Mudar: uma questão de sobrevivência.

(Para leer el texto en Castellano pincha en: Cambios)

a mesma de ontem morreu
Fotografia de Arquivo: Claudine Bernardes

Mudanças

A mesma de ontem?
Não, jamais volterei a ser.
Porque a pessoa de ontem
morreu quando dormi.

Hoje acordei um pouco diferente,
um pouco transformada.
Sou uma variação da pessoa de ontem,
uma nueva versão.
Ainda que a mudança seja pequena,
para alguns imperceptível,
te garanto…
não sou a mesma.

Choro mais nos filmes,
menos nos velórios.
Minhas perdas são menos sofridas.
No entanto, a pessoa de hoje
sofre mais com a perda alheia.
Insólito, verdade?

Confesso, gosto de mudar.
Gosto de “morrer-me para mim”
cada dia.
Porque assim, tenho a oportunidade
de voltar a tentar.

Bom, hoje já falei demais
e vivi o suficiente.
Chegou a hora!
A pessoa de hoje deve morrer.
(Claudine Bernardes)

Ano novo, mudanças e recomeços.

Acredito piamente na oportunidade diária de recomeçar, de mudar e de voltar a tentar. Amo cada dia, cada segunda-feira e cada ano novo, porque são sinônimos de esperança de que coisas novas podem passar.

Entretanto, sei que cada um de nós deve ser dono das oportunidades diárias que Deus nos brinda para melhorar como pessoa. Não podemos deixar que os dias passem sem que ocorram mudanças necessárias em nosso caráter. Essa é nossa responsabilidade. Infelizmente vejo pessoas que durante sua juventude eram adoráveis, cheias de esperança e fé, porém com o passar dos anos elas permitiram que esses bons sentimentos morressem nas suas vidas. Se tornaram em pessoas piores, tristes, mesquinhas. Creio que todos os dias devemos morrer, e voltar a nascer como uma pessoa melhorada, revigorada cheia de esperança, ainda quando tempo esteja nublado.

Te peço que faça esse exercício comigo.Observa-te no espelho e faça essas perguntas:

 Como é essa pessoa de hoje? Já foi melhor? O que perdeu pelo caminho? Perdeu a fé, o amor próprio, a esperança? Que maus hábitos acreditas que hoje devem morrer quando dormires? 

Lembre-se que todos os dias temos a oportunidade de mudar, porém nem todas as pessoas  que estão na nossa vida esperarão as mudanças. Além disso, haverá um dia em que O DIA terminará para nós.

Mudar uma questão de sobrevivência
Fotografia e texto: Claudine Bernardes

Estás de acordo com essa reflexão? Espero receber o teu comentário. Obrigada por passar pela minha “A Caixa de Imaginação”. Até breve 😉

 

Prêmio Dardos

(Para leer el texto en español pincha aquí: Premio Dardos)

premiodardosblogaward-2

Oi amigos! Resolvi interromper as minhas férias para fechar o ano com o Prêmio Dardos, que foi uma indicação de duas blogueiras muito simpáticas: Michelle do blog Amando o Hoje e a Vanessa do blog Quase em Crise?.

Me parece bastante interessante que o Prêmio Dardos tenho dado a volta ao mundo, passado pelo Brasil e agora esteja de volta aqui na Espanha (vocês lembram que vivo na Espanha, né?)

Comecei a compartilhar minha “Caixa de Imaginação” com vocês em outubro desde ano, e tem sido uma experiência muito gratificante. É maravilhoso trocar ideias, receber dicas e ser lida por pessoas que nunca vi, mas que compartilham tantas coisas em comum comigo. Obrigada.

Prêmio Dardos é uma espécie de selo virtual criado em 2008 pelo escritor Alberto Zambade, autor do blog Leyendas de “El Pequeño Dardo” El Sentido de las Palabras. Ele selecionou e indicou o selo a quinze blogs que ele considerou merecedores do prêmio, os quais também indicaram outros 15 e assim sucessivamente, criando uma imensa corrente na internet.
O objetivo do Prêmio Dardos é reconhecer os esforços de blogueiros, a cada dia, para transmitir princípios culturais, éticos, literários, pessoais etc., manifestando a criatividade através de seus pensamentos presentes em suas palavras e textos.

Regras do Prêmio Dardos
Indicar os blogs que preencham os requisitos acima para receber o prêmio.
Exibir a imagem do selo.
Mencionar o blog de que recebeu a indicação e pôr o link dele.
Avisar aos blogs escolhidos.

Bem, como meu blog é bilingue, vou indicar tanto blogs hispanofalantes como lusófonos. Vamos lá então:

  1. Blog do Palhão: Um blog imprescindível, vale a pena conhecê-lo.
  2. WLD Exilado: Waldir é um desses blogueiros que diz o que pensa.
  3. Falando em literatura: Para os amantes da literatura.
  4. Delicias do Momento: Porque não só de palavras vive o homem 😉
  5. O Blog das Duas: Palavras cheias de inspiração.
  6. Arte de viver bem: Reflexões e boas palavras.
  7. Bruno Félix: Poesia e boa música.
  8. As Crônicas de Georgia: Porque gosto de ler o que essa “menina” escreve.
  9.  Un Cafe con Olivia: Poesia com jeitinho brasileiro escrita em espanhol.
  10. German Asmus: Um montão de boas estórias.
  11. Nica Feliz: Narrações fora das quatro paredes
  12. Valeriam Émar: Dicas para ser um escritor melhor.
  13. Delatorre f/5.6: Fotografias para alegrar e inspirar
  14. Edición de libro Indie: Blog imprescindível para quem deseja publicar um livro eletrônico.
  15. Sirena Rapsoda: Carmen tem uma mente que transborda poesia.

 

Quero terminar o ano agradecendo a cada pessoa que lê minha “Caixa de imaginação” e que me anima com os comentários.  Nos “vemos” no ano que vem. 😉

O Monstro de Cores: aprendendo sobre os sentimentos

(Para leer el texto en Español pincha en: El monstruo de colores)

Educando a emocionalidade

Uma resenha muito especial

Sou uma amante dos contos infantis! Gosto muito de aprender e ensinar através dos contos. As histórias infantis não foram criadas somente para entretener as crianças. Na verdade elas possuem um forte componente didático que deve ser aproveitado ao máximo para ajudar as crianças no seu processo de aprendizagem de vida.

Por essa razão e aproveitando que estamos buscando presentes de Natal para dar aos nossos filhos, sobrinhos, netos etc, sugiro esse livro. O Monstro de Cores foi escrito e ilustrado por Anna Llenas. Se você quiser pode conhecer outros livros dela no seu site e também pode seguir o seu blog.

O livro conta a história do monstro de cores, cada cor simboliza um sentimento: Tristeza (azul),  Medo (negro),  Raiva (vermelho),  Calma (verde), Alegria (amarelo), Amor (rosa).

Uma menina encontra o Monstro todo colorido, simbolizando que todos os seus sentimentos estão misturados e por isso ele se sente confuso. Ela explica-lhe que é necessário ordenar os sentimentos, separa-los de acordo com as suas cores. Explica como funciona cada sentimento.

O monstro de cores

Com essa história as crianças aprendem a identificar os sentimentos de acordo com o que sentem no momento. É muito interessante, porque não nos enganemos, há muito marmanjo por aí que não consegue compreender o que realmente está sentindo.

Meu filho amou receber esse livro de presente. Além disso, para que ele aprendesse mais sobre os sentimentos e como enfrentar os sentimentos negativos, fizemos algo muito legal. Pegamos etiquetas em potes de vidro com os sentimentos escritos nelas. Cortamos papel com as mesmas cores e quando o meu menino sente raiva, por exemplo, escrevemos o sentimento no papel vermelho, conversamos sobre como ele está se sentindo e colocamos o papel dentro do “Pote da raiva”.

resenha livro infantil a caixa de imaginação

Depois disso nos abraçamos (porque ele aprendeu que o carinho remove os sentimentos ruins), e chegado a esse ponto toda a raiva que ele sentia já se dissipou. Esse exercício ajuda a criança a falar e enfrentar os sentimentos negativos e a desfrutar dos sentimentos positivos. 

Eduquemos as emoções das nossas crianças! Somente assim elas poderão ser adultos sadios e maduros. 

 

Se gostou deste conto tenho certeza que também gostará do meu Conto que acaba de ser publicado em PORTUGUÊS,   “Carlota não quer falar”, entra para ver tudo que esse conto oferece.

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O ruído das folhas secas em outono.

(Para leer el texto em Español pincha en: El ruido de las hojas secas en otoño)

caminar sobre hojas secas otoño
Fotografia de arquivo: Claudine Bernardes

As tardes cinzentas de anoiteceres prematuros; as folhas secas que pisamos pelo caminho, são um pouco de todas as coisas belas que o outono nos presenteia. Porém, o mais belo que guardo do outono, é o teu sorriso maroto, enquanto corres pisando as folhas secas de um anoitecer prematuro.

Ilustres sábios deixaram os seus ensinamentos ao mundo, os grandes cientistas deixaram as suas descobertas e os inventores as suas máquinas. Minha herança a este mundo não será as minhas palavras… porque essas se perdem, se vão. Não me recordarão como uma grande profissional, na verdade não me importa se simplesmente se esquecem de mim. Os filhos  são a herança mais importante que um homem e uma mulher podem deixar. Por isso, que a este mundo deixarei o meu filho, minha herança. Sua grandeza será a felicidade que levará dentro. O amor que herdará de mim, será o seu maior bem. Trabalharei sem descanso para ensinar-lhe que o seu “bom nome” é o tesouro que deve proteger sem medo. Porque, como diss Shakespeare 

O bom nome para o homem e para a mulher, meu caro senhor, é a jóia suprema da alma. Quem rouba minha bolsa, rouba uma ninharia. É qualquer coisa, nada; era minha, era dele, foi escrava de outros mil. Mas quem surrupia meu bom nome tira-me o que não o enriquece e torna-me completamente pobre.” (“Othelo”, Ato III, Cena 3).

Como você pode notar, estou amando viver a aventura de ser mãe. Fico por aqui. Obrigada por visitar a minha “Caixa de Imaginação”. Espero os seus comentários e se gostar do texto pode compartí-lo com os seus amigos. Até breve.

Crônica do meu primeiro encontro literário

(Para leer el texto en español pincha en : Corazones afines)

Corações afins

Entrei pela grande porta com vacilação. Geralmente lugares como aquele me fariam sentir bastante segura, como quando me escapava das amigas durante o recreio, e me escondia entre os livros. Caminhei timidamente pelo corredor folheando alguns livros, sem nem ao menos ler os títulos. Só necessitava sentir-me segura, e nisso aqueles meus amigos mudos sempre me ajudavam.  Subi pelas escadas, um pouco mais segura de mim (mas nem tanto) e saudei a única pessoa presente, um homem maduro, de sorriso largo que parecia ser o responsável pelo evento. Interessante que quando alguém não se sente seguro, ocupa sempre a última cadeira, ainda sabendo que depois se arrenderá.
_ Talvez seja melhor que você se sente mais na frente. – Me disse com simpatia o Homem do Sorriso Largo.  Devolvi o sorriso e sentei uma fila mais à frente. Minutos depois criei coragem e me trasladei à primeira fila. Não demorou muito para que chegassem os demais assistentes. Curioso que apesar de não conhecer nenhuma daquelas pessoas, compartíamos uma parte muito importante de nossas vidas, o amor pela literatura.
O Escritor convidado era um homem de pequena estatura, cabelos grisalhos e olhar gentil. Chegou sem fazer alarde e sentou-se humildemente, ao lado do Homem de Sorriso Largo. Depois de poucos minutos, e de que se lesse seu extenso curriculum, o Escritor começou a falar.
Creio que não somente eu, mas também os demais participantes, esperávamos que o Escritor nos falasse sobre o seu livro, que tratava de um tema muito interessante.
Mas não foi assim, ele decidiu contar-nos como se havia apaixonado pela literatura. Sou uma amante da história alheia, assim que o seu relato foi um presente para mim. Tudo havia começado em Paris, durante os últimos anos da década dos 60, enquanto ele estudava medicina. Da medicina à literatura foi um salto inevitável, se “enamoró” e resolveu viver entre livros, escritos e escritores. Ali escutando esse homem grisalho, percebi que observando com atenção, podemos crescer com as experiências de outros.   Principalmente quando somos corações afins.

  • HOMEM DO SORRISO LARGO: Victor Vazquez Bayarri  (escritor, cantor e compositor)
  • ESCRITOR: Ricardo LLopesa, escritor Nicaraguense, pesquisador, diretor do Instituto de Estudos Modernistas e membro da Academia Nicaraguense da Língua.

    Encuentro literario 1
    À esquerda o Escritor (Ricardo Llopesa), à direita o Homem do Sorriso Largo (Victor Vázquez Bayarri).

 

Depois de ter contado minha experiência em prosa, gostaria que você conhecesse alguns dados importantes sobre esse dia:

Evento: Racó de la Cultura i de l’Art d’Adall. (Lugar da cultura e da Arte de Adall). “Manual do escritor de Contos” (título original: Manual del escritor de cuentos).

Organizado pela Associação Adall Castellón. 

Lugar e data: 30/11/2015, Livraria Babel – Castellón de la Plana.

Antes de terminar o evento Victor cantou e tocou uma música de sua autoria. Era uma bela canção cantada em francês e castelhano, e a sua interpretação me deixou emocionada.

Victor Vázquez Bayarri a caixa de imaginação
Victor Vázquez Bayarri.

 

E claro que para terminar, não poderia deixar de tirar uma foto com os protagonistas da minha história:

Ricardo Llopesa, Claudine Bernardes e Victor Vázquez.

Te animo a participar de eventos como este. Em todos os lugares podemos encontrar associações de escritores, onde pessoas com corações afins podem compartilhar experiências, aprender e crescer juntas.

Um grande abraço e obrigada por visitar minha “Caixa de Imaginação”. 😉

Te atreves a sair das 4 paredes?

(Para leer el texto en Español pincha en: ¿Te atreves a salir de las 4 paredes?)

caja de imaginación claudine bernardes
Fotografia Claudine Bernardes  – Desierto de las Palmas/Castellón.

Meu segundo lar

Meu coração batia a um ritmo acelerado, enquanto pensava: “Já não tenho idade para essas aventuras. Mas que besteira estou dizendo? Deve estar faltando oxigênio no meu cérebro.”
O caminho era íngreme, cheio de pedras e embora eu pedalasse com dificuldade, também o fazia com insistência. “Não penso desistir”. Logo cheguei no meu destino. A grande pedra ao lado  do caminho, rodeada de espinhos e com cheiro de orégano, era o meu lugar favorito para descansar. Sentei na superfície dura e fria, com o ar úmido que corria entre as montanhas e refrescava o meu corpo ainda quente em razão do esforço físico.
O canto dos pássaros era afogado pelo ruído produzido por uma máquina que perfurava as pedras, fazendo surcos e deixando cicatrizes naquele pedaço de paraíso. Meu pequeno paraíso, meu segundo lar. Não pensava assim quando olhei pela primeira vez aquelas montanhas. Pareciam tão áridas, pedregosas e secas… no entanto, já não sou a mesma. Meus olhos mudaram e meus sentimentos também.   Agora, essas montanhas fazem parte de mim.
Quando o dia parece cinza e triste, me basta  observá-las de longe, e um sorriso nasce no meu rosto.

Hoje te proponho algo novo, um desafio: Escrever fora das quatro paredes.

Tenho um processo criativo bastante desordenado, por isso escrevo muitas coisas ao mesmo tempo. Minhas idéias ou inspirações costumam surgir em qualquer lugar. Sempre digo que as palavras me perseguem. Quando surge alguma idéia, tenho que anotá-la em seguida (não quero que escape) Por isso, sempre levo comigo um caderno de notas. Só depois de ter pensado muito sobre o tema, e de que esteja bastante estruturado na minha cabeça, me sento para escrever.

Pois hoje, meu desafio foi levar a minha mesa de escritório para a rua (ou melhor, para a montanha). Trabalhei sentindo a fragrância do orégano e escutando o cântico dos pássaros (interrompida por momentos pelo ruído da perfuradora 🙂 )

Por que resolvi fazer isso?

Creio que sair das quatro paredes abre a nossa visão, nos permite ver tudo com mais amplidão. Se trata de escrever reagindo ao movimento do mundo que nos rodeia. Não estaremos somente descrevendo o que imaginamos. Escrevemos o que vemos, escutamos, sentimos, tocamos e cheiramos.

Aceitas entrar nessa viagem comigo?

O desafio que proponho é de que saias do teu lugar de conforto.  Que escrevas intercambiando o que sentes por dentro com o que recebas de fora, misturando tudo e gerando algo diferente.  Para isso deves experimentar os teus cinco sentidos e até um pouco do sexto.

Não importa sobre o que escrevas. Tudo o que escrevemos pode entrar nesse processo: poesia, contos, moda, crítica social, tudo é válido.

1. ESCUTA: escuta o que passa ao teu redor y descreva-lo.   O tom das palavras que revelam sentimentos, desejos ou guardam segredos. O ruído da rua, das pessoas caminhando, os falatórios etc.

2. OBSERVA:  as pessoas, como caminham, se movem ao falar e interagir com outros, como observam outras pessoas. Que captas delas? Como as les? Que estarão pensando? Quais sãos os seus medos, desejos, preocupações?

3. Cheira: todo lugar e toda pessoa tem um aroma próprio e peculiar. Sinta-lo, decifra-lo, tranforma-lo em palavras. .

4. TOCA: Sinta a textura dos objetos que estão ao teu redor, inclusive das pessoas (se podes, é claro, cuidado para que não pensem que és um (a) louco (a) heheheh).

5. SABOREIA: Que sabor tem esse momento?

6. UTILIZA O INSTINTO: O que sentes? O que imaginas que passará? Utiliza a imaginação.

 

Agora compartilho contigo algumas fotografias do meu segundo lar:

la caja de imaginación desierto de las palmas claudine bernardes

la caja de imaginación desierto de las palmas

Claudine Bernardes montanhas espanha
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Se aceitas o desafio, publica o teu texto no Facebook, blog ou onde queiras. Depois avisa-me, será um prazer ler-te. Obrigada pela companhia e por ler a minha Caixa de Imaginação. Espero receber os teus comentários. Até breve 😉

Sou o que sou.

(Para leer el texto en Español pincha en: Soy lo que soy)

ilustração claudine bernardes
Ilustração e texto: Claudine Bernardes

Sou

Quem sou?
Sou a voz que não se
aquieta na tua consciência.
Que as vezes logra ser escutada
quando o teu “eu”,
teu sujo, fútil e pequeno “eu”,
se acalma.

Não sou uma estrela,
não sou um ser que flutua
em algum lugar desconhecido.
Estou no  teu lado cada dia…
cada dia.

Posso calar-me,
se queres.
Mas não deixarei de existir
porque tu assim o queiras.

Posso falar
através de uma flor,
de um raio de sol,
mas não sou nem isso nem aquilo.

Sou o caminho,
sou a porta,
a verdade e a vida.
Sou o que sou.
E estarei ao teu lado cada dia…
cada dia.

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal aberto. Ficarei muito feliz de poder ler os seus comentários. 😉

Você está criando pássaros em gaiola de concreto?

(Para leer el texto en Español pincha en: Pájaro en jaula de concreto)

pássaro na A Caixa de Imaginação
Ilustração: Claudine Bernardes

O passarinho na gaiola de concreto

O pobre passarinho está preso na gaiola.
Dão-lhe de beber e dão-lhe de comer.
Esperam que cante…
mas, cantar o quê?
Cantar de como é triste a sua prisão?
Que suas asas doem e deseja sua libertação?

O pobre passarinho está preso em sua triste gaiola,
feita de tijolo e revestida de cimento.
Dão-lhe de comer, dão-lhe de beber,
ensinam-lhe a ler.

O triste passarinho já nasceu numa jaula.
Entretanto, ainda é pássaro e anela voar.
Sem perder a determinação,
suas frágeis asas chocam-se
constantemente contra a prisão.

O pequeno pássaro deseja fugir da estreita
gaiola revestida de cimento,
por isso molesta, protesta,
mas ninguém lhe presta atenção.

Inscrevem-lhe em atividade extraescolar,
talvez assim deixe de importunar.
Com a mente cansada e a asa quebrada
o pobre passarinho cai rendido,
mas, ainda assim, não desistiu de voar.
(Claudine Bernardes)

As vezes sinto que estou criando um pássaro numa gaiola de concreto.

Brincar é a atividade mais importante para as crianças.

Não se trata somente de diversão, é também uma maneira de desenvolver-se e de aprender. Segundo o artigo de Melinda Wenner Moyer, na revista “Mente y Cerebro” nº 46 (A importância de brincar),

“A brincadeira estimula a inteligência e reduz o stress. Além disso, de acordo com diversos estudos realizados, a falta da brincadeira na infância, junto com o maltrato, constituem duas variáveis que deterioram o desenvolvimento.”

Lembro-me que de pequena, brincar era o centro da minha vida. Sozinha, com os irmãos, primos ou vizinhos, nos sobrava tempo e o bairro era o nosso jardim de jogos. Estudava? Claro que sim! No entanto tínhamos a liberdade de fazer o que quiséssemos com o nosso tempo livre. Eram outros tempos, não nego. Hoje em dia as crianças já não vivem com tanta liberdade, principalmente aqui na Espanha, onde a maioria das famílias vivemos em edifícios. Soma-se a esta realidade o fato de que na maioria das famílias, ambos pais trabalham e as crianças devem passar cada vez mais tempo ocupadas. Começam a estudar cada vez mais jovens (meu filho aos quatro anos já sabia ler), e para ocupar o tempo são matriculados em diversas atividades extraescolares.

Você pensa que estou exagerando?

Conheço a muitas crianças que chegam no colégio às 8h da manhã (algumas antes), almoçam lá, e as 17h, quando termina a aula, devem participar de inúmeras atividades extraescolares (dança, patinagem, futebol, piscina, matemática etc.). Depois dessa frenética atividade diária, a pobre criança chega em casa e ainda deve fazer os deveres, estudar para provas, jantar, tomar banho e cair rendida de sono… porque no dia seguinte começa tudo outra vez.

É como se cada momento da vida da criança devesse estar programado. Ocupar o tempo dos filhos com qualquer coisa, virou uma obsessão na cabeça dos pais.

Sobre isso, Melinda Wenner Moyer adverte que

“Atualmente os pais priorizam para seus filhos as atividades estruturadas, deixando pouca margem para brincadeiras e jogos livres, os quais beneficiam a criatividade, a cooperação e a conduta social.”

O quê podemos fazer para ajudar as nossas crianças?

Como mãe gostaria que meu filho tivesse uma infância tão feliz como a minha, porém, sou consciente de que não lhe posso dar algo igual. O poema e a imagem que aparecem nesse post, foram feitos por mim para lembrar-me sobre a minha responsabilidade quanto à felicidade do meu filho. E para que isso não caísse no esquecimento, coloquei a imagem num quadro e a pendurei na parede, em frente da minha mesa de trabalho.

Meu escritorio

Outra coisa que fizemos (meu marido e eu) foi criar algumas regras de conduta que nos ajudariam a não manter nosso filho em uma jaula:

1 – A educação do nosso filho é nossa responsabilidade: Hoje em dia a maioria dos pais delega ao estado a responsabilidade sobre a educação de seus filhos. O colégio é um apoio, porém, como pais decidimos estar sempre envolvidos na sua educação, essa é nossa responsabilidade. Dessa forma, nosso pequeno passa no colégio somente o tempo essencial e obrigatório.

2 – Brincar sem outras pretensões: Brincar por brincar, fazendo suas escolhas, bagunçando toda a casa se é necessário (com a responsabilidade de organizar seus brinquedos depois que termine de brincar).

3 – Ir ao parque: não temos jardim, e nosso edifício não tem área de jogos, por isso nos esforçamos por levá-lo ao parque com frequência. Ali pode brincar com outras crianças, inventar mundos entre as árvores e despertar sua imaginação.

4 – Atividade extraescolar limitada: decidimos que somente lhe matricularemos em uma atividade extraescolar, a qual será escolhida levando em conta as suas preferências.

5 – Brincar com a imaginação e reforçar a concentração: Nosso pequeno tem dificuldade em concentrar-se, por isso utilizamos jogos lúdicos que fomentam a concentração (ludo, jogo da velha, Oca etc.), além disso buscamos fazer trabalhos manuais em família e criamos nossas próprias histórias infantis.

Sou consciente, que tentando ser bons pais já cometemos muitos erros. Muitos dias serão duros outros nem tanto, porém nunca desistiremos de dar o melhor, para que o nosso filho sinta-se amado da mesma forma como nos sentimos amados pelo nosso Criador.

Se você entende o Espanhol, recomendo que veja esse vídeo:

Seria ótimo receber a sua opinião ou sugestão. A Caixa de Imaginação é um instrumento de comunicação bilateral, sinta-se a vontade para fazer parte do nosso canal. 😉

A Máquina do tempo: Um disco para ler e um livro para escutar.

(Para leer la publicación en Español pincha en: La máquina del tiempo)

“A memória, nossa máquina do tempo, guarda segredos, dívidas e palavras. Também fabrica ilusões e desejos que não medem consequências, caminhando pela fina linha que separa a nostalgia dos sonhos.”
(Juan Carballo)

Juan Carballo

Não, o título não está equivocado. É exatamente assim “A máquina do tempo”, escrita, composta, declamada e cantada por “Juan Carballo”.

Não sou crítica musical ou literária, e explicar a beleza dessa obra (porque considero esse trabalho uma obra de arte) é uma tarefa difícil. Mas te peço, querido leitor, que escute a melodiosa composição de poesia-musical realizada por Juan Carballo. O autor é de origem galega ou seja, sua família procede de Galícia (Galiza), que está no norte de Espanha e divisa com Portugal. Por essa razão você observará que suas composições estão no idioma “gallego” (Língua Galega). Na verdade não é difícil de compreender, porque, na minha opinião, a Língua Galega é o idioma que possui mais semelhança com o português.

“A Máquina do Tempo” além de estar formada por melodiosas canções, poesias profundas e vozes que acompanham perfeitamente a intenção dos textos, também se completa com belas ilustrações de Nuria Díaz.

A maquina do tempo3

 Na minha opinião as ilustrações completam e aportam muito valor ao livro/disco.

máquina tempo 2

Agora, escutemos um pouco do seu trabalho em audio:

Para conhecer um pouco mais sobre Juan Carballo você pode entrar no seu site ou blog.

Então, qual a sua opinião? Já havia escutado alguma música na língua galega? Espero seus comentários. 😉

“Mi gozo en un pozo”. Escolho a alegria.

(Para leer el texto en Español pincha en: Elijo la alegría)

mulher cansada claudine bernardes
Ilustração: Claudine Bernardes

A Ambição Superada

“Certo dia uma rica senhora viu, num antiquário, uma cadeira que era uma beleza. Negra, feita de mogno e cedro, custava uma fortuna. Era, porém, tão bela, que a mulher não titubeou – entrou, pagou, levou para casa.
A cadeira era tão bonita que os outros móveis, antes tão lindos, começaram a parecer insuportáveis à simpática senhora. (Era simpática).
Ela então resolveu vender todos os móveis e comprar outros que pudessem se equiparar à maravilhosa cadeira. E vendeu-os e comprou outros.
Mas, então a casa que antes parecia tão bonita, ficou tão bem mobilada que se estabeleceu uma desarmonia flagrante entre casa e móveis. E a senhora começou a achar a casa horrível.
E vendeu a casa e comprou uma outra maravilhosa.
Mas dentro daquela casa magnífica, mobilada de maneira esplendorosa, a mulher começou, pouco a pouco, a achar seu marido mesquinho. E trocou de marido.
Mas mesmo assim não conseguia ser feliz. Pois naquela casa magnífica, com aqueles móveis admiráveis e aquele marido fabuloso, todo mundo começou a achá-la extremamente vulgar.”  (Millor Fernandes)
Hoje em dia, vivemos em um mundo que corre a um ritmo acelerado. Se as coisas não são feitas como queremos, desejamos ou esperamos nosso “gozo por un pozo”, ou seja, perdemos a alegria. Não se trata de sentir-se uma pessoa infeliz, não se trata de insatisfação, é mais uma infantilidade, egoísmo, frustração insana.
 
Compartilho isso com você desde minha experiência pessoal. Me considero uma pessoa feliz, bem resolvida, tenho uma família linda, porém… ai ai os “poréns” da vida. Por que sempre tem um porém no meio de uma história feliz?
Comecei a perceber que em um momento estava no auge da alegria, e no minuto seguinte, por uma bobagem me sentia jogada no chão. Perdia a minha alegria por qualquer besteira. Foi então que me olhei no espelho e me senti tão vulgar e fútil como a simpática mulher da história de Millor Fernandes.
O que observei?
1. Me afogava num copo de água: Dava muita atenção aos pequenos problemas, e tendo em vista que os pequenos problemas são constantes, eu constantemente me frustrava.
2. Armava batalhas por besteiras: Transformava pequenas lutas em circunstâncias bélicas. Maximizava os problemas, como se tudo girasse ao meu redor.
3. Me frustrava quando algo não saia exatamente do jeito que eu havia pensado. 
Então lembrei de outra história que havia lido muitas vezes. Se trata do relato Bíblico que conta história de Paulo e seu amigo Silas numa prisão (Atos dos Apóstolos 16). Eles haviam sido presos por tentar ajudar a uma moça, mas antes de colocá-los no calabouço, bateram bastante neles. Eles estavam ali, naquela prisão suja, fétida, machucados pelos açoites, e presos pelos pés em um tronco. Que visão horrível, que injustiça! Se fosse eu, gritaria impropérios e os ameaçaria de demandá-los por abuso de autoridade. Mas eles decidiram cantar… isso mesmo, cantar. “Escolheram a Alegria.”

 Então, resolvi fazer o mesmo, escolhi a alegria. Decidi que não me deixaria dominar pela frustração, não queria me converter na mulher da história. Desde então me sinto muito melhor.

Agora deixo algumas dicas práticas que tirei do livro “Não se frustre por ninharias” (R. Carlson y E. Salesman):
1 – É necessário saber perder: Esse deveria ser o lema de quem quer se livrar do stress e de viver queimando pólvora à toa.
2 – Uma boa estratégia: a melhor maneira de viver é escolhendo que batalhas lutar e quais evitar. Nosso objetivo principal não deve ser buscar a perfeição em tudo. Devemos compreender que as discussões que temos e as batalhas que enfrentamos alteram o nosso equilibrio e prejudicam o nosso sistema nervoso.
3. Batalhas inúteis: É realmente importante convencer o teu marido que a sua opinião não está correta? Vale a pena fazer um drama porque alguém cometeu um pequeno erro? Vale apena perder a paz e se frustrar porque um mal educado furou a fila?
Pense ou escreva uma lista das coisas que te fizeram sentir sentir raiva e frustração durante essa semana. Foram muitas? Talvez tenha chegado o momento de você escolher a alegria. 
Lembre-se disso:
a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes
Obrigada pela companhia! Se gostou do texto, compartilhe com seus amigos. Para receber minhas publicações você pode se inscrever no blog. A Caixa de Imaginação é um instrumento de comunicação bilateral, será um prazer receber e ler os seus comentários. 😉