples escolhas.
Por isso, hoje reivindico a simplicidade das escolhas cotidianas.

O desejo ardente de conquistar o impossível, de viver constantemente a adrenalina no amor, no esporte, etc, está transformando-nos em seres frustrados no nosso dia a dia. Queremos viver as incríveis histórias de amor vistas nos cinemas, e se o “amor” não se apresenta dessa forma, não é suficiente. Cada vez mais necessitamos viver a vida ao extremo: o extremo da felicidade, o extremo do amor, o extremo nos esportes; estamos viciados na adrenalina. Observamos a vida de outros através de suas publicações nas redes sociais e pensamos no como a “grama do vizinho é sempre mais verde”. Isso nos frustra! Então, começamos a fazer loucuras para mostrar como somos interessantes, e claro, tudo isso deve ser registrado, fotografado, publicado e compartilhado, do contrário não tem sentido.

a caixa de imaginação
Kirill Oreshkin o “rei” do selfie extremo.

extremo 2

a caixa de imaginação
O termo balconing vem de “pular do balcão”, como os espanhóis denominam as sacadas, em direção a uma piscina ou a outra varanda.

Um pouco de tudo isso ao que me refiro, está virando manchete nos jornais e circula constantemente nas redes sociais. Vamos a dois exemplos:  Selfies extremos que já provocaram a morte de muitas pessoas; tal é a preocupação que Rússia inclusive lançou uma campanha contra essa loucura que se está generalizando. Outra dessas insanidades é o “balconing”, que significa pular de uma sacada em direção a uma piscina ou outra sacada. Ocorre muito na Espanha, entre turistas jovens e já provocou várias mortes e lesões.

Realmente acredito que é necessário reivindicar a simplicidade da vida, promover a contemplação e buscar prazer nas coisas pequenas e cotidianas.  

a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Para terminar, deixo um parágrafo do livro “Pais brilhantes, professores fascinantes” de Augusto Cury:

Uma pessoa emocionalmente superficial precisa de grandes eventos para ter prazer, uma pessoa profunda encontra prazer nas coisas ocultas, nos fenômenos aparentemente imperceptíveis: no movimento das nuvens, no bailar das borboletas, no abraço de um amigo, no beijo de quem ama, num olhar de cumplicidade, no sorriso solidário de um desconhecido. Felicidade não é obra do acaso, felicidade é um treinamento.

Você concorda com o que eu escrevi? Qual a sua opinião? Gostaria muito de ler seus comentários a sugestões sobre esse tema.

A ilha que sou

(Pincha aquí para leer el texto en Español: La Isla que soy)

Jacarandá flor lilás a caixa de imaginação
Ilustração: Claudine Bernardes

Sou uma pequena ilha,
vivendo na solidão
do seu micro-clima,
afogando-me cada dia.

Sou uma pequena ilha,
que caminha pela rua,
alheia à dor do próximo,
insensível a tudo que não seja
minha própria necessidade.

Sou uma pequena ilha,
árida, seca e vazia,
que mata de fome e sede
a todo o que se atreva a visitar-me.

Sou uma pequena ilha
que se afoga e se perde.
Cada dia minguando,
afundando no oceano da vida.
Até quando serei uma ilha?

Claudine Bernardes

Lembre-se que A Caixa de Imaginação é o nosso instrumento de comunicação, por isso espero seus comentários e sugestões. 😉

Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho te dou…

(Para leer la publicación en Español pincha en: No tengo plata ni oro, pero lo que tengo te doy)

Emily Dickenson a Caixa de Imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Não me omitirei

Serei o martelo que golpeia a tua consciência
Te perseguirei pelas ruas e gritarei teu crime,
Te incomodarei de mil maneiras, não te darei paz.

Quanto te olhes no espelho, serei o teu reflexo,
te apontarei o dedo e te chamarei covarde,
covarde por viver só para ti, covarde por não agir,
por pensar que o pouco que faria não seria nada;
quando o teu “nada” poderia ser o tudo para alguém.

Publicarei nos jornais tua cruel omissão,
porque tuas palavras vazias e teu olhar de pena,
não alimentam a fome dos flagelados do mundo.

Te caçarei no cinema, nas lojas, na academia,
em todos os lugares onde alimentas a tua futilidade.
Te farei lembrar da mão estendida, do prato vazio,
das noites escuras de outros, que dormem sem teto,
que já não têm mais lágrimas para derramar.
(Claudine Bernardes)

a caixa de imaginação

Hoje quero falar sobre ajuda humanitária.

Interessante como nos sentimos comovidos quando vemos imagens de pessoas sendo afetadas pela guerra, a fome e as diferentes agruras que passam os seres humanos. Porém, o quê estamos fazendo a respeito? A maioria, NADA. NADA de NADA. Se cada um de nós fizesse um mínimo esforço por ajudar, mitigaríamos grandemente a dor de outros. É então quando surgem as desculpas:

Estou sem trabalho“. “Não tenho nem pra mim, como vou dar para outro!?” “Não posso fazer nada, nem consigo chegar com dignidade ao final de mês.”

Escuto essas babaquices egocêntricas e penso blábláblá… eu não… eu que… pobre de mim… Eu e meus problemas sempre como centro do mundo. Há pessoas que realmente estão MORRENDO de fome. Falemos sobre os refugiados em Síria. Conforme a UNICEF, 14 (QUATORZE) milhões de crianças estão sendo afetadas pelo conflito na Síria. Essas crianças, além dos adultos e idosos, necessitam da nossa ajuda. No Brasil existem 1,3 milhões de crianças e adolescente que trabalham, conforme Unicef.  Está também a crise de fome na África, que  já atingiu cerca de 12,5 milhões de pessoas incluindo principalmente crianças. Pensas que estou sendo negativa? Ao contrário, só busco despertar a consciência do maior número de pessoas. Se consigo uma única pessoa que atue em consequência, me sentirei vitoriosa, do contrário ainda assim sei que estou fazendo a minha parte. Agora vou te mostrar uma iniciativa para angariar fundos para Siria e depois te darei uma séria de ideias que tu podes desenvolver para que faças a tua parte.

ajuda humanitaria a caixa de imaginação
Foto de arquivo. Evento para angariar fundos.

No dia 31 de outubro (sábado passado) realizamos uma “merienda misionera”. Mais duzentas pessoas nos reunimos para angariar fundos para os refugiados de Siria. Essa foi uma iniciativa do departamento de missões da “igreja” que frequento (Centro Cristiano de Castellón). A organização era simples:

  • Uma tarde com apresentações de teatro, música e dança,
  • Venda de lanches (sanduíche e refrigerante),
  • Concurso de tortas e posterior venda das mesmas,
  • Venda de artesanatos,
  • Exposição e venda de quadros.

Não tenho ouro 3Nāo tenho ouro foto 2

Esses quadros são o resultado de uma oficina sobre criatividade que realizei com o grupo de jovens da igreja. Eles fizeram diversas fotografias e escreveram microcontos. Depois enquadrei tudo e montei a exposição. A maioria dos participantes foram adolescentes, sem trabalho e sem condições de doar nada, a parte do seu tempo e criatividade. Vendemos todos os quadros e eles se sentiram muito bem por poder ajudar aos refugiados através do seu trabalho. Por outro lado, como experiência pessoal posso dizer que me senti muito realizada porque consegui atingir dois objetivos:

  •  Ser ponto de partida: Consegui que um grupo de jovens e adolescentes colocassem em prática a criatividade e descobrissem talentos.
  • Ajudar os refugiados: Consegui promover a arrecadação de fundos para  os refugiados de Síria (ainda que o valor monetário não seja elevado).

Se eu puder aliviar o sofrimento de uma vida, ou se conseguir ajudar um passarinho que está fraco a encontrar o ninho… A vida terá valido a pena. (Emily Dickinson)

Faça a sua parte:

Agora vou anotar uma série de ações que podem despertar em você alguma ideia para ajuda humanitária:

Use os teus talentos:

Cada um de nós tem ao menos um talento, alguns possuem vários. Cantar, dançar, escrever, desenhar etc.

  1. Escrever: Nestes últimos dois meses conheci uma grande quantidade de pessoas aqui na blogsfera que possuem o talento de escrever. Se conhecer a pessoas que gostam de escrever, você pode montar um grupo de escritores que queiram editar um livro de poesia, contos, crônicas, micro-contos. Esse livro pode ser vendido em Amazon ou outra plataforma de venda de livros. Tudo isso sem gastos e o que se arrecade pode ser doado a alguma organização de ajuda humanitária.
  2. Desenho e fotografia: Não é necessário ser um grande ilustrador ou um fotógrafo famoso para fazer algo. Veja o meu exemplo, com alguns quadros, fotografias, ilustrações, textos de adolescentes, conseguimos arrecadar fundos. Você pode organizar uma exposição na escola onde estuda ou dá aula; através de uma associação; em alguma igreja, ou dentro de outro evento (como foi o meu caso).
  3. Organize um Evento: Como você viu não se necessita muito, e há muita gente com vontade de participar de coisas assim. Convide um grupo de pessoas que goste de teatro ou um grupo de teatro local; entre em contato com uma escola de dança para que faça uma apresentação; convide artistas locais que queiram doar e expor seus trabalhos.
  4. O dom de animar: Talvez você é esse tipo de pessoa com o dom da palavra, que outros escutam e buscam conselho. Anime outras pessoas a serem ativas na tarefa da ajuda humanitária.
  5. Seja um instrumento de divulgação: Divulgue campanhas de ajuda humanitária nos meios sociais onde você se move. Seja a voz dessas pessoas esquecidas.

Antes de terminar deixo a música “Onde está o seu amor?” da Lorena Chaves. É bastante apropriada para esse momento:

Se você tem outras sugestões de coisas que se possam fazer, anote nos comentários e eu as colocarei no texto informando que se trata de uma sugestão sua. Estou aberta a ideias e aceito desafios de ações para desenvolver em conjunto. O único que não aceito é a omissão. (A Caixa de Imaginação)

Lugares que me convidam a escrever: Alejandro

(Puedes leer este texto en Castellano: Lugares que invitan a escribir “Alejandro”)

Alejandro dormindo

Dorme, meu coração, porque enquanto sonhas velarei por ti. Estás tão sereno que ninguém diria que acordado tu és meu tsunami e minha alegria. Segues crescendo, meu amor, mas enquanto eu seja a tua “mamá querida” te guardarei nos meus braços e te encherei de carinhos. Já virá o dia em que terás vergonha de fazer-me mostras de afeto em público. Mas ainda assim, te olharei nos olhos e ali, escondido dentro de ti, verei todo o amor que tens por mim. Descansa entre sonhos, minha vida, e perdoa-me por todos os erros que cometi pelo caminho. Eu sei que foram muitos! No entanto, se há algo que possa dizer em minha defesa, é que me equivoquei, não por amar pouco, sim por amar intensamente e desejar que fosses o melhor de mim. Ah, “mi niño”! Não entendo como pudeste transformar toda minha vida em tão pouco tempo. Me mostraste que me falta paciência, me sobra intolerância e ainda assim me amas. Sigo aprendendo, “cariño”, porque contigo estou no caminho… espero caminhar ao teu lado durante muitos anos. Dorme, meu coração.

Alejandro piscina

Oceano

Se há um lugar que me convida a escrever, e onde encontro inspiração, esse lugar é o meu filho. Talvez você dirá que pessoas não são lugares, no entanto terei que discordar. Todas as pessoas somos lugares! Há pessoas que são oásis, enquanto outras são deserto; há pessoas lar, pousada, parada de descanso; há também pessoas ponto de partida, estão as que são ilhas enquanto outras são pontes. Alejandro é um oceano, onde às vezes sinto que me afogo por não saber nadar. É tão belo em seu azul infinito, porém no mesmo lugar onde reina beleza e calma também há tempestade e perigosos monstros marinhos. Às vezes observo meu reflexo nas suas águas e vejo que o monstro sou eu. Não é fácil ser mãe, entretanto é inspirador. Os sentimentos que experimentei, durante estes últimos cinco anos, mudaram minha forma de ver o mundo, de ver-me e de compreender as outras pessoas. Tudo isso me motivou a escrever. Não só isso! Despertou a escritora adormecida. Estou agradecida a Deus por ter colocado esse pequeno furacão na minha vida, porque nele eu vi o quanto me sobra e o quanto me falta. Te amo meu oceano!

Alejandro Paola

E para terminar, deixo umas frases que extraí de uma entrevista da grande escritora Isabel Allende. Nesse trecho ela fala sobre o processo criativo, espero que goste:

“O processo criativo é misterioso e passa num lugar do corpo e da mente ao qual não temos acesso na vida consciente. Por que uma pessoa quer escrever sobre um tema em particular? Porque é o momento. Para escrever minha primeira novela demorei 39 anos. (…)

Se vai gestando como um bebê e chega o momento em que a história está madura para nascer. Esse momento ninguém pode determinar, pode ser cinco anos, pode ser cinco minutos. (…)

Há momentos na vida que são umbral (entrada, limiar). A adolescência é um umbral (…) também está o momento em que uma mulher dá a luz e nascem os filhos. Quando a pessoa se transforma em pai ou mãe. Porque entra em outra etapa da vida.”

Lembre-se que A Caixa de Imaginação é um canal de comunicação, por isso estou esperando os seus comentários. Até breve!

Nunca havia passado tanta vergonha…

(Puedes leer esta entrada en Español pinchando aquí: Vergüenza)

Ilustração: Claudine Bernardes
Ilustração: Claudine Bernardes

Há  momentos que passamos por situações que nos fazem sentir tão envergonhados, que se pudéssemos faríamos um buraco para esconder-nos dentro. Creio que todos já passamos por situações assim.

Em uma ocasião, durante uma festa que se fazia cada ano na minha cidade, saí para passear vestida com uma saia, que consistia em um pano retangular, amarrado em volta da cintura. Era a moda do momento! Quando de repente, em meio de uma multidão de gente, o nó se desfez e… bem… a saia caiu no chão. Foi constrangedor! Acredite ou não, essa não foi a pior vergonha da minha vida.

Certa vez estava pedalando no centro da cidade, quando decidi baixar da calçada à rua. Não notei que o bueiro estava destapado, e a roda da bicicleta entrou de cheio nele. Resultado: Percebi como em câmera lenta, a roda de atrás começava a elevar-se, fazendo-me cair de cabeça no chão, agarrada ao guidão da bicicleta. Literalmente mergulhei de cabeça na sarjeta! Entretanto essa também não foi a maior vergonha que passei. Só lhes contei essas experiências, para que pudessem compreender o quanto me senti envergonhada. Agora deixemos de preâmbulos e vamos aos fatos.

Depois de anos mergulhada em uma vida sedentária, resolvi voltar a praticar mountain bike. Não foi nada complicado! Peguei minha MTB, que estava cansada de estar guardada, e busquei uma rota de ciclismo bem legal, que me levava a uma praia linda. Saia de casa bem cedinho, porque era verão e queria evitar as horas de sol mais forte. Depois de duas semanas nesse ritmo, já me sentia quase pronta para a minha primeira incursão pelas rotas de montanha.

Era um sábado pela manhã, dia em que todos os ciclistas saiam do redil. Já havia chegado à praia, que distava aproximadamente 10 quilômetros de casa, havia tomado água, descansado um pouco, e me dispunha a regressar. Quando dei a primeira pedalada, senti um frio na barriga… olhei para atrás… não podia ser! O pneu estava furado!

Você deve estar pensando: “Que bobagem! É só trocar a câmara. Afinal um ciclista sempre tem uma câmara de reserva.” Bem… eu tinha né… mas… (como dizer?) … havia deixado em casa. Pronto, falei!

Na bolsa da bicicleta (que deveria conter a câmara de reserva) levava: a chave de casa; uma bolsa estanque (porque no sábado anterior havia pegado um toró, que resultou na morte por afogamento do meu celular); e o celular, que não era de muita ajuda, porque naquele momento ninguém que eu conhecia estava disponível.

Sopesei as minhas possibilidades e resolvi regressar para casa, empurrando a bicicleta. Já falei que era sábado e que todos os ciclistas haviam saído do redil? Pois bem, antes de percorrer 300 metros, passei pelo primeiro momento constrangedor:

_ Furou o pneu? – Perguntou um cliclista que passou por mim. Respondi que sim e ele se prontificou a ajudar-me. – Se você quiser te ajudo a trocar a câmara.
_ Obrigada! Mas não tenho câmara. – O pobre me olhou com uma cara de espanto, e eu, para amenizar a situação, completei. – Não se preocupe, estou acostumada a caminhar. São apenas 10 quilômetros! De qualquer forma, obrigada! – E lá se foi minha primeira vergonha.

Durante os próximos 6 quilômetros a mesma conversa se repetiu umas 30 vezes. Porque isso sim, os praticantes de ciclismo são muito solidários! No entanto, já não aguentava repetir que havia deixado a câmara de reserva em casa. Era muita vergonha repetida para uma pessoa só. De verdade, se pudesse construiria um túnel que me levasse escondida até a minha casa.

praia espanha
Foto: Claudine Bernardes

O quê aprendi?

Aprendi que é extremamente vergonhoso não estar preparada para uma situação, a qual sabia que podia passar. Eu sabia que deveria levar sempre comigo uma câmara de reserva, mas escolhi deixá-la em casa. Isso não é falta de previsão, é burrice!

Aprendi que não adiante ter uma bicicleta maneira, estar vestida com roupa apropriada, levar capacete e luva… se não estou preparada para os problemas do caminho. A maioria dos problemas são previsíveis!

Isso vale para qualquer âmbito da nossa vida. Prever os problemas do caminho, preparar-se para enfrentá-los e atuar com prontidão nos poupará muitos constrangimentos.

Para terminar, gostaria de contar o final da história: quando faltavam uns 4 quilômetros para chegar em casa, passou por mim outro ciclista. Me fez a mesma pergunta, eu dei a mesma resposta e ele seguiu seu caminho. Regressou depois de um minuto:

_ Te proponho algo! Tenho uma câmara de reserva, podemos colocá-la na sua bicicleta e depois passamos na sua casa. Você me entrega a sua câmara de reserva e eu sigo meu caminho.
Assim fizemos! Obrigada, Victor, você me poupou outros 4 quilômetros de vergonha!

pneu furado

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um instrumento de comunicação bilateral, por isso sinta-se a vontade para fazer comentários e críticas. Um grande abraço!