Você vai deixar de seguir o caminho por que encontrou uma pedra?

(Para leer el texto en español pincha en: El camino y la piedra)

O caminho e a Pedra

 Foto de Arquivo: Claudine Bernardes Lugar: Desierto de ls Palmas, Castellón de la Plana

Foto de Arquivo: Claudine Bernardes
Lugar: Desierto de ls Palmas, Castellón de la Plana

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade)

            Drummond nos deixou bastante claro que no meio do seu caminho tinha uma pedra. Porque sempre há pedras no caminho, no meu, no teu, no vosso, sempre há pedras. 

           Outro dia enquanto pedalava encontrei uma pedra no meio do caminho. A resposta foi rápida, a escolha fácil: desviei da pedra. Há pedras que podem ser desviadas, porque o caminho é largo e bem asfaltado. Entretanto, há momentos em que o caminho é um verdadeiro pedregal, então qual é a opção? Desistir da caminhada e dar meia volta com o rabo entre as pernas? Sim, essa é uma opção. Quem nunca desistiu que atire a primeira pedra! Porém, não podemos viver constantemente dessa maneira, porque sempre haverá um caminho pedregoso para vencer, uma montanha para escalar, um rio para cruzar. 

          Quando entrarmos em caminhos pedregosos, lembremos que as pedras que não podem ser removidas ou desviadas, poderão ser escaladas, porque Deus nos criou com mãos e pernas para escalar. Também tenha em conta que estes caminhos pedregosos geralmente são os que nos conduzem aos lugares mais lindos. Quem como eu gosta de caminhar ou pedalar entre as montanhas, sabe que a subida é muito cansativa, cheia de pedras, buracos, encostas íngremes e escorregadias. Mas não deixamos de enfrentar esses árduos caminhos, porque é ali, entre pedras, espinhos e suor, onde nos sentimos mais perto do nosso Criador. 

Blog: A caixa de imaginação. Entrada: A pedra e o caminho. Foto de Arquivo: Claudine Bernardes lugar: Desierto de las Palmas
entrada: A pedra e o caminho.
Foto de Arquivo: Claudine Bernardes
lugar: Desierto de las Palmas

Seria ótimo receber a sua opinião ou sugestão. “A Caixa de Imaginação” é um canal de comunicação bilateral, sinta-se a vontade para fazer parte do nosso blog. 

A guerra é uma opção?

(Para leer el texto en español pincha en: ¿La guerra es una opción?)

La guerra es una opción - torre de londres
Ilustração: Claudine Bernardes.  Amapolas de cerámica na Torre de Londres.

 

Amapolas de Cerâmica

_Mãe, onde está papai?
_ Está longe, meu amor, em outro país, lutando pela nossa liberdade.
A mulher tentava não chorar, enquanto o filho a olhava com dúvidas, sem entender o que significavam aquelas palavras. “Quando se haviam tornado escravos?” – Pensou o pequeno, no entanto preferiu não dizer nada

_ Mãe, quando o papai vai voltar? – Ele já estava cansado de esperar. Queria brincar com seu pai, receber seu abraço, e perguntar-lhe se da luta havia resultado a liberdade.
_ Logo, meu amor, logo. – Respondeu a mãe, tentando conter as lágrimas.
No entanto, quando o pai chegou, não era o que a criança esperava. Curioso, o menino caminhou ao redor da grande caixa coberta pela bandeira do seu país. Por que seu pai estava ali dentro? Queria brincar de esconde-esconde?
_ Você pode sair, papai! – Gritou, esperando que o pai saísse do esconderijo com seu grande sorriso. – Sei que você está aí! – Mas não houve resposta.
A mãe, com a voz trêmula, abraçou-o e lhe disse baixinho.
_ Papai não vai acordar, e não sairá desta caixa. Ele morreu como um herói.

Essas palavras deixaram o menino ainda mais cheio de dúvidas. “Os heróis não morrem! Eles estão sempre aí para livrar-nos de problemas” Desejou gritar, mas ao levantar seus olhos, uma multidão de olhares de pena o fizeram calar.
O menino se tornou homem, pai e depois avô. Um dia, andando com seu neto pelas ruas de Londres, um mar vermelho das amapolas de cerâmica chamou a atenção de ambos. Elas caiam como uma cachoeira de sangue pela janela da torre, espalhando-se ao redor da grande muralha.
O Homem, indicando uma flor, disse:
Você vê essa flor ali? A que está mais distante das outras?
_ Sim, vovô, a vejo. O que é?
_ Essa flor foi um soldado que lutou pela liberdade, um herói que morreu com honra … e ainda que para muitos é apenas uma flor de porcelana, para mim sempre será o pai que amava, mas que não pode ver-me crescer.

Em muitos a guerra produz uma mistura de sentimentos, confusão. No meu caso não é diferente. Claro, eu não gosto de guerras. No entanto, enquanto no coração humano habitar o ódio, orgulho, arrogância e egoísmo, continuará havendo guerras. Guerra dos que querem conquistar e guerra dos que desejam defender. Escrevi estes dois textos porque me senti impactada pela imagem que vi na Torre de Londres. 888. 246 flores de cerâmica, cada uma representando um britânico que caiu na Segunda Guerra Mundial.

Amapolas na Torre de Londres

As flores caiam como cascata pela janela, recordando aqueles caíram para defender a liberdade. Sua ausência deixou um profundo vazio no coração dos que os amavam. Flores sem nome, lembrança escarlata, como o sangue dos caídos pela liberdade.

Deixo algumas frases sobre guerra, para que meditemos:

“Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra.” Bob Marley

Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.

Jean-Paul Sartre

“Nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim.”  Benjamin Franklin

Ninguém ganhou a última guerra nem ninguém ganhará a próxima. Eleanor Roosevelt

E você, o quê pensa? Espero a sua opinião e comentários. Você pode compartilhar esse texto e assim saber o que pensam os seus amigos também. Obrigada por passar pela “Caixa de Imaginação”. Até breve. 😉

 

Hora e meia. Nem mais nem menos.

(Para leer esta entrada en Español pincha en: Hora y media, ni más ni menos)

Castellon pedalar 3 tren
Fotografia de Arquivo. Claudine Bernardes.   

Chegou o momento. Pego o capacete e a minha incansável companheira de aventuras de duas rodas, e saio com rumo certo.  Hora e meia, nem mais nem menos. Durante este tempo meus músculos se misturam com a engrenagem da bicicleta. Ela e eu nos transformamos em uma. Pernas e rodas, músculos e rolamentos se encaixam perfeitamente e posso voar.  Me perco entre laranjais, desafio as montanhas e não me dou conta da gravidade.  Sou apenas eu, sentindo o ar contra a cara. Sou apenas eu. Não sou mãe, não sou esposa, não sou mulher.  Não se trata de um desafio, e tão pouco tenho metas a alcançar; é apenas o usufruto da vida em si mesma. Enquanto voo entre laranjais, montanhas e caminhos rurais, ninguém me nota. Ninguém me observa, à parte do meu Criador. E sei que ele sorri enquanto me vê, porque sabe que este “eu”, como todas as outras partes de mim, também é feliz.

Atividade de Desconexão

Hora e meia é o tempo que tenho, pela tarde, entre que deixo o meu filho no colégio e que tenho que voltar para buscá-lo. Aproveito esse tempo, três vezes por semana, para desconectar-me dos afãs do dia a dia. E na verdade me ajuda muito. Decidi compartilhar essa experiência, porque notei que desde que realizo essa atividade, me sinto muito melhor. Eu a chamo ATIVIDADE DE DESCONEXÃO, porque me ajuda a desconectar-me dos problemas e oxigenar o cérebro.  É possível que penses que escrever já te ajude a desconectar, no entanto, te garanto que fazer uma atividade ao ar livre te ajudará ainda mais.

Desde que faço essas “escapadas” me sinto mais criativa e tenho menos stress. Além disso até o meu marido notou os efeitos. Me comentou que a relação familiar melhorou e que me nota menos cansada, e que enfrento melhor os problemas do dia a dia. Por isso te animo a fazer uma atividade de desconexão ao ar livre.  

Também aproveito esse tempo para fazer algumas fotografias. Te deixo algumas para que vejas como é linda Castellón:

Praia pé
Praia de Benicassim
Castellon pedalar 7 casas
Desierto de las Palmas
Castellon pedalar 5 naranjos
Laranjais prontos para a colheita, a dez minutos de bicicleta da minha casa.
Castellon pedalar 5 ovelhas
Ovelhas no Rio Seco de Castellón. Demorou, mas por fim consegui fazer a foto que queria. Persegui essas ovelhas durante meses. O pastor as leva a pastar em muitos lugares diferentes. 

Castellon pedalar 4 trencastellon pedalar 1 praiaCastellon pedalar 2 tren

Gostaria de saber se tens alguma atividade de desconexão ao ar livre. Não te esqueças que A Caixa de Imaginação é um instrumento de comunicação bilateral, por isso espero teus comentários.

“Identidade”, a busca nossa de cada dia

(Para leer el texto en Español, pincha en: Cazador de mí)

caçador de mim para a caixa de imaginação
Fotografia de arquivo: Claudine Bernardes

 

Caçador de mim

Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim

(Milton Nascimento)

“Identidade”, a busca nossa de cada dia

Me lembro quando era só uma adolescente e li por primeira vez essa poesia. Sim, porque na época ainda não a conhecia como uma canção (clica para escutar a canção). Me senti imediatamente identificada.  Sei que não sou a única, porque essa canção fala muito da condição humana: Somos caçadores de identidade.

Vivemos a intensa busca de algo que ainda não descobrimos o que é. Buscamos por nodos os lados, debaixo de cada pedra, em cada canto, nas gavetas escondidas e lugares desconhecidos. Não sabemos exatamente o que é, e não deixaremos de buscar.  Entretanto, sabemos que nos falta algo. Nos sentimos como um quebra-cabeça ao qual lhe falta uma peça, aquela peça definitiva que dará sentido a tudo, que deixará coerente o conjunto.

Sei que muitos não estarão de acordo comigo, porém, creio com todo o meu coração que  o “homem tem um vazio do tamanho de Deus”, como uma vez disse Dostoiévski. Creio que ao “homem” (gênero humano) lhe falta essa identificação com o eterno. Buscamos incansavelmente por essa eternidade perdida, porque Deus colocou o desejo de eternidade no nosso coração. Sabemos que um dia vamos morrer, porém isso não nos parece natural. A vida é natural, porque fomos criados para a eternidade. Onde a encontramos? Onde ela estará escondida?

Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.
Eclesiastes 3:11

Qual é a sua opinião? Sinta-se livre para comentar, para complementar meu pensamento ou discordar completamente. Só quero saber o que você pensa.

Mudar: uma questão de sobrevivência.

(Para leer el texto en Castellano pincha en: Cambios)

a mesma de ontem morreu
Fotografia de Arquivo: Claudine Bernardes

Mudanças

A mesma de ontem?
Não, jamais volterei a ser.
Porque a pessoa de ontem
morreu quando dormi.

Hoje acordei um pouco diferente,
um pouco transformada.
Sou uma variação da pessoa de ontem,
uma nueva versão.
Ainda que a mudança seja pequena,
para alguns imperceptível,
te garanto…
não sou a mesma.

Choro mais nos filmes,
menos nos velórios.
Minhas perdas são menos sofridas.
No entanto, a pessoa de hoje
sofre mais com a perda alheia.
Insólito, verdade?

Confesso, gosto de mudar.
Gosto de “morrer-me para mim”
cada dia.
Porque assim, tenho a oportunidade
de voltar a tentar.

Bom, hoje já falei demais
e vivi o suficiente.
Chegou a hora!
A pessoa de hoje deve morrer.
(Claudine Bernardes)

Ano novo, mudanças e recomeços.

Acredito piamente na oportunidade diária de recomeçar, de mudar e de voltar a tentar. Amo cada dia, cada segunda-feira e cada ano novo, porque são sinônimos de esperança de que coisas novas podem passar.

Entretanto, sei que cada um de nós deve ser dono das oportunidades diárias que Deus nos brinda para melhorar como pessoa. Não podemos deixar que os dias passem sem que ocorram mudanças necessárias em nosso caráter. Essa é nossa responsabilidade. Infelizmente vejo pessoas que durante sua juventude eram adoráveis, cheias de esperança e fé, porém com o passar dos anos elas permitiram que esses bons sentimentos morressem nas suas vidas. Se tornaram em pessoas piores, tristes, mesquinhas. Creio que todos os dias devemos morrer, e voltar a nascer como uma pessoa melhorada, revigorada cheia de esperança, ainda quando tempo esteja nublado.

Te peço que faça esse exercício comigo.Observa-te no espelho e faça essas perguntas:

 Como é essa pessoa de hoje? Já foi melhor? O que perdeu pelo caminho? Perdeu a fé, o amor próprio, a esperança? Que maus hábitos acreditas que hoje devem morrer quando dormires? 

Lembre-se que todos os dias temos a oportunidade de mudar, porém nem todas as pessoas  que estão na nossa vida esperarão as mudanças. Além disso, haverá um dia em que O DIA terminará para nós.

Mudar uma questão de sobrevivência
Fotografia e texto: Claudine Bernardes

Estás de acordo com essa reflexão? Espero receber o teu comentário. Obrigada por passar pela minha “A Caixa de Imaginação”. Até breve 😉

 

O ruído das folhas secas em outono.

(Para leer el texto em Español pincha en: El ruido de las hojas secas en otoño)

caminar sobre hojas secas otoño
Fotografia de arquivo: Claudine Bernardes

As tardes cinzentas de anoiteceres prematuros; as folhas secas que pisamos pelo caminho, são um pouco de todas as coisas belas que o outono nos presenteia. Porém, o mais belo que guardo do outono, é o teu sorriso maroto, enquanto corres pisando as folhas secas de um anoitecer prematuro.

Ilustres sábios deixaram os seus ensinamentos ao mundo, os grandes cientistas deixaram as suas descobertas e os inventores as suas máquinas. Minha herança a este mundo não será as minhas palavras… porque essas se perdem, se vão. Não me recordarão como uma grande profissional, na verdade não me importa se simplesmente se esquecem de mim. Os filhos  são a herança mais importante que um homem e uma mulher podem deixar. Por isso, que a este mundo deixarei o meu filho, minha herança. Sua grandeza será a felicidade que levará dentro. O amor que herdará de mim, será o seu maior bem. Trabalharei sem descanso para ensinar-lhe que o seu “bom nome” é o tesouro que deve proteger sem medo. Porque, como diss Shakespeare 

O bom nome para o homem e para a mulher, meu caro senhor, é a jóia suprema da alma. Quem rouba minha bolsa, rouba uma ninharia. É qualquer coisa, nada; era minha, era dele, foi escrava de outros mil. Mas quem surrupia meu bom nome tira-me o que não o enriquece e torna-me completamente pobre.” (“Othelo”, Ato III, Cena 3).

Como você pode notar, estou amando viver a aventura de ser mãe. Fico por aqui. Obrigada por visitar a minha “Caixa de Imaginação”. Espero os seus comentários e se gostar do texto pode compartí-lo com os seus amigos. Até breve.

Te atreves a sair das 4 paredes?

(Para leer el texto en Español pincha en: ¿Te atreves a salir de las 4 paredes?)

caja de imaginación claudine bernardes
Fotografia Claudine Bernardes  – Desierto de las Palmas/Castellón.

Meu segundo lar

Meu coração batia a um ritmo acelerado, enquanto pensava: “Já não tenho idade para essas aventuras. Mas que besteira estou dizendo? Deve estar faltando oxigênio no meu cérebro.”
O caminho era íngreme, cheio de pedras e embora eu pedalasse com dificuldade, também o fazia com insistência. “Não penso desistir”. Logo cheguei no meu destino. A grande pedra ao lado  do caminho, rodeada de espinhos e com cheiro de orégano, era o meu lugar favorito para descansar. Sentei na superfície dura e fria, com o ar úmido que corria entre as montanhas e refrescava o meu corpo ainda quente em razão do esforço físico.
O canto dos pássaros era afogado pelo ruído produzido por uma máquina que perfurava as pedras, fazendo surcos e deixando cicatrizes naquele pedaço de paraíso. Meu pequeno paraíso, meu segundo lar. Não pensava assim quando olhei pela primeira vez aquelas montanhas. Pareciam tão áridas, pedregosas e secas… no entanto, já não sou a mesma. Meus olhos mudaram e meus sentimentos também.   Agora, essas montanhas fazem parte de mim.
Quando o dia parece cinza e triste, me basta  observá-las de longe, e um sorriso nasce no meu rosto.

Hoje te proponho algo novo, um desafio: Escrever fora das quatro paredes.

Tenho um processo criativo bastante desordenado, por isso escrevo muitas coisas ao mesmo tempo. Minhas idéias ou inspirações costumam surgir em qualquer lugar. Sempre digo que as palavras me perseguem. Quando surge alguma idéia, tenho que anotá-la em seguida (não quero que escape) Por isso, sempre levo comigo um caderno de notas. Só depois de ter pensado muito sobre o tema, e de que esteja bastante estruturado na minha cabeça, me sento para escrever.

Pois hoje, meu desafio foi levar a minha mesa de escritório para a rua (ou melhor, para a montanha). Trabalhei sentindo a fragrância do orégano e escutando o cântico dos pássaros (interrompida por momentos pelo ruído da perfuradora 🙂 )

Por que resolvi fazer isso?

Creio que sair das quatro paredes abre a nossa visão, nos permite ver tudo com mais amplidão. Se trata de escrever reagindo ao movimento do mundo que nos rodeia. Não estaremos somente descrevendo o que imaginamos. Escrevemos o que vemos, escutamos, sentimos, tocamos e cheiramos.

Aceitas entrar nessa viagem comigo?

O desafio que proponho é de que saias do teu lugar de conforto.  Que escrevas intercambiando o que sentes por dentro com o que recebas de fora, misturando tudo e gerando algo diferente.  Para isso deves experimentar os teus cinco sentidos e até um pouco do sexto.

Não importa sobre o que escrevas. Tudo o que escrevemos pode entrar nesse processo: poesia, contos, moda, crítica social, tudo é válido.

1. ESCUTA: escuta o que passa ao teu redor y descreva-lo.   O tom das palavras que revelam sentimentos, desejos ou guardam segredos. O ruído da rua, das pessoas caminhando, os falatórios etc.

2. OBSERVA:  as pessoas, como caminham, se movem ao falar e interagir com outros, como observam outras pessoas. Que captas delas? Como as les? Que estarão pensando? Quais sãos os seus medos, desejos, preocupações?

3. Cheira: todo lugar e toda pessoa tem um aroma próprio e peculiar. Sinta-lo, decifra-lo, tranforma-lo em palavras. .

4. TOCA: Sinta a textura dos objetos que estão ao teu redor, inclusive das pessoas (se podes, é claro, cuidado para que não pensem que és um (a) louco (a) heheheh).

5. SABOREIA: Que sabor tem esse momento?

6. UTILIZA O INSTINTO: O que sentes? O que imaginas que passará? Utiliza a imaginação.

 

Agora compartilho contigo algumas fotografias do meu segundo lar:

la caja de imaginación desierto de las palmas claudine bernardes

la caja de imaginación desierto de las palmas

Claudine Bernardes montanhas espanha
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Se aceitas o desafio, publica o teu texto no Facebook, blog ou onde queiras. Depois avisa-me, será um prazer ler-te. Obrigada pela companhia e por ler a minha Caixa de Imaginação. Espero receber os teus comentários. Até breve 😉

Sou o que sou.

(Para leer el texto en Español pincha en: Soy lo que soy)

ilustração claudine bernardes
Ilustração e texto: Claudine Bernardes

Sou

Quem sou?
Sou a voz que não se
aquieta na tua consciência.
Que as vezes logra ser escutada
quando o teu “eu”,
teu sujo, fútil e pequeno “eu”,
se acalma.

Não sou uma estrela,
não sou um ser que flutua
em algum lugar desconhecido.
Estou no  teu lado cada dia…
cada dia.

Posso calar-me,
se queres.
Mas não deixarei de existir
porque tu assim o queiras.

Posso falar
através de uma flor,
de um raio de sol,
mas não sou nem isso nem aquilo.

Sou o caminho,
sou a porta,
a verdade e a vida.
Sou o que sou.
E estarei ao teu lado cada dia…
cada dia.

Lembre-se que “A Caixa de Imaginação” é um canal aberto. Ficarei muito feliz de poder ler os seus comentários. 😉

Não quero flores.

(Para leer esta publicación en Español pincha: No quiero flores)

Quando eu fechar meus olhos,
será o mais natural possível,
Sem mágoas, remorsos
ou arrependimentos.

Quando apagar-se a luz
da minha vida neste corpo,
Não quero que lágrimas
sejam derramadas sobre
a matéria que se fará presente.
Não espero lamentações nem dor.

Quando meu espírito deixar meu corpo, e
meus olhos não brilharem mais,
ou sorriso não existir mais em minha face,
não se entristeçam por isso.
Eu fui para o meu Criador.

Não quero coroas caras,
não deixem que as flores
sejam sepultadas comigo,
Não as matem por mim.
Deixem-nas viverem
até que o sol as queimem
e elas sequem e murchem naturalmente.

Porque então, neste dia eu serei
como uma flor seca pelo sol da vida.
Uma flor que um dia nasceu,
deixando que sua raiz se aprofundasse na terra-vida.
Que fez o máximo para deixar o dia
dos que a viam mais alegre e perfumado.

Não chorem pela flor que murchou,
se alegrem pelas lembranças que ela deixou.
(Claudine Bernardes)

a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Essa poesia revela uma verdade que compreendi:  “Sou viajante com pé na estrada, um visitante com hora marcada”. Escuta a linda música da Roberta Spitaletti:

Obrigada por passear pela minha “Caixa de Imaginação“. Se gostou, compartilha com os seus amigos. Para receber minhas publicações, basta clicar em “seguir“. Será um prazer contar com a sua presença e ler seus comentários. 😉

A arte de aceitar a simplicidade

(Para leer la publicación en Español pincha en: El arte de aceptar la simplicidad)

foto amarela claudine bernardes
Foto de arquivo: Claudine Bernardes

Reivindico a simplicidade

Há dias em que desejo conquistar o mundo, realizar
grandes façanhas. Quando na verdade, pouco disso há na minha vida.
Porque, se olho para trás, vejo que as minhas grandes conquistas
foram feitas através de pequenas e simples escolhas.
Por isso, hoje reivindico a simplicidade das escolhas cotidianas.

O desejo ardente de conquistar o impossível, de viver constantemente a adrenalina no amor, no esporte, etc, está transformando-nos em seres frustrados no nosso dia a dia. Queremos viver as incríveis histórias de amor vistas nos cinemas, e se o “amor” não se apresenta dessa forma, não é suficiente. Cada vez mais necessitamos viver a vida ao extremo: o extremo da felicidade, o extremo do amor, o extremo nos esportes; estamos viciados na adrenalina. Observamos a vida de outros através de suas publicações nas redes sociais e pensamos no como a “grama do vizinho é sempre mais verde”. Isso nos frustra! Então, começamos a fazer loucuras para mostrar como somos interessantes, e claro, tudo isso deve ser registrado, fotografado, publicado e compartilhado, do contrário não tem sentido.

a caixa de imaginação
Kirill Oreshkin o “rei” do selfie extremo.

extremo 2

a caixa de imaginação
O termo balconing vem de “pular do balcão”, como os espanhóis denominam as sacadas, em direção a uma piscina ou a outra varanda.

Um pouco de tudo isso ao que me refiro, está virando manchete nos jornais e circula constantemente nas redes sociais. Vamos a dois exemplos:  Selfies extremos que já provocaram a morte de muitas pessoas; tal é a preocupação que Rússia inclusive lançou uma campanha contra essa loucura que se está generalizando. Outra dessas insanidades é o “balconing”, que significa pular de uma sacada em direção a uma piscina ou outra sacada. Ocorre muito na Espanha, entre turistas jovens e já provocou várias mortes e lesões.

Realmente acredito que é necessário reivindicar a simplicidade da vida, promover a contemplação e buscar prazer nas coisas pequenas e cotidianas.  

a caixa de imaginação
Fotografia e edição: Claudine Bernardes

Para terminar, deixo um parágrafo do livro “Pais brilhantes, professores fascinantes” de Augusto Cury:

Uma pessoa emocionalmente superficial precisa de grandes eventos para ter prazer, uma pessoa profunda encontra prazer nas coisas ocultas, nos fenômenos aparentemente imperceptíveis: no movimento das nuvens, no bailar das borboletas, no abraço de um amigo, no beijo de quem ama, num olhar de cumplicidade, no sorriso solidário de um desconhecido. Felicidade não é obra do acaso, felicidade é um treinamento.

Você concorda com o que eu escrevi? Qual a sua opinião? Gostaria muito de ler seus comentários a sugestões sobre esse tema.