contoterapia claudine bernardes

Por que contar contos às crianças?

(Para leer el texto en español pincha en: contar cuentos a los niños)

contoterapia contos a caixa de imaginação

Era uma vez…

O menino estava deitado comodamente na sua cama, mas não conseguia dormir. Sua mãe, como uma fada madrinha, sentou-se ao seu lado, e sabendo o que o filho necessitava, começou a contar-lhe uma história: _ Era uma vez…

A criança deixou levar-se pela história, adentrando no mundo mágico da imaginação. Caminhou por sendas íngremes; lutou ao lado de príncipes contra ferozes dragões e depois de vencê-los regressou vitorioso para pedir a mão da princesa e viver feliz para sempre.

Os argumentos dos contos populares, cheios de ação e pouca análise sobre as causas dos acontecimentos,  captam facilmente a atenção do leitor infantil, já que envolvem sua personalidade.

Um dos axiomas fundamentais da psicologia diz que os primeiros anos de vida da criança têm um papel fundamental no desenvolvimento futuro de cada ser humano. O estabelecimento de um horizonte de significado  é essencial para dar fundamento e sentido às experiências vivida pela criança.

O que é horizonte de significado?

Horizonte de significado é o ponto de referência no qual os eventos da vida cotidiana começam a encontrar sentido, um enredo que os unifique. Assim, a criança pode acomodar todas as suas experiências de vida, deixando de vê-las como uma experiências caóticas; como se não existisse relação de umas experiências com outras. Pouco a pouco a criança começa a compreender que sua vida tem um sentido, uma orientação, ou melhor, um enredo, como as histórias que escutada cada noite.

O horizonte de significado pode ser entendido como o sentido de vida.

Muitos autores concordam que, se queremos viver, não momento a momento, mas realmente cientes da nossa existência, necessitamos encontrar significado a nossas vidas. Entretanto, não adquirimos um compreensão do significado da vida em uma idade determinada, ou quando se atinge a  maturidade cronológica. Se trata de um processo que culmina com a maturidade psicológica.

 Bruno Bettelheim  na sua prática terapêutica percebeu a importância de que as crianças tivessem acesso a materias que ajudassem na formação de um horizonte de significado.

Bettelheim  concluiu que o material mais apropriado para  proporcionar significado à vida da criança está nos contos de fadas tradicionais, já que estão formados por personagens arquetípicos (A bruxa, o príncipe herói, a princesa, o rei, a fada madrinha etc).

Por que contos de fadas (fantásticos)?

  • Os contos de fadas despertam a criança pouco a pouco em relação ao seu entorno;
  • Proporcionam uma leitura iconográfica e amena;
  • Pela simplicidade das situações descritas, muitas de forma tipificada;
  • Outro fator importante é que os contos de fadas alcançam muito êxito entre as crianças, enriquecendo sua vida mais que outros materiais de leitura. Isso acontece porque os contos conectam-se com o seu psicológico e emocional, em virtude da grande simbologia que penetra no consciente infantil, ajudando na compreensão mais profunda e liberando o seu significado;
  • As histórias arquetípicas, como os contos de fadas, ajudam ao ser humano a orientar, dar sentido  e fundamento à sua existência durante o processo de converter-se em pessoa e no seu processo de individualização.
  • Os contos ajudam a adquirir mais vocabulário, tempos verbais e também ajudam a compreender a contextualização.

     

Outro fator muito importante é a transmissão de carinho que ocorre durante o momento em que que se conta um conto para a criança.

Este encontro emocional é insubstituível. A palavra se transforma em transmissora de afeto, não só de conteúdo, e recupera o poder que lhe corresponde como rainha da imaginação.

Estes foram somente alguns exemplos dos benefícios dos contos de fadas. Infelizmente muitos pais não contam contos para os seus filhos. Tanto é assim que todo material de contoterapia que tenho encontrado, está dirigido para os profissionais da educação. Minha proposta é aproximar a contoterapia ao mundo familiar.

frase ler contos para crianças
 Já escutei muitos comentários contrários aos contos de fadas. Você já sabe o que penso, agora gostaria de saber a sua opinião. Até breve.

Você julga a vida cinza de outros através de seu mundo colorido?

(Para leer el texto en español pincha en: Beth, mis minhas lágrimas y su corazón.)

(Jacarandá duas cores

Beth, minhas lágrimas e seu coração.

Nossos caminhos começaram a encontrar-se sem que ela me olhasse nos olhos. Era uma situação estranha, dessas que gostamos de evitar, porque nos faz sentir incômodos. Havia conhecido a Beth, sem no entanto, trocar muitas palavras com ela. Quando a encontrei na rua de mãos dadas com seu filho não duvidei em cumprimentá-la. Entretanto, ela baixou a cabeça e passou reto, enquanto o seu filho dizia: _ Mãe, essa não é a mulher que conhecemos no outro dia? – Foi uma situação muito estranha. Não podia entender porque não me havia cumprimentado.

É incrível como a vida dá voltas. Agora eu estava ali, atrás dela, numa sala do fórum. Sabia que Beth sentia-se incômoda respondendo as perguntas do Promotor de Justiça. Compreendia a sua mente, conhecia parte da sua vida: uma estrangeira só em um país distante, sem ninguém para apoiá-la, e um filho para cuidar. Também sou uma estrangeira em um país distante. Conheço o seu coração.

Antes, para evitar que se repetisse aquela situação incômoda, comecei a cruzar a rua quando observava que Beth vinha na minha direção. Me conhecia, por que não me cumprimentava?

Não podia ver o seu rosto, mas sabia que seu coração estava acelerado enquanto era bombardeada de perguntas, que lhe custava compreender. Eu havia escrito a petição, eram minhas palavras refletindo a sua vida. Outros não entenderiam porque era tão difícil para ela dar as resposta que eu conhecia de sobra. Desejava falar, explicar-lhes o que Beth necessitava. Entretanto, não podia fazê-lo, eu era só uma observadora, sem direito a manifestar-se.

Quanto o Promotor terminou de falar e o juiz confirmou que concordava com ele, eu não podia acreditar. Há situações na vida que somente uma palavra  “Milagre” pode explica-las. Talvez você esteja pensando que o juiz aceitou a petição que fizemos. Não. Ele foi além disso. Havia concedido a Beth o que ela necessitava sem que tivesse pedido, ultrapassando os limites da sua função.

Senti como as lágrimas caiam dos meus olhos sem que pudesse contê-las. Sabia o que a aquela decisão significava para Beth. Conhecia o seu coração. Entretanto, quando nos encontramos pela rua, eu não compreendia a sua vida, e me limitei a julgá-la através do meu mundo colorido.

O mundo está repleto de pessoas diferentes, cujas vidas e personalidades são completamente distintas. Sou uma pessoa que sempre observo a vida através de um prisma colorido. Para mim a vida é linda, apesar das suas dificuldades, problemas e pedras pelo caminho. Além disso, também sou uma pessoa automotiva e com uma autoestima equilibrada. Desde o meu ponto de vista, uma pessoa que apesar de me conhecer não me cumprimenta, deve ser muito antipática (ou ter problema de visão hehehe).

Por que algumas pessoas se escondem no seu pequeno mundo como um caracol na sua estreita concha?

Beth ensinou-me que nem todas as pessoas conseguem ver a vida através de um prisma colorido como eu. Na verdade, Beth teve uma vida muito sofrida. Durante anos bombardearam a sua autoestima, e ela se transformou em uma pessoa extremamente  insegura. Para ela é difícil olhar alguém nos olhos, seu sorriso é tímido e pouco expressivo. Beth não me cumprimentava por antipatia, como eu pensava; sentia-se incômoda por ter que cumprimentar alguém que conhecia pouco.

“Se os olhos são o espelho da alma”, Beth não desejava compartilhar os seus segredos através do intercâmbio que supõe olhar nos olhos de uma quase desconhecida. 

Atualmente Beth já se sente mais segura. Está aprendendo que tem valor. Que sua vida tem um propósito eterno; e que ela “apesar de ser uma pequena luz também pode iluminar” (essas foram as palavras usadas por ela).

Qué feliz me hace ver que a pesar de tantas equivocaciones y tantos disgustos,  todos podemos encontrar El Camino. En ese proceso, aún cuando los pasos se hacen pesados y el sendero se estrecha, nosotros nos vamos ensanchando.  

Sinto-me feliz ao ver que, apesar de tantos equívocos e problemas, todos  podemos encontrar O Caminho. Nesse processo, ainda quando os passos se tornam pesados e a senda comece a estreitar, ainda seguiremos crescendo.

Obrigada por permitir-me compartilhar contigo as minhas palavras. Adoraria saber a tua opinião. Até logo!

 

Conto: O menino que surfou nos Anéis de Saturno

(Para leer el texto en Español pincha en: El niño que surfeó en los Anillos de Saturno)

cuento el niño que surfeó en los Anillos de Saturno

Um conto para uma semana difícil

Fui acordar o meu filho para prepará-lo para ir ao colégio, quando observei que seu corpo estava cheio de erupções. Não tive dúvida, era catapora (varicela).

Bem, não havia outra solução além de ter muita paciência e ficar uma semana em casa. Agora imagina a situação: um menino de 4 anos, cheio de erupções (que não deixavam de coçar), além de febre, sem ter a possibilidade de sair de casa nem receber qualquer visita. A semana ia ser longa.   

Pensa também que uma criança de 4 anos ainda não compreende como deve enfrentar uma doença.  É uma situação crítica que enfrenta minuto a minuto, tempo que se faz eterno, porque não compreende que essa doença passará dentro de uns dias.

Por essa razão, tentei buscar uma solução e tive a ideia de realizar um projeto mãe-filho para ocupar o nosso tempo.

 Que melhor que “construir” um conto?

Decidimos que o tema seria o Sistema Solar, já que  era o assunto que ele estava estudando no jardim. Para ajudá-lo a compreender que a sua doença era passageira, lhe introduzi como protagonista do conto, e a sua doença como um dos problemas que ele teria que enfrentar. Em um sonho ele viveria uma grande aventura, transformando-se em um astronauta e viajando pelo espaço. Depois de acordar  e superar a doença voltaria para o jardim e contaria o sonho para os seus amiguinhos. Esse, basicamente, é o enredo do conto.

Ah! E o mais lindo foi que ele me ajudou a escrever a história. Depois que terminamos de escrevê-la, a lemos algumas vezes e a continuação começamos a preparar as ilustrações.  Como você poderá observa abaixo, todo o livro foi feito a modo de collage, com o uso de diferentes tipos de materias.

Foi uma semana muito ocupada. Além disso, o meu pequeno ficou tão contente  que depois que passou a catapora, levou seu conto para para ler aos seus amiguinhos do jardim. 

Os deixo o slide do conto:

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Os logros que alcançamos com esse conto:

1 – Entreter: Consegui entreter o meu filho durante uma semana, tirando o seu foco da doença e focando-lhe em um projeto construtivo.

2 – Superar: ao ver-se como protagonista do conto, dentro do qual pode superar um problema (imaginário), a criança recebeu a mensagem de que seu problema real também pode ser superado.

3 – Imaginar: O menino percebeu que também é capaz de imaginar e criar um conto.

Os contos são excelentes instrumentos de terapia para ajudar as crianças no processo de superação  de transtornos e problemas. Além disso os ajuda a compreender que as vicissitudes da vida podem ser vividas e superadas.

Espero a sua opinião. Lembre-se que A Caixa de Imaginação é um instrumento de comunicação bilateral. Até logo!

Chegou a Primavera

(Para leer el texto en Español pincha en: Estaciones)

calle con flores la caja de imaginación
Villafamés – Castellón – España. Fotografía : Claudine Bernardes

Estações

Me fascinam as estações!
A ti não?
Talvez não as olhaste com cuidado,
não observaste como deverias.
Se de verdade as tivesse examinado,
verias a beleza guardada em cada uma delas.

No meu outro mundo,
(onde as coisas são diferentes)
estava o verano e o inverno,
os dois polos opostos das estações.
Entretanto, o outono e a primavera
quase não os sentia.
Passavam silenciosos,
sem fazer ruido,
timidamente.

No meu outro mundo,
(do qual as vezes tenho saudade)
não podia contemplar as folhas caindo como chuva
enquanto caminhava pela alameda.
A nudez das árvores, esperando o renascimento..
Jamais senti o prazer de observar
a mistura do verde o amarelo e marrom.
Fenômeno que só no outono posso ver.

Mas também está a primavera,
minha doce estação.
Ainda que me produza alergia,
também me produz alegria.
Alegria e alergia duas palavras tão distintas
formadas pelas mesmas letras
(Já chega de divagar!).

A primavera é bela,
inspiradora,
cheia de cores,
e na cidade abundam as flores.
Também se enche de odores.
Odores que lembram-me da alergia…
(Melhor fico por aqui,
porque essa alergia não me deixa escrever).

É interessante como algo que gostamos tanto, pode ao mesmo tempo produzir alegria e fazer-nos dano. Sou apaixonada pela primavera.  Vivo em um lugar onde as flores abundam, não importa por onde vá, encontrarei flores, como nessa linda e estreita rua da foto. Mas, infelizmente, sou alérgica ao pólen. Por essa razão sofro muito durante a primavera.

Assim é a vida, cheia de contradições. Feliz primavera!

Apatia, empatia, simpatia, compartia e outras tias.

(Para leer el texto en español pincha en: Empatía)

Apatia, simpatia, compartia, empatia, e outras tias.

A jovem caminhava com passos firmes e constantes pelo centro da cidade, quando observou uma multidão gritando com cartazes nas mãos. Aproximou-se do grupo com a mesma determinação que sempre a acompanhava e ficou escutando suas demandas por um salário e condições laborais mais dignas. Sempre sentiu simpatia pela situação dos profesores, por isso resolveu ficar um pouco mais.  .

_ Vocês acham que recebemos um salário digno? – Perguntou um professor com o microfone nas mãos.

_ Não! – Responderam todos em uníssono .

_ Vocês acham que somos tratados com respeito?

_ Não! – Responderam outra vez, somando-se, entretanto, a voz firme e potente da jovem, que naquele momento já compartia a indignação do grupo.

_  Os políticos deven saber que existimos, que somos essenciais para a sociedade, e que não nos deixaremos massacrar por eles.

_ Isso mesmo! – gritou a jovem, pulando no meio da multidão.

_ Por que não invadimos a prefeitura? Devemos exigir uma solução para já. Chega de esperar. Vamos já! – Deixando o microfone de lado, o homem saiu correndo seguido da multidão e também da jovem, que naquele momento só pensava em “conquistar o mundo”.

Decidida a ser escutada a multidão invadir a prefeitura, provocando grande confusão entre os funcionários, que não tiveram tempo de frear a avalanche de pessoas. Sem encontrar resistência o grupo instalou-se no plenário, exigindo a imediata presença do prefeito. E ali estava ela, a jovem determinada que desconhecia a palavra apatia.  Gritava com tanta garra e movia-se com tanta soltura, que ninguém imaginou tratar-se de “um corpo estranho”. Por algum motivo que ela desconhecia, corria pelas suas veias a mesma indignação sentida por aqueles  desconhecidos.

_ Você acha que o prefeito virá aqui? –  Perguntou uma senhora de óculos, com voz duvidosa, sentada ao seu lado.

_ Não sei se ele terá coragem. Mas se ele não tiver, nós devemos invadir a sua sala. – Respondeu a jovem sem duvidar em fazê-lo se fosse necessário.

_ Puxa, que determinação você tem! Eu não sou assim. Aliás, só estou aqui porque todos os professores do colégio onde dou aula também vieram. Em qual colégio você trabalha?

_ Ah! Eu não sou professora. Estava passando pela rua e como sentia simpatia por vocês, me deixei levar.  – Enquanto a senhora de óculos olha perplexa à jovem, esta sobressaltava-se ao olhar o relógio.  – Puxa! Que tarde é! Tenho que ir embora antes que fechem o correio.

Levantou rapidamente e caminhou pelo corredor carregando consigo toda determinação que a caracterizava.


Agora diga-me: Você encontrou a empatia?

Espero que sim. Resolvi compartilhar esse texto, porque acredito na importância de fazer crescer dentro de nós a EMPATIA. Devemos exercitar constantemente essa capacidade de colocar-se no lugar do outro, ver as coisas através dos seus olhos e sentir com os seus sentidos.

A empatia é uma arma muito poderosa para combater o egoísmo e o preconceito. 

(A capacidade de colocar-se no lugar do outro é uma das funções mais importantes da inteligência. Demostra o gral de maturidade do ser humano.

Empatia por Augusto Cury

Esse texto que escrevi está baseado em uma situação real e é uma homenagem à minha irmã Francine, uma mulher determinada e cheia de empatia.

Se você quer ler mais sobre a empatia, deixo outro texto onde falo sobre os Neurônios Espelho e a sua relação com a empatia.

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um instrumento de comunicação bilateral. Será um prazer ler e responder aos seus comentários. Obrigada por passar por aqui e até logo.

Isso é Comunicação: eu mudo, você muda.

(Para leer el texto en español pincha en: Comunicación)

PrintO que aconteceu?

Chegou,
sentou,
observou.
Chorou pelo que viu.
Algo nele mudou.
Levantou,
partiu…
diferente ao que chegou.

O que é comunicação?

Primeiro direi o que não é. Comunicar-se não é simplesmente intercambiar palavras. Não, isso não é. Não é escutar a alguém por educação,  fazendo com que as palavras entrem por um ouvido e saiam pelo outro. Também não é falar sem ter a intenção de escutar.

Hoje em dia falamos muito e comunicamos pouco.

Fulano e sicrano estavam sentados conversando animadamente. Enquanto um falava o outro buscava uma resposta para refutar as ideias recebidas. Nem o primeiro, nem o segundo tinham a intenção levar nada daquela conversa, não queriam mudar. Estavam  um diante do outro fazendo monólogos. Falavam simplesmente para escutar o eco das suas próprias vozes. São como Narciso adorando sua imagem refletida na água.

Fulano e sicrano são um reflexo da nossa sociedade atual.

Na minha outra vida, quando era uma profissional do direito, uma amiga do trabalho me disse: Claudine, você sempre tem uma resposta para tudo, sempre busca convencer de que você tem a razão.

Naquele momento me senti lisonjeada. Todo advogado gosta e necessita ser persuasivo, disso depende o nosso sucesso profissional. No entanto, quando a Claudine de agora olha para a Claudine do passado, pode ver pessoas frustrada ao seu redor.  Isso não é nada agradável. As vezes volto às andanças e repito o meu erro, mas agora já estou mais atenta e freio esse impulso “maligno”.

Nas redes sociais passa o mesmo. Utilizamos nossas redes sociais para massagear o nosso ego, o nosso e de outros. Sim, porque ou estamos de acordo com o dizem e fazemos comentários lisonjeiros, ou ficamos quietos, sem dizer nada por receio de ofender (nem todos fazem assim; confesso, as vezes entro nesse erro). Entretanto, atuando dessa forma não mudamos, não amadurecemos e também não ajudamos a que outros amadureçam.

Outro dia li um comentário de  Zygmunt Bauman que gostei muito:

“As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.”

Agora sim, falemos sobre o que é comunicação

Só se estabelece comunicação se como fruto do “feedback” resulta algum tipo de mudança nos participantes. Nem toda comunicação é verbal, mas toda comunicação produz mudanças.

Trocamos ideias?

Agora gostaria de saber a sua opinião, seja qual seja. Gosto de ler os comentários de pessoas que não pensam como eu, acho isso muito enriquecedor. Até logo.

O maravilhoso mundo da leitura: a cada página já não sou o mesmo

(Para leer el texto en español pincha en: El maravilloso mundo de la lectura)

mulher lendo mujer leyendo amor pela leitura

Seu lugar de refúgio

Aquele dia não fora um dos melhores e o resultado era uma terrível dor de cabeça. Era um alívio chegar em casa, seu reduto de paz. No entanto necessitava desconectar. Abriu as páginas do livro, respirou profundamente e adentrou em outro mundo.  Um mundo repleto de cores diferentes, odores singulares e experiências que seriam inalcançáveis no mundo onde vivia. Naquele lugar ela podia viver a vida de outros, ainda que fossem apenas seres imaginários. Através daquela experiência seu mundo também se transformava, se enriquecia, se expandia, fazendo dela uma pessoa mais profunda e completa. O livro era seu lugar de refúgio.

 

Olá amigos. Escrevi o microconto acima para expressar a ideia que quero compartilhar, ou seja: a importância da leitura como instrumento de educação emocional. Ultimamente tenho lido muito sobre o tema porque estou fazendo uma especialização sobre contos e fábulas terapêuticas e creio que é um assunto de grande importância.

O fragmento abaixo foi retirado (e traduzido por mim) do texto Educação Emocional através dos contos (Educación Emocional a través del cuento), escrito pela Psicóloga, musicoterapeuta e escritora Begoña Ibarrolla:

Ler nos ajuda a imaginar, imaginar nos ayuda a compreender a nossa realidade.

Leitura significa entrar no silêncio e aprender a olhar para dentro. Então o leitor aprende a diferenciar as emoções produzidas pela leitura. Isso lhe ajuda a determinar seus gostos e preferências leitoras.

As histórias não só nos mostram o que somos, mas também o que podemos chegar a ser; abrem nossos olhos para olhar mais além da nossa pequena e limitada vida. Nos mostram as possibilidades de realização que estão a nossa disposição.

Os contos podem converter-se no mais grande instrumento de liberação da mente humana. Uma inesgotável fonte de estimulação criativa, um tesouro de experiências que enriquecem nossa vida, mas, principalmente, um espelho: o espelho que nos diz como somos em realidade.

Ao ler um conto quase sempre nos encontramos.

Concordo totalmente com o que dizia o escritor  Ítalo Calvino:

Frase leitura Ítalo Calvino português.png

 

Penso que a leitura não pode ser comparada a nenhum outro modo de aprendizado, já que ela possui um ritmo próprio, governado pela vontade do leitor. A leitura abre espaços de interrogação, meditação e exame crítico, ou seja: de liberdade. Ela estabelece uma relação do leitor com si mesmo, não somente com o livro; com o nosso mundo interior através do mundo que o livro nos abre. (Ítalo Calvino)

Graças aos contos o leitor tem a possibilidade de multiplicar  ou expandir sua experiência através das vivências dos personagens e a oportunidade de explorar a conduta humana de um modo compreensível. O livro amplia a experiência do seu mundo interior, o leva a outros tempos e outros lugares, outras formas de viver, sonhar e lhe aproxima de realidade desconhecidas.

o prazer da leitura beneficios
Foto e texto: Claudine Bernardes

Agora quero saber a sua opinião. Como você se sente quando está lendo? Está de acordo com o texto? Espero notícias suas. Um grande abraço. Ah, não esqueça de compartilhar o texto com os seus amigos. 😉

O que você guarda dentro?

(Para leer ese texto en Español pincha en: Soy Jardín)

ilustración claudine bernardes
Ilustração: Claudine Bernardes

Sou Jardim

Posso parecer uma muralha sombria,
feita de ásperas pedras,
enegrecida pelo tempo.
Mas, dentro conservo um jardim,
onde vivem flores e pássaros.
Dentro de mim a vida sorri.

Ainda que pareça velha,
porque sou velha,
o tempo dentro de mim se congelou.
Se te atreves a olhar-me,
despojado de preconceitos,
verás que por dentro sou um jardim.
Que as flores nascem dentro de mim.

Sei que chegará o dia,
em que meus movimentos se retardem,
que meus músculos se travem.
Inclusive a memória,
o bem mais precioso que tenho,
se irá e me deixará.
Ainda assim, se te atreves a olhar-me,
despojado de preconceitos,
verás que dentro levo canção.

Porque na minha vida, as vezes amarga,
por momentos tormentosa e afligida,
sempre fui uma muralha,
que guardava dentro um jardim
e uma bela canção.
Fora…
fora deixei tudo o que é feio,
mau e sujo.
Tudo o que poderia matar o jardim
que guardo dentro.

(Claudine Bernardes)

Meu conselho de hoje é simples:

Ainda que lá fora ocorra um furacão, ainda que não sejas belo ou já não sejas tão jovem, guarde dentro a sua beleza. Custodia como um tesouro o mais valioso que você tem, porque o que você leva dentro é a essência do seu caráter.

Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.
Provérbios 4:23 

O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração”.
Lucas 6:45

você o que leva dentro?

Obrigada por passar pela minha Caixa de Imaginação. Espero os seus comentários. Até logo. 😉

Empatia: o que é isso de neurônios espelho?

(Para leer la entrada en Español pincha en: Empatía)

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Empatia

A bailarina girava y girava enquanto centenas de olhos atentos a observavam.

A bailarina saltava e saltava, enquanto centenas de corações  saltavam com ela.

Todos desejosos de sentir a mesma liberdade, a mesma destreza e o mesmo controle sobre seu próprio corpo.

A bailarina dançava conduzindo a plateia a dançar com ela.

A bailarina caiu, torcendo o pé e chorando de dor.

Mas ela não estava só, centenas de lágrimas caíram compartindo a sua dor.

(Claudine Bernardes)

Nos últimos dias a palavra “empatia” permeia a minha mente, como se me buscasse constantemente (que dramática essa frase – risos)

A EMPATIA é

“a capacidade de dar-se conta do que as outras pessoas estão sentindo e compartilhar esses sentimentos em algum grau”.

López, F., Carpintero, E., Campo, A., Soriano, S. y Lázaro, S. (2006). La empatía y el corazón social inteligente. Cuadernos de pedagogía nº 356.

Hoje não vou falar como desenvolver a empatia, nem nada pelo estilo (talvez fale sobre isso em outro post). Quero falar sobre algo que li hoje mesmo, e que chamou a minha atenção: Os Neurônios Espelho e a conexão com a empatia.

O texto abajo é da Psicóloga Gema Sánches Cueva, publicado no site La Mente es Maravillosa e eu tomei a liberdade de traduzi-lo. 

“Ao observar um espetáculo de música ou um teatro, as vezes experimentamos a necessidade de realizá-lo, inclusive sentimos sensações derivadas ao observá-lo. Segundo estudiosos isso acontece porque enquanto observamos o espetáculo, no nosso cérebro se ativam uns neurônios especiais, chamados neurônios espelho.

Os neurônios espelho são um grupo de células que foram descobertas pela equipe do neurobiólogo Giacomo Rizzolatti e que parece que estão relacionadas com os comportamentos empáticos, sociais e imitativos. Sua missão é refletir a atividade que estamos observando.

Foram realizados inúmeros estudos e se comprovou que existe um grupo de células que se ativam no cérebro quando um animal ou ser humano realiza uma atividade, e quando se observa a outros executando uma ação, produzindo uma representação mental da mesma. É daí que surge a palavra “espelho”.

Um neurônio espelho, por tanto, é uma célula nervosa que se ativa em duas situações:
1. Ao executar uma ação;
2. Ao observar a execução de uma ação.

Curiosidades sobre os neurônios espelho:

Este tipo de células se encontram na corteza frontal inferior do cérebro, próximas a zona da linguagem, permitindo que os pesquisadores estudassem a relação existente entre a linguagem e os gestos e sons.

Os neurônios espelho são as células encarregadas de fazer-nos bocejar quando vemos outra pessoa bocejando. Também é graças a eles que as vezes imitamos um gesto de alguém que está próximo sem saber o motivo.

Além disso, os neurônios espelho desempenham um papel fundamental na psicologia, no que se relaciona com a parte comportamental, como é a empatia, o aprendizado pela imitação, a conduta de ajuda aos outros etc., demonstrando uma vez mais que somos seres sociais.”

Deixo alguns videos sobre o tema:

por raulespert

Você já conhecia os neurônios espelho e a sua conexão com a empatia?

Espero notícias suas! Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um instrumento de comunicação, por isso me alegrarei ao recibir seus comentários.

O desafio de ensinar (aprender) a gratidão

(Para leer la entrada en Español pincha en: El desafío de enseñar la gratitud)

enseñar la gratitud claudine bernardes
Fotografia de arquivo.

Um dia difícil

_ Mamãe, não gostei desse dia.
Seu olhar cansado e o corpo debilitado pela doença, eram testemunhas de que aquele realmente não havia sido um bom dia.
_ Meu amor, sei que hoje não foi um grande dia, mas até nos dias difíceis podemos encontrar coisas boas. Coisas pelas quais podemos estar agradecidos. Você não acha?
_ Não, mamãe. Hoje foi um dia horrível.
_ Meu amor, lembra das crianças que ficaram no hospital?
_ Sim, mamãe.
_ Essa noite elas não dormirão nas suas caminhas. Terão que passar toda a noite no hospital. E você, meu amor, onde passará a noite?
_ Em casa, mamãe, com você.
_ Talvez isso seja algo pelo qual estar agradecido. Você não acha?

Era às três da madrugada quando acordei para ver a temperatura do meu filho.  Depois de ver que tudo estava bem, tentei voltar a dormir. Mas foi impossível. Pensei, então, que ler algo poderia me ajudar a conciliar o sono. Depois de buscar um pouco encontrei um post que se chamava Pote da gratidão, no blog “Amando o Hoje”.

A leitura foi como um bálsamo. Necessitava algo assim para levantar um pouco a minha moral. Estou passando por uns dias difíceis. Dias nos quais não conseguia sentir-me muito agradecida. No entanto, o texto da Michelle me fez refletir. Estamos sempre ensinando coisas aos nossos filhos como: ter empatia, tratar a todos com respeito, perdoar, estar agradecidos; entretanto quando somos nós que estamos no olho do furacão não encontramos muita disposição para pôr em prática os nossos próprios ensinamentos.   Por essa razão resolvi exercitar a gratidão fazendo uma pequena lista de coisas pelas quais estou agradecida, ainda que  hoje não seja o meu melhor dia:

Obrigada Deus …

  • Porque apesar de estar tão longe do meu país, aqui também tenho pessoas que me amam e me ajudam quando passo por problemas.
  • Pela saúde pública de Espanha, porque não tenho que esperar muito tempo para ser atendida. Pelos médicos e enfermeiras que atenderam o meu filho com tanta disposição.
  • Porque apesar de estar tão debilitado, meu menino sempre mantém o sorriso e a vontade de melhorar.
  •  Porque as situações difíceis como esta me ensinam que posso seguir adiante apesar das dificuldades.

Não importa o que passe, sempre existe algo pelo qual podemos estar agradecidos.

E agora vou te mostrar o “Pote da gratidão” da Michelle (texto e fotografías extraídos do blog Amando o hoje):

A ideia é que a cada dia as crianças reflitam quanto ao que as faça feliz; algo pelo qual elas sejam gratas a Deus. Depois, elas devem escrever num papel o motivo da gratidão. A minha caçula não sabe escrever, então ela desenha no papel e eu “traduzo” atrás, conforme explicações que ela mesma me dá. Anotamos a data também, e inserimos os bilhetinhos nos seus respectivos potes.

Os bilhetinhos de gratidão não servirão para lembrar as crianças apenas naquele momento sobre o que as faz feliz, mas também podem servir como uma memória num dia qualquer em que estejam tristonhos, bem como ao final no ano, quando releremos um a um, recordando todas as bençãos ao longo do ano…

E para envolvê-los ainda mais nesse projeto, deixei que eles escolhessem os seus potes e os personalizassem, pintando e solando adesivos nos mesmos. Eu também aproveitei para fazer o meu. Afinal, eu também sou grata pelas diversas bençãos de Deus em minha (nossa) vida, e além disso as crianças aprendem muito mais por meio do exemplo. Mais até do que pelas ordens que lhes damos.

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Espero que você tenha gostado do post de hoje. Estarei esperando os seus comentários. Obrigada por passar pela minha “A Caixa de Imaginação“.