O seu filho morde? Vem conhecer a Jaquinha, um lindo conto que fala sobre essa fase da criança.

Oi, tudo bem? Em primeiro lugar quero agradecer a todos vocês que me escrevem. Recebo vários e-mails todos os dias expressando gratidão pelo material que compartilho aqui no blog, e isso me motiva a seguir com o meu trabalho.

Sei que há muitos pais, psicólogos, psicopedagogos e professores que me seguem, por isso trouxe hoje para vocês esse lindo Conto Infantil escrito por Emilia Nuñez, escritora brasileira de contos infantis, também conhecida em Instagram como @maequele (conheça aqui o seu site)

1 A JACAREZINHA QUE MORDIA 2 capa

Esse lindo livro, que venho acompanhando desde a fase de criação, é um ótimo recurso para trabalhar as habilidades sociais com as crianças, e porque não com os pais.  Então, você conhece alguma crianças que está passando por esta fase?

A Jacarezinha que mordia  

“A Jacarezinha que mordia” conta a história de Jaquinha, uma linda jacarezinha risonha, que apesar de receber muito carinho de Dona Jaca, sua mãe, tem o mau hábito de morder a todos que encontra pelo caminho. Os animais da floresta, cansados de receber tantas mordidas, se apresentam diante da sua mãe pedindo que esta dê fim a este problema que está alterando o convivio social na floresta. Claro que D. Jaca, toda envergonhada,  tenta resolver o problema, e se empenha no assunto: amarra a boca da filha, resgata a chupeta, mas não tem jeito. Um dia chega um aluno novo na sala da Jaquinha, ele dá um lindo beijo na professora e esta fica muito feliz. Puxa! Aquilo muda o mundo da pequena jacarezinha, que observa como as pessoas ficam felizes ao receber um beijo (totalmente o contrário de quando são mordidas).

 Emilia nos conta um pouco sobre o Processo Criativo de “A Jacarezinho que mordia”:

Este é um livro feito pensando em uma fase muito específica que algumas crianças passam que é a fase “Mordedora”. Tenho uma Jaquinha em casa e quando uma mãe me pediu um livro sobre o tema e não encontrei nas livrarias, logo veio a inspiração!

Como você pode ver é uma história muito útil e meiga, e além disso as ilustrações são maravilhosas. De verdade que fiquei encanta, porque expressam exatamente a essência da mensagem do livro.  O ilustrador cuidou de cada detalhe, e isso é muito importante, para que além do texto, a criança que ainda não lê possa interiorizar o conteúdo da mensagem através do que vê.   Heitor Neto foi o ilustrador responsável por esses lindos desenhos, você pode segui-lo no instagram em @heitornetos ou na seu site.

Para comprar A Jacarezinha que mordia” clica aqui. 

Aplicando o Conto

Sabemos que é normal a criança entre 1 e 3 anos passar pela fase de morder.

 No início da vida, a boca é a parte mais sensorial do corpo humano e, por meio dela, o indivíduo descobre o mundo e expressa suas emoções. Quando uma criança morde um adulto ou outra criança, provavelmente está querendo demonstrar afeto, resposta a uma frustração, curiosidade ou, ainda, o incômodo do nascimento dos dentes. No período entre um e três anos morder é comum – e normal. Algumas crianças o fazem mais que outras, porque é dessa forma que se comunicam. (Fundação Maria Cecilia)

Porém há crianças que depois desse período ainda recorrem a esta conduta, o que gera grandes constrangimentos para os pais. Nenhum pai gosta de pegar seu filho no jardim ou colégio e ver nele uma marca de mordida. Também posso te garantir que nenhum pai gosta de receber da professora, a constrangedora notícia de que seu filho está mordendo os coleguinhas. Bater, puxar o cabelo, arranhar, são todas condutas imediatistas que as crianças recorrem como forma de expressar sua frustração, raiva, descontento. Os adultos também fazemos isso, ainda que a nossa maneira de ataque é outra. As crianças podem ferir o corpo, mas nos ferimos o coração do outro. Exemplo: quando somos criticados tendemos à atacar a outra pessoa apontado os defeitos dela. As crianças que sofrem de TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade), principalmente aquelas sofrem de impulsividade, como  o caso do meu filho, costumam recorrer a esse tipo de conduta de forma mais habitual. Eu sinceramente creio que trabalhar a empatia da criança poderá ajudá-la a superar essa fase e conseguir controlar seus instintos. 

A minha proposta de atividades vale tanto para narração grupal, quanto individual. Não importa se você é pai, professor, psicólogo, somente adapte a proposta à sua situação especifica, já que farei um série de sugestões. Vamos lá!

1. Contação/Narração

  • Interpretando a ilustração: Se você vai utilizar o conto com crianças de forma individual, ou poucas crianças (como umas cinco no máximo) e se elas ainda não sabem ler, minha primeira proposta, é que antes de ler a história para elas, peça que observem a ilustração e expliquem o que acham que está acontecendo na historia. É uma boa forma de interiorizar as metáforas ilustradas.
  • Conte a historia de forma divertida,  seja criativo. Seria legal utilizar um fantoche para contar a história.

2. Vamos desenhar

Esse recurso tão simples também é muito importante para observar a compreensão que a criança teve da história. Peça para ela fazer um desenho da parte que mais gostou da historia e da parte que menos gostou.

3. Teatro

Uma forma de trabalhar a compreensão da história e trabalhar a empatia com as crianças é fazer um teatro com elas, com base no conto. Faça com que alguns participem do teatro, enquanto outros ficam de plateia, e depois os que ficaram de plateia serão os atores. Assim todos podem ver desde duas  perspectivas: dentro da história e fora da história.

 4. Análise das ilustrações

Não sei se sabes, mas num álbum ilustrado a ilustração tem o mesmo peso que o texto. Ou seja, ilustração e texto se completam para passar uma mensagem. Por isso que disse anteriormente que gostei muito da ilustração de Heitor Neto, porque completou perfeitamente a história escrita  por Emilia Nuñez.  Tanto  é assim, que ele introduziu uma metáfora muito interessante que enriqueceu a história: O PORCO ESPINHO.

1 A Jacarezinha que mordia 7

Veja bem! Por que o Porco Espinho é o único que não está nem aí para o problema? É que com ele a Jaquinha não se mete. Por que?

Além disso, analise com as crianças as expressões faciais dos personagens em cada parte da historia. Como eles se sentem? Que estarão pensando?  Gestos de medo, reprovação, raiva, tristeza, desespero, indiferença. Quantos sentimentos!

5. Trabalhos Manuais:

  • Que te parece se fazemos uma Jaquinha de rolos de papel higiênico com as crianças? Deixo essa proposta que encontrei em no site de Papelísimo. Está em castellano, porém o vídeo de explicação se entende perfeitamente. Está muito fácil. E para que fique igual a Jaquinha é só colocar uma um laço de fita rosa na cabeça. As crianças vão amar.     
1 A Jacarezinha que mordia de papel
Fotografia retirada da página http://www.papelisimo.es

Também podemos fazer outros animais da floresta como: Elefante, Tigrinho, Porco Espinho, Ursinha.

  • Fantoche de Papel:

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  •  A Jaquinha na cabeça:

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  6. Ficha de leitura:

Preparei uma ficha de leitura para trabalhar os sentimentos vividos pelos personagens da historia. Você pode baixar e utilizar livremente 😉

Ficha de leitura sentimentos a jacarezinha que mordia

Para terminar, gostaria de dizer que me senti muito identificada com a Dona Jaca. Muitas vezes passei por situações parecidas e sei que não é fácil. Nesses momentos devemos olhar a situação desde a perspectiva do amor. Como pais, professores, psicólogos, somos semeadores de amor, carinho e bons valores. Se não desistimos essa sementinha um dia brotará. Nunca desista de amar, porque o amor é dádiva.

Frase sobre amor não é recompensa Claudine Bernardes

Se gostou dessa historia, talvez também estejas buscando algum livro para trabalhar a educação emocional com o seu filho ou aluno. Te recomendo dar uma olhada no meu livro “Carlota não quer falar”, utilizado por muitos pais, professores, psicólogos e psicopedagogos de muitos lugares do mundo, para trabalhar as capacidades emocionais das crianças. Além do livro, distribuo gratuitamente o Projeto de Educação Emocional com Carlota. Entra nesse link para saber mais.

Metáforas, contos e contação: a contoexpressão na prática – Oficina de emoções.

(Para leer el texto en español pincha aquí)

Oi, tudo bem? Hoje falaremos sobre as metáforas como recurso junto à contação de histórias para ajudar as pessoas (crianças e adultos) a compreender os sentimentos (próprios e alheios), proporcionando uma oportunidade de mudança.

O que é a metáfora?

Metáfora é uma figura de linguagem onde se usa uma palavra ou uma expressão em um sentido que não é muito comum, revelando uma relação de semelhança entre dois termos.  Metáfora é um termo que no latim, “meta” significa “algo” e “phora” significa “sem sentido”. Esta palavra foi trazida do grego onde metaphorá significa “mudança” e “transposição“.

As Metáforas Terapêuticas

As Metáforas vem sendo utilizadas também com um fim terapêutico, já que proporcionam um espaço terapêutico, onde as crianças, as famílias e o terapeuta podem encontrar-se de forma mais natural.  Quando as metáforas são utilizadas dentro de um tratamento, o seu uso facilita o acesso a pontos dolorosos e conflitantes de uma forma não intrusiva e não ameaçadora.  A linguagem metafórica é uma ponte entre o simbólico e o real, entre o terapeuta e a família,  e também entre os diferentes membros da família. Seu uso oferece um espaço simbólico que agiliza os processos de elaboração do sintoma, onde a palavra não pode chegar.

  Uma metáfora terapêutica consegue mudanças na compreensão do paciente sobre o problema e sugere soluções adequadas sem impôr tarefas ou regras de comportamento. Ao empregar uma metáfora, o terapeuta destaca o que essas mudanças consistem, sem dizer-lhes literalmente; mas faz isso através da sugestão de uma comparação com uma experiência vivida (real ou indiretamente) pelo paciente. Assim, uma metáfora terapêutica apresenta ao paciente uma experiência conhecida ou, melhor ainda, vivida por ele, que está associada ao problema apresentado e oferecendo-lhe uma solução. Ao ouvi-lo, entendê-lo e revivê-lo, há uma mudança em seu comportamento. Com esta definição, a metáfora terapêutica pode consistir em uma única palavra ou uma narrativa de uma história.  ( José Antônio García Higuera – Artigo: Las Metáforas en la terapia de aceptación y compromiso

 Para que uma metáfora seja efetiva, é desejável que atenda às seguintes condições:

  1. A melhor metáfora terapêutica é aquela que se adapta ao problema que o paciente apresenta naquele momento. Além disso, para que seja efetiva é necessário que seja compreensível desde o ponto de vista do paciente, adaptando-se ao seu grau de desenvolvimento (tanto a nível de experiência como idade)
  2. O paciente deve ser refletido nela e identificado com algum ou alguns dos personagens que aparecem na narração.
  3. Deve estabelecer uma clara correspondência entre o problema do paciente e a experiência que ela conta.
  4. Dever ter uma estrutura de ação, para que o paciente possa encontrar na metáfora os passos que deve seguir para mudar o seu comportamento.
  5. A metáfora oferece uma solução para o problema, assim o paciente acessa um comportamento que ele não havia visto antes e que reinterpreta ou resolve o problema.

Desta forma, se o paciente muda de comportamento, o fará porque teve uma experiência pessoal através da metáfora, e não para agradar o terapeuta, ou por outros motivos que não seja uma real mudança interior.  Se desejas ler mais sobre este tema, recomendo este artigo  Las Metáforas en la terapia de aceptación y compromiso de José Antônio García Higuera (está em castelhano).

 Metáforas, Contos e Contação

Os contos em geral, são metáforas e contêm metáforas. E quando me refiro a contos, penso em narrativas de forma geral: contos modernos, contos de fadas (ou maravilhosos), lendas, fábulas, parábolas etc. Assim que, quando decidamos utilizar um conto dentro  de uma terapia (sempre realizada por profissionais capacitados), ou por profissionais da educação, é importante conhecer e compreender o sentido e o alcance das metáforas que estão intrínsecas no conto, bem como a metáfora geral do conto.

Para que uma metáfora perdure no tempo, dentro da memória das pessoas, é interessante dotá-la de imagem e proporcionar a sua experimentação. Para isso, nada melhor que uma eficaz contação, onde o contador da história utilize evoque imagens mentais e sentimentos já existentes nos ouvintes, e proporcionem uma participação ativa destes, através de perguntas, por exemplo.

Para uma melhor compreensão do que expliquei, vou utilizar como exemplo  uma das oficinas que realizo. Se trata da “Oficina de Emoções com Carlota”, preparada para um público infantil. Nesta oficina utilizo como base o meu conto “Carlota não quer falar” o qual possui várias metáforas para explicar os sentimentos. Se te interessa este tema, te recomendo que conheça melhor o conto assim compreenderás melhor o enfoque da Oficina de Emoções (Entre aqui). 

Oficina de Emoções com Carlota

Oficina das emoções carlota não quer falar contoterapia sentimentos

O objetivo da oficina é que as crianças compreendam o efeito das emoções, identificando a emoção no momento em que ocorre, não somente em si mesmas, mas também em outros.  Além disso, também aprenderão sobre a importância de falar sobre os seus sentimentos, e receberão ferramentas para administrá-los.

A Oficina está formada de três partes (e em todas utilizo metáforas):

1 . Introdução: O balão a caixa e a pedra

Metáfora terapêutica Taller oficina de emociones emoções sentimentos

Antes de começar a contação faço uma introdução bastante gráfica, utilizando um balão, uma caixa e uma pedra. As crianças se divertem muito nesta parte e criamos uma conexão muito boa.  O conto começa com as frases: “Carlota tem dificuldades para falar sobre o que sente. Guardou tantos sentimentos dentro de si, que se sente cheia como um balão e pesada como uma grande pedra.”

Para que as crianças possam compreender mais profundamente o sentido dessas metáforas, começo enchendo um balão vermelho. A medida que vou enchendo o balão, paro para conversar com elas e dizer-lhes que acho que ainda falta encher um pouco mais. As crianças começam a ficar preocupadas, porque o balão está muito cheio, porém não esperam que eu siga enchendo. Até que “bummm” o balão explode e elas se assustam.  “Isso é o que passa quando enchemos muito o balão”, lhes digo, e depois sigo com a caixa.

Se trata de uma caixa de sapatos decorada, com um coração na parte superior e um  buraco no centro, onde a criança pode introduzir a sua mão. Dentro da caixa coloco uma pedra pesada. A caixa simboliza o coração e a pedra simboliza os sentimentos que vamos guardando dentro dele. Primeiro peço para cada criança segurar a caixa, e pergunto: Está pesada ou leve? Vocês acham que seria fácil caminhar durante horas carregando este peso? Depois, cada criança introduz a mão na caixa, e faço outras perguntas: O objeto é suave ou áspero? É  agradável tocá-lo? Neste ponto, as crianças descobrem que se trata de um pedra, assim que retiro a tampa da caixa e mostro a pedra para elas.

Durante esta parte introdutória, não explico o sentido da metáfora, já que elas compreenderão o significado destes objetos, e a conexão deles com os sentimentos, durante a contação. Evito fazer explicações, para que as crianças possam captar o ensinamento, de acordo com a capacidade individual, a idade e experiências pessoais. Agindo assim, não subjugo o conhecimento delas. 

Depois de ter integrado na mente das crianças, os conceitos base, através da experimentação, passamos para a segunda parte que é a contação.

 2. Contação: Carlota não quer falar

Como já disse, o conto está cheio de metáforas para explicar os sentimentos de forma experimental. Como se trata de um conto interativo, as crianças se sentem parte da história e participam ativamente durante toda a contação. É uma experiência muito significativa para elas. Começo a contação apresentando o problema de Carlota e convidando as crianças a ajudarem ela: “Carlota tem dificuldades para falar sobre o que sente. Guardou tantos sentimentos dentro de si, que se sente cheia como um balão e pesada como uma grande pedra.” Vocês gostariam de ajudar a Carlota? Para isso, todos têm que falar por ela. Vocês estão de acordo? 

O conto apresenta quatro problemas: 1) Carlota incomodou-se com um menino no parque; 2) Carlota tem problemas para dormir; 3) Carlota se sentiu mal porque a sua melhor amiga Julia estava brincando com outra menina; 4) Carlota se sentiu mal porque pegou a boneca da sua amiga sem pedir. Apresento o problema, e pergunto às crianças o que está sentindo a protagonista. Depois, pergunto o que ela deve fazer para resolver o seu problema e sentir-se melhor. Para cada uma dessas questões, há duas opções dentro da história. Faço a criança pensar o que aconteceria ao escolher uma ou outra opção.

Exemplo: Carlota não consegue dormir. As crianças já identificaram que ela não consegue dormir porque sente medo. Opções: a) Ela deve ficar acordada toda a noite; b) Ela deve confiar que papai e mamãe estão cuidando dela.  O que aconteceria se ela ficasse acordada toda a noite? Como se sentiria no dia seguinte? Estaria bem para estudar ou brincar?

Depois que conversamos e pensamos nessas possibilidades e as crianças fizeram as suas escolhas, lhes digo: Vejamos qual foi a escolha da Carlota. Será que ela escutou o conselho de vocês?

Então, passamos a página e aí está o resultado. As crianças desfrutam muito nesta parte, porque esperam que Carlota tome a decisão correta. Nesta parte também introduzimos metáforas para explicar cada sentimento. Devemos conversar com as crianças sobre essas metáforas, fazendo perguntas para que elas possam entendê-las. Exemplo: “O perdão é como um banho de mar num dia de calor”. Quem gosta do verão? Faz muito calor, né? Quando sentimos muito calor, o que podemos fazer? Ir na praia é uma boa ideia. Agora imaginem que está fazendo muito sol, você sente muito calor e se joga na agua do mar, ou na piscina… o que você sente? Respostas que costumam aparecer: frescor, alivio, tranquilidade, alegria.

Terminamos a contação com Carlota agradecendo as crianças por ajudá-la a falar sobre os seus sentimentos. É Maravilhoso ver os olhinhos delas brilhando ao perceber que puderam ajudar a protagonista do conto. Todas estão sorrindo e felizes 🙂

Vejamos as metáforas que aprecem no conto:

3. Exercício de conhecimento e gestão dos sentimentos: O Semáforo

Metáfora terapeutica balão Globo pedra caixa lidera Caja

Depois que as crianças vivenciaram a história da protagonista, participando ativamente da contação, esperamos que elas ao menos tenham compreendido a importância de expressar os seus sentimentos, além de identificar alguns sentimentos apresentados na história.

Agora chegou o momento de que as crianças compreendam a importante de gerir estes sentimentos e para isso utilizo a Metáfora do Semáforo, que é uma técnica para aprender a identificar o grau de intensidade de um sentimento, além de como enfocá-lo. Dependendo do tempo que disponho, também utilizarei outra metáfora, que é a Técnica do Vulcão (esta última a modo de introdução para a outra).  Desenvolvo esta parte da seguinte maneira:

Mostro para as crianças a imagem de um Semáforo (pintado por mim) e pergunto se elas sabem o que é. Depois lhes peço que me expliquem o que significa cada cor no semáforo. As crianças explicam sem problemas, porque todas conhecem o seu funcionamento. Depois começo a explicar-lhes que os semáforos foram criados para ajudar a controlar o trânsito, principalmente os carros que gostam de correr muito rápido. Algumas vezes temos sentimentos que são como carros descontrolados, que correm a toda velocidade. Um carro descontrolado é muito perigoso e pode machucar tanto as pessoas que encontra pelo caminho, quanto a pessoa que vai dentro dele. Os sentimentos descontrolado podem provocar estragos semelhantes. Assim como o semáforo controla o trânsito, também podemos utilizar o semáforo dos sentimentos para ajudar a controlar o que sentimos. As vezes sentimentos raiva porque alguém nos ofendeu, e também as vezes essa raiva é tão forte que pode tomar controle da nossa mente e provocar que façamos dano a pessoa que nos ofendeu. Quando sentimos a raiva borbulhando dentro de nós, como um vulcão em erupção, pronto a explodir, então devemos PARAR (mostrar o Sinal vermelho), respirar fundo e contar de 5 até 0. Se já nos sentimos um pouco mais tranquilos então passaremos para o Sinal Amarelo (mostra sinal Amarelo – PENSAR). Vamos pensar nas opções que temos, e o resultado de tomar cada uma delas. Me sentiria bem se batesse na pessoa que me provocou? Isso resolveria o problema? Posso perdoá-la e tentar conversar sobre o problema com ela. Quando já pensamos na melhor opção, então chegou a hora de seguir adiante com o Sinal Verde (Mostrar Sinal Verde – Fazer). Agora vamos fazer aquilo que decidimos anteriormente.

Parece um pouco longo e complicado, mas na prática é muito fácil e as crianças compreendem muito bem a proposta. Depois da conversa/explicação, daremos os semáforos para que as crianças pintem e montem, para levar às suas casas.

Oficina das emoções carlota não quer falar contoterpia técnica semaforo gestão de sentimentos

Se ainda temos um pouco de tempo, jogamos o Ludo das Emoções, para colocar em prática um pouco do que aprendemos.


Hoje aprendemos um pouco sobre as metáforas e a importância delas na terapia e também na educação emocional. Se você gostou do que vimos hoje, e quer conhecer mais sobre a educação emocional, preparei um projeto bem interessante sobre o assunto.

No Projeto de Educação Emocional com Carlota você encontrará uma parte teórica, onde explico o que é a contoexpressão e como utilizá-la, também falo sobre a educação emocional. Há também uma parte teórico-prática com muitos jogos, técnicas de gestão dos sentimentos, fichas para colorir, atividades etc.  Para conseguir Projeto você só tem que preencher o formulário abaixo, e em breve enviarei o material em pdf e de forma gratuita para você.  Se gostou do conto e quer saber como comprá-lo clica aqui. 

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Toma nota: Menos sermões e mais histórias, seus filhos agradecerão e crescerão.

(Para leer el texto en español pincha aquí)

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Sejamos sinceros, quem gosta de levar sermão? Ninguém! Essa é uma verdade universal. Realmente só valorizamos os sermões que recebemos dos nossos pais ou professores, quando já temos idade suficiente para dar sermões também. Ou seja, quando já não nos serve. Ou quando somos pais, e então como é a nossa vez de dar sermões, dizemos aquela conhecida frase: _ Escuta o que eu estou dizendo, se eu tivesse escutado os meus pais quando eles tentavam ensinar-me, talvez as coisas tivessem ido melhor para mim.

A verdade é que um sermão geralmente entra por um olvido e sai pelo outro. Agora eu vou compartilhar com você o segredo para ser escutado pela sua criança ou adolescente:

Conte histórias

Vou contar-lhe uma história real que fez com que um rei percebesse o seu erro:

Era uma vez um país que estava em guerra. O rei que geralmente acompanhava os seus soldados à guerra, dessa vez resolveu ficar na tranquilidade do seu palácio. Num final de tarde, o rei saiu a passear no terraço do palácio, e desde lá viu a uma bela mulher. Mesmo sabendo que se tratava de um mulher que estava casada com um de seus soldados, ele resolveu tomá-la para si. Como a mulher engravidou, para encobrir o seu erro e ter via livre, o rei ordenou que colocassem dela na primeira fila de batalha; ou seja, o sentenciou à morte. Obviamente o marido morreu, e o rei se casou com a mulher.

O sacerdote vendo aquela injustiça e sabendo que Deus não se agradava daquela situação, resolveu apresentar-se diante do rei, para fazer-lhe perceber o seu erro. Era uma situação muito perigosa para o sacerdote, porque o rei, para encobrir o seu erro poderia mandar matá-lo também. Por essa razão, ele buscou uma forma de alcançar o coração do rei, apresentado-se diante dele e contando-lhe  uma história: “Havia dois homens numa cidade, um deles era muito rico e outro pobre. O homem rico tinha muitas ovelhas e vacas, mas o pobre só tinha uma ovelhinha, a qual amava muito. Um dia o homem rico recebeu visitas, e como tinha que mandar preparar um banquete para os seus visitantes, resolveu que não queria gastar nenhum de seus inúmeros animais. Por isso, utilizando o poder que o dinheiro lhe conferia, mandou buscar a única ovelhinha do homem pobre para servi-la aos seus visitantes.”

Depois de escutar essa historia, o rei ficou muito furioso, e queria que o sacerdote lhe contasse o nome desse malvado homem rico, para que pudesse castigá-lo como era devido. Foi então que o sacerdote lhe disse: _Rei, este homem és tu.  

Essas palavras atingiram o coração do rei como uma flecha, e ele pode ver o seu grande erro desde uma nova perspectiva.

Essa é uma história real que está registrada no livro de II Samuel, capítulos 11 e 12, da Bíblia. O rei da nossa história era Davi e o sacerdote se chamava Natã. Resolvi omitir que se tratava de uma história Bíblica pela mesma razão que Natã omitiu o nome do homem rico, as vezes deixamos que um pré-julgamento, ou que o crivo da razão, impeça que aprendamos, que vejamos a verdade que está além das nossos preconceitos.

Por que os sermões não são “escutados”?

É simples, a nossa mente é seletiva e conservará aquilo que a emocione mais. Os sermões costumam ser uma serie de blá-blá-blá, uma ladainha, cuja forma não é para nada emocionante. Penso que a nossa mente já está geneticamente programada para ignorar os sermões desprovistos de entrega.

Um exemplo prático: Meu filho e seu melhor amigo estavam brincando aqui em casa. Eles acabaram brigando e não havia maneira de arrumar a situação porque meu filho culpava o amiguinho de estragar as coisas dele. Tentei conversar com ambos, mediar, explicar de muitas maneiras, principalmente ao meu filho, que ele poderia montar outra vez o brinquedo, mas ele disse que não era possível, havia muito para montar e que ele já não lembrava como montar igual e ele queria que fosse igual. Foi então que lembrei de algo e falei assim para ele:

_ “Amor, a mamãe entende a sua frustração, também me passou algo parecido. Eu tinha um arquivo na minha tablet com um montão de ideias de textos que queria escrever. Havia feito muitas anotações de contos e historias que deixei para terminar quando tivesse mais tempo. Porém, um dia, um menino que amo muito, pegou a minha tablet e borrou todos os textos. Eu fiquei muito triste. Me senti muito frustrada porque havia muitas ideias que já nem lembrava mais. Porém, era algo que já não havia remédio, assim que aceitei a situação e voltei a escrever outros textos. E muitas outras ideias surgiram, quando aceitei isso.”

Ele sabia que eu estava falando dele,  e também sabia que eu compreendia a sua frustração. Isso o fez mudar de atitude, ele já estava pronto para perdoar e voltar a brincar com o seu amigo.   

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Surpreenda o seu filho com uma história, algo que infunda esperança ao seu coração. Uma história bem escolhida pode servir de espelho  para que ele se veja tal qual é. Porém, uma excelente história é aquela que además de mostrar a  decadência humana, também mostra a sua redenção. Todos necessitamos de esperança para seguir adiante.

Os bons pais são uma enciclopédia com muita informação, os pais brilhantes são agradáveis contadores de histórias. São criativos, perspicazes, com a capacidade de encontrar belas lições de vida nas coisas mais simples.  – Augusto Cury

Quando escrevi o meu livro “Carlota não quer falar”, imaginei que pudesse ser como uma ponte entre o mundo adulto e o mundo infantil. Uma oportunidade para que pais e filhos, professores e alunos, avós e netos compartilhassem as suas histórias.  Levo dentro de mim uma contadora de histórias, e sei que todo ser humano é feito de história, não tenha medo de compartilhar as suas histórias com aqueles que você tanto ama.

Obrigada por passar pela minha Caixa de Imaginação. Deixe o seu comentário, será maravilhoso saber a sua opinião.

Minha Experiência: TDAH, educação emocional e contoterapia. Realmente funciona?

(Para leer la entrada en castellano pincha aquí)

tdah contoterapia e educação emocional claudine bernardes

Oi, tudo bem? Hoje quero compartilhar com você um tema que vivo no meu dia a dia. Sou hiperativa, tenho a necessidade de fazer mil coisas ao mesmo tempo para sentir-me viva. Além disso, tenho um fluxo mental comparável às Cataratas do Niágara. Bem, mas não é de mim que quero falar, e sim do meu pequeno furacão… aquele que saiu das minhas entranhas e se parece comigo, como se fôssemos duas gotas de água.

Desde que o meu filho tinha 3 anos, percebemos (meu marido, sua professora e eu) que o meu filho tinha todas as possibilidades de sofrer de TDAH. Depois de cumprir 6 anos se confirmou o diagnóstico: TDAH com Impulsividade.

Vou ser bem clara: “Não é nada fácil ser mãe de uma criança que sofre de TDAH com impulsividade.  

1 – Primeiro: está a falta de tempo (e vontade) para tratar com a situação. Uma criança com TDAH necessita do dobro de tempo, paciência, sabedoria e um montão de etcéteras.

2 – Segundo: Quem está preparado para enfrentar esta situação? Ninguém. É necessário viver esta situação para criar bagagem e encontrar recursos que sirvam para o caso específico do seu filho.  Antes de ser mãe, li muito sobre a maternidade , inclusive sobre TDAH, mas a teoria não tem nada que ver com a prática. Porém, por amor ao seu filho, à sua familia e à sociedade, você deve enfrentar o problema de frente, sem rodeios, porque o que lhe motiva é o amor, e o amor afasta o medo.

3 – Terceiro: A sua familia e os seus amigos não estão preparados. Tenha paciência. É possível que muitos nem mesmo acreditem na existência do TDAH, você encontrará muitos comentários absurdos por internet, escutará dos seus amigos, familiares… tenha paciência, não são eles que estão viviendo isso, é você. É possível, inclusive que você seja julgado(a) por aqueles que deveriam servir de apoio. Pensarão (alguns dirão na sua cara, ou comentarão nas festas, naquelas que deixaram de convidar-lhe) que você é um mau pai/mãe, que não sabe educar e dar limites ao seu filho. Talvez deixem de lhe convidar para festas de familia, aniversários de coleguinhas, passeios… lhe deixarão de lado, porque ninguém quer por perto uma criança gritona, que bate e bagunça tudo.

As vezes a solidão, a incompreensão e a falta de apoio podem fazer com que você entre em desespero, que deseje gritar aos quatro ventos o quanto você se sente injustiçada. ¿Por que eu?

Você se identifica? 

Bem, meu amigo ou minha amiga, as coisas podem ficar ainda piores, isso mesmo, e aceitar esta realidade é muito importante para que você posso ajudar o seu filho. Talvez chegue o dia em que lhe chamem do colégio dizendo que o seu filho “bateu no professor”, o que pode ser verdade ou um exagero. Ainda assim, HÁ ESPERANÇA.

No mes passado, o meu filho que vai cumprir 7 anos, nos pediu para ir no acampamento de crianças da “igreja” a qual pertencemos. Que dúvida cruel! Porém, ele estava esforçando-se tanto por comportar-se bem, que resolvemos ver no que daria. Esse fim de semana encontrei uma das professoras que lhe acompanharam, e ela me disse:

“Claudine, se nota que  vocês estão trabalhando muito com Alejandro.  O seu comportamento no acampamento foi muito bom, se vê que vocês investiram muito tempo na educação emocional dele.”   

Você não tem ideia de como me senti bem. Tive vontade de pular de alegria (só pais de TDAH podem entender esse meu exagero). Foi uma pequena vitoria, e eu sei que momentos difíceis ainda virão, mas estou muito feliz porque vejo um grande progresso na vida do meu filho.

Por essa razão gostaria de compartilhar com você algumas sugestões que talvez possam ajudar-lhe também. Tenho um lema que diz “Observo tudo e retenho o que é bom” (parafraseando a Paulo). Espero que algo possa ser de ajuda para você:

1 – A mudança deve começar em você:  Faça uma autoanálise das suas condutas, é possível que encontre algumas condutas tóxicas, que estão prejudicando a educação do seu filho. Foi o primeiro passo que dei, não somente eu, mas o meu marido também. Entramos muitas coisas que deveríamos mudar, reformulamos nossa tática educativa em casa, e já começamos a ver mudanças positivas.  Seja sincero com você mesmo, aqui deixou algumas perguntas para você refletir: A sua casa é um lugar de repouso para o seu filho? Vocês conversam sobre sentimentos? Os limites do que ele pode ou não pode fazer estão claros? Você cumpre com o que promete? Você exerce a sua autoridade? Você exerce a sua autoridade com respeito? Você tem que gritar para ser atendido? Você grita muito?   

2 – O que não funciona, não funciona: Algumas coisas funcionam com umas crianças, outras não. Um exemplo: Quando o meu filho tinha uns 4 anos e se comportava mal, eu batia na bunda dele. Foi assim que a minha mãe me ensinou, e assim eu estava ensinando o meu filho. Só que isso não funcionou com ele, ao contrário. O menino ficava ainda mais nervoso, cheio de ira e cada vez mais agressivo. Percebi que um abraço e as vezes o castigo funcionavam muito melhor.

3. Comunicação contínua com o colégio:  Ter uma boa relação com administração do colégio e com os professores é fundamental. As vezes conseguir isso pode ser bem difícil, porém vou deixar uma dica: Passe o que passe você deve manter-se no controle da situação. Apoie os professores, nunca fale mal de um professor na frente do seu filho (porém se o professor está equivocado, fale com ele); seja sempre educado, prestativo, e sincero. Outro dia tive que conversar com uma das professoras do meu filho, pedi perdão pela conduta dele. O meu pequeno estava ali, atrás da professora, pedindo uma e outra vez que ela o perdoasse, como um “cachorrinho sem dono”. Mas ela se negou a perdoar, disse que a sua conduta era imperdoável. Aquilo partiu o meu coração, mas sabia que deveria respeitá-la, que deveria manter o equilíbrio. Sem perder a pose e com um sorriso nos lábios, lhe disse: “Eu lhe entendo perfeitamente, sei que o que o meu filho fez foi horrível. No entanto foi devido ao seu impulso, que é um dos sintomas do TDAH. Se  você que é uma professora, adulta e equilibrada, não consegue controlar os seus sentimentos, a ponto de negar o perdão a uma criança, imagine como é difícil para o meu filho.” Ela sentiu-se envergonhada e mudou de atitude.

4. Trabajo familiar: Pai e mãe devem estar envolvidos no processo, como uma equipe, porque a família é uma equipe e deve enfrentar unida as dificuldades da vida.  Todas as decisões devem ser tomada de comum acordo, entre mãe e pai. Assim, quando um se sinta cansado, agoniado e sem ánimo, o outro pode animá-lo. Ser uma equipe é fundamental.   

4. Educação Emocional: Sobre isso quero falar um pouco mais, por isso separei um espaço especial para esse tema.

Educação Emocional e Cuentoterapia

Criar uma comunicação eficaz com a criança é importantíssimo para alcançar uma melhora da sua conduta.  Devemos identificar qual é a melhor maneira de comunicar-nos com o nosso filho. No meu caso, observei que através dos contos conseguia estabelecer uma comunicação muito mais eficaz. Ou seja, ele me entendia, entendia o que eu queria explicar. Além disso, conseguia interiorizar a informação, e o resultado era uma mudança a nível psíquico que se revelava também na sua conduta (cognitiva-conductual).

Por esse motivo, resolvi estudar contoterapia (ou como diz no meu diploma “especialização em contos e fábulas terapêuticas) e comecei a escrever contos infantis utilizando esta técnica.

  Se você quer saber mais sobre contoterapia pulsa neste enlace: Contoterapia – Que bicho é esse? A contoterapia é um excelente instrumento para ajudar a desenvolver a educação emocional; e a educação emocional é imprescindível para que um TDAH possa melhorar a sua conduta.

As crianças com  TDAH costumam expressar de forma exagerada os seus sentimentos, ou seja: Quando está feliz, voa, se sente maravilhoso e completo. Quando está triste, se arrasta pelo chão… como o meu filho costuma dizer “é o pior dia da minha vida”.  As vezes, sou a “melhor mamãe do mundo” para ele, as vezes não quer me ver pintada nem de ouro.

É por essa razão que devemos ajudar-lhes a que encontrem um equilibrio, e para isso está a educação emocional.  O que conforma a educação emocional? Vejamos: 

1 – Consciência Emocional:

É a habilidade de reconhecer os sentimentos próprios, no mesmo momento em que eles aparecem.  É algo complexo e que devemos ensinar  aos nossos filhos desde que são muito pequenos. Se a criança não desenvolve a sua consciência emocional, provavelmente se tornará um adulto que não conseguirá controlar os seus sentimentos, porque não sabe reconhecê-los.

Se você consegue identificar que a raiva está apoderando-se de você, como um vulcão em erupção, será mais fácil de saber como agir para evitar a explosão.  

2. Regulação Emocional:

É a habilidade que nos permite controlar como expressamos os nossos sentimentos e emoções, de forma que devem ser adequados ao lugar e momento em que estamos. Se para um adulto, as vezes é difícil controlar a expressão dos seus sentimentos, imagine para uma criança. Conseguir que uma criança com TDAH se controle, quando, por exemplo, a raiva já está ativa, é muito complicado… porém é possível. Vejamos um caso real.

O meu marido costuma fazer pequenas provocações ao meu filho, ele diz que isso serve como exercício para o autocontrole do nosso pequeno (sou sincera em dizer que não gosto muito disso). Outro dia, o nosso filho tentava dizer-nos algo, porém o meu marido interrompia o pobre menino, uma e outra vez. Ele ficou com muita raiva e parecia que ia explodir. Foi então que algo surpreendente passou. Ele parou, respirou fundo e disse: – Papai, você pode, por favor, deixar eu terminar de falar? – Sim, claro filho, continua.

É lógico que antes de alcançar este nível, tivemos que percorrer um longo caminho. Tive que explicar-lhe muitas vezes como atuar em situações assim, e que ser educado faria com que as pessoas o escutassem. Inclusive tive que fazer uma seções especiais de contoterapia com ele para o controle da ira. 

3. Autonomia Emocional:

É o conjunto de habilidades emocionais relacionadas com a autogestão dos sentimentos. Seu objetivo é evitar a dependência emocional.  Esse é um passo muito importante dentro da educação emocional, porque nem sempre você poderá estar ao lado do seu filho para ajudá-lo a controlar-se.  Um dia, já faz uns 3 anos, estive conversando com um amigo que é psicólogo. Contei a ele que quando o meu filho ficava nervoso eu lhe dava um abraço, com muito carinho e ele se tranquilizava. Foi então quando ele me perguntou:

E o que o seu filho fará quando você não estiver? Como ele resolverá o seu problema, quando estiver num ambiente hostil, sem ninguém que lhe dê um abraço? 

Ele tinha razão, eu deveria preparar o meu filho para auto-gerenciar as suas emoções. Para isso é importante ajudar a criança a desenvolver a sua autoestima, automotivação e otimismo. Estas são ferramentas muito importantes para alcançar a autonomia emocional.

4 – Competência Social

É a capacidade para reconhecer as emoções em outras pessoas, e saber manter relações interpessoais satisfatórias. Devemos ajudar os nossos filhos a escutar e interpretar a comunicação não verbal. A empatia é a chave para o desenvolvimento da competência social.

Outro dia, um menino no colégio, derrubou o meu filho no chão e se jogou sobre ele, e fez um grande estrago. Já em casa, estive conversando com ele, para ajudar-lhe a perdoar o menino, e ele me respondeu:

“Você não precisa se preocupar, mamãe, eu já perdoei o menino. Além disso, o que ele me fez, me ajudou a perceber como se sentem os meus amiguinhos quando eu bato neles. ”  

Quase chorei de emoção. Percebi que vamos pelo caminho correto.

Resumindo,

A educação emocional é como uma semente que você planta no seu filho. Demora um pouco para ver os resultados. Mas se você é perseverante, rega e cuida da semente com fé, eu garanto que chegará o dia en que ela brotará; se transformará numa linda árvore e dará muitos frutos. 

Se você gostou do que compartilhei hoje, e quer aprender mais sobre como utilizar os contos na educação emocional, é só se inscrever no meu blog. Você receberá e-mails avisando sobre os novos posts. Tenho um montão de material legal e útil que estarei compartilhando.

Também tenho uma boa notícia, o meu livro “Carlota  não quer falar” já foi lançado no Brasil também, através da Editora Grafar. É um ótimo material para trabalhar a educação emocional com as crianças, porque além do conto, o livro também está formado por un Guia didático e o Ludo das Emoções. Conheça um pouco sobre o livro aqui. Além do livro, eu também preparei um Projeto de Educação Emocional totalmente gratuito, com quase 80 páginas cheias de atividades para trabalhar a educação emocional das crianças. Basta me escrever e dizer que quer o material e eu envio ele para você. Não custa nada, é totalmente gratuito!

Deixe a sua opinião, e compartilhe este post nas suas redes sociais. Até logo!

O amanhecer no Mediterrâneo

(Pinche para leer el texto en Español: Amanecer Mediterráneo)

 ver o nascer do sol

Fotografia e edição: Claudine Bernardes. Praia de Benicassim

Acordei assustada e olhei no relógio. Oh, não! O despertador não soou e já era às 6:30 da manhã. Pulei da cama, tomei meu café correndo (porque antes disso não sou gente), me vesti, peguei a bicicleta do meu marido (que é mais rápida que a minha) e saí de casa como quem está dando a luz.

Ainda estava escuro, mas o caminho era longo e eu estava com os músculos frios. Havia duas opções: ir pelo caminho de sempre, que era todo por uma ciclovia e portanto muito mais seguro, principalmente naquela manhã escura; ou, ir pelo caminho rural, muito mais curto, no entanto sem acostamento. Escolhi a segunda opção! Acendi as luzes da bicicleta para evitar problemas e lá fui eu.

Pedalei o mais rápido que pude! Havia pouca gente no caminho, ciclista nenhum, a parte de mim. Comecei a perceber a silhueta rosada do horizonte, indicando que o sol já começaria a surgir e pedalei ainda mais rápido. Não queria perder o espetáculo do nascer do sol. A última vez que o havia contemplado fazia uns 15 anos, e fora no Atlântico (uma experiência inusitada, já os contarei). Seria a primeira vez que contemplaria o nascer do sol no Mediterrâneo, e não estava disposta a perder essa oportunidade. Apesar de pedalar o mais rápido que meu intumescido corpo permitia, o caminho se fez mais longo do que eu imaginava. Estava cansada, sem fôlego e desesperada por chegar.

E cheguei! Saltei da bicicleta correndo para pegar a câmera fotográfica e registrar os primeiros raios do sol… Nãooooooooo! Estava sem bateria! Assim que, iPad, somos só você e eu! Meu fiel companheiro, ainda que limitado era o único que me restava para registrar esse momento (como você deve ter notado tenho por regra utilizar imagens próprias). Bem, você julgará o resultado! Caminhei até o molhe e me sentei para esperar o sol que começava a surgir timidamente. Observei com entusiasmo a luz âmbar que começava surgir entre algumas nuvens pegadas ao horizonte, e senti que me saudava.

Como um noivo extasiado pela beleza da noiva que vai ao seu encontro, me sentei sobre as pedras e esperei que a cálida luz âmbar viesse ao meu encontro. Ela caminhou suavemente sobre as águas, crescendo e espalhando-se gradualmente sobre o Mediterrâneo. Não havia pressa! As poucas ondas dançavam douradas diante de mim, produzindo uma suave melodia. Finalmente senti a luz âmbar tocando minha pele, produzindo a união do homem com a luz. Foi um espetáculo incrível! Senti uma irreprimível vontade de agradecer a Deus e isso fiz. Minha oração matutina foi ali mesmo, sobre as pedras e olhando o mar iluminado pelos primeiros raios de sol. Obrigada, Deus!

nascer do sol espanha
Fotografia e edição: Claudine Bernardes. Praia de Benicassim.

Agora estou aqui, com uma pedra como cadeira e o mar como janela, tentando registrar em palavras essa experiência. No entanto, nenhuma palavra que exista no dicionário poderá conter os sentimentos que hoje experimentei. Gostaria que você soubesse que ver o nascer do sol com os próprios olhos é ainda mais espetacular. Não consigo descrevê-lo de modo que você possa realmente compreender a sua beleza, é algo para ser vivido. Meras fotos não podem conter tamanha beleza.

nascer do sol, praia espanha.
Fotografia e edição: Claudine Bernardes. Praia de Benicassim.

Isso me fez ver outra realidade. O amor de Deus, na pessoa de Jesus. Eu posso dizer o quanto é maravilhoso desfrutar do seu amor, posso tentar convencê-lo com todos os artifícios que eu conheça quanto a sua existência, no entanto, minhas palavras e minha vida jamais poderão conter a plenitude do que Ele é. É por isso que eu sempre digo, o cristianismo não é uma religião, porque o amor não pode ser descrito através de regras. Se trata de uma vivência, ou melhor, de uma CONvivência. De uma relação! De um: ver com os próprios olhos e sentir com o coração. Me chame de louca se quiser, mas não deixe a vida passar sem ver esse nascer do sol.

Salmos 19.1
Fotografia e edição: Claudine Bernardes. Praia de Benicassim.

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral. Será gratificante receber seus comentários e ideias.  Se gostou,  por favor, compartilhe! (Pinche para leer el texto en Español: Amanecer Mediterráneo)

Conto Terapêutico e Bem-estar psicológico.

(Para leer el texto en castellano pincha aquí)

Cuento terapeutico claudine bernardes

Oi Amigos! Hoje vou compartilhar com vocês o resumo que fiz de um artigo científico muito interessante, intitulado

Implicações do Conto Terapêutico no bem-estar  psicológico e na afetividade positiva.

O artigo foi escrito pela la Dra. Mónica Bruder, Psicopedagoga clínica especializada em crianças e família.

Você sabe o que é um conto terapêutico?

Se entende por conto terapêutico a todo conto escrito por um sujeito a partir da situação traumática mais dolorosa que tenha vivido e cujo conflito conclui com final “feliz” ou positivo; ou seja, que a situação traumática vivida no passado se resolve positivamente no conto (Bruder; 2004).

Em todo conto terapêutico há um conflito que se resolve.

Os personagens do conto representam o autor do conto, escrevendo em terceira pessoa, como em um sonho. Ao escrever o conto terapêutico, os sujeitos podem alternar a primeira com a terceira pessoa “sem perceber”, no momento da criação do conto. Este jogo de pessoa/personagem ajudaria a provocar esta mudança no bem-estar do sujeito.

Ao comprometer-se com a escrita, com o trabalho criativo, se permite passar da insensibilidade ao sentimento, da negação à aceitação, do conflito e caos, à ordem e resolução, da ira e perda a um crescimento profundo. Da dor à alegria (De Salvo; 1999).

Alguns pesquisadores sugeriram que os mecanismos através dos quais os eventos positivos podem reduzir indiretamente os efeitos negativos, é através de criar um contexto mais saudável, a partir do qual se julga o efeito das experiências negativas. Esta análise é compatível com o conceito de conto terapêutico, no qual a partir de uma situação traumática vivida, se gera a possibilidade que o sujeito recrie essa situação dolorosa, no qual o conflito se resolve positivamente.

Por que com final feliz ou positivo?

A partir das linhas de pesquisas atuais em psicologia que se apoiam nos conceitos de Psicologia Positiva, centrada na saúdo e não na doença, se considera que o final “feliz” ou positivo, permite que o sujeito do conto se conecte com os aspectos mais saudáveis da sua pessoa.

Por que escrito?

  • A escritura de situações traumáticas vividas pelos sujeito, transformar-lhe em uma pessoa mais saudável. É uma ferramenta excelente para aprender sobre o mundo e como afronta-lo.
  • Se vê como ferramenta para a educação através da qual o sujeito pode rearmar a informação recebida de maneira mais ativa, integrando-a.
  • Ajuda a adquirir e relembrar informações. Escrever permite que essa informação resulte mais viva.
  • Já que escrever é um processo mais lento que pensar, se obriga a que cada ideia seja pensada mais detalhadamente, produzindo uma maior conexão do sujeito consigo mesmo.

Por que a partir da situación mais traumática vivida?

Se denomina trauma o traumatismo psíquico a:

“Acontecimento da vida do sujeito caracterizado pela intensidade, a capacidade do sujeito de de responder a ele adequadamente e ao transtorno; e os efeitos patogênicos duradoiros que provoca na organização psíquica” (Laplanche y Pontalis; 1974; 447).

 

A intervenção do conto terapêutico favorece tanto ao aumento do bem-estar psicológico, em particular a autonomia, assim como o aumento do positivismo no sujeito.

Conclusão

Bem, espero que você tenha compreendido todo o resumo. Para concluir, podemos dizer que o conto terapêutico é uma história escrita por uma pessoa, dentro de um tratamento psicológico. Se trata de uma história que narra um acontecimento traumática vivido pelo paciente/narrador, o qual termina a sua narração com um final feliz ou positivo. Ao rememorar o trauma através da escritura do conto, o sujeito pode integrar a experiência traumática vivida, buscando tirar o melhor do pior, ou seja: buscando o seu lado positivo, uma nova perspectiva, ou uma continuidade positiva para a sua vida.   É por isso que penso que o conto terapêutico é muito efetivo e favorece a resiliência.

Se você passou por uma situação difícil, como por exemplo, a morte de uma pessoa amada, um divórcio ou outra circunstância que te produz dor e pesar, tente escrever sua história, como se fosse um conto, em terceira pessoa, ou seja, como narrador observador.  No entanto, é importante buscar um final feliz ou positivo para essa história. Por exemplo: sua recuperação; as coisas boas que a pessoa que partiu deixou na sua vida; o que pode vir por diante… Você verá como o processo de perda, ou trauma começará a seguir seu processo e você passará a sentir-se melhor.

Se resolve fazê-lo, sinta-se livre para compartilhar comigo a sua experiência. Um grande abraço e obrigada por passar pela minha “Caixa de Imaginação“.

O legado de contar contos

(Para leer el texto en español pincha aquí)

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Meu pequeno Conta Contos

Os contos, fantásticos (fadas) ou não, devem fazer parte da infância de toda criança. Já falei sobre isso antes, sobre a importância de contar contos aos nossos filhos, sobre o elo que criamos com eles, quando as palavras “Era-se uma vez…” voam da nossa boca aos seus ouvidos.

Agora pensemos: Quantos pais contam contos aos seus filhos?

Mas hoje quero contar-lhe sobre a linda experiência que viveu o meu filho quando ele se transformou em um conta-contos na sua sala de aula.

No colégio onde meu filho estuda, as professoras do último ano de infantil (jardim de infância no Brasil), tiveram uma excelente ideia:

Realizar uma sessão de conta-contos semanal.

“Ah, Claudine! Isso não é nenhuma novidade não. Que professora de jardim de infância não conta conto aos seus alunos?” 

Não, você não me entendeu! Não é a professora que conta os contos, são os alunos.  “Uma criança de 5 anos contanto contos?” Exatamente isso! Cada sexta-feira um dos alunos leva a “mala conta-contos” para casa. Com a ajuda dos pais a criança escolhe um conto que ainda não foi contato (na mala está pegada uma imagem de cada conto que já foi contado, e dentro dela há uma lista de contos já contados, com o nome do aluno que o contou). Os pais também devem ajudar a criança a ensaiar e a preparar os acessórios que utilizará para a sua apresentação (fantasia, fantoches, elementos que apareçam na historia etc).

A criança terá uma semana para preparar-se, já que na sexta-feira seguinte ela deverá levar para a aula a mala e a história e compartilhar o conto escolhido com os seus amiguinhos.

É lindo como cada criança espera com expectação o dia em que será a sua vez de ser o conta-contos. É um dia mágico para elas!

cuenta-cuentos-alejandro-9-blog

Quais são os benefícios para a criança que participa desse exercício?

  •      Eleva a sua auto-estima: porque ela e a sua história são centro de atenção do dia.
  • Aumenta a segurança: ser escutado e saber que pode falar diante de outros, além de ser positivo para a autoestima, aumentará a segurança da criança nas suas capacidades, já que aprenderá desde pequena a falar em público.
  • Ajuda a exercitar o seu vocabulário: O exercício da narrativa e de contar uma história de princípio ao final, ajudará a criança a por em prática novas palavras e expressões utilizadas no conto.

Que outros benefícios você indicaria?

Compartilhe com os seus filhos, alunos ou netos o lindo legado de contar contos! 

Obrigada por passar pela minha “caixa de imaginação“. Deixe um comentário e   compartilhe esse texto nas suas redes sociais. Até breve!

 

contoterapia claudine bernardes

Por que contar contos às crianças?

(Para leer el texto en español pincha en: contar cuentos a los niños)

contoterapia contos a caixa de imaginação

Era uma vez…

O menino estava deitado comodamente na sua cama, mas não conseguia dormir. Sua mãe, como uma fada madrinha, sentou-se ao seu lado, e sabendo o que o filho necessitava, começou a contar-lhe uma história: _ Era uma vez…

A criança deixou levar-se pela história, adentrando no mundo mágico da imaginação. Caminhou por sendas íngremes; lutou ao lado de príncipes contra ferozes dragões e depois de vencê-los regressou vitorioso para pedir a mão da princesa e viver feliz para sempre.

Os argumentos dos contos populares, cheios de ação e pouca análise sobre as causas dos acontecimentos,  captam facilmente a atenção do leitor infantil, já que envolvem sua personalidade.

Um dos axiomas fundamentais da psicologia diz que os primeiros anos de vida da criança têm um papel fundamental no desenvolvimento futuro de cada ser humano. O estabelecimento de um horizonte de significado  é essencial para dar fundamento e sentido às experiências vivida pela criança.

O que é horizonte de significado?

Horizonte de significado é o ponto de referência no qual os eventos da vida cotidiana começam a encontrar sentido, um enredo que os unifique. Assim, a criança pode acomodar todas as suas experiências de vida, deixando de vê-las como uma experiências caóticas; como se não existisse relação de umas experiências com outras. Pouco a pouco a criança começa a compreender que sua vida tem um sentido, uma orientação, ou melhor, um enredo, como as histórias que escutada cada noite.

O horizonte de significado pode ser entendido como o sentido de vida.

Muitos autores concordam que, se queremos viver, não momento a momento, mas realmente cientes da nossa existência, necessitamos encontrar significado a nossas vidas. Entretanto, não adquirimos um compreensão do significado da vida em uma idade determinada, ou quando se atinge a  maturidade cronológica. Se trata de um processo que culmina com a maturidade psicológica.

 Bruno Bettelheim  na sua prática terapêutica percebeu a importância de que as crianças tivessem acesso a materias que ajudassem na formação de um horizonte de significado.

Bettelheim  concluiu que o material mais apropriado para  proporcionar significado à vida da criança está nos contos de fadas tradicionais, já que estão formados por personagens arquetípicos (A bruxa, o príncipe herói, a princesa, o rei, a fada madrinha etc).

Por que contos de fadas (fantásticos)?

  • Os contos de fadas despertam a criança pouco a pouco em relação ao seu entorno;
  • Proporcionam uma leitura iconográfica e amena;
  • Pela simplicidade das situações descritas, muitas de forma tipificada;
  • Outro fator importante é que os contos de fadas alcançam muito êxito entre as crianças, enriquecendo sua vida mais que outros materiais de leitura. Isso acontece porque os contos conectam-se com o seu psicológico e emocional, em virtude da grande simbologia que penetra no consciente infantil, ajudando na compreensão mais profunda e liberando o seu significado;
  • As histórias arquetípicas, como os contos de fadas, ajudam ao ser humano a orientar, dar sentido  e fundamento à sua existência durante o processo de converter-se em pessoa e no seu processo de individualização.
  • Os contos ajudam a adquirir mais vocabulário, tempos verbais e também ajudam a compreender a contextualização.

     

Outro fator muito importante é a transmissão de carinho que ocorre durante o momento em que que se conta um conto para a criança.

Este encontro emocional é insubstituível. A palavra se transforma em transmissora de afeto, não só de conteúdo, e recupera o poder que lhe corresponde como rainha da imaginação.

Estes foram somente alguns exemplos dos benefícios dos contos de fadas. Infelizmente muitos pais não contam contos para os seus filhos. Tanto é assim que todo material de contoterapia que tenho encontrado, está dirigido para os profissionais da educação. Minha proposta é aproximar a contoterapia ao mundo familiar.

frase ler contos para crianças
 Já escutei muitos comentários contrários aos contos de fadas. Você já sabe o que penso, agora gostaria de saber a sua opinião. Até breve.

Resenha Filme: Amazing Grace

(Para leer el texto en español pincha en: Amazing Grace)

reseña película Amazing Grace

 “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.

Essas palavras poderiam estar escritas, sem sombra de dúvida, no túmulo de Willian Wilberforce.

Amazing Grace 2

Amazing Grace é um filme inspirador

Alguns filmes nos fazem pensar sobre o sentido da vida. Não no sentido genérico da vida, me refiro ao sentido individual, a minha e a tua vida. Qual o propósito da minha vida? O que estou fazendo a parte de cuidar dos meus objetivos? Estudamos, trabalhamos, temos filhos, cachorros, gatos… mas, o que existe na minha vida que a torna única?

Estou convencida de que a vida de cada pessoa tem um propósito que ultrapassa a porta de casa.

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Willian Wilberforce

Amazing Grace conta a história de Willian Wilberforce, um jovem que poderia ter escolhido  a vida que quisesse. Filho de um rico  comerciante, estudou na Universidade de Cambriage, onde fez amizade com o futuro Primeiro Ministro Inglês William Pitt (O Novo). Com apenas 21 anos Wilberforce se converteu em membro do parlamento e passou a dedicar sua vida à luta contra a escravidão.

Eleito deputado por Hull e Yorkshire, depois de deixar atrás uma vida dissoluta, se converteu em um cristão comprometido. Conheceu a John Newton, um sacerdote que havia sido capitão de um navio negreiro, e que arrependido de como havia levado a vida, compôs a canção “Amazing Grace” (versão Il Divo), título do filme. O jovem Willian pensava dedicar-se à pregação, entretanto, seu amigo William Pitt o animou a dedicar-se à política e a causas tão nobres como a luta contra a escravidão.

Foram anos de luta em que muitas vezes Wilberforce pensou em desistir, mas sempre aparecia alguém que o animava. Até que um dia… bem, não vou contar mais… veja o filme, garanto que você vai gostar.

William-Pitt
Willian Pitt

Somos jovens demais para pensar que é impossível. Por isso conseguiremos.

(William Pitt, “Amazing Grace”)

 

 

Essa é a frase com a qual termina o filme:

«William Wilberforce seguiu lutando contra as injustiças o resto da vida. Transformou os coração e a opinião dos cidadãos da sua nação em assuntos como: educação, saúde pública, reforma penitenciária; tudo isso para cumprir seu segundo grande sonho: fazer do mundo um lugar melhor».

Pensemos nisso: Pelo que estamos lutando? Que palavras nos descreverão quando terminemos nossa carreira nesse mundo? 

Até breve!

Você julga a vida cinza de outros através de seu mundo colorido?

(Para leer el texto en español pincha en: Beth, mis minhas lágrimas y su corazón.)

(Jacarandá duas cores

Beth, minhas lágrimas e seu coração.

Nossos caminhos começaram a encontrar-se sem que ela me olhasse nos olhos. Era uma situação estranha, dessas que gostamos de evitar, porque nos faz sentir incômodos. Havia conhecido a Beth, sem no entanto, trocar muitas palavras com ela. Quando a encontrei na rua de mãos dadas com seu filho não duvidei em cumprimentá-la. Entretanto, ela baixou a cabeça e passou reto, enquanto o seu filho dizia: _ Mãe, essa não é a mulher que conhecemos no outro dia? – Foi uma situação muito estranha. Não podia entender porque não me havia cumprimentado.

É incrível como a vida dá voltas. Agora eu estava ali, atrás dela, numa sala do fórum. Sabia que Beth sentia-se incômoda respondendo as perguntas do Promotor de Justiça. Compreendia a sua mente, conhecia parte da sua vida: uma estrangeira só em um país distante, sem ninguém para apoiá-la, e um filho para cuidar. Também sou uma estrangeira em um país distante. Conheço o seu coração.

Antes, para evitar que se repetisse aquela situação incômoda, comecei a cruzar a rua quando observava que Beth vinha na minha direção. Me conhecia, por que não me cumprimentava?

Não podia ver o seu rosto, mas sabia que seu coração estava acelerado enquanto era bombardeada de perguntas, que lhe custava compreender. Eu havia escrito a petição, eram minhas palavras refletindo a sua vida. Outros não entenderiam porque era tão difícil para ela dar as resposta que eu conhecia de sobra. Desejava falar, explicar-lhes o que Beth necessitava. Entretanto, não podia fazê-lo, eu era só uma observadora, sem direito a manifestar-se.

Quanto o Promotor terminou de falar e o juiz confirmou que concordava com ele, eu não podia acreditar. Há situações na vida que somente uma palavra  “Milagre” pode explica-las. Talvez você esteja pensando que o juiz aceitou a petição que fizemos. Não. Ele foi além disso. Havia concedido a Beth o que ela necessitava sem que tivesse pedido, ultrapassando os limites da sua função.

Senti como as lágrimas caiam dos meus olhos sem que pudesse contê-las. Sabia o que a aquela decisão significava para Beth. Conhecia o seu coração. Entretanto, quando nos encontramos pela rua, eu não compreendia a sua vida, e me limitei a julgá-la através do meu mundo colorido.

O mundo está repleto de pessoas diferentes, cujas vidas e personalidades são completamente distintas. Sou uma pessoa que sempre observo a vida através de um prisma colorido. Para mim a vida é linda, apesar das suas dificuldades, problemas e pedras pelo caminho. Além disso, também sou uma pessoa automotiva e com uma autoestima equilibrada. Desde o meu ponto de vista, uma pessoa que apesar de me conhecer não me cumprimenta, deve ser muito antipática (ou ter problema de visão hehehe).

Por que algumas pessoas se escondem no seu pequeno mundo como um caracol na sua estreita concha?

Beth ensinou-me que nem todas as pessoas conseguem ver a vida através de um prisma colorido como eu. Na verdade, Beth teve uma vida muito sofrida. Durante anos bombardearam a sua autoestima, e ela se transformou em uma pessoa extremamente  insegura. Para ela é difícil olhar alguém nos olhos, seu sorriso é tímido e pouco expressivo. Beth não me cumprimentava por antipatia, como eu pensava; sentia-se incômoda por ter que cumprimentar alguém que conhecia pouco.

“Se os olhos são o espelho da alma”, Beth não desejava compartilhar os seus segredos através do intercâmbio que supõe olhar nos olhos de uma quase desconhecida. 

Atualmente Beth já se sente mais segura. Está aprendendo que tem valor. Que sua vida tem um propósito eterno; e que ela “apesar de ser uma pequena luz também pode iluminar” (essas foram as palavras usadas por ela).

Qué feliz me hace ver que a pesar de tantas equivocaciones y tantos disgustos,  todos podemos encontrar El Camino. En ese proceso, aún cuando los pasos se hacen pesados y el sendero se estrecha, nosotros nos vamos ensanchando.  

Sinto-me feliz ao ver que, apesar de tantos equívocos e problemas, todos  podemos encontrar O Caminho. Nesse processo, ainda quando os passos se tornam pesados e a senda comece a estreitar, ainda seguiremos crescendo.

Obrigada por permitir-me compartilhar contigo as minhas palavras. Adoraria saber a tua opinião. Até logo!